Ao Cuidados Dos Liberais De Aviário


… perceber que os sistemas que se elogiam têm padrões de exigência muito mais elevados.

Por cá, faz-se uma escolha muito oportunista do que se entendem ser as regras básicas de transparência de uma democracia liberal. Claro que seguindo as prédicas do guru Espada não se vai muito longe,, pois apenas se ganham tiques.

Por lá, até um trabalho se sopro debaixo da mesa deixa de ser assunto pessoal para se tornar objecto de luta política durante anos.

Por cá, andar quase uma década com inconsciência fiscal parece assunto menor, incluindo entre opinadores tão atentos a outras minudências políticas que recuam logo nestas matérias,, vá-selá saber porquê.

Exp14Mar15

Expresso, 14 de Março de 2015

Um dos economistas insurgentes, aquele nosso conhecido que assina em Portugal com dois apelidos e na Alemanha apenas com um e que trabalha para o sector privado que vive de contratos com diversos Estados, ditaduras ou não, tanto faz, fez um post maravilhoso, daqueles em que até dá gosto zurzir.

Após ter baseado paletes de posts e bué de palavras a justificar o desinvestimento na Educação Básica e Secundária com o argumento da crise demográfica, agora já fala em “2 milhões de clientes [sic]” e 200.000 funcionários (!!!), num milagre multiplicador que só a patetice pode justificar.

O trabalho de casa para o economista do calção vermelho deveria ser escrever 200 vezes (sem copy/paste, mas sim dando mesmo ao dedo) a seguinte frase:

O concurso dos professores deu buraco quando tentaram substituir a graduação profissional como critério fundamental de ordenação e procuraram dar autonomia de contratação às escolas com base em subcritérios manhosos.

É que por aquelas bandas, bem como pelas bandas blasfemas e observadoras (a tríade da endogamia liberal de sebenta lambida), ainda não perceberam que não foi o “centralismo” que causou o descalabro, mas exactamente o seu contrário.

O que esteve em causa foi a colocação de cerca de 4000 professores  em escolas TEIP e com contrato de autonomia num procedimento (também lhe podemos chamar “processo” ou “modelo” para facilitar a compreensão) que pretendeu flexibilizar o critério básico de graduação profissional e adaptar a avaliação curricular aos desejos “locais” de cada agrupamento ou escola.

Claro que insurgentes, blasfemos e observadores podem gritar aos quatro cantos ventosos do mundo que foi o contrário que se passou, mas isso não passa de uma manifestação muito particular de um pensamento mágico que representa a realidade de acordo com uma sua visão interior de tipo mitológico.

 

… porque vai ser difícil fazer cortes aos reformados e funcionários públicos que compensem mais este sucesso de mais um dos nossos empresários de sucesso e de referência para os nossos opinadores e governantes liberais.

Adoro estes liberais…

Nogueira Leite volta a ser nomeado para exercer funções no Estado mas sem salário

Liberal

… sobre os fundamentos do Estado de Direito nascido das revoluções LIBERAIS dos séculos XVIII e XIX, a começar pela americana, que consagraram a divisão dos poderes.

E é fantástico que muitos daqueles que pertencem à família política dos que sacralizam a Constituição Americana e o modelo político americano com um equivalente ao nosso Tribunal Constitucional com muitos mais poderes venham agora criticar uma versão muito mais suave desse modelo.

… para o remoinho de disparates em que o actual PM se vai enredando nestas matérias. Não se trata sequer de um pensamento ou teoria. Trata-se de farrapos de coisas que são ditas. Que lhe são ditas. Por gente que troca tudo… que tropeça nos argumentos e fundamentos embora os maquilhe com inúmeras referências que passam por eruditas a distraídos. Que não consegue alinhar duas frases sem que a pompa as não esmague, tamanho o vazio que as suporta.

Há bem pouco tempo ouvia – confesso que em êstase maravilhado – alguém a associar com enorme convicção a ascensão do empreendedorismo e da liberdade de iniciativa ao espírito inovador burguês do mercantilismo, sem que tivesse a noção (pelo menos aparente) que o mercantilismo era proteccionista, nacionalista e só não era anti-liberal porque o liberalismo surgiu como reacção anti-mercantilista.

Mas a pessoa é mais certificada e medalhada do que um general daqueles regimes centro-americanos… trabalhou e foi consultor em tudo o que brilha, mas… por Zeus… quanta vacuidade debruada a empáfia.

Passos Coelho: Medida mais sensata para combater desemprego seria baixar salário mínimo

É inadmissível que, num período de fortíssima contracção económica e vulnerabilidade social sejam tomadas medidas destas com plafonds ridículos. Tudo em favor de companhias que funcionam em sistema de quase monopólio no mercado.

Governo cria lista negra para quem não paga contas da luz e gás

Os portugueses que devem mais de 75 euros de electricidade ou gás vão passar a ter o nome numa ‘lista negra’ a ser criada pelo Governo.

Esta medida é feita claramente por quem alguém a tratar-lhe das contas de casa. A EDP e a GALP passaram a fazer medições do consumo quando lhes apetece pagar a trabalhadores temporários e funciona na base das estimativas.

Depois faz acertos. Não é nada raro que no fim do Inverno esses acertos impliquem uma conta com centenas de euros para consumidores domésticos.

Entrámos decididamente no tempo das medidas de merd@, decididas por gente sem qualquer conhecimento da realidade social que quer alterar à maneira de qualquer ditadura, mesmo que legitimada pelo voto quadrienal.

A alternativa é que esta gente seja decididamente parva, apesar dos MBA cosmopolitas.

Mas alguém precisa pagar-lhes, a tempo, os salários e subsídios sem cortes…

Governo não tem acordos para todos os docentes no estrangeiro

E os poucos que há não têm garantias de remuneração.

Vistos para Angola continuam a ser difíceis

Qual é o problema? Afinal, saber esperar é uma virtude.

Cambada de preguiçosos, estes profes… ide à descoberta, a salto, pela fronteira, em canoas, afinal não viram documentários sobre os boat-people? Não viram o êxodo de Cuba para Miami? Não tiveram hipótese de ver os empreendedores emigrantes magrebinos subsarianos a viver a Lampedusa?

E isto é um editorial de esquerda à americana (NYTimes, hoje), ou seja, uma esquerda muito soft… Transcrevo na íntegra, pois sei que só uns 10% dos visitantes clicaria no link para aceder…

The Unemployed Held Hostage, Again

It is hard to believe, as the holidays approach yet again amid economic hard times, but Congress looks as if it may let federal unemployment benefits lapse for the fourth time this year.

Lame duck lawmakers will have only one day when they return to work on Monday to renew the expiring benefits. If they don’t, two million people will be cut off in December alone. This lack of regard for working Americans is shocking. Last summer, benefits were blocked for 51 days, as senators in both parties focused on preserving tax breaks for wealthy money managers and other affluent constituents.

This time, tax cuts for the rich are bound to drive and distort the debate again. Republicans and Democrats will almost certainly link the renewal of jobless benefits to an extension of the high-end Bush-era tax cuts. That would be a travesty. There is no good argument for letting jobless benefits expire, or for extending those cuts.

The recession that began in 2007 has led to the worst unemployment in nearly 30 years. We have record levels of long-term unemployment. The jobless rate, 9.6 percent, has been essentially unchanged since May, and nearly 42 percent of the 14.8 million jobless workers have been sidelined for six months or more.

Some opponents of unemployment benefits — mostly Republicans but a few Democrats as well — would have you believe those figures are evidence of laziness, enabled by generous benefits. They conveniently ignore three facts. One, there are five unemployed people for every job opening — a profound scarcity of jobs. Two, federal benefits average $290 a week, about half of what the typical family spends on basics and hardly enough to dissuade someone from working. Three, as unemployment has deepened, benefits have become less generous. Earlier this year, lawmakers ended a subsidy to help unemployed workers pay for health insurance and dropped an extra $25 a week that had been added to benefits by last year’s stimulus law.

Other opponents would have you believe that the nation cannot afford to keep paying unemployment benefits: a yearlong extension would cost about $60 billion. The truth is, we cannot afford not to. The nation has never ended federal benefits when unemployment is as high as it is now, and for good reason: Without jobs, there is inadequate spending, and that means ever fewer jobs. A wide range of private and government studies show that unemployment benefits combat that vicious cycle by ensuring that families can buy the basics.

Nor do jobless benefits bust the budget. Just the opposite. They do not add to dangerous long-term deficits because the spending is temporary. And because they support spending and jobs, they contribute powerfully to the economic growth that is vital for a healthy budget. Extending the Bush high-end tax cuts would be budget busting, because they are likely to endure, adding $700 billion to the deficit over 10 years. Tax cuts for the rich provide virtually no economic stimulus, because affluent people tend to save their bounty.

Ignoring facts and logic, several Republicans have said that any benefit extension must be paid for with spending cuts elsewhere. That would, in effect, be giving with one hand while taking away with the other. It is not only cruel, but foolish, because it would reduce the economic boost that benefits would provide.

President Obama should pound the table for a clean, yearlong extension of unemployment benefits, and should excoriate phony deficit hawks — in both parties — who say that jobless benefits are too costly, even as they pass vastly more expensive tax cuts for the rich.