Segunda-feira, 2 de Agosto, 2010


Sundays, Summertime e Goodbye (com o som muito baixo, quando devia ser ouvido sempre no máximo).

Mas claro que a canção pop perfeita é esta.

Mas então não era um jantar-umbiguista, mesmo que mini? E a comida? Só auto-retratos?

Fico à espera do resto…

Desmontar com funcionam, na generalidade, as nossas medidas para combater o insucesso ( que de acordo com a ministra são o Estudo Acompanhado, a diferenciação pedagógica na sala de aula e o apoio individualizado) e comparar com o que se faz lá fora, com base nos elementos disponibilizados pelos ME dos países do mítico norte da Europa e não por frases feitas e repetidas há anos e anos, sem que a devida crítica seja feita.

… algo em que malhar desde aqueles que estiveram na origem da Pedagogia do Sucesso e da repetência como excepção há 20 anos (PSD) aos que há não muito tempo apresentaram essas mesmas repetências como símbolo da exclusão escolar (BE), não esquecendo ainda os que, por motivos ideológicos, andam com muita dificuldade em descolar ou criticar abertamente as propostas da Ministra, sem ser com diversas ressalvas (basta ver o silêncio de um certo sector da blogosfera pró-sindical… e não é por estarem de férias ou não postarem sobre outros assuntos).

É um balanço feito por Sara Oliveira para o site Educare. Embora transcrito com a fidelidade habitual na peça, deixo aqui o meu testemunho:

Aspecto negativo: a forma autoritária, apressada e ilegal em grande parte do processo, como o Ministério da Educação tentou proceder à concentração da rede escolar, sem uma consulta atempada às autarquias e às comunidades educativas, já para não falar das próprias escolas.
Embora as razões orçamentais sejam neste momento muito fortes, não é correcto que o encerramento de escolas fosse anunciado como baseado num critério estatístico cego aos contextos e a formação de agrupamentos tenha sido feita na base da pressão pessoal sobre o(a)s Directores sem consulta dos Conselhos Gerais ou Conselhos Municipais da Educação.

Aspecto positivo (com alguma carga irónica): o enterrar do “machado de guerra” entre o Ministério e alguns sindicatos, redescoberto que foi o prazer dos processos e maratonas negociais. Se praticamente nenhum dos problemas mais graves da Educação ficou resolvido, pelo menos foi agradável ver declarações sorridentes, sobre o mesmo assunto, da actual ministra da Educação e dos principais líderes sindicais.

Da Gasolina à Escola Sem Chumbo

A Longa Marcha

A Longa Marcha para o Sucesso Educativo Total, em curso, só tem paralelo nas cifras do “Pleno Emprego” anunciadas nos “bons velhos tempos” de Cavaco PM e Guterres, agora que o “oásis” se desfez e os “camelos” emagrecem a olhos vistos é preciso arranjar outras miragens e, vai daí, a que está mais à mão é a do sucesso educativo por “Plena Certificação” – eles foram “Currículos Alternativos”, eles são “Territórios Prioritários”, “CEFs”, “EFAs”, “RVCCs”, “Profissionais” que em nada profissionalizam e mais um ror de ficções “nominalísticas” que, pese embora revelem bastante “imaginação”, o inevitável cotejo com a verdade da vida se encarrega de avaliar com, salvo raras e honrosas excepções, fraquíssimos resultados.

A luta por este desiderato tem sido longa e porfiada, desde as pressões constantes sobre os docentes, tentando fazer depender a sua própria classificação profissional do “sucesso” estatístico dos seus alunos, sem nenhum mecanismo fiável e válido de aferição e controle, donde só os tolos se prejudicariam e não teriam pleno sucesso, até ao facilitismo nos exames e à criação de cursos de “caracacá” com tantas “épocas especiais” quantas as necessárias, passando pela “validação de competências” e mais um sem número de expedientes. Mas o “Esforço” requeria mais empenho e a “Causa” mais aplicação e para isso o trunfo maior estava para vir – é preciso extirpar os “chumbos”, não havendo “chumbos” não há insucesso e o povo fica contente.

Afinal, num tempo de “camelos magros” como cumprir as metas do 12º ano como escolaridade obrigatória se houver o empecilho do “chumbo” que, para além de sair caro, por antipático incentiva ao “abandono”. Curiosa esta constante, noutros Sistemas Educativos como os do Luxemburgo ou da Suíça onde os professores não são a “corporação de malandros” que por cá existe, os luso-descendentes são os que menos sucesso educativo têm e os que mais abandonam. Será genético? Não o creio, deve ser porque o “pessoal”, cá dentro ou lá fora, tem sempre mais que fazer!

A melhor maneira de erradicar o “insucesso” e o “abandono” é dar (literalmente) o 12º ano a toda gente e porque não mesmo uma “licenciatura” (daquelas como o “velho” Melhoral, que não faz bem, nem faz mal)?! É curioso notar que na jihad do “Grande Timoneiro” e do “Bando dos Quatro” (Maria de Lurdes Rodrigues, Pedreira, Lemos e o Sr. Albino – que ainda hoje vê, em medidas como esta, “revoluções educativas”), contra “os inúteis mais bem pagos do mundo” (“Bichano”, porque filho do “Tareco”, dixit) tentou acabar-se com os “chumbos” por mobbing, gorada a tentativa e já no consulado da “Dama dos Sorrisos”, a “Obra” tende a completar-se e a “Grande Revelação” é proclamada: «Nada tendes a temer povo da Lusitânia, o monstro do “chumbo” vai ser imolado na fogueira do “Sucesso Garantido”», tanto mais quanto menos o passa a ser qualquer tipo de “Rendimento” ou de “Inserção”.

Eu, que sou da geração da culpa, testemunho a ironia do destino de um mundo bipolar de que este país é um fiel barómetro, sempre pronto a adoptar com ligeireza os as aspectos mais “folclóricos” daquilo que outros (os míticos “nórdicos”) fazem a sério, é por isso que as nossas escolas feitas segundo o modelo sueco tinham lugares para skis mesmo que fossem em Beja. Enquanto jovem, aluno e filho, a “culpa” era sempre minha por algo que corresse mal, quando cheguei à idade adulta a “culpa” mudou de lado e continuou a ser minha, mas desta feita como professor ou pai.

Como estudante do Secundário e mesmo da Faculdade lembro-me do prestígio das “Feras”, daqueles professores que davam imensos “chumbos”, tomados por critério de grande “rigor” e “exigência”, nunca concordei nem com o “método”, nem com a fama; agora só um louco tentaria ir por um caminho ainda que vagamente semelhante, seria imediatamente lançado às verdadeiras “Feras”, as da Burocracia Educacional.

Dos mitos com que nos “embalam”, o da Educação e o da Demografia são dois dos maiores embustes políticos da actualidade. Se a Educação só por si garantisse o que quer que fosse, em vez dos ucranianos e dos russos virem para Portugal, seriam os portugueses que para lá emigrariam (o que não quer dizer que não possa ainda vir a acontecer, longe vá o agoiro!); se a Demografia com saldo populacional amplamente positivo fosse o remédio santo para a sustentabilidade da Segurança Social, então a Argélia teria dos maiores índices de Protecção Social do planeta e os seus cidadãos não iriam sobrecarregar a da França.

Solução para o “Enigma”:

“It`s the Economy stupid!”

António José Carvalho Ferreira

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