Real Politik


… o que as últimas semanas “europeias” demonstraram não foi o “triunfo da política”, no seu sentido mais nobre de debate público sobre diferentes vias de encarar a governança europeia, mas sim o triunfo da real politik em que os governos europeus alinhados com o centralismo burocrático formaram uma espécie de cartel e fizeram com que as “alternativas” gregas ficassem isoladas e sem capacidade para se impor.

A visão mais negra diz-nos que isto foi um apertão de calos destinado a demonstrar aos eleitores de vários outros países que não serão toleradas “alternativas” ao que mandam os junckers e jeorens, mandatados pela ângela para meter todos no espartilho, pelo que devem votar onde lhes mandam os centrões confluentes. Incluindo o socialismo à hollande&assis.

A visão mais benigna dirá que este confronto foi o início de uma inversão de tendência e que apesar dos resultados muito escassos para o actual governo grego as sementes foram lançadas para um futuro diferente a nível europeu.

Seja como for, isto tem para mim tanto de democrático, pela forma de funcionamento, como o bom e velho centralismo democrático de inspiração soviética. Ambos os modelos baseiam-se no princípio hegeliano da síntese a partir da oposição tese/antítese, mas neste caso ela acaba sempre por esmagar e abafar as minorias.

Claro que podemos esperar (recostados) por um grande levantamento dos povos, mas por cá a revolução costuma avançar, mais tarde ou mais cedo, em direcção ao centro e quem desalinha é porque é radical-cripto-fascista-estalinista.

 

É muito interessante a retórica do governo grego, faz-me lembrar algumas vitórias sindicais por cá.

Dizem que ganharam tempo?

Mas era esse o objectivo?

E tempo para quê?

Até à próxima negociação em Junho?

Até novo entendimento?

É verdade que a sua posição era muito difícil, desde logo devido a posições vergonhosas como a do governo português, mero cão de fila do alemão, e que seria delicado declarar que não conseguiram praticamente nada do que pretendiam… mas… só quem não quer ver é que não vê que apenas conseguiram manter o que já tinham. Que era o que não queriam manter.

O resto é fumaça e, agora sim, pensamento mágico.

É pena.

Mesmo se teremos elogios ao bom senso ou ao sentido de responsabilidade.

Com jeitinho, até teremos prosa do Assis a este respeito.

Foi a vitória – e nem sequer muito subtil – do pãozinho sem sal do eurogrupo e da nossa maria deslavada.

Então o Juncker pede desculpa na mesma altura em que os gregos “radicais” se rendem quase por completo à real politik das semânticas?

António Costa recupera Bloco Central a pensar em 2015

… sobre os protestos de autarcas quanto ao encerramento de escolas.

Sei que estarei a ser pouco justo com alguns, mas a verdade é que a maioria, no fim, ou amocha e assina ou assina desde que lhe passem o cheque e os miúdos que se lixem.

Pelo que… nem vou perder muito tempo, pois já vi isto em anos anteriores e em mais de 90% dos casos foi folclore.

Associação diz que professores contratados devem inscrever-se para fazer a prova

O MEC já publicou o aviso que fixa o prazo de sete dias para a inscrição na prova de avaliação de conhecimentos e capacidades.

… naquele jornal que tantos camaradas gostam de zurzir. Isto não é engolir um sapo ou um elefante. É engolir uma serviço inteiro de louça das Caldas pelas mãos de um dinossauro.

Exp2Nov13

Expresso, 2 de Novembro de 2013

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