(In)Sucesso


Government policy is credited for the capital’s educational turnaround – but others say it is the result of more children from aspirational ethnic minority families at its schools

… mesmo a tempo das eleições.

Para quem criticava as NO não deixa de ser caricata esta forma de “combater o insucesso” e certificar a esmo.

Basta ler o artigo, para perceber o que os próprios directores dizem desta coisa vocacional destinada a afastar das pautas muitos milhares de indesejáveis.

EXp21Mar15

Expresso, 21 de Março de 2015

 

Failings of American High Schools

(…)

Most discussions of high school reform focus, not surprisingly, on schools and teachers. They typically call for changes in the curriculum, in instructional methods, or in the selection, training, or compensation of teachers. I think this focus on what takes place inside the classroom is myopic. And it is why our efforts to improve high schools in America have largely failed. We haven’t done anything to improve adolescents’ noncognitive skills.

Nearly twenty years ago, in Beyond the Classroom (Steinberg, 1996), I argued that no school-reform effort would have any impact, though, if students didn’t come to school ready and able to learn. I continue to believe that this is true. The fundamental problem with American high-school achievement is not our schools or, for that matter, our teachers. If parents don’t raise their children in ways that enable them to maintain interest in what their teachers are teaching, it doesn’t much matter who the teachers are, how they teach, what they teach, or how much they’re paid. Without changing the culture of student achievement, changes in instructors or instruction won’t, and can’t, make a difference. In order to do this successfully, we need to start with families.

O número de alunos com necessidades educativas especiais duplicou nos últimos dois anos. A inclusão tem tido resultados positivos, mas também muitas falhas. Não há dinheiro que chegue nem técnicos para apoiar estes estudantes. Estas conclusões são de um estudo comissionado pelo Ministério de Nuno Crato.

É o chamado mais com menos.

Discordo da teoria da cultura da retenção e da forma como tem sido fundamentada.

Considero-a, em termos pessoais, profissionalmente ofensiva para os professores, em especial quando formulada de modo linear e descontextualizada dos factores de insucesso que desaguam nas escolas.

Mas isso não significa que não reconheça que a retenção existe como problema que deve ser combatido.

Mas… não dou o quantum leap de afirmar ela deve ser exterminada e que os seus efeitos são demolidores para a auto-estima dos retidos.

Depende.

Porque eu não gosto que quem acusa os professores de psicologizarem as razões do insucesso depois venham psicologizar os efeitos desse mesmo insucesso.

Mas isso ainda é o menos.

A ver se me foco no que queria escrever desde o início: eu assumo que considero a retenção como algo que deve existir no sistema de ensino e que é da sua natureza ter, em parte, um carácter punitivo ou sancionatório.

Não me vou agora estar a contradizer só porque pode parecer bem isto ou mal aquilo.

Sem esse carácter, mesmo que reconhecendo a evidente necessidade da componente pedagógica relacionada com o aperfeiçoamento das aprendizagens, é que a retenção não faria sentido.

Vamos lá deixar-nos de paninhos quentes e coisas liofilizadas e assépticas.

Há alunos que devem ser retidos, numa perspectiva positiva, porque é mesmo melhor que repitam o plano de estudos para melhorarem o seu desempenho e há alunos que devem ser retidos porque não fizeram, nem quiseram fazer o mínimo para transitar de ano.

E quantas vezes isso acontece devido a comportamentos e atitudes que, a serem validados perante os pares com a transição,  só servem para retirar sentido ao trabalho e esforço dos outros.

Negar isto pode ser politicamente correcto, mas é fugir à realidade das coisas.

Não é um determinismo fatalista.

Por estranho que pareça a alguns, é uma forma de respeitar a larguíssima maioria.

Calvin-sorry

E vamos lá esclarecer uma coisa: o insucesso dos alunos não é o fracasso dos professores. Pode ser e pode não ser. É tão correcto fazer uma relação directa entre o insucesso dos alunos e a qualidade do desempenho dos professores como culpar a polícia e os juízes pela taxa de assaltos e homicídios ou os enfermeiros e os médicos pela incidência de doenças crónicas na população.

Mesmo não sendo bem o mesmo, acho que dá para perceber.

Calvin-butt

E, já que vamos com a foice a eito… quem quer uma amostra que prove que existe uma evidente cultura de desresponsabilização nos políticos e especialistas acerca disto tudo, pois apenas estão disponíveis para assumir os sucessos, alijando sempre as culpas pelo que corre menos bem?

Calvin-fault

É de 2000 e entra a matar:

O trabalho que aqui se apresenta pretende dar conta da forma como o sistema educativo e, em especial, os professores se desresponsabilizam pelo fracasso escolar dos seus alunos e pretendem legitimar o processo recorrendo à psicologia.

A amostra é restrita em termos geográficos (um concelho do interior norte) e de anos de escolaridade (primeiro ciclo), mas as conclusões são imponentes.

Do ponto de vista quantitativo estamos em presença de valores incompreensíveis e que só uma interpretação mais qualitativa e por conseguinte mais subjectiva nos permitirão (senão entender o fenómeno) fazer algumas considerações: 1. o envio de alunos aos serviços de saúde (pedopsiquiatra e psicólogas) significará que o sistema e os professores atribuem a não aprendizagem a problemas de natureza cognitiva e comportamental logo estamos em presença de uma psicologização do insucesso escolar; 2. a ida do aluno a um pedopsiquiatra e a um psicólogo, por si só, tem capacidade para legitimar a retenção do aluno; 3. como resultante das duas ordens de ideias, antes referidas, a escola como um todo e a organização local e o corpo dos professores, em particular, podem assim desresponsabilizar-se do fenómeno insucesso escolar massivo dos seus alunos.

Poderá existir por aqui alguma razão, mas… eu sublinho aquela parte ali acima…

Está aqui e deveria ter saído junto com a recomendação, porque é muito melhor do que a dita cuja (a autoria técnico-científica é diferente do relato…), mesmo se mantém alguns erros conceptuais muito elementares.

O mais grave baseia-se na extrapolação dos eventuais gastos por aluno para calcular um valor global para o número de retenções.

A demonstração deste erro é demasiado elementar e julgo que só mesmo um enviesamento do olhar o pode justificar.

Para ser válida a extrapolação deveria demonstrar-se que o número de alunos retidos corresponde a um número concreto de turmas adicionais por escola/agrupamento, o que não vejo em lado nenhum.

A verdade é que só de forma residual estes alunos aumentam os encargos, pois a larga maioria incorpora turmas já existentes e a minha observação directa é que a retenção raramente implica o aumento de turmas num determinado ano de escolaridade, muito menos com o aumento do número de alunos por turma que se verificou nos últimos anos.

É minha convicta convicção que não existe qualquer relação directa entre o número de alunos retidos e o valor de 600 milhões de euros adiantado por estes dias para o seu custo. 

Gostaria que me demonstrassem o contrário.

Já o que fica claramente demonstrado, mesmo se com números que me parecem mesmo assim inflacionados, é a enorme diferença do custo por aluno em Portugal e a média da OCDE, quanto mais para os países verdadeiramente desenvolvidos nestas matérias:

CNE2015

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