Ripa Na Rapaqueca


Porque estavam 15 mil milhões da PT investidos no GES? Porque sim, disse Zeinal Bava

Reparem que o investimento era o dobro do que valeu a empresa ao ser vendida…

Grande garanhão da gestão este Zeinal… e a maioria dos deputados come, engole em seco e cala-se, porque lhe inveja a indemnização aos 40.

Espectacular a parte do “porquê?” e do “não disse nada” na Marina Mortágua.

Zangam-se os compadres.

“Relativamente aos comentários da autoria do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa no seu programa dominical da TVI, venho por esta forma transmitir publicamente o seguinte: Eu compreendo que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa tenha muita mágoa em não poder continuar a passar as suas habituais e luxuosas férias de fim de ano na mansão à beira-mar no Brasil do Dr. Ricardo Salgado, mas essa mágoa não o autoriza a dizer mentiras a meu respeito e do banco a que presido, conforme fez no seu comentário de ontem”, referiu José Maria Ricciardi numa declaração enviada às redacções ao final da noite de domingo.

Só para confirmar:

O antigo responsável pela pasta da Economia acusa ainda Portas de “intriga e chantagem com um país numa situação dramática e que estava sob assistência financeira. Santos Pereira, refere ainda que “o timing da demissão de Vítor Gaspar surpreendeu-me”, mas, “a surpresa das surpresas aconteceu dia 2 de julho”, altura em que Portas apresenta a ‘irrevogável demissão’ .

… que não estava fora de causa que o surto de legionella tivesse “mão humana”. Ele depois disse que não tinha dito, mas a verdade é que afirmou que nenhuma hipótese estava excluída.

PGR garante que não houve sabotagem no Citius e arquiva inquérito

Seria interessante rever as declarações de Paula Teixeira da Cruz no final das jornadas parlamentares da maioria e perceber até que ponto foi lançada uma suspeição sem qualquer fundamento para distrair as artenções da própria falta de competência para acompanhar este processo.

 

PACC – O áudio da Petição…e que áudio

Ao que parece o Sóifer levou que contar, tal como o assessor-investigador Homem Cristo.Ao que parece, consideram que um artigo num jornal é “vida pessoal”.

O áudio está aqui.

Um dos economistas insurgentes, aquele nosso conhecido que assina em Portugal com dois apelidos e na Alemanha apenas com um e que trabalha para o sector privado que vive de contratos com diversos Estados, ditaduras ou não, tanto faz, fez um post maravilhoso, daqueles em que até dá gosto zurzir.

Após ter baseado paletes de posts e bué de palavras a justificar o desinvestimento na Educação Básica e Secundária com o argumento da crise demográfica, agora já fala em “2 milhões de clientes [sic]” e 200.000 funcionários (!!!), num milagre multiplicador que só a patetice pode justificar.

O trabalho de casa para o economista do calção vermelho deveria ser escrever 200 vezes (sem copy/paste, mas sim dando mesmo ao dedo) a seguinte frase:

O concurso dos professores deu buraco quando tentaram substituir a graduação profissional como critério fundamental de ordenação e procuraram dar autonomia de contratação às escolas com base em subcritérios manhosos.

É que por aquelas bandas, bem como pelas bandas blasfemas e observadoras (a tríade da endogamia liberal de sebenta lambida), ainda não perceberam que não foi o “centralismo” que causou o descalabro, mas exactamente o seu contrário.

O que esteve em causa foi a colocação de cerca de 4000 professores  em escolas TEIP e com contrato de autonomia num procedimento (também lhe podemos chamar “processo” ou “modelo” para facilitar a compreensão) que pretendeu flexibilizar o critério básico de graduação profissional e adaptar a avaliação curricular aos desejos “locais” de cada agrupamento ou escola.

Claro que insurgentes, blasfemos e observadores podem gritar aos quatro cantos ventosos do mundo que foi o contrário que se passou, mas isso não passa de uma manifestação muito particular de um pensamento mágico que representa a realidade de acordo com uma sua visão interior de tipo mitológico.

 

CNEDoc2PubPrivOra, ora…os rácios são mais baixos em todos os níveis de escolaridade no ensino privado, sendo essa diferença mais notória a parte do 3º ciclo.

Informação relevante para totós blasfemos (tipo cunha&miranda) e economistas insurgentes, em geral e particular.

A condenação de Maria de Lurdes Rodrigues vai deixar muito mais gente incomodada do que a de Armando Vara.

Porquê?

Porque a maior parte da classe política, mesmo na parcela que partilhava dos pecadilhos que lhe são atribuídos, achava que ele era alguém que dava demasiado nas vistas (qual duartelima), sendo necessário mesmo um bode expiatório, para acalmar a populaça e dar uma ideia de que a Justiça apanha quem prevarica no exercício de cargos públicos.

Já o caso de MLR é diferente, porque em sua defesa se alinhou demasiada gente e porque aquilo que ela fez, ao que parece, era (e é) considerado algo “normal” nos nossos meandros políticos: encomendar um “estudo” ou um qualquer “trabalho”, mesmo que desnecessário, em troca de uma remuneração mais ou menos avultada.

É prática comum e legitimada por pareceres e consultas do mais diverso tipo. Basta relembrar os milhões gastos em coisas destas por causa do TGV e do putativo futuro aeroporto de Lisboa. O que muita gente embolsou para provar que a chuva é húmida e seca, quando não está no estado gasoso.

E a farra continua… que não existam dúvidas sobre isso, pois o que aí há mais é malta a dizer que trabalham no privado, só se esquecendo que o seu empregador anda de mão estendida atrás do Estado.

MLR foi condenada, não por receber robalos, mas por contratar taínhas para fazerem de trutas.

Eu não me quero alongar muito, pois há quem tenha meios que eu não tenho para atacar e defender-se e esta senhora já deu o nome para que eu fosse atacado judicialmente, acabando o atacante com o rabo entre as pernas, porque é muito raro eu imputar seja o que for sem um fundamento.

No caso em apreço, repito o que escrevi mais de uma vez:

  • Como “utente” dos arquivos do ME(C) por motivos académicos, pouco tempo antes da “encomenda”, posso dizer que o trabalho encomendado era desnecessário.
  • Mesmo que fosse necessário, nos serviços do ME(C) havia nessa altura gente tecnicamente muito capaz e competente para fazer um trabalho daquele tipo.
  • Se o que era necessário era algo de maior complexidade, como acima escrevi, MLR decidiu contratar uma taínha para fazer um trabalho bem fora das suas capacidades.

Quase todos nós sabemos o que se passou e pouco diferirá do que o tribunal considerou provado:

A presidente do colectivo de juízes, Helena Susano, disse que Maria de Lurdes Rodrigues e João Batista combinaram, com base em afinidades pessoais e políticas, favorecer patrimonialmente João Pedroso, apesar de terem consciência de que isso implicava a violação da lei. A sentença salienta o facto de nada, no currículo de João Pedroso, justificar a sua contratação, uma vez que o advogado não era especialista nas leis do ensino. Por outro lado, a compilação legislativa também não era tarefa de tal forma complexa ou específica que justificasse a dispensa do concurso público, entenderam os juízes, que assacam, de resto, o atraso que se verificou na entrega do trabalho à falta de experiência de Pedroso no sector e também ao facto de estar ocupado com uma consultoria no Ministério da Justiça – ao mesmo tempo que tinha exclusividade na Universidade de Coimbra, onde dava aulas.

Que esta é uma decisão que assusta muita gente e que faz disparar campaínhas de alarme em muitos gabinetes, habituados a estas práticas, como se o Erário Público fosse coutada sua?

Por certo que sim.

Acho que várias testemunhas abonatórias de MLR deveriam pensar bem nisso.

Caso BES. Passos diz que Cavaco não soube mais porque não quis

Vou tentar fechar esta série de posts, que já vai longa para quem não queria dar conversa a miúdos reguilas, abordando de novo o tema dos salários, seu valor e evolução, em conjunto com a questão dos rácios alunos/professor, para que não se pense que não tenho “factos&argumentos” a esse respeito, para além de questões metodológicas…

Porque não gosto de ler coisas como esta (e outras coisas bem mais inanes nos comentários):

Portugal é também dos países em que os salários dos professores mais aumentaram entre 2000 e 2011. O que só demonstra a necessidade da correcção que os sindicatos tanto lutaram por evitar.

Em especial quando se insere numa narrativa que vem dos tempos do engenheiro (se pensarmos bem, foi desde o início a sua linha de acção mais consistente) e que se pode resumir assim:

  • Os professores ganham muito, em especial em termos relativos, quando comparados com os de outros países, sendo muitos e com um rácio de alunos por professor muito mais baixo do que nesses países. Por isso, devem ganhar menos, o seu leque salarial deve ser estreitado, pois chegam muito rapidamente ao topo da carreira, e devem existir menos professores para o sistema ser mais eficaz. Para além disso, não perderam poder de compra na última década.

Eu vou dividir esta narrativa em duas partes: a do nível salarial e a dos famigerados rácios. Para isso, vou usar os dados de diversas publicações da rede Eurydice, que é a base de dados especificamente sobre Educação na Europa com maior rigor na sua apresentação e na explicitação das metodologias usadas, incluindo quando assumem que existem dados para alguns países que não são completamente compatíveis entre si.

Quanto aos salários, não vou contestar aquela parte em que se diz que os professores portugueses ganham imenso (o que é ridículo), mas apenas desmistificar alguns dos aspectos da narrativa e apresentar uma explicação que deveria ser óbvia, mas ao que parece não ocorre a certos inteligentes.

Antes de mais, vejamos a tabela comparativa dos valores NOMINAIS dos salários mínimo e máximo:

SalariosProf12a13bNo caso do valor mínimo, ajustado ao PIB de cada país, Portugal não está muito longe da generalidade da amostra. No caso do valor máximo, já expliquei em post anterior que ninguém está no mítico 10º escalão (Índice 370), pelo que há ali uma representação (assinalada com um círculo verde( que não tem correspondência com a realidade.

Vejamos agora se é verdade que os professores portugueses chegam muito rapidamente ao topo da carreira:

SalariosProf12a13Como facilmente se verifica, é falso, pois os professores portugueses são dos levam mais tempo a chegar ao topo da carreira, mais exactamente 34 anos. Na maior parte dos países, o topo da carreira é alcançado em menos 10 anos.

Passemos então a outro aspecto, que é o da evolução salarial dos docentes desde 2000… é fácil verificar que, tirando o ano pré-eleitoral de 2009, não existem ganhos salariais. é ainda interessante ler a nota explicativa no fim do quadro.

SalariosProf12a13c

E quanto à evolução nos últimos anos?

Diga a tertúlia insurgente e o seu jovem “economista de formação” CGP mais a “claquezinha” de comentadores, os números são indesmentíveis. Portugal foi um dos poucos países onde as perdas salariais dos docentes ultrapassaram os 5% anuais desde 2010:

SalariosProf10a12SalariosProf12a13d

Com a Eslovénia e a Grécia, Portugal é um dos países onde os professores foram mais atingidos pelos cortes salariais.

Mas… ainda assim ganham demais?

Porque será?

Será que… por estranha que seja a ideia… é porque os professores portugueses passam mais tempo na sala de aula?

Será?

Vejamos:

HorarioProfesHorarioProfesbHorarioProfesc

 

 

Um professor finlandês do 3º ciclo deve leccionar 14 a 16 horas lectivas e ficar na escola entre 17 e 21. Um português deve leccionar 22 horas e permanecer na escola pelo menos 25. Uma ampla maioria dos professores apenas deve leccionar até 20 horas e são muitos os países que se ficam pelas 16 e 18 horas.

Os professores portugueses ganham mais, em termos relativos?

PORQUE TRABALHAM MAIS, DANDO MAIS AULAS OU DESEMPENHANDO OUTRAS TAREFAS NA ESCOLA!

Não defendem que se deve remunerar de acordo com o trabalho? Se um professor português lecciona mais 20% do tempo não deve receber mais do que quem trabalha menos?

Eu penso que sim.

***

E quanto aos rácios?

Haverá explicação para essa praga de haver mais professores portugueses nas escolas do que em outros países?

Há várias explicações, mas eu deixaria aqui uma, em busca de confirmação pelos factos.

Será que é porque… o currículo dos alunos portugueses é mais extenso, implicando mais horas de aulas e, por consequência, mais professores?

Não é natural que, antes de se insultarem os professores por serem muitos, e na sequência do que ficou acima já exposto, se busquem explicações naturais e óbvias?

Será que dá para tentar confirmar esta minha ideia?

Vamos lá…

HorariosCargaJá repararam como desde o 5º ano, mas em especial desde o 7º ano (estes dados ainda não contemplam a escolaridade obrigatória de 12 anos entre nós), o número de horas de aulas dos alunos é, em Portugal, bem maior do que em outros países?

Uma diferença bem significativa… sendo por isso que o ministro Crato andou a tentar cortar o máximo no currículo, não em defesa dos alunos, mas para cortar professores, cortando as ACND, mas não repondo as horas que tinham sido retiradas às restantes disciplinas “nucleares”?

Dá para perceber porque há mais professores nas escolas?

E que não é por terem menos alunos do que os outros?

Mas porque existe uma carga lectiva maior?

É preciso fazer um desenho para ensinar os economistas-gestores-empreendedores insurgentes inteligentes A PENSAR?

Não será que é mais honesto procurar as explicações REAIS antes de

Aqui.

Teach

Não sei que curso tiraram os nossos actuais desgovernantes, as suas consultorias jurídicas e os gabinetes de amigos que os assessoram, mas o nível de chumbos é absolutamente notável para pouco mais de 3 anos de (des)governo.

Há que pedir a algum investigador para pesquisar se foram alunos com necessidade de bolsas da acção social escolar para concluir as licenciaturas, pois sabemos que, de acordo com a sua própria área política, quem é pobre tende a ser mau aluno.

O que se percebe é que são óptimos na encenação da indignação. Deve ser cadeira obrigatória daquelas coisas universitárias de Verão.

Portugal goleia Alemanha (13-3) no Europeu de hóquei em patins

Agora é esperar pelos campeonatos de bisca lambida, de sueca (lambida, é de mau gosto) e de lerpa às três tabelas.

 

Aguardam-se agora os teorizadores do sectarismo do TC.

TC rejeita pedido de aclaração do acórdão que manda repor salários

Tribunal só especifica que o acórdão produz efeitos a 31 de Maio, uma das dúvidas do Governo para o processamento dos salários. E avisa que não tem que andar a esclarecer o Executivo sobre como deve governar. A decisão foi subscrita pelos 13 juízes do TC.

Este pedido do Governo faz lembrar aqueles litígios de má fé ou as tácticas destinadas a atrasar os processos em Tribunal a ver se tudo prescreve. ou seja, a miudagem do desgoverno (inlcuindo alegados constitucionalistas) a dar o pior dos exemplos sobre como lidar com o sistema judicial.

… que alguém trava o está tudo-tudo-tudo-tudo-tudo mal na Educação do Medina Carreira.

O Carlos Fiolhais, reconhecendo os males, também soube destacar as coisas positivas e meteu-lhe ali um travão a quem sabe as coisas porque “fala com umas pessoas amigas”.

(vou ler o resto para ver se o jovem Raposo também leva alguma bengalada…)

Em entrevista ao i, o secretário de Estado Pedro Lomba afirmou que a acção do governo está a recuperar “o espírito do 25 de Abril inicial”. Concorda?

O senhor secretário de Estado Pedro Lomba não faz a mínima ideia do que foi o 25 de Abril . Essa tentativa à posteriori de encontrar na acção do actual governo alguma coisa que tenha a ver com as condicionantes e as circunstâncias do 25 de Abril é do domínio da ficção política.

(…)

Há gente que veicula a ideia que a democracia foi construída contra o PREC, concorda?

Não. Na exposição que eu organizo na Assembleia não parto do princípio que haja uma interpretação unívoca do PREC. No período revolucionário realizaram-se quatro eleições: constituintes, legislativas, autárquicas e presidenciais. Só isso já nos levava a olhar de uma outra maneira para os acontecimentos. O PREC é o resultado de um tumulto que era inevitável ao fim de 48 anos de ditadura. A ideia que, depois do dia inicial e limpo, as coisas pudessem ser higiénicas é irrealista. Era inevitável que as coisas fossem complicadas e tumultuárias. Eu não direi que a democracia nasceu do PREC, mas direi que a democracia nasceu no PREC. Não entendo que seja possível, e nesta exposição eu faço o esforço para evitar projectar o politicamente correcto actual sobre o passado. Aquilo que se pretende mostrar na exposição foi que as instituições democráticas e a própria vitória da democracia, mesmo em relação aos protagonistas que eventualmente se batiam por outras soluções, foi construída durante esse tempo: o processo democrático normalizou-se mais tarde que 74 e 76, mas começou a ser construído no PREC. E começou no PREC, porque é evidente, quer se queira quer não, que houve uma certa alegria da liberdade e é inevitável que isso conduzisse a excessos. E não adianta penar sobre isso, de modo geral quem pena com os excessos do PREC é quem não gostou do 25 de Abril.

E desta vez o Governo até anunciou ter-se esmerado na justificação jurídica. Phosga-se… e se tivesse feitos apenas a porcaria do costume?

Seria unanimidade mais um?

Aguarda-se vingança governamental.

O plano A deve ser exigir 200 euros a cada professor no activo para continuar a dar aulas.

Tribunal Constitucional chumba por unanimidade convergência das pensões

Os 13 juízes consideraram que um corte de 10% nas pensões de aposentação, reforma e invalidez de valor ilíquido mensal superior a 600 euros viola o princípio da protecção de confiança.

… o facto de um tipo ter um currículo público e alguma capacidade para não ficar caladinho entre as paredes da escola.

Claro que eu aproveito logo as oportunidades da melhor maneira que posso, até porque este comentário a expelir ódio não tem a origem que se possa pensar a uma primeira leitura. O problema da malta que escreve com raiva de tipo pessoal é que não consegue fugir às impressões digitais.

Mas, como acima disse, nada como aproveitar o pretexto para a vã glória que até já tinha resumidamente explicado aqui, não sendo coisa nova.

Então é assim…

Parece incomodar a algumas pessoas que eu, formado em História e sendo professor, tenha feito um doutoramento em História da Educação na Universidade (Clássica) de Lisboa, com tese publicamente defendida durante mais de três horas na respectiva Reitoria. Confesso que não é a melhor tese do mundo, mas admito que não me envergonha, apesar de muita gralha ter lá ficado, pois acabei-a já a dar aulas, depois de ter estado 3 anos como equiparado a bolseiro (o doutoramento dava direito a 5 anos, mas eu só concorri a 3).

IMG_2972IMG_2976

O diploma é legítimo e a data é correcta. Não é um doutoramento ou pós-doc feito em seis meses numa universidade de acolhimento com bolsa para passear e conhecer a estranja, é dos nacionais e daqueles feitos a sério, sem e-learnings e associações a universidade de vão de escada lá fora ou cá dentro.

Parece ainda incomodar alguma gente que uma dúzia de anos antes tinha feito o meu mestrado old style (4 aninhos) na minha alma mater original (FCSH-UNL), enquanto dava aulas como contratado, parecendo-me que a coisa nem correu mal, pois a publicação resultou de ter ganho um prémio de investigação na minha área de especialidade, com o devido patrocínio de uma ONG feminista, pelo que não deve ter sido dada sem algum fundamento.

IMG_2973

O que não parece incomodar a malta – em especial aquela que não está no activo ou que, quando esteve, planava sobre as águas turbulentas – é o trabalho diário de professor, feito com orgulho, do Ensino Básico, com 6 turmas atribuídas (2 de Português e 4 de História), trabalho esse muito mais difícil de cumprir do que outros com mais honrarias associadas para os pobres de espírito.

Há caramelos que, ou porque se encostaram apenas ao Secundário nos anos gordos ou porque conseguiram que o apelido ou cartão os metesse numa qualquer departamento, gostariam que eu me ofendesse com certas coisas… mas isso é desconhecer-me por completo.

IMG_2974

Uma coisa tem sido sempre certa… todos os que me conhecem sempre souberam onde me encontrar no dia 1 de Setembro (acho que este ano foi a 2), sem ser preciso recear que eu queira o lugar de qualquer outra pessoa minha conhecida, pois estou muito bem onde estou.

Se consigo fazer mais coisas nos meus tempos extra?

Sim, é verdade… este ano, para além de vários artigos de extensão variável sobre Educação, entreguei para publicação uma biografia parlamentar do Afonso Costa (em edição da Assembleia da República, entidade que avaliou da minha competência científica para a missão e recebeu mais 20% de trabalho do que o encomendado) e um ensaio sobre Liberdade e Educação (edição da FFMS para o início de 2014), cujo conteúdo foi plenamente confirmado pelos PISA 2012.

Fui pago por ambos os trabalhos, passei recibo e ando a fazer pagamentos por conta ao fisco, pois tudo o que recebo é devidamente declarado.

Se isso causa problemas a alguém?

Vão-se catar!

… de director do Expresso, cargo que tinha ganho na altura conturbada da saída de José António Saraiva. Diz quem por lá andou que foi para meter o jornal nos eixos e o tornar menos imprevisível, pois andava a fazer títulos incómodos para certos poderes fáticos.

Mas não sei se é verdade, fico-me pelo que se diz nos mentideros do meio jornalístico, de que conheço minguadas periferias.

Sei é que se Henrique Monteiro se sente no direito de fazer juízos de valor sobre as opiniões dos professores (será para ganhar audiências?) do género “a uns e outros, segundo me parece, o que lhes custa é pôr-se à prova” eu também tenho direito de deitar-me a adivinhar que ele só continua no Expresso depois da despromoção que alguns dizem que nunca tolerariam. E tenho ainda o direito de considerar que se mantém por lá porque realmente “os bens (leia-se empregos) tornaram-se mais escassos” e ele teria de ir labutar pela vida quando há muito parece ter confundido jornalismo com almoços, charutadas e telefonemas pela roda de contactos.

E teria de sair da sua zona de (muito) conforto e ir mostrar o que valia fora do feudo onde está de pedra e cal se assim o deixarem, mesmo que lhe tirem regularmente umas tenças.

Mas isto, claro, sou eu deitar-me a adivinhar e a fazer juízos de valor sobre o que não sei, especialidade maior do agora blogger-outrora-director Henrique Monteiro, exemplo máximo de uma geração que primou pela qualidade do seu desempenho académico-de-braço-no-ar.

(como sempre fiz exames ao longo do meu percurso académico, incluindo defesa de mais de 3 horas da minha tese de doutoramento em universidade pública de valor reconhecido e em época em que as notas não se conseguiam em rga, ou a eles dispensei quando era mais pequenino, estou à vontade para dizer que, no meu escasso entender, Henrique Monteiro há muito não é avaliado pela qualidade do seu trabalho como jornalista que, ainda em meu escasso entender, é praticamente nulo)

Página seguinte »