À chegada à escola, pelo final da manhã, deparei com alguns sorrisos, entre o irónico e o incrédulo, dos colegas de Matemática perante o «exame» do 9º ano, mais um daqueles destinados a fabricar sucesso rapidamente e em força.

Para mim continua a ser incompreensível que numa prova deste tipo, para além do uso de maquinetas de calcular, seja fornecido um formulário aos alunos para usarem na resolução dos problemas.

Como se hábitos rudimentares de memorização fosse um crime de lesa-intelecto.

Em coerência, as provas deveriam vir já com o nome dos alunos impresso que sempre libertaria mais a cabeça para fixar questões mais importantes.

Claro que quem não sabe nada dificilmente consegue sequer usar o formulário, mas verdade se diga que qualquer aluno mediano fica assim com a vida muito facilitada para parecer que é bom ou mesmo bom, bastando para isso ser esperto.

E depois temos a complexidade das questões, que chega a ser ridícula, como o caso da número 6 (6.1 e 6.2) em que se pede um raciocínio e um cálculo que qualquer aluno no final do 2º CEB deveria saber fazer sem máquina e só olhando para o enunciado do problema. Enunciado esse cuja extensão apenas oculta o simplismo do que é pedido.

Se isto é o que um aluno de 15 anos e no final da escolaridade básica deve saber para ter sucesso, estamos perdidos. Não admira que os orçamentos derrapem e as obras públicas esboroem ao fim de alguns meses.

Podem depois aparecer níveis astronómicos de sucesso e garantirem que é tudo por causa do PIM-PAM-PUM e os quadros interactivos que em muitas escolas continuam á espera de uso.

A verdade é que isto se tornou uma enorme mistificação.