Vazios


O Tribunal de Contas (TC) decidiu não homologar as contas do município de Murça referentes aos anos de 2008, 2009 e 2010, quando o presidente da Câmara era João Teixeira (PS), hoje condecorado.

Não chegavam os diasloureiros?

E quando se digna criticar a Grécia, apetece logo, claro que apetece, ir buscar a prosa do João Quadros:

Quanto ao nosso Presidente, eu podia usar a desculpa de que ele já não está em condições, mas não quero enganar ninguém. Ele sempre foi assim. É uma pessoa horrível, mas somos nós que temos de viver com ele desde pequeninos, Querida Grécia.

Veja que, por exemplo, quando o nosso Presidente da República diz: “Muitos milhões de euros estão a ser tirados dos bolsos dos portugueses para a Grécia”, e diz com os dentes todos para percebermos melhor a brutalidade da quantia – “miiiil e cem miiiil milhões” -, é óbvio que é muito ofensivo para vocês. Mas acredite, Querida Grécia, é muito mais ofensivo para nós. Imagine o nosso sofrimento, que ouvimos isto, e tivemos de nos juntar para pagar umas seis vezes mais, com o banco feito por ex-colegas do nosso Presidente. E, Querida Grécia, nunca o vimos vir a público dizer – “saíram seis miiiiiil miiiiiilhões de euros do bolso dos portugueses para o BPN”. Ou: “Ganhei umas centenas de miiiiiiiiilhares de euros no BPN que acabaram por sair do bolso dos portugueses”.

… continua uma treta, com coisas mais velhas que o matusalém primeiro ou com pseudo-novidades que não interessam nem ao bebé jesus em cueiros.

Há excepções, claro que as há, mas são verdes.

E há sempre aqueles meios créditos promovidos pelas editoras.

E continua a não interessar ou contar seja para o que for a “produção científica” ou directamente relacionada com a actividade profissional.

E depois quem que levemos as coisas das ADD a sério?

 

Continuemos com a maravilhosa entrevista de Hélder de Sousa a Marlene Carriço do Observador e apreciemos este espantoso naco de sabedoria, resultante de 25 anos de reflexão:

Com os anos de reflexão que tenho tido nestas funções e nesta vida de quase 25 anos ligado à avaliação leva-me a dizer que é preciso mudarmos o paradigma da forma como olhamos para a avaliação. A vantagem da avaliação não é a de apontar o dedo nem criticar as pessoas. Se há elemento que nos une enquanto seres humanos é a capacidade de errar. Não conheço nenhum ser humano que não erre. Portanto se nós aprendermos com o erro, dissermos porque é que errei e o que é que vou fazer a seguir para não errar a sociedade tem condições para melhorar, e isso do ponto de vista da educação é talvez a mudança que precisamos de fazer.

Vamos deixar de lado a vacuidade do “é preciso mudarmos de paradigma”, porque não há quem para se armar aos cucos, não diga isso sobre tudo e nada, querendo dizer nada sobre tudo.

Concentremo-nos naquela parte do “a vantagem da avaliação não é a de apontar o dedo nem criticar as pessoas”.

A sério?

A sério?

Então o que fez o senhor excelentíssimo doutro ministro com as bocas sobre os 20 erros, acolitado por uma turba desgovernada de sabichões de sofá como o novo guru do DN e a conivência do próprio senhor Iavé?

Não foi, mais do que apontar o dedo, generalizar as críticas aos “professores”, assim todos por igual?

Ou o argumento só serve para o alunos e os professores, ou candidatos a, nem se podem considerar “pessoas”?

e já agora, não me querendo meter no trabalho da jornalista, como é que Hélder de Sousa se escapa de uma entrevista tão longa sem concretizar absolutamente nada sobre provas deste tipo lá fora?

Nem indicou um caso específico de um país em que a prova seja feita, o momento em que é feita, o tipo de avaliação que implica a exclusão de um candidato a professor, o número de examinados, a taxa de “retenções”, os efeitos sobre a “qualidade” dos professores, etc, etc.

Foi uma entrevista “política”, cheia de ideias gerais, umas interessantes (aquelas em que vira o bico ao prego que tem espetado), outras nem tanto, umas vezes diferentes, outras vezes iguais, com perguntas raramente exigentes, quase sempre menos.

E assim se (sobre)vive.

Como se fosse num episódio vagal.

Vagamente.

Exp31Jan15

Expresso, 31 de Janeiro de 2015

Embirro com o homem, que querem, é uma coisa que não dá para evitar. Tinha decidido ignorar os seus escritos presunçosos (pois nem vale a pena tentar explicar-lhe as coisas mais simples, em especial se formos mexilhão, zecos sem nome), mas o seu mais recente texto é de uma confrangedora ignorância em termos políticos e históricos.

O homem só deve ter livros de história do século XX para enfeitar as estantes e reduz a “experiências de sentido distinto” realidades históricas como a Frente Popular (em que os comunistas viabilizaram o governo de Léon Blum) e a Guerra Civil de Espanha, em que a posição do governo francês esteve muito longe de ser clara.

É demasiado mau para se armar em “reserva” da República.

Há agora um novo crime no código penal doutrinário desta gente: um homem de esquerda não pode advogar a vantagem de um entendimento político de fundo com formações de centro-direita. Não ocorre a estes novos puristas lembrar o que foi grande parte da história do século XX europeu, e tampouco o que foi o percurso político da democracia portuguesa nos últimos quarenta anos. Na Europa, desde a célebre cisão do Congresso de Tours, ocorrida no já longínquo ano de 1920, foram raras as ocasiões em que a esquerda democrática e liberal esteve mais próxima da extrema-esquerda do que de uma certa direita liberal e republicana. Não valerá a pena recordar o essencial do percurso histórico do movimento social-democrata alemão, sem sombra de dúvida o mais poderoso movimento político de toda a esquerda democrática europeia. É verdade que pelo meio se verificaram, aqui ou ali, experiências de sentido distinto, condenadas quase sempre a um curto período de sobrevivência.

Por outro lado, a referência a Savonarola é completamente apalermada, pois ele acabou morto, após tortura, pelos poderes políticos e económicos da Europa estabelecida de então, a que se acoitava nos mantos de um papado debochado e corrupto.

Assis sentiu-se empurrado para a “periferia política” do PS

A minha preocupação é ele ter saído da periferia e ter-se encavalitado no meio como se tivesse algo para dizer de diferente ou especialmente interessante.

Se Seguro era o que era, chato e tal, Assis é o chato que tenta estar sempre por cima, mudando de cor q.b. para se adaptar. Desta vez, correu menos bem.

Não temos pena.

O de António Costa.

Alguns são especialistas apenas em produzir vocalizações.

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