Psicologia Caseira


É de 2000 e entra a matar:

O trabalho que aqui se apresenta pretende dar conta da forma como o sistema educativo e, em especial, os professores se desresponsabilizam pelo fracasso escolar dos seus alunos e pretendem legitimar o processo recorrendo à psicologia.

A amostra é restrita em termos geográficos (um concelho do interior norte) e de anos de escolaridade (primeiro ciclo), mas as conclusões são imponentes.

Do ponto de vista quantitativo estamos em presença de valores incompreensíveis e que só uma interpretação mais qualitativa e por conseguinte mais subjectiva nos permitirão (senão entender o fenómeno) fazer algumas considerações: 1. o envio de alunos aos serviços de saúde (pedopsiquiatra e psicólogas) significará que o sistema e os professores atribuem a não aprendizagem a problemas de natureza cognitiva e comportamental logo estamos em presença de uma psicologização do insucesso escolar; 2. a ida do aluno a um pedopsiquiatra e a um psicólogo, por si só, tem capacidade para legitimar a retenção do aluno; 3. como resultante das duas ordens de ideias, antes referidas, a escola como um todo e a organização local e o corpo dos professores, em particular, podem assim desresponsabilizar-se do fenómeno insucesso escolar massivo dos seus alunos.

Poderá existir por aqui alguma razão, mas… eu sublinho aquela parte ali acima…

 

A desculpa actual da bateria de baterias de comentadeiros e outros entendidos é a humidade. “For those about to rock, we salute you!“.

Cambada de secas!

 

A mim, estas declarações muito inflamadas comovem pouco quando não passam do enunciado, do pedido de audiência, da manifestação do desacordo e da saída de sendeiro.

A Ordem dos Psicólogos (OP) anunciou guerra ao diploma que determina que os técnicos dos serviços de psicologia e orientação dos agrupamentos escolares devem disponibilizar 20 horas para dedicar aos Centros para a Qualificação e o Ensino Profissional (CQEP), as estruturas que vêm substituir os Centros Novas Oportunidades. Na quinta-feira apresenta uma providência cautelar com vista à suspensão de eficácia do despacho do Ministério da Educação e Ciência e promete abrir processos contra a usurpação de funções sempre que aquelas sejam indevidamente entregues a não psicólogos.

 

Private Life?

 

(é mais cool)

… é aquela que produz doutores assim:

“Exames da 4ª classe só podem ser bons para os psiquiatras”

Rui Armando Santiago, doutor em Ciências da Educação, defende que os exames do 1.º ciclo do ensino básico que se realizam esta semana provocam nas crianças uma angústia desnecessária.

Eu poderia desenvolver o que penso em relação a isto e repetir-me, mas… sinceramente acho patético, seja pelos paralelismos, seja por tanta outra coisa que me faz pensar que deveríamos abrir uma conta para ajudar quem ironiza.
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“Quando estava no quarto ano de escolaridade fiz uma série de exames. Para além do exame da quarta classe, que até íamos fazer de gravata ou laço, havia o exame de admissão ao liceu ou à escola técnica. Isso não me trouxe muita vantagem para a minha vida”, recordou ao Expresso.

“Estão de volta os exames e imagino a angústia que as crianças estão a sentir. Ao fim de quatro anos de escolaridade, fazer estes exames só pode ser bom para os psiquiatras. Daqui a alguns anos podem ter mais alguns clientes”, ironiza Rui Santiago.

“Para os miúdos nem sempre são experiências positivas. Faz lembrar o Estado Novo”, acrescenta.

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É que eu aceito argumentos racionais contra os exames, não meros anátemas baseados em problemas pessoais, ainda para mais retorcendo os factos.

Só hoje li o artigo sobre este tema na revista do Expresso da semana passada. Sobre a forma como nos Estados Unidos se prepara a 5ª versão da DSM e se pretende tornar doença e medicalizar aquilo que é mera experiência humana de sofrimento e dor. Como se as emoções tivessem deixado de poder ser vividas e fosse preciso tornar-nos todos dormentes.

Pois, só devem ser o(a)s melhores se for a jogar à bola ou nos castings para moranguette.

Educação: Crise aumenta pressão de pais e professores sobre as crianças para serem “alguém no futuro”

aos domingos – a dez mil euros ao mês.

Também eu compraria livros, oferecidos ou não, mas não me limitaria aos títulos e às editoras.

The Upside Of Being An Introvert (And Why Extroverts Are Overrated)

Uma nova pérola enviada pelo Mário C:

Esta é de rir, os CEF portam-se mal e levam com uma empresa de psis para melhorar os comportamentos. Que sai caro, sai!

Podia retirar diversas citações que me agradam na introdução, mas estou preguiçoso, digitalizei apenas esta que fica no meio da página 21.

… a dificuldade que existe em conseguir-se dizer honestamente mal das ideias e práticas de alguém, na sua presença, para um activo e estimulante contraditório.

O pessoal anda tão sensível que não aguenta, tão irascível que disparata tudo e mais alguma coisa ou tão medicado que nem percebe.

Acreditem que já tentei e comprovei as três situações há muito. Agora, é apenas mais prazer que o zeitgeist surripiou a uma selecta elite viperina que tem dificuldades em manter conversas fofinhas e enjoativas de tão cómodas.

Graham Richards, Psychology – the Key Concepts (Londres: Routledge, 2009, p. 60)

Vaidoso.

nas sextas sem luar é má altura para colocar postes.

Foi ela que disse. E eu tive que ouvir.

Eu percebo que isto fica bem, que rebrilha o olhar, mas deixar-nos-ia, a ser correcto, numa situação estranha… Só há adultos abaixo de inteligentes ou considera-se inteligência tudo?

Ser mau aluno não é sinónimo de incompetência. Esta é a convicção do psicólogo Eduardo Sá, que assegura que “todas as crianças são inteligentes”.

“Quando as crianças sentem que alguém se interessa por elas e reconhece as suas capacidades, ficam motivadas. Todos nós só nos sentimos motivados quando estamos a ganhar”, garantiu o psicólogo Eduardo Sá .

Percebemos assim que segundo a doutrina Eduardo Sá, este ano só o pessoal do FCP se pode sentir confiante… e que o melhor é ser de quem está sempre a ganhar.

É uma lição de vida… estar sempre a favor do vento.

E sorrir, sorrir…

… porque o que eu ouço de algumas destas acções de formação, animadas quantas vezes por psicólogos que nunca estiveram numa escola mais tempo do que o necessário para as acções de formação é só rir, só rir.

Mas como estou proibido de dar uso ao teclado nesta matéria por instruções imperativas, guardarei para outra altura…

Governo vai dar formação a docentes na área de gestão e resolução de conflitos nas escolas

Professores não sabem identificar aluno com necessidades especiais

Depois de lido o texto – depreende-se que deveria ser: Professores são impedidos de identificar aluno com necessidades especiais.

Só que, primeiro, culpa-se imediatamente o professor, como se fosse ele o responsável. Ou existe má-fé… ou alguma dificuldade em ligar a notícia ao título da mesma.

When I was a small child, I used to sneak into my father’s study and leaf through the papers on his desk. He is a mathematician. He wrote on graph paper, in pencial – long rows of neatly written numbers and figures. I would sit on the edge of his chair and look ate each page with puzzlement and wonder. Ir seemed miraculous, first of all, that he got paid for what seemed, at the time, like gibberish. But more important, I couldn’t get over the fact thar someone whom I loved so dearly did something every day, inside his own head, that I could not begin to understand.

This was actually a version of what I would later learn psychologists call the other minds problem. One-year-olds think that if the like Goldfish Crackers, them Mommy and Daddy must like Goldfish Crackers, too: they have not grasped the ideia that what is inside their head is different from what is inside everyone else’s head. Sooner or later, though, children come to understand that Mommy and Daddy don’t necessarily like Goldfish, too, and that momento is onde of the great cognitive milestones of human development. Why is a two-year-old so terrible? Because she is systematically testing the fascinating and, to her, utterly novel notion that something that gives her pleasure might not actually give someone else pleasure (…).

Malcolm Gladwell, What the Dog Saw, pp. ix-x.

Empresários estão mais deprimidos que os desempregados.

Luís de Rivera, professor catedrático de Psiquiatria e presidente da Associação Espanhola de Psicoterapia, na revista Sábado de hoje.

A explicação é simples e eu posso dá-la aqui em 164ª mão: ao menos os empresários podem pagar consultas psiquiátricas de topo (ou base). Os desempregados não.

Fazendo um estudo estatístico de tipo sub-iscteano é fácil provar a afirmação do especialista.

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