O Colectivo


Adoro “liberais” que são contra a liberdade individual e tratam os eleitores como uns estúpidos.

E depois há aquela noção de “colectivo” numa perspectiva de discussão interna à maneira do centralismo pseudo-democrático, em que as divergências são anuladas no seu da “maioria interna” em nome da unidade para o exterior.

Estalinista e um pouco poucochinho, diria eu.

Luís Montenegro, em entrevista à TSF, acusa alguns antigos dirigentes do PSD, atuais comentadores televisivos, de confundir os eleitores com discursos que não estão alinhados com a direção do partido.

 

 

Os puros já estão em campo. A vanguarda dos sempre-certos já começou com a conversa do costume. A quem levante dúvidas sobre a eficácia de qualquer vigília e manifestação, em vez de argumentarem, gritam logo que os outros não fazem falta.

O Miguel, por exemplo, fez exactamente o que se esperava. Adjectivou. Demarcou bons de maus. E, com jeitinho, ainda chamará divisionista a quem discordar dele.

Ainda não percebeu – não perceberam – que o acantonamento, em especial aquele dos que se acham moral e eticamente superiores a todos os outros, só afasta e não congrega. Faz pior, mas enfim… não adianta explicar. O que interessa é prestar vassalagem… nominal.

É pena que nada aprendam. Parecem aqueles alunos que marcam passo, marcam passo, barafustam com os outros, o sistema, os professores, nunca se analisando.

Acham que alguém gosta muito dos números que se vão sussurrando acerca das deserções? Ah, pois, são apenas apaniguados e impuros, gente sem fibra e sem pelo na venta.

Gente ingrata, que não vislumbra o alcance dos entendimentos e acordos, mas é capaz de adjectivar quem tente fazer algo diferente do que vem no boletim.

FENPROF exige do ministro marcação urgente de reunião
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Temos actualização memorandial. O que há para troca? Cromos de pizzas?

Trabalho absolutamente colossal do Maurício. A prenda ideal.

A imagem é longa, mas há posts novos mais abaixo… 😀

É aquilo a que estamos a assistir. Ao contrário dos teóricos de um marxismo-leninismo desenquadrado dos tempos terciários –  aqueles que julgam que as massas são as minorias nas ruas – estes dias significaram a vitória de um imenso colectivo, aquele que asfixia há décadas o país, vivendo bem à custa do Estado, sempre sacudindo responsabilidades.

Temos a apoiar a aprovação do orçamento os representantes formais de 70% ou mais do eleitorado (e este argumento deveria fazer pensar os que se armam em representantes únicos dos docentes…) mais uma série de flores em seu redor, herdadas para a posteridade de um esquerdismo outrora redentor.

Desculpem-me  a recorrência da imagem, mas são os mesmos que estavam a servir de guarda pretoriana a Maria de Lurdes Rodrigues no lançamento do seu livro, de enviados de Cavaco Silva à família Soares, passando pelos ex-esquerdistas dos anos 70 e parte de 80, agora respeitáveis académicos ou analistas mediáticos . Estava lá a direcção do Expresso na figura de Nicolau Santos, parceiro do Ricardo Costa que no Expresso da Meia-Noite sorria rasgadamente ao saber do acordo para o OE ontem à noite. Estava lá Peres Metello a exaltar as NO como se fossem a panaceia do país. Estava lá Mário Lino, um dos mais recentes envolvidos em investigações sobre o mau uso de dinheiros públicos e tráfico de influências. Estavam lá aqueles (mais ou menos) jovens secretários de Estado, aspirantes a Pedros Silvas Pereiras.

A coligação é exactamente a mesma. O Centrão Cinzentão polvilhado com algum colorido colhido no passado para funcionarem como gazuas contra os antigos colegas e grupos reivindicativos onde se destacaram na juventude.

A coligação é vasta, tolerante apenas quando sente que pode fazer valer a sua força inerte, e sabe cooptar muito bem as vozes que são alternativas até ao momento em que se habituam a toalhas de linho e lençóis de seda.

Basta ver como vão sendo colhidos para articulistas no Expresso , tornando a arte da aguerrida contestação numa técnica coreográfica que apenas matiza o cenário, ou opinadores residentes na SIC e agora também na TVI.

Os ingénuos (ou outra coisa) poderão pensar que o colectivo são centenas de milhar de pessoas a fazer greve ou em manifestações de rua.

Estão muito enganados.

Nos tempos que correm, o colectivo é toda uma outra coisa.

Embora, como nos livrinhos de capas épicas e neorealistas, saiba funcionar como um harmónio harmónico, quando toca a rebate. Aliás, de um modo ou de outro, todos fizeram a devida escola. Ou se a não fizeram, souberam trazer para perto de si quem a fez. Há sempre um Vital Moreira, um João Freire, um Pina Moura quando precisamos dele. Todos sentem o apelo pelo colectivo vencedor.