Europa


Aguarda-se a exegese assinina, de Francisco, o profeta primeiro de Juncker na terra, bem como a declaração do actual PPM afirmando que não estava consciente de ter sido assim.

Grecia es el ejemplo de que esa impresión acerca de que Alemania lidera Europa con mano de hierro no se corresponde con la realidad. Ha habido varios países más severos que Alemania: Holanda, Finlandia, Eslovaquia, los bálticos, Austria. En las últimas semanas, España y Portugal han sido muy exigentes en relación con Grecia.

Da indignidade, da vergonha e da humilhação

Quando os governos da “Europa” e muitas das suas oposições aceitam como presidente um tipo que, enquanto governante do seu minúsculo estado, aceitou manobras de evasão fiscal de contribuintes dos outros estado europeus e como autoridade máxima do chamado eurogrupo um outro que nem uma tese de mestrado bolonhesa conseguiu fazer sem polémicas?

A quem disser que isto são epifenómenos eu contraponho que são sinais evidentes do resto do icebergue.

Então o Juncker pede desculpa na mesma altura em que os gregos “radicais” se rendem quase por completo à real politik das semânticas?

Yanis Varoufakis: No Time for Games in Europe

O CNE disponibilizou os relatórios (global e nacional) Education and Training Monitor 2014, que eu deixo também aqui (Monitor2014Monitor2014Port).

Há por lá muito que explorar, mesmo para os não crentes nestes relatórios.

E eu explorei inicialmente mal, pelo que retirei o post que aqui estava, pois baseava-se num quadro errado. Desculpem os que foram induzidos em erro, mas foram mais os que deram logo por ele.

Isto é de ver tanta grelha alheia, deu-me cabo do neurónio operacional.

The Education and Training Monitor 2014 is out now

Quanto a evidências…

etmon-govspend_en

 

The Shadow Economy in Europe, 2013

Interessante:ExconSombra
 

Não se percebem bem açgumas leituras produzidas na noite de ontem… em especial o regozijo da Aliança Portugal por ter perdido por poucos e do PS por ter ganho, mas sem conseguir capitalizar metade da perda de votos dos partidos do actual desgoverno.

Enquanto em 2009, estes três partidos concentravam cerca de 76,5% dos votos, agora nem aos 60% chegaram.

Se esse fenómeno – de perda de influência eleitoral dos partidos do centrão governamental, enquanto sobem os votos das propostas mais populistas e “extremistas” de direita e esquerda – não foi exclusivo de Portugal?

Não, não foi, o que agrava ainda mais as coisas, pois é algo global que demonstra até que ponto a desconfiança se instalou em relação aos senhores do rotativismo governativo.

Se é preocupante?

Depende.

Enquanto as propostas “centrais” se ficarem por Duponds e Duponts, é porque continua a aprofundar-se uma enorme incompreensão entre as cliques e clientelas partidárias e o resto da população.

Enquanto as diferenças forem entre tons da mesma cor base (o cinzento apastelado, com mais goma ou menos goma no cabelo), é porque o solipsismo político atingiu níveis próximos da ruptura.

Mas alguém se sente motivado para votar num assis ou num rangel, que daqui a semanas só se distinguirão porque um decidiu ter ar de saudável raquítico e o outro ainda não?

Menos de 60% de um terço dos votantes inscritos (estou-me cada vez mais nas tintas para o argumento dos “eleitores-fantasma” que, a existirem, só existem porque o poder político assim o permite por incúria ou incompetência) significa que os “grandes partidos” do “arco da governabilidade” convenceram menos de 20% dos eleitores inscritos.

É demasiado escasso para que seja quem for possa reclamar qualquer vitória.

Com jeitinho… começamos a ter um colégio eleitoral mais curto do que a velha democracia esclavagista e misógina de Atenas, sendo que no caso presente não se vota por opção e não por proibição.

 

EleiEur2014EleiEur2014b

EleiEur2014c

Ukip has won the European elections

Européennes : large victoire du Front national

N-VA conquérante, Ecolo en recul et importants problèmes informatiques pour les décomptes

Far-right takes victory in Danish European elections

Greece’s Syriza Wins EU Elections in Warning to Samaras

Euro2014

 

Ainda antes dos resultados oficiais (ligações para sondagens e updates da RTP, SIC e TVI).

Vencedores:

MPT/Marinho Pinto – canalizou o voto de protesto que decidiu ir às urnas. Não tem um programa político reconhecível, para além de uma espécie de caudilhismo, algures pela esquerda, que deverá ter mobilizado muitos votos que iriam e3m outros tempos para o Bloco de Esquerda e que não sabem quem é Rui Tavares.

CDU – reforço uma votação que já de si tem vindo a ser consistente nas várias eleições.

PS – vitória algo mitigada, pois não conseguiu capitalizar completamente a enorme derrota da Aliança Portugal. De qualquer modo, ganhou e com uma diferença que se pode considerar confortável em termos percentuais, pois ganha 6 ou 7 pontos em relação a 2009.

Derrotados:

Aliança Portugal – um dos resultados mais baixos de sempre da Direita em Portugal, em especial em coligação quando a soma das partes deveria potenciar a votação, ocultando as perdas resultantes de uma divisão entre PSD e CDS. Rangel reforçou o seu ar de engomadinho, agora que se a imagem de marca é a de um estrangeirado magrinho. Em 2009, os dois partidos chegaram aos 40%, agora devem ficar bem abaixo dos 30%, provavelmente entre os 27-28%.

Bloco de Esquerda – ficou reduzido praticamente à sua expressão de há uma década em termos percentuais e de deputados eleitos, neste caso de deputada. Que bem se esforçou nos bastiões tradicionais (Lisboa, margem sul), mas não consegue ter o apelo de outras personalidades bloquistas.

Livre/Rui Tavares – exemplo maior de um equívoco pessoal. Rui Tavares confundiu popularidade na comunicação social com popularidade entre os eleitores. Só ajudou a desagregar mais o Bloco, sem quaisquer ganhos especiais, pois a mensagem de Rui Tavares é a de um europeísmo de esquerda que pouco se distingue do PS e de preocupações sociais que cabem perfeitamente no Bloco.

Aqui, em directo com os últimos dados globais e nacionais disponíveis.

É positivo. Fui muito menos ofendido, por dar espaço a estes ou a outros. Ainda me chamaram várias coisas, mas com muito menos intensidade.

… porque a campanha mesmo só começa daqui a bocadinho. Desculpem lá a categoria “outros”, mas aqui não estou com paciência para mais…

 

… se as eleições europeias não servem para nada de relevante – i.e. para pregar um valente abanão ao Pedro, como em tempos o foi ao engenheiro – então não há qualquer razão para se ir votar.

Aquela da ligação da política nacional à europeia é muito verdade, mas… não entusiasma ninguém, antes pelo contrário.

Get Ready for a Russo-German Europe

The Two Powers That Will Decide Ukraine’s Fate — and the Region’s.

Saiu por aí um relatório sobre Educação, Juventude e Trabalho na Europa feito por uma daquelas consultoras internacionais que por vezes são tomadas como especialistas no tema. Já há variado noticiário a propósito, mas ler o relatório, apesar de ser daquelas coisas que estão longe de ser escrituras sagradas, permite-nos encontrar coisas bastante interessantes.

Por exemplo:

McKenzieMcKenzie1

Isto significa, por exemplo, que há por aí um mito sobre a falta de competências profissionais dos jovens portugueses, pelo menos do ponto de vista dos empregadores, pois o valor dos que assim pensam é de apenas 31% em Portugal, valor igual ao da Suécia e apenas 5 pontos acima do que se passa na Alemanha. Neste aspecto, estamos bem melhor que o resto dos países do sul da Europa, incluindo a França.

Já quanto às vantagens da Educação, os jovens portugueses acompanham de perto suecos e alemãs na crença de que estudos pós-secundários são importantes para a sua empregabilidade, com 47% contra, respectivamente 51% e 53%, destacando-se dos restantes países analisados.

Qual o problema?

É que os encargos com os estudos em Portugal são dos que mais afastam os jovens dos estudos “terviários”:

McKenzie2McKenzie3

Porque é o factor económico determinante?

Porque em Portugal, ao contrário de outros países (e aqui é que reside a maior diferença para a Suécia ou o próprio Reino Unido), são as famílias a suportar a maior parte dos encargos com os estudos superiores. Em Portugal esse valor é de 78%, enquanto na Suécia é de 38% e no Reino Unido de 40%. a contribuição do Estado ou de eventuais empregadores é, entre nós, de apenas 12%, enquanto na Suécia é de 80% e no Reino Unido de 60%.

McKenzie4

Portanto, quando ouvirem ou lerem alguém por aí a falar em gastos excessivos com a Educação (neste caso a Superior), com a impossibilidade do Estado providenciar mais dinheiro, que somos uns gastadores socialistas, não liguem muito. É mentira, pura e simples.

E quando vos falarem em exemplos da Inglaterra ou Suécia, vejam bem se não andarão a usar dados ou teorias aldrabad@s.

E fazem isso para esconder o verdadeiro fracasso, o qual reside na tal Economia em que temos tantos especialistas, seja os teóricos puros, seja os que se afirmam empreendedores de sucesso.

Mesmo se há países com desemprego altamente qualificado equivalente ao do nosso (caso da Espanha), Portugal é, com a Grécia, um daqueles países em que as possibilidades de desemprego são iguais com estudos básicos ou superiores. E que são maiores com estudos secundários.

McKenzie5

Greece assumes EU presidency as anger towards Brussels grows

Foreign Minister Evangelos Venizelos hopes EU stewardship will show Greece is on the mend and boost its eurozone credentials.

Página seguinte »