Sexta-feira, 20 de Agosto, 2010


The Smiths, Ask

Sempre…

Já agora, a parte do paradigma… era de evitar… por tantas razões.

O Presidente “tem que participar na procura de uma solução” para a Justiça

Quando faz seis meses que se candidatou a Presidente da República, Fernando Nobre explica ao PÚBLICO a sua disponibilidade para ajudar a colocar Portugal no campo favorável à mudança de paradigma a nível mundial que foi iniciada com Obama. E defende um papel mais interveniente do Presidente na solução da crise da Justiça em Portugal. Entrevista na íntegra sábado no PÚBLICO.

PSD rejeita recuos na proposta de revisão constitucional

O líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, rejeitou hoje qualquer “recuo ou passo atrás” na proposta de revisão constitucional e afirmou que o partido vai manter as propostas no âmbito das políticas sociais.

É sempre bonito ver uma asneira ser assumida até ao fim… Pelo menos há coerência, convicção… ou não, sei lá.

Agora parece que as novidades enxameiam em pleno Estio. Engraçado mesmo é que as escolas que não tinham condições, nem crianças para funcionarem, agora já têm tudo enquanto ATL, como no caso de Barcelos:

Escola de Coimbra a ser recuperada pelos pais dos alunos:

As escolas listadas que não fecham em Vinhais:

Encerramento em Ferreira do Alentejo sem anuência da autarquia:

Recolha, tratamento e edição do Calimero Sousa.

… que se ouve ao carregar o Umbigo é de Isabel Alçada num post em que o vídeo foi carregado pelo Vodpod e no qual eu não consegui desactivar a opção de reprodução automática.

Quem se sentir agredido ou vulnerável a lesões de algum tipo, faça o favor de descer até ao ponto certo e carregar na pausa porque eu só volto daqui a bocado.

A questão do encerramento de escolas do 1º CEB é apenas mais um elo no processo de transformação de Portugal numa espécie de deserto geral com uma rede de oásis no litoral que avança timidamente – via SCUT a pagantes ou não, logo se vê – em direcção a alguns pólos aglutinadores no interior. Como se a descrição tradicional do povoamento do território com a oposição entre povoamento disperso a norte e concentrado a sul (matéria do 6º ano de HGP) passasse a ter uma nova formulação no sentido vertical: povoamento moderadamente disperso no litoral a norte de Lisboa e concentrado no resto do país.

E passa a ser redundante apresentar a clivagem entre espaço urbano e espaço rural em termos humanos, porque a partir de agora existe espaço urbano habitado e espaço rural para coutadas, incêndios e fotos de paisagens.

Há quem diga que o país está inclinado em direcção ao Atlântico.

Concordo mas acrescentaria outro tipo de imagens: Portugal regressou a uma espécie de L (de litoral) que o marcou durante séculos, com a macrocefalia das grandes cidades e, como no século XIX, exigindo que quem quisesse fazer algo fosse obrigado a deslocar-se às sedes de distrito e concelho.

Aliás, em matéria de Educação e não só, é isso mesmo que está a acontecer: o retrocesso em relação à extensão dos serviços básicos (se excluirmos a fiscalidade) do Estado a todo o território, indo em busca dos cidadãos. Fecharam esquadras (e a segurança, função básica do Estado Moderno a par da Defesa) que ficou em causa. Fecharam estações de correios, antes e depois da transformação dos CTT numa coisa empresarial, enquanto outros meios de comunicação rápida demoravam a chegar (desde logo a afamada banda larga). Fecharam linhas de comboio e racionalizaram a oferta de transportes rodoviários, isolando cada vez mais localidades. A seguir foram os centros de saúde e as escolas.

O interior do país, mesmo o interior que não passa do hinterland de municípios não muito distantes de grandes cidades e do litoral, tornou-se incómodo, um sinal de atraso. Um pouco como as gerações de analfabetos, espera-se que morra de morte mais ou menos natural, secando-lhe parte da seiva que poderia servir para manter alguma vida. Querem-nos modernaços, mas como são incapazes de o fazer fora dos centros comerciais e esses precisam de população para serem rentáveis, fazem os possíveis por apagar o país que fica caro por unidade.

Vamos lá ser sinceros: assegurar aos cidadãos de pequenas localidades encravadas nas serranias do centro e norte do país ou nas planícies do sul serviços equivalentes aos das grandes cidades sai muito caro. O custo por cidadão da extensão da banda larga ou dos balcões do Estado é incomportável com a compra de submarinos ou a alimentação regular das empresas e escritórios de estudos e pareceres do regime.

O custo por aluno de uma escola de 20 alunos é naturalmente mais elevado do que o dos alunos de escolas com 200 ou 400, tal como sai mais barato vender embalagens de 3 quilos de corn flakes do que pacotes de 100 gramas.

É uma questão de racionalidade económica.

As pessoas interessam aqui muito pouco.

Falam em assegurar a igualdade de oportunidades. É mentira. Isto é exactamente o inverso.

Ver pessoas que eu até considero intelectualmente (caso de Roberto Carneiro no DN de hoje) a confundir (deliberadamente?) escolas com 2-3 alunos com escolas de 15-20 alunos, defendendo a sua extinção em nome da socialização e do contacto com os amigos é algo que me faz repensar se o humanismo que proclamam é o humanismo que praticam.

Qual é a solução certa para a eucaliptização humana do país? É reflorestá-lo ou é acentuar os traços de aridez, mandando toda a gente para os pseudo-oásis?

Não é esta uma forma de centralismo intermédio que desumaniza tanto como o centralismo lisboeta?

Estamos todos condenados a viver em grandes vilas ou cidades se não queremos ter de nos deslocar dezenas de quilómetros para resolver a mais pequena questão como há 100 e 150 anos atrás?

Fechar escolas – dizem – é uma consequência e não uma causa da desertificação e o mesmo argumento foi antes usado para fechar correios, esquadras, centros de saúde, urgências.

Mas não será um catalisador para que o país se torne uma espécie de esqueleto, em virtude da não opção por inverter o processo?

Haveria medidas simples para atrair gente a algumas zonas do país, mas não são interessantes para os interesses, porque diminuiriam os lucros directos de algumas actividades. A que pt interessa levar a banda semilarga a uma aldeia serrana ou aos montes alentejanos não povoados semanalmente por socialaites?

Assim prefere-se que o Estado poupe nos encargos por cidadão na prestação dos seus serviços, fazendo com que seja o cidadão – em especial os que não podem tornear a tributação graças a habilidades técnicas – a pagar por viver fora dos grandes centros.

Que tudo isto seja encoberto com conversa fiada de tipo sociotecnológico (há mais computadores, há mais gente, há mais socialização) que só disfarça a estratégia de homogeneização e indiferenciação do país onde a todos é servido o mesmo cardápio cultural e comercial, não me espanta vindo de quem vem, gente que após duas viagens à Europa e uns abraços e beijinhos às merkeles, blaires, schroederes ou sarkozis fica com enjoo do antigo país real (e então se vislumbram a pernilonguice de uma bruni já nem sabem onde nasceram, de tão salivados que ficam, pobres coitados… piores mesmo que um pinto apanhado por brasileirinha flexível). Tipo vitorino ou barroso, na senda de um deusdopinheiro, dando o benefício da dúvida ao guterrão, que enfim, ainda aguentou uns anitos antes de se afundar. Mas todos eles assegurando que é no interesse do país!

Os passos necessários para nos tornarmos um destino golfista very typical para escandinavo ver já são poucos. A estratégia é limar as arestas, eliminar as diferenças e criar um modelo de país servido por uma população homogeneizada, pasteurizada e certificada em novas oportunidades e subserviência, com a mão estendida à gorja alheia.

Entretanto, os mentores de tal estratégia terão feito o trajecto inverso e estarão alojados lá por fora em capitais culturais da Europa, perorando de quando em quando para a imprensa nacional. E por lá ficarão tanto mais tempo quanto os pergaminhos de pensamento alternativo. Londres, Paris, Bruxelas, Nova Iorque estão cheias de velhas oportunidades, onus, ocdesunescos, bancosmundias ou europeus, agênciasdisto e daquilo e outras colocações óptimas para final de percurso na paz das almas.

Os indígenas que se desenrasquem.

A culpa deste país sempre foi da arraia-miúda acanalhada que só sabe trabalhar nos luxemburgos, nos joanesburgos e nos bidonvilles de outrora, encerrado que foi o ciclo das padarias e talhos nos brasis, que agora só se visitam para fazer um par de semanas em rizortes.

Ahhh… e não me venham com a conversa de ser um velhodorestelo porque, se formos ver bem as coisas, o raio do homem até que tinha razão a médio-longo prazo. Afinal, pouco depois das primeiras páginas nas gazetas europeias de inícios de quinhentos, não contando com os castelhanos que nos nacionalizaram o país, já os italianos e flamengos nos ficavam com os juros e os ingleses e holandeses com as especiarias no regresso.

Nós só ficámos com as flores e as palmas internas para glória de manuais e lugares-comuns em discursos políticos futuros.

Nota final: ao contrário de outros arautos da decadência nacional, não encontro qualquer visão de um sebastião salvador, nem acho que uma revisão constitucional seja o graal da regeneração nacional. E tão pouco acredito em regionalizações feita à medida de candidatos a super-autarcas modernaços, escolhidos por fidelidades partidárias conforme as regiões e tão centralistas quanto os ministros que já foram ou aspiram a ser. No que acredito? Cada vez mais acredito em menos…

Como em outros momentos, a aparente unanimidade crítica esconde estratégias diversas.

Bloco

CDS-PP

PCP

PSD

Recolha do Livresco, upload por conta da casa.

Cavaco e Sócrates: “União de Facto ou “Casamento Homossexual”?

De modo especial para que votou em Cavaco – mesmo que, sem convicção, apenas para derrotar Soares – os últimos quase cinco ano de cumplicidade entre o Presidente da república e o Primeiro Ministro têm-se afigurado como de intolerável devassidão.

Não nos esquecemos que foi numa coligação objectiva de interesses que Cavaco surgiu como que conluiado com o PS para derrubar o Governo de Santana Lopes, com a sua Teoria da Lei de Gresham aplicada à Política… O que temos visto desde então foi exactamente a aplicação prática desta Lei, com o domínio do pior que possa existir na política, tanto em termos de competência como em termos de postura ética e moral, ocupando todos os órgãos de soberania, incluindo os de natureza judicia… (da Procuradoria-Geral ao Supremo Tribunal… com certas faces cada menos ocultas…. ocultando outras faces…)…

Durante estes quase cinco anos – que parecem uma eternidade de infernal horror – tudo permitiu Cavaco a Sócrates: incompetência, arrogância, prepotência, mentira…, tudo o  que foi atentado às liberdades, à Democracia e à Decência… Tudo permitiu em abjecta cumplicidade, promulgando tudo o que vinha do Governo, apenas vetando estratégica ou demagogicamente um ou outro diploma da Assembleia da República, o que num ambiente de autêntico conúbio não pareceu ser mais do que uns simples arrufos de “namorados”…

Principalmente os Professores não esquecerão o assentimento de Cavaco à política de destruição da Escola Pública e, de maneira particular, o apoio explícito que sempre deu a Maria de Lurdes Rodrigues, ao lado de quem participou em várias encenações de propagando com que o Ministério foi entretendo, distraindo, iludindo e intrujando os Pais e os Alunos…. até como auxílio de certos pais

Quando chegar a hora das eleições presidenciais, quem se sentiu enganado ou enxovalhado ao longo de todo este tempo não deixará de agir em conformidade!…

Pessoalmente nunca tive dúvidas sobre quem é Cavaco e ao que anda…: um carreirista que não pretende senão satisfazer vaidades e interesses individuais, com a máscara do rigor e da austeridade…, artifício com que cativa os votos dos incautos que julgam ver nele um “não político” que se diferencia dos “políticos”…

Só ainda tenho dúvida sobre como qualificar os quase cinco anos de aviltante “cooperação estratégica”: se como “união de facto”, se como “casamento homossexual”, em sentido figurado claro… (não venha aí um processo à maneira socratina…) e mesmo antes da aprovação legal…

Se para desgraça nossa Cavaco voltar a ganhar, rapidamente veremos se a relação foi apenas passageira ou se é para durar mais cinco anos…

Por via das dúvidas, da parte que me toca, como simples eleitor, não haverá oportunidade para fazer nova prova. No que depender do meu singelo voto, terá o mesmo destino da sua protegida Maria de Lurdes Rodrigues: a estrondosa derrota eleitoral!…

Mário Rodrigues

Caderno especial do Correio da Manhã (pp. 25-28) em que se aborda o encerramento das escolas e se apontam diversos erros evidentes na lista oficial das 700+1. Digitalização só mais logo quando reanimar o scanner.

… mas infelizmente não é com o António Feio e o José Pedro Gomes.

Sócrates e Passos encontram-se em Setembro

O inevitável encontro entre José Sócrates e Passos Coelho deverá realizar-se em Setembro, mas não antes do dia 9, o fim do prazo para Cavaco poder fazer cair o Governo com a dissolução do Parlamento. Até esse encontro privado, manter-se-á a crispação pública.

À semelhança do que aconteceu em Março na negociação que levou ao acordo sobre o PEC, o chefe do Governo e o líder do maior partido da Oposição vão ter que encontrar-se para acertarem agulhas e garantirem que haverá Orçamento de Estado (OE) para 2011.

A crise política/orçamental não deverá ultrapassar a barreira  da ameaça pública porque nenhuma das partes (incluído o presidente da República) está interessada em ficar com o ónus político da “irresponsabilidade” de promover instabilidade política, num quadro de fragilidade económico/financeira.

É neste contexto que é ?inevitável?, segundo fonte do gabinete do primeiro-ministro,  que haja um encontro entre Sócrates e Passos Coelho em meados de Setembro, nunca antes do dia 9, a data em que o presidente perde o poder para dissolver a Assembleia da República, ao entrar no últimos semestre do seu mandato.

Os pontos de interrogação à volta de “inevitável” estão na notícia original, não fui eu que os coloquei…

Recolha, montagem e upload de Calimero Sousa

As inconsistências no discurso são tais, que nem vale a pena estar aqui a esmiuçar…

Só que Isabel Alçada merece uma complacência generalizada da maior parte dos protagonistas nestas questões educativas – veja-se como a Fenprof devia sempre a conversa para o Governo – e por parte da comunicação social, que nem se dá ao trabalho, em muitos casos, de apontar que o fim de um parágrafo não bate certo com o início do anterior.

É um estado de graça permanente. Não sei se Maria do Carmo Seabra serviu para anestesiar as pessoas, se é apenas a simpaia pessoal que a protege…

Vodpod videos no longer available.

A Seguir Serão Os Portáteis Parapentes, posted with vodpod

No Jornal de Negócios:

A ministra da Educação, Isabel Alçada, disse hoje que no início do novo ano lectivo irão começar a ser distribuídos mais 250 mil computadores portáteis “ultraleves” no âmbito da iniciativa “e.escolinhas”.

Há escolas da lista que não fecham

Há unidades que se vão manter abertas. E pelo menos uma escola que já foi encerrada há cerca de dois anos

A lista de 701 escolas do 1.º ciclo a encerrar, divulgada quarta-feira à noite, pelas direcções regionais de Educação, inclui vários estabelecimentos que não vão fechar portas. Pelo menos no imediato.

É o caso de oito unidades de Murça (Norte), cujo encerramento está condicionado à inauguração de um novo centro escolar, previsto para Dezembro. O mesmo acontece com quatro escolas do distrito de Santarém, segundo avançou ontem a autarquia local.

Já em Vinhais, segundo avançou o autarca (socialista) Américo Pereira, há duas escolas que, apesar de oficialmente desactivadas, vão continuar a funcionar e a receber professores até ser encontrada uma solução para os “custos e sacrifícios” relacionados com a deslocação das crianças.

Outros municípios, como a Chamusca, Arraiolos e Mação continuam a opor-se firmemente ao anunciado fecho de escolas.

Já em Lisboa, a autarquia desmentiu o fecho da E.B.1 Padre Álvaro Proença (Benfica), explicando que esta vai apenas “mudar de instalações”. A Câmara da capital revelou ainda que outra unidade referida na lista, a E.B. Helena Vaz da Silva, já está fechada “há mais de dois anos”, tendo os alunos sido transferidos para a E.B. 1 das Gaivotas no último ano lectivo.

Por outro lado, a regra de que as escolas a fechar tinham de ter 20 ou menos alunos também não é cumprida na íntegra. Da lista constam casos, que já estavam previstos pelas autarquias, de escolas com mais do que esses alunos. E também ficaram de fora várias com menos. O ministério insistiu ontem que a lista divulgada corresponde às escolas a fechar em Setembro.

Já na Régua, o orgulho é fechar as escolas para concentrar os alunos em dois Centros Escolares na sede do município. O que me levanta uma dúvida sobre esta forma concentracionária de reordenar a rede escolar.

Não seria possível construir estes Centros Escolares em localizações mais próximas das aldeias das escolas originais?

Era mesmo necessário o processo de sugar a miudagem para as cidades, venham de onde vierem?

Sendo tão exaltadas as vantagens da gestão de proximidade das autarquias, não seria de esperar que pensassem em servir melhor as populações, colocando esses Centros Escolares maois perto das populações servidas?

Ou é este o moelo que devemos esperar de desconcentração administrativa e dos serviços que devemos esperar dos arautos da municipalização e regionalização?

No fundo quase todos são centralistas, só que à sua escala. Criticam o centralismo de Lisboa, ou das grandes cidades mas, afinal, o que pretendem é serem eles a centralizar.

A municipalização da Educação tem-nos sido apresentada como uma solução de sucesso a aprofundar. Mas ontem, nos noticiários televisivos, assisti a um desfile curioso de declarações de autarcas, a começar pelo vereador da Educação de Felgueiras – essa autarquia já de si peculiar há muito – que se ufanava de ir fechar um número enorme de escolas com número variado de alunos, sem contestação por parte dos encarregados de educação porque «não estavam em condições», porque eram antigas e tal, do tempo dos «Centenários» e mais qualquer coisa…

O que me coloca, pelo menos, um par de dúvidas:

  • Mas então está o vereador a admitir que a rede escolar local foi ficando degradada anos a fio sob gestão autárquica?
  • Mas então as famílias locais foram deixando isso acontecer sem protestar contra essa degradação, limitando-se agora a não protestar pelo seu encerramento?

Já agora uma dúvida que me assalta: não é a construção destes Centros Escolares que é amplamente subsidiada pelas verbas do QREN e que sem elas…