Deixa-me Rir


A ANMP “só pode emitir um parecer desfavorável” ao projecto de diploma do Governo que regulamenta CME, preconizando, designadamente, “que estes órgãos assumam um papel mais relevante de coordenação”, afirmou Manuel Machado, depois de uma reunião do Conselho Directivo da associação, em Coimbra.

Com aquele projecto de diploma, o Governo pretende que os CME “passem a assumir um papel mais relevante de coordenação quando existir no município um nível mais aprofundado de descentralização administrativa, através de contratos interadministrativos de delegação de competências”, interpretou Manuel Machado, que também preside à Câmara Municipal de Coimbra.

O presidente da ANMP considera que, se assim fosse, os CME passariam a ter um papel de “órgãos coordenadores”, perspectiva com a qual os municípios não concordam.

Segundo disse, a ANMP defende que devem ser as câmaras a “definir quais as competências delegadas que deverão ser objecto de pareceres vinculativos do CME”. A alteração do decreto-lei deveria ser aproveitada para “actualizar os critérios a que deve obedecer a revisão das cartas educativas”, sustentou ainda, referindo que a maior parte está “desactualizada”, devido aos “reordenamentos entretanto efectuados”.

E depois ainda há quem diga que os professores e tal é que são corporativos e não sei quê.

Os presidentes de câmara ainda não têm alguns poderes e já não os querem ver fugir para um órgão que, até agora e na maioria dos casos, é uma espécie de fantoche.

… que a Misericórdia era uma prateleira e não um trampolim.

Ao fim destes anos todos e ele ainda não percebeu que só se vai até onde o sistema deixa, a menos que seja com riscos pessoais e profissionais muito elevados?

Exp21Fev15

Expresso, 21 de Fevereiro de 2015

… essa história não é tua…

Nos anos 90, a Suécia adoptou um modelo que permitia a constituição de escolas de gestão privada no sistema público de educação. O modelo sueco é muitas vezes lembrado por quem defende que os pais devem escolher livremente, assegurando o Estado o financiamento dessa liberdade. Acontece que no último estudo da OCDE sobre as competências dos alunos de 15 anos (o PISA), os resultados dos suecos baixaram e o modelo tem sido muito posto em causa. Carmo Seabra acha que a deterioração do desempenho dos alunos naquele país não tem a ver com a liberdade de escolha — admite antes que esteja associada ao facto de nunca ter havido disponibilização de informação sobre “a proficiência académica das escolas”.

“Para que um sistema de liberdade de escolha aumente a eficiência com que os recursos são utilizados não promovendo a segregação, é fundamental que existam sistemas de informação credíveis e comparáveis que permitam aos pais detectar diferenças”, disse.

Realmente… se funcionasse é porque estava certo, se não funcionou é porque estava certo na mesma. A culpa é sempre de outra coisa.

Como exemplo de “Ciência Social”… é do mais melhor bom. Sejam quais forem os dados empíricos, as fés é que estão certas.

 

Adoro sempre que a Confap e a Fenprof se reúnem e afirmam estar de acordo, quando depois se sabe que nada de concreto e efectivo sai dali. Não é a primeira vez, não é a quinta, não é a décima nos últimos anos em que encontramos a enunciação de preocupações similares, a que se seguem práticas completamente divergentes.

Os representantes das Associações de Pais criticaram o “estado cristalizado” nos procedimentos e metodologias do sistema educativo que deve ser repensado perante os sucessivos maus resultados.

E se a Fenprof adiantou que, este ano letivo, quer “fazer uma marcha em defesa da escola pública que una professores, estudantes e pais numa só voz a dizer que a educação tem uma importância muito grande”, já a Confap defendeu que, “em vez de pensar numa marcha ou manifestação ou greve”, os profissionais de educação deveriam “convidar toda a comunidade para um debate”, num “grande evento que falasse ao ministro” da tutela.

Já agora, uma coisa… o que é que o representante da Confap entende por maus resultados? Subida nos testes internacionais no desempenho dos alunos portugueses ao longo das últimas décadas? E uma subida que, quando se fazem comparações internacionais e se retiram os truques estatísticos eleitoralistas, é das mais elevadas e constantes?

Sobre a cristalização, eu teria uma ou duas coisas a dizer sobre a forma como algum associativismo parental me parece ter entrincheirado mais do que cristalizado.

Quanto ao evento para falar ao ministro da tutela (a Confap adora estas coisas em que se possam fazer seduções ao poder), não se percebe se é aquele que está de saída e nem sequer compareceu a um debate promovido pelo Conselho de Escolas sobre a municipalização e quero quase apostar que dificilmente aparecerá no do Conselho Nacional de Educação ou só irá se for quase obrigado, pois detesta ter de ouvir coisas desalinhadas.

 

… que nas propostas de contrato de Educação e Formação a assinar com os municípios colaborantes se demonstra desconhecer por completo a composição dos Conselhos Municipais de Educação.

Aliás, o órgão é mal encarado por alguns por nele existir uma pequena réstia de democracia na eleição dos representantes dos docentes e não serem por nomeação.

A menos que tenham mudado a composição do CME sem sabermos. Que o ministro Poiares Maduro não pesca nada disto, já se sabia. Que ninguém no MEC dê por isso é mais estranho. Ou não.

CME

Ah… e que saiba o diálogo nos municípios que andam a negociar isto tem sido muito limitado.

Eu percebo que quem pagou tanta publicidade em tanto órgão de comunicação social, agora sinta que são uns ingratos ao andarem atrás dele…

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