Maio 2014


Arcade Fire, Ready to Start

Um professor, por exemplossss, que acolha favoravelmente (vejam como estou contido) uma decisão do Tribunal Constitucional que considera ilegais cortes feitos de forma selectiva e cumulativa ao longo dos últimos anos aos funcionários do Estado é um corporativo anti-patriota.

Um gajo qualquer, que está ao serviço de um qualquer empree3ndedor privado, que adjectiva violentamente a mesma decisão, porque considera que pode acarretar uma redistribuição dos encargos fiscais de forma mais generalizada pela população já é um altruísta patriota?

Ora foda-se!

Vital Moreira agradece o “desvelo e a cortesia” do TC ao chumbar cortes salariais

Este também tem um doutoramento em sectarismo, facciosismos e dissidências. Mas sempre de forma a cair em almofada fofa.

 

Escreve ele, no seu mural do FBook:

É fundamental ler as declarações de voto ao acórdão do Constitucional para perceber que há juízes que discordaram “radicalmente” da decisão. que foi tomada por maioria. É totalmente falsa a ideia de que existe qualquer consenso entre os constitucionalistas nas questões que estiveram em apreciação. Houve apenas uma maioria de juízes com um entendimento sectário e muito visto em interesse próprio, de funcionários do Estado.

E remete para este seu artigo de opinião, que será reproduzido no todo ou em parte em muitas tertúlias blasfemas e insurgentes.

A mim, este tipo de argumentação diverte.

É “sectária” e “facciosa” uma decisão tomada por uma maioria (nem sequer tangencial) de juízes, mas é digna de total adesão a de uma minoria constituída por nomeados pelo desgoverno actual, incluindo mesmo o parente de um actual ministro.

Isto é patético, cómico, caricatural mas, ao mesmo tempo, trágico e preocupante porque se toma como boa uma total inversão de princípios e conceitos, como seja a de afirmar que a posição certa será a de uma minoria dissidente se demarca radicalmente das conclusões” do acórdão final do TC.

Temos, pois, que uma minoria dissidente e radical é merecedora de todo o aplauso por demonstrar que não existe um consenso constitucional, considerando-se “sectária” a posição de uma maioria substancial de juízes.

O que eu gostaria mesmo era de ver o JMF a aplicar esta lógica às decisões do Supreme Court e como ele consideraria as decisões tomadas por diferença tangencial (5-4) sob a batuta de Antonin Scalia, Clarence Thomas e, mais recentemente, Samuel Alito, os ídolos justiceiros do conservadorismo americano.

O que José Manuel Fernandes parece ter esquecido – para além da sua discordância de opinião em relação à decisão – é que é indispensável que as palavras tenham algum valor e que os conceitos não flutuem no seu conteúdo conforme as ocasiões.

“Sectária” é a posição de 8 ou 9 juízes em relação à de 3 ou 4?

O “interesse próprio” só se aplica a uns e não a outros?

Se JMF vai ao ponto de acusar que as medidas do TC são ditadas pelos interesses salariais de alguns juízes, não poderia aplicar o mesmo princípio às posições dos restantes juízes pois, bastando para isso ver o caso da actual presidente do Parlamento, sabemos lá nós quais são os seus planos de futuro em termos de carreira?

Concedo, sem qualquer rebuço, que JMF percebe muito mais de sectarismos e facciosismos do que eu. Agora que use esse conhecimento para subverter os próprios conceitos e entrar à cabeçada por uma polémica que faz lembrar as velhas tácticas dos comités revolucionários de há 40 anos é que me parece um ‘cadinho despropositado.

Mas há que apresentar serviço aos promotores do Observador, certo? Há que opinar em “interesse” próprio ou alheio, correcto?

Ou estarei a ver mal a coisa?

Não me parece.

 

… a níveis salariais perdidos, a pilha inicial deste ano revela a prudência nos gastos e a opção clara por alfarrabistas e promoções dos grandes grupos.

IMG_4763

… e, depois de conseguir a nacionalidade de um qualquer outro país, emigrar de lá para Portugal e beneficiar de uma política que é generosa e acolhedora para quem não seja indígena?

Pelo aspecto da senhora, nem precisamos mudar muito…

IMG_4731

Visão, 29 de Maio de 2014

Página seguinte »