Poeira Nos Olhos


Fica algo por perceber… António Costa está a assumir que enganou os chineses para defender a imagem de Portugal e fala verdade aos portugueses ou que engana os portugueses para defender a imagem do PS e falou verdade os chineses?

O secretário-geral do PS, António Costa, afirmou-se hoje perplexo com interpretações sobre o seu discurso perante a comunidade chinesa, defendendo que no exercício de funções institucionais junto de investidores estrangeiros tem de transmitir-se uma mensagem de confiança.

Contor

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Desde 2009 que não existe qualquer verdadeiro concurso nacional e alargado de colocação de professores.

Existiram vinculações extraordinárias, mobilidades internas, ofertas de escola, bolsas de recrutamento, até mesmo um fingimento de concurso nacional em 2013.

Este ano, aquilo a que assistimos, na esteira das ofertas de escola, foi a uma tentativa de sistematização do concurso para contratação de docentes para escolas com contrato de autonomia ou TEIP.

E este ano tivemos uma nova tenativa para complementar a graduação profissional com base na média de curso e tempo de serviço com subcritérios que cada escola escolhia como sendo mais adequados às suas necessidades.

Já li e ouvi directores a dizer que este método não lhes dá a autonomia que desejavam.

Acredito.

Mas a verdade é que têm sido estas tentativas para subverter o modelo clássico de concurso – apresentado como grau zero de inteligência por algumas sapiências – que têm culminado em fiascos.

Claro que podemos fazer textos, berrar, espernear, etc, etc, etc, clamando contra o centralismno do MEC e defendendo que as contratações deveriam ser feitas de acordo com métodos ad hoc.

E chamar-lhe liberalismo, liberdade, etc, etc, as larachas do costume.

Mas isso é apenas uma forma pouco hábil para tentar esconder a realidade.

O que fracassou foi exactamente a “operacionalização” da tentativa mais forte de desmantelamento de um concurso simples de fazer quando as regras são claras.

Quanto aos directores insatisfeitos com a falta de autonomia… eu compreendo-vos. Também seria mais fácil se fosse eu a escolher a dedo os alunos das minhas turmas.

Um dos economistas insurgentes, aquele nosso conhecido que assina em Portugal com dois apelidos e na Alemanha apenas com um e que trabalha para o sector privado que vive de contratos com diversos Estados, ditaduras ou não, tanto faz, fez um post maravilhoso, daqueles em que até dá gosto zurzir.

Após ter baseado paletes de posts e bué de palavras a justificar o desinvestimento na Educação Básica e Secundária com o argumento da crise demográfica, agora já fala em “2 milhões de clientes [sic]” e 200.000 funcionários (!!!), num milagre multiplicador que só a patetice pode justificar.

O trabalho de casa para o economista do calção vermelho deveria ser escrever 200 vezes (sem copy/paste, mas sim dando mesmo ao dedo) a seguinte frase:

O concurso dos professores deu buraco quando tentaram substituir a graduação profissional como critério fundamental de ordenação e procuraram dar autonomia de contratação às escolas com base em subcritérios manhosos.

É que por aquelas bandas, bem como pelas bandas blasfemas e observadoras (a tríade da endogamia liberal de sebenta lambida), ainda não perceberam que não foi o “centralismo” que causou o descalabro, mas exactamente o seu contrário.

O que esteve em causa foi a colocação de cerca de 4000 professores  em escolas TEIP e com contrato de autonomia num procedimento (também lhe podemos chamar “processo” ou “modelo” para facilitar a compreensão) que pretendeu flexibilizar o critério básico de graduação profissional e adaptar a avaliação curricular aos desejos “locais” de cada agrupamento ou escola.

Claro que insurgentes, blasfemos e observadores podem gritar aos quatro cantos ventosos do mundo que foi o contrário que se passou, mas isso não passa de uma manifestação muito particular de um pensamento mágico que representa a realidade de acordo com uma sua visão interior de tipo mitológico.

 

Enfim… é a última semana de férias… vamos lá considerá-la um calvário e desmontar com calminha as mentiras que alguns colaboradores do colectivo insurgente têm andado a espalhar, ao serviço da enésima campanha anti-professores, para justificar os cortes salariais, congelamento da progressão, despedimentos e outras coisas muito “liberais”.

Sobre a questão mais em “geral”, escreverei um texto específico para publicação além-blogue.

Mas para as questões do expediente quotidiano, irei ser breve, curto e grosso.

Sobre a estrutura das despesas do MEC continua-se a usar a ladaínha – um pouco como o Medina Carreira durante uns anos – baseada numa pseudo-despesa com o pessoal (que se assume serem todos professores, ao que parece) acima de 90% do total do orçamento do MEC. O que provaria que todo o “sistema” estaria inquinado pelo enorme poder sindical dos professores (nota-se!).

É MENTIRA.

Para provar aquela teoria, vão-se recortar uns dados a relatórios internacionais (estimáveis, mas que quantas vezes adaptam critérios muito diferentes entre países, como comparar encargos de ministérios com a tutela de todo o pessoal docente com outros que apenas gerem parte desse pessoal) e abdica-se de consultar as fontes internas e mais directas que temos ao dispor, nomeadamente os orçamentos do dito MEC.

Ora, para 2013 e 2014, o que vem lá escrito é muito diverso para o Ensino Não-Superior… são valores 25 pontos abaixo do que é dado a entender pelo inteligente e são para todo o pessoal, não apenas para os professores.

OEMEC2013DespOEMEC2014Desp

Eu não inventei estes números, nem fui buscá-los a Paris. Fui ao site do MEC.

Para dados, argumentos, factos e objectividade, prefiro (salvo raríssimas excepções) usar as fontes primárias mais recentes e não coisas que se apanham sem grande critério.

O Calçanitos Guimarães Pintarolas pode ofender-me, dizer que os professores não percebem nada de nada, insultar toda a gente e mais alguém, mas… um gajo que se apresenta como “consultor” internacional não saber pesquisar o mínimo dos mínimos é muito triste, porque revela total ignorância ou pura desonestidade.

Ele bem pode dizer que eu andei em busca do que ele “consultava”, mas a verdade é que apenas pesquisei para quem ele trabalhava e com quem trabalham os seus empregadores, porque ele me chamou “covarde” quando o acusei de ser um “encostado”. Descobri que dão “consultas” a governos do terceiro mundo, tendo grande parte das receitas à custa de dinheiros públicos de Estados com regimes “esquisitos”, do tipo Arábia Saudita, Uzbequistão e etc.

Não é que isso seja relevante para o que aqui nos traz, mas ajuda a perceber o calibre destes “liberais” que abominam o “Estado” quando vivem das “consultas” pagas com dinheiros públicos (em Portugal, uma das empresas para que trabalha o consultor CGP tem feito assessorias e consultadorias na área das privatizações de transportes públicos, águas e resíduos).

O que é mesmo relevante é que o “consultor” em causa não sabe “consultar” ou, se sabe, é totalmente desonesto na forma de apresentar os dados.

Se a OCDE é credível?

depende dos objectivos, não é?

Mas então a OCDE vai buscar os dados onde?

Eu não gosto de ver gente a errar por falha inconsciente, mas detesto quem deturpa os dados de forma voluntária para adulterar todo e qualquer debate.

Até hoje, tinha decidido não dar trela à miudagem. Mas como por lá têm redobrado nas ofensas, seja a mim, seja aos professores, por alegadamente não saberem o que são as tretas dos benchmarkings, dos rácios e daquelas coisas muito básicas da economia&finanças para licenciados de ocasião, achei que era altura de os meter no lugar.

Porque eu nunca abdiquei de pensar.

Mas, mais importante, nunca usei como critério de intervenção o apenas querer aldrabar as coisas.

Conseguimos recuperar a confiança das pessoas

De que pessoas?

A vossa sorte é o PS apresentar o Assis nas europeias e o Seguro nas legislativas…

 

Adoro “liberais” que são contra a liberdade individual e tratam os eleitores como uns estúpidos.

E depois há aquela noção de “colectivo” numa perspectiva de discussão interna à maneira do centralismo pseudo-democrático, em que as divergências são anuladas no seu da “maioria interna” em nome da unidade para o exterior.

Estalinista e um pouco poucochinho, diria eu.

Luís Montenegro, em entrevista à TSF, acusa alguns antigos dirigentes do PSD, atuais comentadores televisivos, de confundir os eleitores com discursos que não estão alinhados com a direção do partido.

 

 

Tenho a sensação que se tentasse desmontar todas as incongruências e disparates ficaria com o meu (já de si baixo) QI a um nível residual, tamanhas as contorções lógicas que a “argumentação” tem.

Uma boa dica para o senhor SE Casanova é: quando não se tem nada para dizer ou se a situação é demasiado complexa é melhor ficar calado.

Porque 600 chegavam, mas agora fazem falta 2000 porque saíram ou vão sair quase 800.

Não, caraças, são necessários muito mais nas escolas com horários completos e o argumento da legalidade e do “corpo especial” só serve nestes casos…

Eu resumo facilmente a essência desta entrevista: temos que fingir para a UE que estamos a fazer o que a moralidade e legalidade exigem, mas vamos fazê-lo de um modo manhoso.

‘Os docentes que entrarem não terão horário-zero’

(…)

Por que se vai fazer um concurso extraordinário e uma alteração para que ao sexto contrato consecutivo com horário completo se passe aos quadros em vez de tornar a lei igual à que existe para os outros trabalhadores?

É preciso separar a vinculação extraordinária deste processo, que nós herdámos e do qual estamos a fazer a gestão. Este processo da queixa à Comissão Europeia (CE) vem de muito antes deste Governo. O que propomos é rever a legislação para sanar a situação dos professores que, durante anos sucessivos, têm horários anuais e completos. E reposicionar salarialmente os professores contratados. Isso é que nós estamos a fazer, é a nossa estratégia de superação.

Essa é a resposta à CE e não o concurso de vinculação?

Exactamente. A nossa preocupação com a racionalização dos recursos humanos começou em 2011. O trabalho feito permitiu em Janeiro de 2013 a entrada para os quadros de 600 professores. Abrimos 600 lugares porque entendemos que era o número que correspondia aos horários anuais e completos que se mantiveram entre 2009 e 2013. Essa era já uma preocupação antes de qualquer notificação da CE.

Porquê cinco anos para entrar no quadro e não três como na lei geral?

Porque a lei permite-nos que assim seja. Os professores são um corpo especial e isso permite definir um prazo até seis anos.

No ano passado, abriram 600 vagas e agora são duas mil. Porquê?

Porque agora ficou concluído o processo de agregação de agrupamentos de escolas. E isso faz com que consigamos gerir melhor os nossos recursos. Ficou também concluído neste ano lectivo o alargamento territorial dos Quadros de Zona Pedagógica (QZP). Essas duas medidas complementadas com as rescisões por mútuo acordo…

… que até agora são apenas 700.

Neste momento, estamos muito mais perto das 800 do que das 700, mas a nossa expectativa era menor. E há também o ano excepcional de pedidos de aposentação que, em conjunto com o que já referi, permite agora abrir mais vagas.

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