Sentado À Espera Que Amadureçam


Há gente que parece que tem muitos feelings e pergaminhos a preservar, em particular uma parelha aveirense que ora directa, ora subdirecta.

Como eu expliquei à metade feminina do par – enquanto a dita cuja me mentia de forma descarada sobre este mesmo assunto judicial – todos temos, só que há quem demonstre e quem ache que precisa de processar para o efeito.

Não comentem muito, porque isto é vasculhado ao milímetro e depois eu é que tenho de perder tempo e gastar paciência.

E eu já percebi que quem mente daquela maneira é porque tem prática.

Não será muito mais, mas… por enquanto serve para animar a pausa lectiva.

… vou aqui referir dois tipos de pessoas que me divertem particularmente quando estão a pensar que me conseguem aborrecer.

Um dos tipos, que reencontrei há dias, é o de quem acha que me aquece ou arrefece muito dizerem que não conhecem este blogue ou a mim e que só conheceram porque não sei quem lhes disse que eu tinha escrito algo que as atingia. Mas depois têm os posts todos impressos e lembram-se de datas e pormenores de que nem eu já me lembro. É pá, o lado para que adormeço melhor é o daquelas pessoas que eu nem tenho qualquer interesse que me conheçam, nem eu em conhecê-las, só lamentando que tenhamos chegado a encontrar-nos.

O outro tipo é de maior proximidade e a rabujice caracteriza-se por mostrar a sua atitude de pretenso desprendimento do género “eu raramente vou ao teu blogue, pois tenho mais que fazer, tenho muito trabalho na escola e só no outro dia é que vi que, se calhar, estavas a escrever sobre mim porque a Beltrana me avisou”. Este tipo de criatura diverte-me muito em particular porque se caracteriza por daquelas que se for preciso até sabem melhor as vírgulas que errei do que euzinho mesmo e são capazes de ir buscar coisas ao arco da velha que nunca me lembraria a mim. Na maior parte dos casos nem estava a falar del@s, excepto neste post em particular.

Que hei-se eu fazer, é 2ª feira, um tipo não pode encher o saco logo para a semana toda… e se sou o plesidente desta junta posso escrever o que me apetece no boletim da junta.

cat-in-the-hat

 

… é a arrogância e prepotência em relação aos que estão em situação mais vulnerável.

Porque acho ser uma forma muito infeliz de tentar resolver complexos de inferioridade.

👿

É que basta eu chegar ali ao “meu” pavilhão e olhar para cima… e posso apontar mais uns casos que dá para ver a olho desnudo.

MEC diz que terminou remoção de placas de amianto em mau estado

Em 2013 e 2014 foram retiradas placas de cerca de 300 escolas, informou o MEC que assegura que este ano vai manter a monitorização.

 

Tive a duvidosa honra de ser visado pela Câncio (a pasionaria local) no seu mural de rede social, pois em outro mural tinha comentado a sua pesporrência contra a comunicação social que lhe desagrada e a enorme conspiração que a sua tertúlia encontra na prisão de José Sócrates.

Ousei mesmo dizer que a Direita governa actualmente nas pisadas da Esquerda que ela apoiou no que ao condicionamento da comunicação social diz respeito.

O meu crime mereceu a pena gloriosa de ser considerado “chalado da cornadura” e de aparecer um seu amigo, muito conhecido também das lides do jornalismo aristocrático, a dizer que está cansado da minha arrogância, presunção e ataques ad hominem.

Ao que parece, o queriducho nem percebeu o seu próprio paradoxo.

 

encomendas da China, desde a privatização dos Correios passei a usufruir de um serviço público a tempo.

 

Já nem existe o paradigma canino!

 

 

Serviços mínimos em dia de greve provocam nova colisão entre MEC e FENPROF

Quando se fala de provas são só as que realizam os alunos ou também as feitas pelos professores? É esta a questão com a greve marcada para dia 19.

Há uma enorme clivagem entre os estudiosos da coisa e os que vivem a coisa. E por coisa, entendam-se as aulas reais do Ensino Básico e também Secundário.

Dizem-nos os estudiosos, quando descrevemos o quotidiano, que produzimos narrativas, que são fragmentos de um real localizado que, por si mesmos, têm um valor relativo, pois é necessário integrá-los num grande plano, que transcende as experiências individuais.

Até hoje ainda não percebi se um quadro estatístico ou uma conceptualização muito sofisticada, por si mesmos, substituem a realidade das aulas, o concreto das narrativas que nos acusam de produzir, dizendo isso sempre com um tom de paternalista condescendência que, não raro, desperta o mais killer do meu instinct.

Dizem-nos ainda outros, quantas vezes cheios de boas intenções, que devemos assegurar o sucesso a todos os alunos, não excluir, preparar as aulas até para o mais renitente dos renitentes que por lá aparecem.

Sim, concordo, mas por vezes, a faceta de entertainer que somos obrigados a assumir para chamar a atenção dos tais renitentes, toda a criatividade que colocamos no ensino dos advérbios ou da batalha de Aljubarrota, podem fazer-nos alienar a metade da turma que até se sente confortável com uma aula mais convencional e que sente que parecemos só estar preocupados em incluir 2 ou 3 estarolas, enquanto prescindimos de prestar o melhor serviços aos 12 ou 13 (ou mais) que até estão lá para fazer algo mais conservador (porque os miúdos são mais conservadores do que se quer fazer acreditar, em especial quando precisam de segurança para se expressarem).

E depois há ainda os especialistas do sucesso e da indisciplina como mito, que nos querem fazer acreditar que é possível dar uma aula inclusiva, a todos os diferentes e os iguais, enquanto existem micro-fenómenos de falta de civilidade básica, o arroto destemido, a conversa sempre que apetece, a esferográfica atirada pelos ares para o colega só porque sim, o exibicionista mexer constante no estojo das 36 canetas que produz aquele agradável ruído de fundo a qualquer aula que se baseie numa comunicação entre 25 ou 30 pessoas.

Porque tudo isto são gotas e todos nos dirão que não são indisciplina propriamente dita, que não são razões para registar ocorrências disciplinares, que não são motivo para excluir este ou aquela da aula.

Mas…

Experimentem lá estar 90 minutos (ou várias vezes 90 minutos ao dia) a levar com uma gota de água na testa ou a cair de uma torneira, de poucos em poucos segundos, e digam-me se não mói… se não produz um estado de espírito de pré-ruptura da paciência.

Podem ensinar-nos exercícios de respiração para relaxar, técnicas de meditação para nos abstrairmos, até estratégias mais “activas” para desarmar as situações, mas há (quase) sempre um momento em que… não há conceptualização que sirva para lidar com os sujeitos das narrativas.

E depois não chega falar em burnout e coisa e tal, porque já é tarde e já lixámos muita gente na base do coitadinhos-das-crianças e do teacher-leave-the-kids-alone a cheirar mofo e com o vinil riscado.

(E nem é bom falar da parte em que, quando confrontados os responsáveis familiares com situações já mais gravosas do que a gota de água, ou ouvimos um risinho apatetado do “são crianças, o que quer?” ou o mais lacrimoso “diga-me o que fazer que eu já não sei como lidar com el@”.)

(E nem é bom falar daqueles que relacionam directamente estes comportamentos com minorias étnicas ou culturais, quando não entram mesmo por designações equivalentes ao british white trash, pois eu poderia apresentá-los a exemplos de maiorias étnicas sem especiais problemas, cujo prazer é conseguido através de shots de destrambelhamento e cujo gozo é conseguido, desde cedo, ao ver o resultado do mal por si feito de forma consciente e voluntária em colegas, funcionári2s e professor@s.)

 

Condições de vida recuam 17% numa década

Não sei como comentar isto, pois certamente uns acharão que salivo pavlovianamente, outros acharão que estou pejado de preconceitos e ainda haverá os que dirão que estou a, injustamente, meter vários governos no mesmo saco, sendo que houve uns bons e outros maus, de acordo com a situação e posição de quem olha.

Assim sendo, que comentem os reflexivos críticos, imparciais e imunes a qualquer mácula.

Não tendo bastado a tentativa de relativizar os problemas do arranque do ano lectivo com números cozinhados acerca das falhas, percebe-se que a ideia do MEC é ir começando a, de fatia em fatia, esvaziar o número de queixosos por esta enorme palhaçada. Com colocações aqui ou ali, mais ou menos distantes, efeitos a 1 de Setembro, etc, etc, até poderem dizer que são apenas 0,1% os que estão a fazer barulho, assim tentando que a opinião pública se desinteresse do assunto.

Não deixa de ser curioso que o principal esforço para fragmentar o concurso nacional e a lógica tradicional de graduação para efeitos de concurso esteja a culminar neste enorme fiasco.

E há que encobrir isso.

… para discutir as coisas com todas a gente ou quase, procurando fazê-lo com seriedade, mesmo se a partir de uma perspectiva que é a minha. Claro.

Não me lembro de ter recusado qualquer convite ou desafio por causa de quem convidava, por ser mais ou menos próximo dos meus pontos de vista. Recusei algumas coisas, quase exclusivamente por motivos pessoais ou familiares que me impossibilitavam a presença, a deslocação.

Porque sempre achei que quando se abandona o terreno do debate, da discussão, ele fica à mercê dos “outros”, daqueles de quem discordamos.

E porque há sempre a hipótese de se conseguir alguma coisa, inscrever alguma dúvida, mudar nem que seja ligeiramente uma opinião.

Brincando o q. b. dentro do possível.

Mas… a situação foi evoluindo cada vez mais para a pura cegueira, surdez, para conversas em circuito fechado, auto-satisfeitinhas em demonstrar apenas a sua posição de partida, quantas vezes com absoluta desonestidade metodológica e intelectual.

Tornou-se cada vez mais difícil encontrar quem discuta as coisas para chegar a um lado diferente daquele em que está, mas cada vez mais se encontra quem apenas procura enganar quem ouve ou lê.

Se isto é novidade?

Não.

Não sou assim tão ingénuo há umas boas décadas.

Só que agora já começa a cansar e cada vez mais me apetece responder com disparate ao disparate, à desonestidade com o gozo, à auto-congratulação com o silêncio.

Reagir a números de circo e fogo de artifício com castanholas e pegas de cernelha.

Phosga-se, parece que me vai chegando a sensatez…

… mas a culpa foi sempre dos outros e das malvadas tentações.

Pub2Jun14

Público, 2 de Junho de 2014

Os cocós ficaram todos escondidos nos relvas.

Sujos, sujos, só quem não tem dinheiro para sabão azul e branco. Mas isso é porque não emigraram para agora poderem voltar.

Farto, fartinho de anunciarem que é graças ao governo que as temperaturas sobem em Maio e quando não sobem é porque o governo achou melhor que não subissem.

Entre nós o debate de ideias é uma coisa predominantemente endogâmica e quase tribal, com a pessoalização dos ataques a substituir um confronto mais transparente de ideias e argumentos.

As coisas azedam com facilidade e tornam-se acrimónias que provocam alinhamentos de cliques académicas e/ou políticas. Por vezes, justifica-se que se apontem as incongruências entre boas teorias e más práticas pessoais. Em outros casos, nem por isso.

Eu sou um elemento estranho a esses debates em forma de tertúlia aconchegada ou a esses confrontos entre trincheiras contrárias. Ando pela terra de ninguém. E só comecei a passear por lá quando houve possibilidade de me expressar sem filtros alheios, ou seja, quando o mundo dos blogues se abriu e amadureceu. Antes disso, aguentei com uma paciência que me é pouco reconhecida, vetos e anátemas diversos, fruto de vértebras pouco flexíveis.

Vem isto a propósito do facto de admitir, sem problemas, que não gosto de virar a outra face a qualquer bofetada e que gosto de ripostar, fazendo-o quase sempre num registo apropriado ao tom usado pelo “outro lado”. A escolha das armas do confronto, a truculência ou a civilidade da coisa, deixo-a aos outros.

Dito isto… sei até que ponto quem anda pela terra de ninguém, sem fidelidades tribais, disparando para aqui e ali é vulnerável a fuzilarias diversas. É algo adquirido de que não me queixo e que até aprecio, para não enferrujar o mau feitio.

E sei até que ponto, o tempo e a amplitude da antena que é concedida a “mestiços” depende muito do ponto até ao qual eles não excedem um nível aceitável de incómodo para quem apenas os tolera em nome de um pluralismo que se encena.

Já várias vezes me anteciparam o fim do tempo de antena e eu mesmo me senti tentado pelo vanishing act sem explicações profundas.

Mas há sempre algo que a dado ponto – é pretexto, eu sei – me impede de agarrar nos livros e só ler.

piu-piu

… naquel@s colegas com muito maiores preocupações do que eu com a qualidade do ensino que exigem que a miudagem leve as partes 1 e 2 do manual (porque nunca se sabe que matéria pode vir a ser dada), o caderno de actividades, o caderno e demais material, tudo a multiplicar por 4 ou 5 num dia.

Porque de pequenin@ é que se retorcem as vértebras e se domestica a verticalidade da coluna, na base das faltas de material que depois não é usado ou é usado por sorteio diário.

Eu sei que há trolleys, que se puxam assim tipo cachorrinho e que são excelentes para os pisos suaves dos pátios e as rampas de acesso que marcam, em profusão, a paisagem das nossas escolas.

A de Cavaco é que sempre foi uma pessoa honesta. Pessoalmente honesta. Pessoalmente impoluta. Pessoalmente incapaz de uma pequena malfeitoria. Os dois mandatos com maioria absoluta é que estragaram tudo porque deram para muita gente se aproveitar dele e à sombra dele cresceram as ervas daninhas. Tudo bem. Só que isso não explica a permanência dos diasloureiros e oliveiraecostas na sua órbita muito depois do exercício das tais maiorias, quando deles já não precisava e tal só se explica por opção própria. Mau avaliador da natureza humana? Pessoalmente… posso acreditar que sim, mas…

A de Guterres foi a de um pântano alegadamente percebido só ao fim de 6 anos, quando em entrevista muito recente na SICN o agora quase esquecido Manuel Monteiro contou os esquemas e tráficos de influências dessa segunda metade dos anos 90 em que um tal portas se ocupava a negociar posições nas empresas públicas e cargos de chefia na administração para os seus fiéis seguidores. Desconheceria ele que tal se passava? Era ele mais um dos que, pessoalmente, nunca prevaricou, nem aceitou que com o seu conhecimento se prevaricasse? Pessoalmente… posso acreditar, mas…

A de Barroso foi de se safar logo que arranjou melhor. Nem chegou a novela, foi mero episódio duplo de folhetim. Folhetim que continuou em tons paródicos com o Santana que, justiça lhe seja feita, era mais ao modelo republicano francês, mas com bandana em vez de capacete.

A de Sócrates, tal como lavrada em autos numa revista do Expresso com prosa emplumada de Clara Ferreira Alves e polvilhada de vernaculares expressões para dar mais densidade ao testemunho, é que teve de enfrentar as aristocracias do PS para se chegar ao poder e que isso implicou compromissos e outras coisas assim, incluindo um passeio à Tróia para implodir torres com o empresário preferido até deixar de o ser. Não é que tenha dito isso tudo, mas percebe-se. chegado ao poder, elevou ao pariato e armou cavaleiros aos varas, silvaspereiras, campos e outras inanidades carreiristas de tão escasso ou menor calibre, que fizeram trigo limpo do aparelho de Estado. Pessoalmente… diga ele o que disser… acho que pessoalmente mais valia ter um mínimo de pudor…

A de Passos Coelho, afilhado de um ângelo em vez de uma estrela, é a de que veio salvar o país e está a salvá-lo, a pulso e com muita coragem, que o salgado assim o incumbiu e o relvas congeminou, fora o resto da malta que é liberal que se farta desde que o estado lhe pague. O meu problema é que não percebo em que parte da história entram os branquinhos, relvas de segunda extracção, e mais os agora periféricos carrapatosos, catrogaspintelhentos, nogueirasleites ou os recadeiros televisivos como o sempre jovem mendes, mais aquela ganga toda de imberbes de mba por causa do apelido ou recrutada nos blogues “de referência”. Passos Coelho chegou ao poder para limpar a governação do lixo mas no lixo se vai comprazendo em enterrar. Pessoalmente… também pode ir falando o que bem entender… que já nem consigo ouvir, apenas vejo os fios que puxam a marioneta e a mão que faz a boca mover-se.

Todas as narrativas, em especial as mais longas, assentam na alegada honestidade ou probidade do Grande Líder, atraiçoado por gente menor, não representativa dos Altos Desígnios e Alta Obra feita.

É treta. Pura treta.

Dos que se afirmaram sempre independentes das pressões (Cavaco) aos que afirmam ter-se emancipado dessas pressões (Sócrates) desaguando neste que agora temos, que já se percebeu ser guiado pelas altas pressões, a verdade é que tudo se resume a uma rotação de clientelas sempre a sacar para si e as suas cliques o mais que podem, negando sempre tudo com o maior dos dislates e culpando “o Estado” pela “crise”, pelo “défice”, pelo “desequilíbrio das contas”, tudo culpa de cantoneiros e oficiais de justiça, professores e enfermeiros, juízes e polícias.

E o que é mais chato?

A porcaria de narrativa que está à espera que esta termine.

É verdade, tive Práticas Administrativas no 7º ano, numa escola pública, em cujas aulas aprendi dactilografia. Desde então até agora pratiquei muito e escrevo com atroz velocidade, coisa que qualquer pessoa que me conhece pessoalmente e ao vivo sabe.

Também é verdade que tenho mais um neurónio do que a maioria dos que se espantam com o facto de escrever tantos posts como equipas de 20 ou mais colaboradores nos blogues “de referência”.

Não é pretensão ou vaidade, é constatação de factos objectivos.

Alguém tem problemas com isso, ó órfãos do relvas e antecessores?

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Ouvi no rádio e li depois a peça sobre o novo comunicado da troika, com os seus inenarráveis avisos, tudo com a complacência da miséria de governantes que temos e que alinham alegremente na prática (pois o discurso já é mais intermitente) do empobrecimento da generalidade da população.

Com o pretexto de se ter vivido acima das possibilidades.

Mas quem, afinal?

Quem é que ganhou nos últimos 20 anos com o que se passou em Portugal?

Olho para o meu recibo de salário em 1993 e agora e, em termos líquidos, sendo na altura contratado e estando agora a meio da carreira e recongelado, ganho mais do dobro do que ganhava então, talvez mesmo duas vezes e meia mais.

E sou dos mais visados, enquanto professor, pela retórica dos encargos excessivos do Estado.

Vou ver os meus recibos de encargos fixos com a vidinha e o que encontro?

Facturas de electricidade umas 5 a 10 vezes acima do que eram, sobrecarregadas com taxas e mensalidades das mais variadas origens. Sendo que continuo, onde vivo, numa situação de monopólio da EDP, mais grave agora pois quase tudo depende da luz para funcionar. Só o contador custa quase tanto quanto a conta antiga.

Facturas do gás nem sei quantas vezes mais altas, pois na altura usava bilhas, duas por mês no máximo, podendo escolher – na vilória suburbana atrasada – entre quatro fornecedores diferentes, bastando mudar aquela peça de encaixe (redutor?), que ficava minha e pela qual nada pagava todos os meses.

A água ainda se mantém a factura menos abusiva no crescendo, pois por aqui as autarquias do PC – honra lhes seja feita – não fazem da água o maior dos negócios, mesmo se abusam quando há algum incumprimento, por pequeno que seja.

E depois há o que não havia, a necessidade de se ter banda larga para aceder a serviços essenciais para a própria profissão, porque agora tudo é online e o serviço vem sempre acoplado com mais isto e aquilo, pois simples é quase o mesmo preço. A televisão generalista passou pela negociata da TDT e tudo o que nela antes existia de melhor (séries, desporto, música) foi transferido para canais pagos.

Ficámos mais ricos ou passámos a receber mais para pagar o excedente directamente a essas grandes empresas que funcionam em situação de monopólio?

Foi o povinho que passou a gastar de forma desvairada ou foram-lhe impostos consumos cada vez mais caros e exigentes?

E nem vale a pena falar na compra de casas, pois raramente alguém vai acabar por pagar menos de três vezes o preço real do imóvel, entre o lucro ganancioso dos construtores e os juros gulosos cobrados pela banca que preferia emprestar mais do que menos e se prontificava para fazer todo o tipo de trafulhices para que o cliente comprasse o carro dos seus sonhos (é verdade, foi ver uma avalanche de pategos a comprar carros alemães tdi e gti e jipes e coisas assim a armar ao pingarelho) e ficasse a dever ainda mais.

Ainda me lembro da minha idiotice de ir a um banco privado pedir um empréstimo, usando como argumentos que só precisava de 65% do preço total e responderem-me que o que lhes interessava não era isso mas sim emprestar muito.

Portanto… quando ouço o camelo do Lourenço dizer aquelas barbaridades, ainda por cima com ar de risota fácil, apetece-me chamar-lhe parasita,pois ele só existe enquanto personagem mediática porque existe uma crise económica e social terrível que ele vampiriza nos seus ditos e escritos. Para não falar do César das Neves, a única criatura a quem a estrita moral sexual da Igreja parece deixar bem humorado ou todos aqueles liberais que estão bem encostados ao Estado ou em posições de confiança do poder político em empresas participadas ou influenciadas.

Isto para não falar do ex-governantes que se tornaram consultores ou empreendedores com negócios privados feitos com o sector da governação que tutelaram?

Foram os funcionários públicos, professores, enfermeiros, polícias, juízes, que enriqueceram ou os carrapatosos, as cardonas, os nogueirasleites, os mexias, os zeinais, até mesmo os frasquilhos, mas muito em especial os seus empregadores e mandantes, ulricos&salgados, amorins&belmiros.

Por serem empreendedores? Ou porque beneficiaram de condições especiais de protecção dos seus negócios por parte de uma elite política de terceira categoria, sempre de olho no emprego privado a seguir ao cargo público?

Quem é que ganhou com o crédito ao desbarato? Os depositantes com dívidas ou os bancos?

Quem ganhou com “a liberalização dos mercados energéticos”? Os consumidores  ou os accionistas e administradores?

Qual é a estrutura actual de encargos fixos das famílias e qual era há 20 ou 25 anos? E isso aconteceu porquê?

Porque enriqueceram?

Ou porque empobreceram, na ilusão de se sentirem a imitar os sinais exteriores de “sucesso”?

 

 

… e vem a FNE e mete isto tudo à moda antiga… vende os princípios por 50% dos candidatos à prova, o MEC consegue ter forma de colocar a prova em prática e a Fenprof fica de mãos livres para assumir a radicalidade de uma luta que tem a configuração habitual: os “actores” fazem todos o seu papel e ganham de acordo com os seus objectivos.

Quem se lixa: a classe profissional dos professores que continua a ser tratada de forma indigna e instrumental.

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Eu sei… sendo injusta… se for para 20.000 é menor a injustiça do que se for para 40.000.

Mas então… e a questão de princípio?

Não era esta prova um ERRO CRATO?

Deixou de o ser?

Estou cansado de ver recuperar figuras deprimentes de um passado recente com base nas asneiras dos actuais governantes.
Na área da Educação, Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues achincalharam os professores e abriram todas as portas que estes estão alegremente a escancarar.

Há que questionar… será que estes conseguiriam fazer tudo isto se antes a porta não tivesse sido destrancada?
Pensem nisso, antes de recuperar como sant@s @s que nos lixaram valentemente ainda há tão pouco tempo. Haja memória, vergonha e decoro.

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