Relatório


O relatório tem coisas bastante interessantes, no bom e mau sentido. Uma delas é basear muito do seu conteúdo no diagnóstico feito por 12 especialistas.

Vamos lá ver uma coisa… a questão da retenção ser um “problema” nem é problema. O “problema” é mesmo optar-se por considerar que a maioria das opiniões destas 12 pessoas deve ser a base de um diagnóstico completo.

Certo, ninguém está a dizer que se fossem 24 ou 36 seria melhor o diagnóstico ou que deveria escolher-se a opinião de uma minoria esclarecida.

Mas quer-me parecer que, embora sendo transparente a metodologia, a mesma carece de alguma fundamentação mais densa (porque foram estes considerados “especialistas” e não outros é a mais evidente).

E claro que a questão da “cultura da retenção” me é especialmente cara quando se baseia em sete opiniões. sendo que em matéria de agrupamentos de escolas se ouviram quase só testemunhos do velho condado de Coimbra, entre o Tejo e o Douro (sim, eu sei que Ponte de Sor e Arraiolos ficam do lado de riba-do-tejo de quem vem a cavalo de Portucale).

Por acaso não haveria meios para fazer um inquérito alargado, nem que fosse por mail ou online a uma centena de agrupamentos, seleccionados entre os que têm mais e menos insucesso, bem como melhor evolução deste indicador?

Ficam aqui os elementos, sem mais considerações, relacionados com a “cultura da retenção” que tem ocupado algum do pensamento e do discurso do presidente do CNE nos últimos tempos, já se percebe agora melhor porquê.

CNERet2(…)

CNERet3(…)

CNERet1

 

 

Está aqui e deveria ter saído junto com a recomendação, porque é muito melhor do que a dita cuja (a autoria técnico-científica é diferente do relato…), mesmo se mantém alguns erros conceptuais muito elementares.

O mais grave baseia-se na extrapolação dos eventuais gastos por aluno para calcular um valor global para o número de retenções.

A demonstração deste erro é demasiado elementar e julgo que só mesmo um enviesamento do olhar o pode justificar.

Para ser válida a extrapolação deveria demonstrar-se que o número de alunos retidos corresponde a um número concreto de turmas adicionais por escola/agrupamento, o que não vejo em lado nenhum.

A verdade é que só de forma residual estes alunos aumentam os encargos, pois a larga maioria incorpora turmas já existentes e a minha observação directa é que a retenção raramente implica o aumento de turmas num determinado ano de escolaridade, muito menos com o aumento do número de alunos por turma que se verificou nos últimos anos.

É minha convicta convicção que não existe qualquer relação directa entre o número de alunos retidos e o valor de 600 milhões de euros adiantado por estes dias para o seu custo. 

Gostaria que me demonstrassem o contrário.

Já o que fica claramente demonstrado, mesmo se com números que me parecem mesmo assim inflacionados, é a enorme diferença do custo por aluno em Portugal e a média da OCDE, quanto mais para os países verdadeiramente desenvolvidos nestas matérias:

CNE2015

Well-intentioned education reforms around the world are being undermined because of a lack of proper assessment and analysis of their impact on outcomes for pupils, according to a leading economic thinktank.

Research by the Organisation for Economic Cooperation and Development (OECD) has found that despite the global financial crisis, spending on education around the world has gone up, but there is considerable variation in how the money is spent and the outcomes it produces.

And in a separate report published on Monday, the OECD says that almost one in six 25-34-year-olds across OECD countries does not have the skills considered essential to function in today’s society, a situation which has not improved for more than a decade.

recomendo, em particular, os pontos 1.2 (sobre a gestão da Bolsa dos Professores Classificadores) e 1.4 (pontos críticos e sugestões de melhoria).

RELATÓRIO JNE 2014

PROCESSO DE AVALIAÇÃO EXTERNA DA APRENDIZAGEM – Provas finais de ciclo / exames nacionais

Está aqui.

Nas conclusões, há coisa divertidas, desde logo o facto de estar tudo mal em Português, pois parece-me que nada sobra neste diagnóstico negativo:

Dos resultados obtidos ao longo dos quatro anos de aplicação, é importante destacar três áreas em que parece ser necessária uma intervenção mais específica: o domínio da Escrita, nomeadamente ao nível da textualização; o domínio da Gramática; e, tendo em conta as fragilidades na interpretação de alguns tipos de texto, o domínio da Leitura.

Charter schools slip on latest state report card

Descarregar aqui.

NetMobile

O CNE disponibilizou os relatórios (global e nacional) Education and Training Monitor 2014, que eu deixo também aqui (Monitor2014Monitor2014Port).

Há por lá muito que explorar, mesmo para os não crentes nestes relatórios.

E eu explorei inicialmente mal, pelo que retirei o post que aqui estava, pois baseava-se num quadro errado. Desculpem os que foram induzidos em erro, mas foram mais os que deram logo por ele.

Isto é de ver tanta grelha alheia, deu-me cabo do neurónio operacional.

Global Economic Crime Survey 2014

Por cortesia da A.C., fica aqui: Exec_Sum_KfS2014-1.

Gosto, em especial, dos longos agradecimentos e da gralha exactamente num dos termos em inglês.

Os resultados aconselhariam ou uma consolidação da aplicação deste teste (medida mais fácil) ou uma intervenção a sério na disciplina desde o 1º ciclo, sem demagogias e oportunismos (medida mais difícil). Ou as duas coisas em conjunto, pela ordem inversa da aqui exposta.

Mas, ao que parece, já estava decidido que se avançaria para outros níveis dos testes. Fossem quais fossem os resultados, as opções políticas estavam tomadas.

Como de costume, um erro que em vez de aperfeiçoar a coisa, vai prolongar o atamancanço.

Nove em cada dez professores do 3.º ciclo sente que profissão é desvalorizada pela sociedade

(…)

Os professores também são, em média, mais velhos (44,7 anos) do que nos outros países (42,9) e passam mais anos a ensinar – 19,4 anos para uma média de 16,2. Em Portugal, 82,1% dos docentes completaram estudos ou formação na área da educação, quando a média é 89,8%.

Sobre a gestão das aulas, 75,8% do tempo é gasto de facto a ensinar (a média é 78,7%), o que significa que os restantes 24% são gastos em tarefas administrativas (8%) e a manter a ordem na sala de aula (15,7% contra uma média de 12,7%).

Estes professores portugueses têm uma componente lectiva que ronda as 21 horas por semana, acima da média que é 19 horas, e também passam mais tempo a preparar e planear aulas (nove horas por semana, duas acima da média), e dez horas semanais a marcar e corrigir trabalhos, o dobro da média. Portugal é ainda um dos cinco países em que os docentes que dizem ter mais horas de trabalho são também aqueles que tendem a ter níveis mais baixos de satisfação. Segundo o relatório, a média de alunos em Portugal por escola ronda os mil e é quase o dobro da média.

OECD International teacher and school leader survey to be published Wednesday 25 June

Pelo pouco que sei, fico sempre sem perceber como é que certos conceitos são aplicáveis a Portugal e como é que ainda se conseguem calcular médias acerca de práticas pouco aplicáveis ou aplicadas entre nós.

Mas há algumas muito, muito interessantes pois contradizem frontalmente o que se tenta transmitir para a opinião pública por alguma propaganda divulgada na forma de opinião publicada.

Ficam aqui o parecer (CNEParecerIngles1Ciclo) e o relatório técnico do CNE (CNERelatórioIngles1Ciclo).

Fica aqui: Relatorio_Sistema_Remuneratorio_AP.

A generalidade dos cálculos incide sobre os valores praticados antes dos cortes de 2011 em diante, o que significa que não é o que o Estado gasta, mas o que gastava. Não apenas por causa dos cortes, mas também por causa das rescisões e da redução de contratados.

Há coisas espantosas, como o facto do MEC aparecer com encargos remuneratórios acima do orçamento para o ano em causa (que foi menos de 7,5 milhões de euros em 2009 e 2010, os anos de alegado descontrole das despesas socráticas, conforme se pode consultar a partir daqui). O que dá a sensação de se ter ido aos valores nominais dos salários e ter multiplicado por um número estranho de funcionários docentes e não docentes.

Mas quem sou eu para colocar estas “metodologias” em causa? Sei lá que números consultaram? Se foi abordagem tipo-FMI ou tipo-OCDE?

Ou tipo-o-que-nos-dá-jeito? Nem sequer tem ficha técnica, excluindo o logotipo da DGAEP…

Mas, de qualquer maneira, é muito interessante explorar os encargos com funcionários de carreira e com os “outros”.

Como me apetece ser demagógico, veja-se aqui que eu considero serem os encargos com tachos de nomeação política, sendo que algumas destas pessoas, no caso da Educação, fazem parte dos que acham que os professores ganham muito quando recebem 1500 euros.

Neste caso são remunerações aprovadas em 2012:

RemuntachosDepois é só ir ver quantos há para cada cargo.

Perante isto, há quem ande interessado em minudências.

E certamente se irá apresentar, para consumo público, os números máximos, nominais, que não correspondem a encargos actuais efectivos.

Charter Boom May Have Negative Fiscal Impact on Districts, Report Says

… está aqui.

Depois das conclusões do estudo de 2009 ter apresentado conclusões pouco satisfatórias para o desempenho das charter schools, este relatório do CREDO aumenta o número de estados analisados (de 16 para 27) e de perspectiva de análise… e aqui está uma interessante forma de tornear a questão dos resultados… passaram a analisar-se os ganhos em relação ao período anterior e não apenas os resultados, o que significa que, como as charter schools em 2009 tinham um desempenho globalmente mais fraco, a sua margem de progressão seria potencialmente maior.

Mas nem vou discutir isso. Vou apenas apresentar um quadro-síntese que demonstra que, mesmo com mais 4 anos e uma amostra mais alargada, os ganhos continuam a ser muito residuais em relação às escolas públicas tradicionais…

Charter2013Eu posso ser muito burro, mas… é impressão minha ou há um enorme alarido em torno de muito pouco?

Evaluation of the Delaware Charter School Reform – Final Report

(…)

While moderate success is obvious in the charter schools, a number of negative or unanticipated outcomes need to be watched and considered carefully. These include accelerating the resegregation of public schools by race, class, and ability, and the disproportionate diversion of district and state resources (both financial and human resources) from districts to the more recently established charter schools. Finally, attention must be given to those charter schools that are serving minority and lowincome students, since a majority of them are lagging behind in performance and show signs that they are less stable and viable (p. 153, correspondendo à 174 do ficheiro)

Quase 100 páginas praticamente inúteis, pois diz que tudo está a correr bem e o futuro é brilhante: FMI_7ª_Avaliação.

Não entendo esta do “our reforms” na página 71. Ours?

FMI7Ava

O relatório do Conselho Nacional de Educação, abandono escolar e reacções dos pais e sindicatos.

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