Quinta-feira, 12 de Agosto, 2010


Sade, The Sweetest Taboo

É fácil consultar os documentos oficiais do Gabinete de Gestão Financeira: nos orçamentos finais o peso dos gastos com o pessoal diminuiu de 84,1% em 2003 para 79,5% em 2008. O orçamento inicial para 2010, apesar das visões apocalípticas dos miguéisosusatavares prevê um valor de 72,3%.

Se há que poupar, se calhar…

Isabel Alçada tem ordem para poupar

Nem o Ministério das Finanças nem a Educação assumem onde nem quanto vão ter de cortar, mas já há duas entidades nomeadas para encontrar formas de emagrecer a despesa e optimizar recursos. E as medidas de contenção sucedem-se.

Um reparo à notícias. Quando se afirma que 95% do Orçamento do ME vai para gastos com o pessoal, não está certo. As despesas com o pessoal estão apenas em 72,3% não tão longe dos 65% identificados para a Dinamarca.

Foi ele dos primeiros professores do ensino não-superior a insurgir-se de forma pública contra os excessos do que ele chamou pedagogice. E não me parece que hoje tenha mudado de opinião sobre o que escrevia em 2002 ou 2003. Poderá discordar-se de uma ou outra passagem, mas há um fio de pensamento que não mudou de repente, para se encavalitar na contestação.

Dogmas do Desastre do Ensino

Para mudarmos de quadrante, eis Augusto Santos Silva a criticar a obsessão com os rankings e a avaliação da Educação. Estávamos em 2002. O mundo vivia ao contrário.

Os “Rankings” Destroem a Avaliação

Estas são da página 112. A mim parece-me uma defesa da gestão unipessoal tal como o 75/2008 decretou. Mas posso estar a ver mal…

O Estado tem que entender que uma coisa são competências para o exercício de funções da docência, outra coisa são competências para gerir. Não têm que ver umas com as outras. Um bom professor não é necessariamente um bom gestor. Um bom gestor nasce e forma-se.

As escolas devem ser geridas por um director (reitor ou o que lhe queiram chamar) que tenha obtido qualificações em gestão no âmbito de pós-graduação.

É que o contexto em que as propostas e leis do primeiro governo Sócrates na área da Educação não surgiram ex nihilo. Já havia quem assim pensasse desde o tempo guterrista.

E tem toda a legitimidade de assim ser. É uma perespectiva da qual podemos discordar mas é clara.

não é recomendar a leitura deste blogue, mas reconhecer um traço que me é próprio, o não escrever para me dar bem com toda a gente, ou seja, que tenho «um proverbial mau feitio» e que não perco uma oportunidade «para polemizar com outros blogueiros».

Por acaso até perco muitas, mas é porque não tenho paciência e tempo para ir a todo(a)s. E a blogosfera é para isto mesmo, debate, fricção. Para consensos acomodados já tínhamos o ambiente mediático tradicional.

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