Quotidianos


Não anónimo. Infeliz q.b. com o que nos rodeia.

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Por todos os que acham que professor trabalha pouco, que devem ter mais horas lectivas, mais turmas e mais alunos.

Secret Teacher: why our working hours just don’t add up

This week’s Secret Teacher gives Michael Gove a mental arithmetic lesson, busting the myth that teachers are lazy.

Now, I know it’s a long time since you were at school so we’re going to start with the basics, Michael. Just a little maths. It shouldn’t be too difficult; as long as you pay attention, you’ll see it all adds up. Michael? Look at me, please. Remember how important it is not to be distracted by your friends? Yes, I know you’re both called Michael, but that doesn’t mean you have to behave the same way, does it?

Now, concentrate.

(continua)

Já lá iam uns bons anos que não leccionava o 8º ano e algumas das matérias que mal se afloram no 2º ciclo. è sempre um especial prazer poder levar aos alunos temas como a beleza da arte renascentista e o nascimento do pensamento crítico moderno. Porque permite explorarmos materiais riquíssimos e explicarmos a origem de muito do que pensamos, ainda hoje, sobre o mundo, a Humanidade, a necessidade de análise racional dos assuntos e de tolerância com as posições alheias. Temas que não são, pelo que se vai cada vez percebendo melhor, acessíveis a muita gente com responsabilidades enormes na condução deste país.

O mais certo é acharem que isto é uma completa falta de tempo e o que interessa é mesmo só saber como usar reproduções do Leonardo na promoção de novas cervejas ou parafusos.

Acabei hoje a ronda de testes e não sei se fui demasiado ou pouco exigente para 40-45 minutos: Teste Hist8Fev14. Na opinião del@s claro que a coisa foi difícil, em especial porque nem cábulas decentes já sabem fazer e muito menos, em alguns casos, usá-las de modo discreto.

Mona

… porque assim nada se espera del@s, nada se dá de complicado a fazer e o que se dá, quando é mal feito, tem sempre desculpa.

O chato mesmo é alguém passar por saber fazer alguma coisa e não arranjar justificações da treta para fazer asneira atrás de asneira.

E não é que por vezes aquel@s lá de cima ainda levam com cargos honoríficos que é para elevarem a pobre da auto-estima e fazerem ainda menos do que antes?

Henning Mankell, Wallander author, reveals cancer

… do que aceder a fazer uma aula ao ar livre de verificação de cadernos diários, nos degraus do pátio, enquanto o sol se punha atrás das nuvens?

Nem quem pediu estava à espera.

A temperatura estava morninha, avançou-se pela avaliação final do período e despedimo-nos com um sorriso para o fim de semana, como deve acontecer sempre entre quem se respeita.

Porque há turmas assim.

Ainda as há , mesmo quando nos torram a paciência em boa parte do tempo.

Não se tirou foto de grupo, porque não é permitido.

Mas é este tipo de liberdade para gerir o espaço (e tempo) da minha aula que eu sempre reclamarei, desde que no fim os meus deveres para os alunos sejam cumpridos.

 

… nem é sequer o dos alunos pior comportados que dão nas vistas sem grande esforço.

É o daquelas criaturas que desde pequenin@s são idiotas – afinal, o húmus de adultos muito idiotas – que levam o seu tempo em registo contínuo de enfernizamento de outr@s colegas, apostando na impunidade do “eu não fiz nada”, “não fui eu” ou “não fui só eu” e no cansaço d@s professor@s para resolver problemas que acham menores no contexto global, mas que podem ser decisivos à micro-escala individual.

Quem defende que no seu tempo teve turmas maiores esquece-se que “nesse tempo” ou as aulas eram muitas mais (auto) disciplinadas ou, no fim do ano, a malta chumbava que nem tordos em dia de caça livre.

As maiores vítimas: @s alun@s que tentam cumprir as coisas de acordo com as regras e são vítimas dessa combinação terrível entre a jovem estupidez cruel e o cansaço e desânimo adultos.

Shanghai and Hong Kong: Two Distinct Examples of Education Reform in China

(…)

One of the most essential influences of China’s cultural heritage is the intensity of students’ engagement in learning. Typically in a Shanghai classroom, students are fully occupied and fully engaged. Non-attentive students are not tolerated. In one mathematics lesson observed for this research, a lesson which was by no means unique, students at Junior Secondary II were learning about parabolas. Students covered 15 problems at their desks, plus selected students gave blackboard demonstrations. This is rather different from classrooms in other cultures, where students may not be required to be fully engaged or attentive throughout the entire lesson. Such intense concentration is considered a student’s responsibility in Chinese culture.

Student engagement in learning is not limited to lessons. Homework is an essential part of their learning activities and in a way governs their lives at home after school. Parents expect students to do homework every evening and are prepared to devote their family lives to student study, again as part of ancient tradition. Homework is such a burden to students that many local authorities in China have stipulated a maximum amount of homework (measured in hours) that schools are allowed to assign. Shanghai was among the first areas to impose such limits as a municipal policy.

The intensity of students’ engagement goes well beyond the schools. A rather comprehensive “remedial system” of tutorial schools caters to the demands of exam preparation. In the absence of formal statistics, it is estimated that over 80% of parents send their children to tutorial school. Such schools are mostly for-profit, operate after school hours or at weekends, and tend to use small groups to focus on particular subjects. Parents see such tutorial schools as essential for enabling students to pass the public examinations with flying colours. Teachers are not totally against such schools either, because they also think that passing examinations is the prime aim of student study. Even parents who are against examination cramming often send their children to tutorial schools, almost as a matter of insurance. Those who go to such classes are not all weak students: even very strong students like to reinforce their strengths to achieve higher scores in the examinations.

… quando o principal som quando alguém se vira para passar o sumário é o de mal disfarçados arrotos (coca-cola ao pequeno-almoço?), a que se sucedem ostensivos bocejos mal se começa a falar sobre algo vagamente parecido com matéria, pois se considera que a História não é a vida, pois a vida está na Casa dos Segredos?

No meu caso passa quase sempre pelo poder que ainda resta ao verbo furioso.

… entre a vontade de instruir e formar e a atitude de indiferença daqueles que não encontram sentido nisto. Desgasta muito e por vezes interrogamo-nos -mesmo que de passagem – sobre quem está certo.

A Renascença foi conhecer quatro casos de famílias, onde trabalhar mais uma hora por dia vai obrigar a uma reorganização de toda a rotina e até a mais gastos. A lei das 40 horas semanais entra em vigor no sábado.

Mas os nossos governantes lá percebem a diferença entre mais e melhor, produção e produtividade?

Quanto aos efeitos negativos desta medida em termos sociais e familiares, há sempre aquela facção muito deus-ao-peito-a-favor-das-famílias que deveria raciocinar sobre os valores e como defender em vez de apenas os enunciar com a boca cheia de anda,

O ano a mais de experiência que tenho em relação ao ano lectivo passado – ou os 6 anos a mais em relação a 2007 ou os 10 em relação a 2003 – não compensa minimamente os efeitos do ano a mais de desilusão, desânimo e desconfiança em relação a quem define o que se passa na nossa Educação.

Falo por mim, mas penso que não serei @ único a sentir-se assim.

Apesar do sol, o cinzento é a cor dominante dentro das escolas. E olhem que não estou a excluir os alunos.

… na escola nova é bem maior do que a dela, como seria de esperar.

… sei que há muitas caras que não vou reencontrar.

E muitas outras que gostariam de voltar, mas não as deixam.

Já começa a ser mais um reencontro de sobreviventes do que outra coisa.

… neste tempo em que a criançada vai de aipédes para a beira da piscina ou para a praia, nem se preocupa em jogar à bola ou seja ao que for, mal mergulha e, tal como os adultos, parece ter abdicado do mundo real para ficar prisioneira do virtual em precoce alienação.

Eu sei que a culpa não é deles, é de quem nem nas férias gosta de os aturar…

… no país dos gajos que andam por todo o lado com calções que parecem boxers.

Já percebi, sou conservador.

Milhares de professores contratados, qzp, do quadro, começaram por estes dias a arrumar os seus cacifos e as suas “tralhas” nas escolas onde trabalharam e deram o melhor de si nos últimos anos, dois, quatro ou muitos mais.

Passam o portão da escola com tristeza e sem saber se regressam. Tristeza porque vão deixar a escola de que gostam e na qual sabem que fazem falta.

Vão de “férias”, mas não vão alegres, pois partem na incerteza, muitas vezes para casa da família que visitam apenas nesta altura do ano, não sabendo se podem ter uma verdadeira pausa na pressão do quotidiano, se apenas mudam de sítio, enquanto o futuro pesa sobre um presente que não consegue ser desfrutado.

Vão com o computador atrelado, pois devem concorrer a qualquer momento, estejam onde estiverem, e têm prazos a cumprir que não se compadecem com a necessidade de um tempo de descanso.

Em setembro muitos deles irão  fazer falta nas escolas de que agora estão a mandá-los sair, mas não ficarão lá colocados porque o MEC sempre poupa algum dinheiro com a desgraça alheia e com os salários cortados em semanas ou meses, não se ralando se existem alunos à espera das aulas.

Vão passar as férias preocupados, os que conseguirem colocação vão começar o ano já desgastados, mas muitos nem isso conseguirão, mas isso não interessa nada aos que os consideram simples variáveis numa equação falhada.

No final do ano, o que interessa é analisar níveis de sucesso ou insucesso, não os preocupando as condições em que esse sucesso é conseguido. Como numa fábrica de pregos, o que interessa é o número de unidades produzidas pelo menor custo possível.

Eulália P.

… frequentado por elites locais, das políticas e das empreendedoras. Daquelas que mudam de automóvel a cada vaga de subsídios para fazer e desfazer obra ou a cada mudança de PDM.

O nível de análise política é de uma profundidade tão grande que fica tipo verniz nas unhas de senhora. O que vale é que o galo de cabidela compensou.

Só sobraram os ossinhos… e algum molho.

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Será normal?

 

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