Pisa 2009


… fica aqui em imagem.

PG Pub28Dez14

Público, 28 de Dezembro de 2014

Não tenho os meios e as competências para fazer o trabalho que uma equipa da Nova fez e que permite demonstrar (embora isso seja suavizado no texto público) que a amostra dos alunos para os PISA 2009 foi, digamos assim, moldada para dar melhores resultados.

Na altura bem que protestei, mas não fui o único, para se saberem os critérios de selecção de escolas e alunos, pois ouvi informalmente que nem tudo teria sido transparente.

O estudo é este (Balcão_Reis_CNE_5_dez_2014) e permite perceber que os progressos dos alunos portugueses foram praticamente constantes entre 2006 e 2012, se ponderarmos a distorção da amostra de 2009.

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Estes dados permitem ainda desmentir a teoria de que o sistema de ensino português esteja em crise de “paradigma” e que precise de uma reforma profunda do seu funcionamento. E é muito grave que isso seja do conhecimento de decisores e consultores que aparecem publicamente a afirmar o seu inverso. Se em 2015 os resultados forem abaixo do esperado, nesse caso sim, perceberemos os erros do presente e do passado mais imediato.

Muitos e bons materiais. tenho pena de não ter assistido à apresentação no CNE, até porque sabia de alguns resultados preliminares de estudos muito, muito interessantes.

… teve ontem um novo episódio, com o habitual desvio narcísico do engenheiro Sócrates. Em sua opinião, a melhoria dos resultados dos alunos portugueses em 2009 deve-se a ele e às suas políticas.

Ou seja, as políticas dão resultados em coisa de meses ou pouco mais de um ano, sendo que – ao que parece – os alunos de 15 anos beneficiam directamente de medidas que começaram a envolver os de 6-7 anos um par de anos antes?

Não estou a retirar mérito a projectos como o PAM e o PNL embora muito se tenha exagerado em relação a alguns dos seus efeitos. Mas é verdadeiramente caricato analisar as principais medidas desses anos em matéria de Educação e pretender que elas tiveram efeitos nos PISA 2009.

Vejamos: a escola a tempo inteiro com as AEC, o epifenómeno Magalhães e a introdução do Inglês no 1º ciclo, quase tudo medidas de 2006-07,melhoraram os resultados de Matemática e Ciências dos alunos prestes a concluir o 3º ciclo em inícios de 2009? Ou mesmo as de Leitura?

Será que as aulas de substituição, que funcionaram de forma medíocre, são a razão para tão enormes melhorias, num contexto de profunda agitação que então dominava as escolas e fazia prever o pior?

O resto foram medidas para domesticação profissional e salarial dos professores, sem especial impacto – muito menos positivo – nas aprendizagens dos alunos. No que é que, por exemplo, a criação dos professores titulares ou do próprio imbróglio da ADD sucessivamente simplificada afectou positivamente o trabalho pedagógico? Zero ou ainda menos.

Lembro-me que no início de 2009 alguém me perguntou, para um jornal, se toda aquela contestação, as manifestações, as reuniões e tomadas de professores em guerra aberta com Maria de Lurdes Rodrigues não seria prejudicial para os alunos…

É possível que tenha um ou mais posts desses tempos sobre o assunto , mas sei que respondi, no essencial, duas coisas: 1) os professores estavam a tentar conter que a perturbação transbordasse para as salas de aula e que, enquanto profissionais, deviam continuar a trabalhar normalmente com os seus alunos; 2) que as políticas educativas não produzem efeitos imediatos e que é necessário esperar um ciclo de tempo adequado para ver os seus (bons ou maus) efeitos.

E mantenho.

Os resultados dos alunos portugueses nos PISA 2009 não nasceram de geração quase espontânea, após um ano ou dois de AEC ou porque uma minoria de professores do 1º ciclo fez formação em Matemática.

Os resultados dos alunos nos PISA 2009 resultaram de uma melhoria progressiva de desempenho do sistema educativo português desde os anos 90. Se quisesse ser quase tão demagógico quanto o engenheiro, diria que se deveram ao trabalho daqueles que foram a invariável na equação… os professores que viram passar por eles muitos alunos e quase tantos políticos ocasionais.

Mas como não partilho uma concepção tão solipsista e unívoca da realidade devo dar mérito a tudo o que contribuiu, enquanto conjunto nem sempre articulado de medidas e esforços.

Não foram as ACND do tempo de Guterres, nem sequer foi a tão desvirtuada reforma de Roberto Carneiro. Mas foi um pouco de tudo, o próprio desenvolvimento da profissionalidade docente – com a progressiva diminuição dos biscateiros dos tempos em que até muitos opinadores jornalísticos actuais deram aulas nos intervalos de outras ocupações – e a percepção pela sociedade, pelas famílias e por muitos alunos de que a Educação poderia ser um verdadeiro factor de mobilidade social.

Algo que está completamente em causa agora e só nisso o engenheiro Sócrates terá razão. Bem como a sua estimada ministra MLR, que agora já clama aos quatro ventos que a sua obra é que era…

O que elez não dizem é que os resultados dos PISA 2012, em que os progressos estabilizam e perdem ímpeto, correspondem ao desempenho dos alunos que já fizeram a maior parte do seu trajecto no ensino básico com as políticas de Maria de Lurdes Rodrigues e Sócrates. Os alunos que fizeram os PISA em inícios de 2012, com 15 anos, entraram na escola em 2003… em média começaram o 2º ciclo em 2007 e o 3º ciclo em 2010… e esses sim levaram com as políticas do engenheiro plenamente em cima.

Resumindo: a porcaria que este Governo e este MEC estão a fazer não significa que antes tudo estivesse bem. Pelo contrário, os que estavam aplainaram o terreno para que estes avançassem desta forma desembestada.

A auto-desresponsabilização deve ter os seus limites, ditadas por um decoro que, eu sei, está longe da maneira de ser de quem sente que ou ele ou o dilúvio.

Diário do Minho, 21 de Janeiro de 2011

Artigo interessante, mas com perplexidades directamente resultantes de ser um olhar de fora.

What explains the Portuguese PISA results?

Eixo do Mal, Pedro Marques Lopes, Daniel Oliveira e Clara Ferreira Alves. Relatório PISA 2009, Maria de Lurdes Rodrigues “a melhor ministra da educação da democracia” de acordo com um dos spin-doctors do novo PSD. Aliás, o desvelo que revelava no seu semblante no lançamento do livro de MLR dizia tudo.

Na área da Educação, o PSD que se diz liberal apenas está à espera que este PS faça faça tudo o trabalho, para eles surgirem como virgens na matéria.

Acrescente-se que Pedro Marques Lopes não percebe NADA de Educação, para além do leu numas revistas estrangeiras de vulgarização de assuntos gerais. Classificar os resultados do PSIA 2009 como excelentes é, para usar uma palavra a que recorro pouco, cabotino, mesmo se servido por uma boa postura de mãos.

Ainda o cheque ensino e as novas tecnologias.

Não sei que diga, mas em Portugal, os alunos testados têm a percepção de que os professores faltam muito pouco em relação à média da OCDE. Os que sentem que as faltas atingem alguma dimensão são muito poucos e cerca de metade da média da OCDE. Já sei, já sei, tudo mérito da MLR…

Será?

Não falem nas aulas de substituição, porque elas implicam a falta de docentes…

A base de dados do PISA é um manancial de informações, umas pouco relevantes, outras interessantes. Neste caso, fui em busca da influência dos portefólios no desempenho dos alunos.

Antes de mais é curioso que na OCDE a proporção dos alunos que não usam portefólios duplica a que se verifica em Portugal.

Depois há um detalhe que acho muito interessante – até porque justifica (hélas, olhem-me a usar o PISA em proveito próprio!) a minha prática – que é o facto de em Portugal os melhores resultados se obterem claramente no caso dos alunos cujos portefólios são verificados 3 a 5 vezes por ano e em média na OCDE os resultados decaírem crescentemente a partir da utilização 1 ou 2 vezes por ano.

Que os portefólios podem e são úteis, não tenho dúvidas nenhumas. Que a obsessão com eles é prejudicial também acho. Por mim chega uma verificação a meio dos períodos mais longos e outra no final. Parece que é a prática mais sensata e, pelos vistos, a que menos prejudica os alunos…

Pisa em números, o universo e a amostra

Maioria dos estudantes avaliados pelo PISA espera vir a concluir um mestrado

PISA aumentou a auto-estima dos alunos, afirmam professores. Quinze por cento dos alunos avaliados eram de cursos profissionais.

PISA 2009  e a Esc. Sec. de Casquilhos, Barreiro

Sou professora desta escola, desde 1986/87. Fiquei admirada e chocada ao ler a denúncia feita por uma antiga colega que expressa a sua indignação sobre a forma como decorreu todo o processo, com base numa pequena amostragem retirada das turmas que leccionava na altura  e que estão na base de documentos enviados para a sede do PISA e para a comunicação social, em Portugal!!!

Perante tal facto (ainda que as suas palavras no FB sejam bastante diferentes das que enviou para o blog “Educação do meu Umbigo” – no 1º caso “pensa ter presenciado na sua anterior escola…”) e porque subscrevo a ideia de que “quem não faz inquérito não tem direito à palavra!”, fui solicitar informações junto de uma fonte fidedigna!!!

Apesar do caracter sigiloso de todo o processo, foi fácil obter os seguintes dados:

–         de entre os alunos indicados pela ESC foram “superiormente” escolhidos 40 – 50% do 3º ciclo (incluindo 7º ano e CEF) e 50% do secundário (10º ano e 1 aluno de um curso profissional).

–         No final, prestaram provas apenas 32, por oposição dos pais, por já não estarem na escola e por qualquer outro motivo!

Aliás, a minha estupefacção por a ESC ter sido escolhida entre as melhores escolas prende-se com o facto, facilmente verificável de ficar, no ranking anual (super-discutível, claro!!!) acima do 500º lugar!!!

Sou professora nesta Escola e, apesar da minha revolta perante as palavras do Sócrates sobre o PISA, não penso que seja com dados não provados que as  podemos contestar!!!

Bebiana Gonçalves

NOTA TÉCNICA DE CONSTRUÇÃO DA AMOSTRA PORTUGUESA PARA O PISA 2009

Entre as seguintes hipóteses:

  • O ME disponibilizar informação que deita por terra quaisquer suspeitas sobre a forma como os testes PISA 2009 foram realizados e preparados, permitindo assim afastar de vez quaisquer suspeições (incluindo as minhas) e deixar-nos seguros que não somos medíocres em matéria de Educação.

e

  • O ME não disponibilizar informação e assim permitir que se mantenham suspeitas sobre a forma como os testes PISA 2009 foram realizados e preparados, não permitindo afastar de vez quaisquer suspeições (incluindo as minhas), deixando-nos inseguros sobre se somos medíocres ou nãoem matéria de Educação.

Eu prefiro, sem quaisquer reservas, a primeira hipótese.

 

É vê-los a rabiar com imensa prosa por causa de um pobre zeco como eu. Até vão buscar a pasionaria câncio e tudo.

Mas a questão é muito simples: quem não teme, demonstra, mostra, revela, deixa conhecer. Que prefere a opacidade, lá saberá…

Não deixa de ser curioso que se preocupem em buscar tamanha artilharia para tão escasso alvo…

Mas algo devo desde já assinalar em defesa do quartel do Abrantes: em matéria de gestão de comentários estão muitos pontos acima das damas jugulares.

Cursos profissionais representam 15 por cento da amostra do PISA em Portugal

Quinze por cento dos 6298 alunos que, no ano passado, realizaram os testes do PISA, estavam em cursos de vocação profissional, segundo informação divulgada esta tarde pelo Ministério da Educação.

Analisemos agora os dados oficiais sobre as matrículas e frequência do 9º ano e Ensino Secundário em 2008/09, ano da realização dos testes PISA:

No caso do 9º ano, é fácil constatar que os CEF de tipo 2 e 3 são bem mais de 15% do total de conclusões se os considerarmos em conjunto com o chamado ensino regular (32750 alunos em cerca de 117.000).

No caso do Secundário, entre cursos tecnológicos e cursos profissionais de nível 3, esse valor de 15% fica a perder de vista.

Claro que dirão que se trata de alunos de 15 anos… que não estarão assim tantos matriculados em CEF. Há estatísticas com esses detalhes?

As oficiais disponíveis não chegam a esse detalhe.

Mas o problema maior nem sequer é esse, quanto às dúvidas que se têm.

As principais questões são duas:

  • Qual o ranking médio da amostra de escolas de 2009 comparado com o da amostra de 2006?
  • O trabalho de preparação das escolas, professores e alunos envolvidos. Que eu acho que foi muito melhor em 2009 do que 2006, O que até está certo. Só estranho os pruridos em admiti-lo.

Vou agora colocar os quadros correspondentes para a amostra de 2006 e analisar, de modo muito simples, os diferenciais que se encontram.

Resumindo: tivemos um grande choque tecnológico, mas não só.

  • Em matéria de computadores em casa passámos de 30,9% com dois ou mais para 72,9%, enquanto na OCDE a média cresceu apenas de 53,6% para 59,7%. Sendo alunos com 15 anos, será que todos tiveram irmãos com Magalhães?
  • Quanto a telemóveis – a nossa especialidade – subimos de 84,1% com três ou mais no agregado para 91,8%, enquanto a a OCDE cresceu em média de 81,5% para 87,4%. Tínhamos já 2,7 pontos de avanço, passámos para 4,4.
  • Em relação aos carros, as famílias com dois ou mais cresceram de 54,2% para 58,7% em Portugal, enquanto na OCDE passaram de 52,8% para 53,8%.

Ou seja, parece que enriquecemos mais do que a OCDE nestes anos de teórica crise. Passámos a ser hiper-tecnológicos, babamo-nos por telemóveis e adoramos carros.

Quase 73% dos alunos testados declararam que em casa existem dois ou mais computadores.

Em quase 92% dos casos existem três ou mais telemóveis e em cerca de 98% pelo menos dois telemóveis.

Em quase 59% dos casos são referidos dois automóveis no agregado familiar.

Em todos estes parâmetros, a amostra portuguesa parece mais rica do que a média da OCDE. Interessante.

Há dias a OCDE deu esta resposta a um colega nosso, que indicia ter o ME a lista das escolas que foram seleccionadas para o PISA 2009. Ontem a ministra negou ter conhecimento das escolas seleccionadas para serem aplicados os testes, Isso colide, objectivamente, com declarações de responsáveis pelo GAVE e o que se pode ler neste relatório de actividades e auto-avaliação, em que se descreve como foi preparada a participação, por exemplo, no caso dos testes de literacia:

3.2.4. Formação de Literacia em Leitura (PISA)
No âmbito da aplicação do PISA 2009 e no esforço que o GAVE tem vindo a fazer no sentido de envolver, de uma forma cada vez mais responsável e mais activa, as escolas neste projecto, este Gabinete promoveu a Oficina de Formação “Literacia em Leitura – Construção de Itens de Análise e Interpretação de Textos”.

Esta formação teve como objectivos promover uma reflexão crítica, entre todos os participantes, sobre as suas práticas de sala de aula, nomeadamente, no que concerne ao desenvolvimento da competência de leitura e à sua testagem e dotar os professores de conhecimentos e competências para a utilização, em contexto de sala de aula, de materiais provenientes do estudo PISA.
Os destinatários desta acção de formação foram professores de Língua Portuguesa e/ou Português pertencentes, na maioria, a escolas seleccionadas para a aplicação deste projecto.

Repito que não está sequer em causa a suprema correcção metodológica da coisa. O que está em causa é o desnecessário nevoeiro em trono da coisa.

O que quer dizer Isabel Alçada? Que ela pessoalmente não conhece a lista de escolas participantes? Acredito. Que o ME não a conhece? Impossível!!!

Ler ainda na página 47:

3.6.2. Projecto PISA – Estudo Principal – PISA 2009
No âmbito das actividades do Estudo Principal PISA 2009 foram preparados os cadernos de teste com materiais confidenciais e os questionários de contexto segundo as normas estabelecidas pela OCDE.
O teste PISA foi aplicado nas 215 escolas participantes, a 6 286 alunos, tendo sido seleccionados 40 com 15 anos de idade, em cada uma delas. Após a aplicação do teste, procedeu‐se à codificação das respostas dos questionários de contexto relativa às profissões dos pais e das respostas dos alunos aos itens dos cadernos de teste. Posteriormente, os resultados obtidos nos cadernos de teste e nos questionários de contexto foram validados e introduzidos na base de dados do Teste Principal PISA, que foi enviada para a OCDE. Foi efectuada a revisão e a resolução de problemas/incongruências detectados na base de dados, bem como a resposta atempada a todos os pedidos e dúvidas colocadas pelo Consórcio PISA – OCDE

Na Visão de hoje, Carlos Pinto Ferreira, rejeita teorias da conspiração sobre os resultados dos testes PISA 2009 preferindo sublinhar a importância e impacto de medidas como as aulas de substituição.

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