Terça-feira, 24 de Agosto, 2010


Pet Shop Boys, Jealousy

O PAÍS DAS CABEÇAS DURAS

 
Basta ler as reacções negativas das nossas elites à proposta da ministra da Educação de acabar com as reprovações na escolaridade obrigatória para atestar a aversão tão portuguesa à mais elementar operação de cálculo mental. É que nem se pode dizer que a proposta da ministra é uma proposta inteligente… Trata-se tão-só de uma proposta óbvia.
Hoje todos reconhecemos o grande falhanço da reforma educativa de Roberto Carneiro. Mas a principal causa do falhanço da reforma residiu precisamente no facto de Roberto Carneiro ter cedido aos sindicatos de professores, associações de pais e à mediocridade das nossas elites, sacrificando as duas paredes mestras da reforma proposta por Fraústo da Silva: o fim das reprovações na escolaridade obrigatório e a introdução de exames para prosseguimento de estudos.
Só um imbecil ou um cretino pode defender, simultaneamente, a escolaridade obrigatória, as reprovações e um ensino público de qualidade. E por uma razão muito simples: trata-se de uma impossibilidade matemática como facilmente se demonstra.
Com efeito, são precisamente as reprovações, na escolaridade obrigatória, que obrigam a que se aldrabem os resultados, se nivele por baixo, se diminuía o grau de exigência e de rigor e se inflacionem as notas. Isto é uma evidência!
Da mesma forma que, no salto em altura, à medida que se sobe a fasquia cada vez são menos os que a conseguem transpor, também, nas nossas escolas, quanto maior for o grau de exigência, maior é o número de reprovações. E, mantendo-se a exigência e as reprovações, só há duas formas de impedir que os alunos menos dotados fiquem eternamente no mesmo ano de escolaridade: ou baixam a fasquia ou põem-lhes uma escada. Mas, neste caso, não me venham falar de exigência e de mérito, onde só existe fraude e aldrabice.
Acresce que as reprovações impõem um sistema tão fraudulento que os alunos  (quer os que nada sabem, quer os que sabem alguma coisa) acabam todos a escolaridade obrigatória com a mesma nota: nível 3.
E se acabassem as reprovações na escolaridade obrigatória, a situação só por si melhorava? É óbvio que melhorava e em benefício de todos: alunos, pais, empresários e contribuintes.
Em primeiro lugar, os professores podiam ser exigentes, cabendo aos alunos, se quisessem ter boas classificações, trabalhar e esforçar-se para isso. Neste momento, os alunos passam, praticamente, todos com nível 3. Com o fim das reprovações, uns passariam com 2, outros 6 e outros com 16 valores. Era, aliás, fundamental que, com o fim das reprovações, as classificações passassem a ser de 0 a 20, para serem mais informativas, diferenciar os alunos e premiar o mérito, e fossem introduzidos os exames nacionais no fim de cada ciclo para aferir as classificações.
Em segundo lugar, as classificações e os certificados de habilitações passavam a ter, consequentemente, credibilidade e valor informativo porque reflectiam o que os alunos efectivamente sabiam.
Em terceiro lugar, os alunos que, no actual sistema, reprovam (ou passam por favor) poderiam, por um lado, iniciar o novo ano lectivo logo integrados em turmas de recuperação às disciplinas a que não tinham obtido aproveitamento e, por outro, não ficariam impedidos de prosseguir os estudos nas disciplinas a que obtiveram aproveitamento. Ou seja, não só tinham mais possibilidades de melhorar às disciplinas em que tinham dificuldades como também não ficavam a marcar passo nas disciplinas a que obtiveram aproveitamento.
Em quarto lugar, evitava-se que alunos matulões e cheios de vícios liderassem turmas de alunos mais novos e com vontade de aprender. Se os alunos acompanhassem sempre os da sua idade, grande parte dos problemas de disciplina dentro da sala de aula seriam evitados.
Finalmente, reduzir-se-iam em muitos milhões de euros os custos na Educação com a vantagem de se aumentar a qualidade, premiar o mérito, diminuir a indisciplina e apoiar, efectivamente, os mais necessitados.
Se não fossemos um país de cabeças duras, não seria difícil chegar a esta conclusão. Mas as nossas elites têm a cabeça tão dura que, por mais que batam com ela na parede, não a conseguem abrir.

 
Santana-Maia Leonardo
Advogado – Abrantes

Raios, é verdade aqui a banda nem chega a ser meã.

Isto levou meia hora…

Criança, apenas…

Nó Górdio

Hoje é o dos Negócios…

Educação representa 31% da subida dos gastos do Estado

A despesa do Estado não pára de crescer, apesar de o ano ser de consolidação orçamental. E cerca de um terço deste crescimento – que atingiu os 3,8% em Julho – vem da educação, em parte devido à melhoria das remunerações de professores, no seguimento do processo de avaliação.

Acredito que antes de 31 de Dezembro não nos voltem a congelar, mas já estive mais convencido disso. Tudo isto é a aplainar terreno. Só espero mesmo que não pensem em lixar ainda mais quem já teve 2,5 anos de suspensão e ainda não conseguiu mudar de escalão em 2010, ao fim de 7 anos e mesmo mais para um escalão que durava 3 e agora 4, mesmo com a  avaliação ditada pelo ME (para que conste, não me refiro a mim…).

Como já escrevi na outra semana, adivinha-se uma qualquer borrasca forte para Setembro… ou então após as comemorações do 5 de Outubro.

Como é que é possível que o PS consiga arvorar como bandeiras da sua governação aquelas que são as áreas de maiores problemas e conflitualidade dos últimos anos (em conjunto com a Justiça)?

Saúde, educação, trabalho. PS avança em três frentes

Sócrates prepara contra-ataque para travar subida nas sondagens de Passos. Manifesto pró-SNS deu o pontapé de saída para a ofensiva rosa.

Só pode ser mesmo por convicção ideológica que o PSD tenha conseguido a proeza de tornar fortes e mobilizadoras as áreas mais fracas da governação e aquelas que, devidamente exploradas, poderiam ter levado o mPS a perder votos à esquerda.

No caso da Educação, a ausência de propostas alternativas na substância – apenas surgindo críticas suaves em relação à forma de implementação das medidas – deixa para o PS, por via das propostas de revisão constitucional, a incrível possibilidade de se apresentar como grande defensor da Educação e da Escola Pública.

Eu sei que não há soluções e fórmulas fáceis, mas quem pretende governar o país provavelmente teria obrigação de mais do que o silêncio em matéria de Educação e Saúde.

Assim, com toda a esquerda acantonada contra as ideias de Paulo Teixeira Pinto (sim, não me enganei) para o país, Sócrates ganha um fôlego impensável há um par de meses.

Na frente sindical, e pelas razões expostas, haverá coreografia conflitual, mas tão só isso. A colaboração, pelo receio da alternativa, garantirá ao PS um ano descansado.

Uma verdadeira proeza, a dos spin-doctors e conselheiros de Pedro Passos Coelho. Transformar as fraquezas do adversário em forças.

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