(In)Disciplina


Há uma situação, dentro ou fora de portas da aula, que infringe claramente as regras básicas da convivência em espaço escolar? Participa-se a ocorrência o mais depressa possível em documento apropriado e dá-se a conhecer ao DT ou órgão de gestão de forma concisa e objectiva.

Sendo-se DT e sendo a ocorrência grave, encaminha-se para o órgão de gestão, sugerindo a abertura de procedimento disciplinar. Se é por acumulação de “amarelos”/participações, o procedimento automático está previsto na lei e não carece de se andar a bater a nenhuma porta, pedindo autorização ou sugestões.

O órgão de gestão, defendendo a sã convivência em espaço escolar, dará naturalmente encaminhamento ao que lhe chega, tudo se desenvolverá a contento e sem necessidade de muita conversa em redor. As penas de carácter disciplinar devem ser usadas de acordo com o bom senso, mas igualmente seguindo a necessidade de manter o respeito por todos.

No caso de EE malcriados e que servem de exemplo (mau) aos seus educandos, pode sempre apontar-se o caminho da esquadra mais próxima, pois a parte das comissões de tal e coiso é para esperar deitado de tanta freguesia.

Claro que há excepções a estas regras muito básicas, mas são isso mesmo, excepções.

O latim gasto em redor disto tudo pode ser radicalmente reduzido e a energia gasta em queixumes encaminhada para coisas mais úteis.

Muita coisa também depende apenas de nós.

E isto é escrito por um tipo que só manda um@ alun@ sair da sala quando está mesmo a chatear os colegas para além do razoável.

 

Uma novidade, um blog dedicado especificamente às questões ligadas á indisciplina:

ComRegras…

Muito ficou por debater, por contraditar, por partilhar, por concordar.

Um modelo de formação muito dinâmico em que o João Lima é exímio.

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Aqui.

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Mais informações aqui.

Vai ser menos de 24 horas depois da outra… Mas estas iniciativas do João Lima são especiais.

Laboratório de Ideias para a Sala de Aula

LabEdu

Concordo, há uns bons anos, com uma parte razoável do diagnóstico do Gabriel, mas discordo de diversas das suas soluções e acho que ele começa a ter um discurso muito teórico…

Indisciplina nas escolas: os sete pecados mortais

Eu depois desenvolvo, mas gostaria desde já de deixar referidas as três instâncias fundamentais para que a questão da indisciplina não se torne inultrapassável e nem sequer vou falar da “sociedade” e dos factores económicos.

Em primeiro lugar, o MEC deve fazer um enquadramento jurídico global e não atrapalhar. Dispenso, enquanto professor, declarações retóricas que depois são desmentidas por regulamentações hiper-burocratizadas para lidar com a indisciplina.

Em segundo, ao nível das direcções, deve existir a sensibilidade e o bom senso para não se retirar o tapete aos professores que estão no terreno, nas salas e nos corredores, quando se trata de dar despacho e andamento aos processos disciplinares.

Em terceiro, é fundamental que os Conselhos de Turma se tornem coerentes (não quer dizer que todos os elementos façam o mesmo) e solidários, em vez de se assistir ao desenvolvimento de estratégias atomizadas de sobrevivência.

A coisa das professoras

A indisciplina nas escolas constitui o inconfessado orgulho de uma sociedade que gosta de crianças e jovens dinâmicos, ativos, engraçados, inconformados, indignados, reivindicativos.

Eu resumo, para não ocupar o tempo da leitura do artigo dele.

Eu concordo que existe um nível de indisciplina e distúrbios na escola e nas aulas que só dificulta o trabalho de alunos e professores. E concordo que muitos desses fenómenos são justificados com conversas da treta derivadas da formula global “são crianças/jovens” e “teacher, leave the kids alone”. Concordo ainda que muitos problemas não são resolvidos porque fora e dentro das escolas há gente que parece que confunde rebeldia, crescimento, construção da identidade com parvoíce. E que sorri, como se tivesse engolido o blister todo das escápulas.

Aquilo com que não concordo é com o tom que muitas vezes o Gabriel usa – e que foi retomado pela M. F. Mónica no seu último livro – e que roça o cataclísmico, ao mesmo tempo que dá a sensação que as coisas só não resolvem porque não se quer. As coisas não são assim tão simples, tão lineares. E continuo a achar que as soluções que ele preconiza – fundamentalmente pela repressão autoritária – só resolvem a superfície das coisas, deixando-as a fermentar lá por baixo, até rebentarem de forma pior.

… não dá para ver quem é gêeneérre, pêéssepê ou os da caça ao palito métrico.

© O Fafe vai ser multado.

 

Sem vos tomar muito tempo, apenas algumas notas não sistemáticas ou completas.

É verdade que há factores recentes que aumentaram – e não foi pouco – as condições favoráveis ao acréscimo das ocorrências disciplinares nas escolas e salas de aula. Desde logo, o aumento de alunos por turma. E, mesmo se existe quem diga o contrário, o aumento da distância entre o centro de decisão (direcção) e as bases (salas de aula) com os mega-agrupamentos, em especial os que colocam a sede lá longe, longe, das escolazecas.

Mas há coisas que podem ser feitas a partir cá de baixo da pirâmide, a partir de cada um de nós, se possível em grupo disciplinar e a partir daí pressionando os coordenadores de departamento que vão a pedagógico para estes, por sua vez e caso não sejam dos que ocultam informação, pressionarem as direcções e não se ficar tudo pela criação de gabinetes de apoio ao aluno ou de gestão de conflitos.

E há algo muito importante… que é perder o embaraço ou vergonha de partilhar aberta e oficialmente os problemas, não ficando tudo apenas por conversas de corredor e lamúrias fora dos portões das escolas. E há que não ter medo de enfrentar os poderes instituídos, quando são daqueles que deslocam sempre a culpa para os professores e procuram inibir as denúncias. E perder o receio de agir de forma colectiva e partilhada nos conselhos de turma, mesmo que exista sempre por lá aqueles arrasta-pés do costume que tudo querem entravar com conversa mole e fofinha.

Claro que há vezes em que as culpas não estão apenas do lado de lá da sala de aula ou fora dela, na escassa educação dada em casa sobre a forma de se estar em sociedade e respeitar o próximo. Há alun@s que até são muito bons, atendendo aos modelos de proximidade que têm ao dispor. E não falo apenas dos pobrezinhos, a que muita gente gosta de associar a indisciplina, quando há muito jovem fidalgo que não tem qualquer pingo de civilidade nas veias.

Claro que há direcções e respectivas emanações intermédias que são do mais insuportável e acintoso para com muit@s colegas que apresentam dificuldades em gerir as suas aulas. Por vezes, até podem ter razão, mas não é desapoiando quem precisa que se resolve alguma coisa.

Claro que não há equipas, devidamente preparadas para além da boa vontade ou jeito (e nos piores casos, da mera pretensão), para enquadrar e acompanhar desde cedo, num regime de tutorias a sério e não a uma hora por semana, alun@s em que os sinais de problemas são evidentes desde os primeiros dias de aulas.

Mas é importante que as pessoas, mesmo quando as relações pessoais não são as melhores, compreendam que as coisas se resolvem melhor quando todos, ou a larga maioria, age em conformidade com os interesses comuns, a começar pelos dos próprios alunos. E há que evitar a preguiça em preencher o raio do papelinho – seja ele qual for – a relatar o que se passou. E insistir em saber qual foi o encaminhamento dado.

Só assim, agindo, dando o exemplo, se pode ter moralidade para nos queixarmos.

E ignoremos, sempre que possível, a conversa normativa do ministério sobre a necessidade premente de sucesso. E ignoremos, ainda de forma mais firme, a conversa fiada dos bem-intencionados, aqueles que deviam ir encher bem depressa o inferno que, por cá, gostam de ver os outros passar.

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Adenda: o que escrevo, faço-o também como encarregado de educação, a quem aflige muita coisa que aqui opto não (d)escrever. à minha petiza apenas peço que respeito o próximo, professor, colega, funcionário, seja quem for. Apenas com um limite: o da evidente injustiça e desrespeito pelos seus próprios direitos, seja a aprender, seja a fazê-lo sem ter de aturar a imbecilidade alheia.

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Porque não adianta achar que a autoridade aparece do ar, ou em letra impressa, quando os dirigentes políticos se entretêm a amesquinhar material e simbolicamente os professores.

A autoridade dos professores não se cria apenas “no espaço escolar” mas perante a sociedade.

Vamos lá acertar uma coisa… o novo Estatuto do Aluno e da “Ética Escolar” falhou. Como falharam e falharão todos os estatutos criados de fora para dentro e preocupados apenas com a penalização, a jusante, dos comportamentos e não com a sua prevenção.

Porque é mais barato penalizar do que prevenir. E os tempos são de 2racionalidade económica”.

Porque a prevenção de comportamentos disruptivos passa, em grande medida, pela forma como os alunos chegam à escola.

Não significa que os comportamentos burocráticos não devam ser aligeirados, mas esses só são necessários depois das ocorrências.

O que se insiste em não fazer é tentar que eles sejam evitados… antes.

Todos sabemos o que isso implica. Algum investimento em meios humanos e em procedimentos que articulem a escola com a sociedade e outros recursos de apoio a famílias e alunos. Um investimento que é muitíssimo menor do que “limpar” a contabilidade tóxica da nossa banca privada “de sucesso”.

 

 

Justiça condena mãe por indisciplina do filho na escola

 

Por isso, as gravações?

 

 

Porque não bate a bota com a perdigota… e fica-se com a sensação que a indisciplina, para variar, é culpa do professor que não sabe impor regras,

Para além de que o autor destas declarações dá a sensação de nunca ter passado uma semaninha com petizes das idades assim mais remexidas…

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Público, 17 de Outubro de 2013

… a indisciplina, pequena ou grande, se resolve portas dentro da sala de aula ou que a violência pode ser controlada portas dentro da escola.

Ora… enquanto a indisciplina, pequena, média e grande, desfilar perante os nossos olhos nos corredores e pátios e nos demitirmos das nossas obrigações (sim, obrigações!) ou enquanto se pensar que a violência não entra na escola a partir do exterior e que enquanto lá fora dos portões as coisas estiverem muito mal dificilmente poderão estar bem dentro deles, estamos bem tramados. Porque neste último caso a intervenção precisa de ser muito alargada, especializada e não se resolve com contratações precários a meia dúzia de euros a hora.

Pior, só mesmo os especialistas-sebastiões-isczé que não tarda nada aparecem a queixar-se que isto acontece porque não lhes renovaram a avença com o MEC para contabilizar as ocorrências e fazerem teorizações a relativizar tudo como faziam no consulado anterior.

Eu cá não vou ao ginásio, mas consigo manter um bom espaço vital em meu redor… 🙂

Mithá Ribeiro. “Estou fisicamente preparado para actuar se um aluno desobedecer”

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… e ainda melhor seria se fosse em cheio nas aulas daqueles que, teoricamente, mais contribuíram para isto com as teses desculpabilizadoras da treta e com as teorias que não sabem aplicar.

Lamento se não me sinto solidário com toda a gente.

Aguentem-se!

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Expresso, 27 de Setembro de 2013

 

de mandar para O Maneta a minha única runião d’amanhã.

Vou ter saudades.

 

Mas ao menos não escondem…

Massive rise in disruptive behaviour, warn teachers

Survey shows 90% of school staff have dealt with extreme behaviour in the last year.

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