Enfim… é a última semana de férias… vamos lá considerá-la um calvário e desmontar com calminha as mentiras que alguns colaboradores do colectivo insurgente têm andado a espalhar, ao serviço da enésima campanha anti-professores, para justificar os cortes salariais, congelamento da progressão, despedimentos e outras coisas muito “liberais”.

Sobre a questão mais em “geral”, escreverei um texto específico para publicação além-blogue.

Mas para as questões do expediente quotidiano, irei ser breve, curto e grosso.

Sobre a estrutura das despesas do MEC continua-se a usar a ladaínha – um pouco como o Medina Carreira durante uns anos – baseada numa pseudo-despesa com o pessoal (que se assume serem todos professores, ao que parece) acima de 90% do total do orçamento do MEC. O que provaria que todo o “sistema” estaria inquinado pelo enorme poder sindical dos professores (nota-se!).

É MENTIRA.

Para provar aquela teoria, vão-se recortar uns dados a relatórios internacionais (estimáveis, mas que quantas vezes adaptam critérios muito diferentes entre países, como comparar encargos de ministérios com a tutela de todo o pessoal docente com outros que apenas gerem parte desse pessoal) e abdica-se de consultar as fontes internas e mais directas que temos ao dispor, nomeadamente os orçamentos do dito MEC.

Ora, para 2013 e 2014, o que vem lá escrito é muito diverso para o Ensino Não-Superior… são valores 25 pontos abaixo do que é dado a entender pelo inteligente e são para todo o pessoal, não apenas para os professores.

OEMEC2013DespOEMEC2014Desp

Eu não inventei estes números, nem fui buscá-los a Paris. Fui ao site do MEC.

Para dados, argumentos, factos e objectividade, prefiro (salvo raríssimas excepções) usar as fontes primárias mais recentes e não coisas que se apanham sem grande critério.

O Calçanitos Guimarães Pintarolas pode ofender-me, dizer que os professores não percebem nada de nada, insultar toda a gente e mais alguém, mas… um gajo que se apresenta como “consultor” internacional não saber pesquisar o mínimo dos mínimos é muito triste, porque revela total ignorância ou pura desonestidade.

Ele bem pode dizer que eu andei em busca do que ele “consultava”, mas a verdade é que apenas pesquisei para quem ele trabalhava e com quem trabalham os seus empregadores, porque ele me chamou “covarde” quando o acusei de ser um “encostado”. Descobri que dão “consultas” a governos do terceiro mundo, tendo grande parte das receitas à custa de dinheiros públicos de Estados com regimes “esquisitos”, do tipo Arábia Saudita, Uzbequistão e etc.

Não é que isso seja relevante para o que aqui nos traz, mas ajuda a perceber o calibre destes “liberais” que abominam o “Estado” quando vivem das “consultas” pagas com dinheiros públicos (em Portugal, uma das empresas para que trabalha o consultor CGP tem feito assessorias e consultadorias na área das privatizações de transportes públicos, águas e resíduos).

O que é mesmo relevante é que o “consultor” em causa não sabe “consultar” ou, se sabe, é totalmente desonesto na forma de apresentar os dados.

Se a OCDE é credível?

depende dos objectivos, não é?

Mas então a OCDE vai buscar os dados onde?

Eu não gosto de ver gente a errar por falha inconsciente, mas detesto quem deturpa os dados de forma voluntária para adulterar todo e qualquer debate.

Até hoje, tinha decidido não dar trela à miudagem. Mas como por lá têm redobrado nas ofensas, seja a mim, seja aos professores, por alegadamente não saberem o que são as tretas dos benchmarkings, dos rácios e daquelas coisas muito básicas da economia&finanças para licenciados de ocasião, achei que era altura de os meter no lugar.

Porque eu nunca abdiquei de pensar.

Mas, mais importante, nunca usei como critério de intervenção o apenas querer aldrabar as coisas.