Quinta-feira, 5 de Agosto, 2010


Rox, My Baby Left Me

Manifestação de Preferências – Contratação e DCE

Disponível das 18:00 horas de dia 5 de Agosto às 18:00 horas de dia 12 de Agosto de 2010

de Paulo Guinote
para Santana Castilho
data 4 de Agosto de 2010 11:35
assunto Lamentável…

… a utilização dos dados que fui publicando no Umbigo, com pesquisa pessoal, na sua crónica de hoje no Público, sem qualquer menção de onde os recolheu. A coincidência de dados, páginas e referências é por demais evidente.

Estou por demais desgostoso, não pela utilização dos elementos, mas sim pela forma abusiva e não-ética como aconteceu.
Como calculará, não deixei passar o facto em falso.

Um bom verão e espero que, em próxima oportunidade, se preste a fazer a pesquisa pelos seus próprios dedos.

Absolutamente lamentável.

Paulo G.

And tólque aboutit animóre…

Fenprof antevê “consequências desastrosas” com medidas para reduzir despesa nas escolas

Já eu antevejo que amanhã, em amanhecendo ensolarado, é capaz de não chover muito ou quase nada, a menos que faça sol na eira e enchuvisque no nabal… ou em inglês técnico sane in da eire end reine in da nabeile…

Se sobrevivemos a isto (p.54), sobrevive(re)mos a tudo:

Nestes termos, os aspectos de referência fundamental do professor deixam de ser o programa com os respectivos objectivos e a classificação periódica, para passarem a implicar predominantemente:

  • a relação pedagógica, como encontro intersubjectivo em que todos, enquanto sujeitos, são iguais, abolindo gradualmente a distância professor-aluno pela reciprocidade educador-educando (em que cada um é, simultaneamente, ambas as coisas);
  • em vez dos conteúdos cognitivos dos programas serem a meta a atingir, tornam-se um instrumento ou meio privilegiado ao serviço dos sonhos e carências de cada educando-comunidade e mergulham na vida concreta, tentando libertar-lhe os anseios e abrir-lhe caminhos (pô-la a caminho);

Por favor, quando certos opinadores criticarem os professores porque não são isto ou aquilo, porque o sistema não sei o quê, deveria não sei o que mais, tenham sempre em conta que desde o início da década de 90 nos quiseram inculcar que os professores não são professores e que os aspectos cognitivos da aprendizagem não eram metas a atingir, eram meios para alcançar uma espécie de nirvana, quiçá, kerouaquiano.

Como acham que é possível ser submetido a isto e resistir sem danos (colaterais ou centrais) no sistema nervoso?

Semos heróis por estarmos ainda funcionais, é o que é!

Pior… se fizessemos o inventário de quem depois dava formação nestes tons, ainda tínhamos imensas surpresas, porque isto caiu que nem sopas no mel em alguns ambientes organizacionais que muito PRODEP (I, II e III) consumiram para replicar esta conversa (ens)sonsa.

… e as medidas de extensão da escolaridade obrigatória.

Quando começa:

Special supporting pre-school education is needed by children, whose conditions for development, growth and learning have been affected by illness, disability or reduced functional ability. In addition, children in need of psychological or social support for their growth shall receive special support. Children whose development according to experts in education and pupil welfare services and parents or other guardians, involves risk factors related to learning potential, shall also be entitled to special support. In addition, special support in pre-school education shall be provided for children, who are within extended compulsory education or whose basic education has been deferred until one year later, and for children admitted or transferred to special education during pre-school education.

The physical and social learning environment and the necessary support services in children’s pre-school education shall primarily be organised so as to enable children to participate in group activities as fully as possible.

A child’s pre-school education plan shall be drawn up for each child in need of special support together with parents or other guardians and the relevant experts. The plan shall include the objectives set for the child’s growth and development and an assessment of the child’s strengths and risk factors and difficulties related to learning. The plan shall indicate any change needs related to child’s learning environment and the support and pupil welfare services required for participation in instruction, the bodies responsible for those and the monitoring and assessment of progress. The plans for those children admitted or transferred to special education shall be prepared in the form of personal plans covering the organisation of education (IEP).

Como se desenvolve:

Students who are lagging behind in their studies have possibility to remedial teaching. In addition, student welfare, educational guidance and cooperation with parents enable studying in mainstream instruction.

Pupils, who have minor learning difficulties, specific learning disorders or problems in adjusting to work, have the right to receive part-time special needs teaching. Part-time special needs education within mainstream instruction is provided to a pupil, who has slight difficulties in learning and adjustment or who needs special support to overcome learning difficulties. There are different ways to arrange part-time special needs education. It may be organised in general education (as team teaching), in small groups or individually.

Each pupil transferred or admitted to special education must be provided with an individual education plan (IEP). Provision of special education must always ensure that the interpretation and assistant services required for participation in education, as well as other teaching and pupil welfare services, rehabilitation needed in connection with special education and the development, guidance and support tasks related to instruction have been organised and that special aids have been acquired.

If 10-year compulsory education is not possible due to disability or illness or for some other similar reason, compulsory education will start one year earlier than for other pupils and it will last eleven years. Within this system of extended compulsory education, pre-primary education may take two years. If the parent or guardian so wishes, the extended compulsory education can start at the age of five on a voluntary basis.

Recuperemos o Evangelho da reforma curricular do início dos anos 90 que temos vindo a seguir e observemos algumas das suas bases conceptuais. A parte sobre desenvolvimento curricular foi deixada a excertos de uma obra de António Carrilho Ribeiro (sem sequer haver o cuidado de incluir as referências bibliográficas da obra original nesta compilação), que demonstra bem como nem 1990 os modelos usados eram os de uma geração atrás.

Mais exactamente eram da época em que o professor se tornara uma espécie de acessório dispensável no chamado processo de ensino-aprendizagem. O esquema que se segue pertence a uma obra de 1969 em que se percebe que, nos pilares do currículo, o professor desapareceu. Há uma sociedade, há sujeitos (alunos?) a ensinar e conhecimento a ensinar (seria melhor transmitir), mas professores não.

Talvez por ser da época do nascente pós-modernismo, os professores – que numa versão retrógrada seriam os agentes da transmissão do conhecimento e aplicação do currículo – desaparecem do cenário:

Roberto Carneiro sobre o assunto do momento, com um discurso redondinho como a Lua Cheia:

Não há condições para acabar com os chumbos, diz Roberto Carneiro

Antigo ministro da Educação defende uma reorganização do sistema educativo, de modo a colocar o aluno no centro da escola.

O que lhe falta, como a 99% dos que assim falam, é medidas concretas para fazer de cada aluno um aluno de sucesso, como ele diz. Medidas concretas, enumere um par delas, por favor…

Deixem de nomear grupos de trabalho da treta:

Isabel Alçada quer melhorar gestão de recursos no ensino

São já duas as entidades criadas para a optimização dos recursos educativos.

Depois da criação de um grupo de trabalho para propor e implementar medidas de gestão e execução orçamental na educação, o Governo acaba de constituir a CORE – Comissão para a Optimização dos Recursos Educativos. É mais uma medida do Governo para melhorar a gestão dos recursos do sistema educativo e apertar o cerco à despesa no sector da Educação.

No despacho, publicado ontem em Diário da República e assinado pela ministra da Educação, pode ler-se que esta é uma comissão, presidida por Carlos Alberto Pinto Ferreira, de “carácter eminentemente técnico”, que deverá concluir o seu trabalho dentro de três anos, ou seja, no final desta legislatura. O objectivo é, além de acompanhar a evolução do sistema educativo, propor medidas de política educativa e elaborar estudos técnicos para melhorar a qualidade do ensino, sempre com as palavras “optimização” e “eficácia” no horizonte.

Querem outra sugestão gratuita?

Em vez de despejarem computadores e quadros interactivos nas escolas conforme lhes apeteceu, perguntassem quantos é que faziam mesmo falta.

Ou então quantos seria possível colocar a funcionar em rede, antes da poeira ganhar três dedos de altura.

No Público de hoje. Helena Matos é quase sempre excelente quando não escreve a partir da limitada experiência que parece ter tido como professora, algures no tempo:

Os freeportus usam o Estado em seu proveito até ao limite e conhecem trilhos e atalhos onde caem os demais, particularmente os que não fazem parte da tribo dos freeportus, que por eles não são protegidos, ou, pior ainda, quando deixam de o reconhecer como seu aliado. Para os apreciadores da caça é um exercício fascinante ver como os freeportus se coordenam para atacar uma pessoa, um poder ou uma estrutura que a dado momento passam a identificar como um obstáculo. Raramente falham o alvo.

Não há memória de um freeportus ter sido alguma vez punido, até porque após uma situação de risco imediatamente os freeportus detectam o que os levou quase a serem apanhados e logo corrigem a legislação e mudam quem tem de ser mudado.

Os freeportus nunca deixam verdadeiramente o Estado, pois, mesmo quando partem para regiões inóspitas, como o sector privado, tal só acontece porque levam consigo o seu conhecimento do ecossistema estatal que os torna valiosos aos olhos de quem os convida.

Convém esclarecer que não basta usar o Estado como coisa sua para se ser freeportus. E é aqui que entra a outra parte do aparelho reprodutivo que gera os freeportus: os aparelhos partidários. Factos ocorridos nos últimos anos permitem dizer com relativa segurança que um partido conseguiu realizar este cruzamento com o Estado com grande sucesso. Todos tentaram o cruzamento com o aparelho estatal, mas só um foi capaz de produzir um homem verdadeiramente distinto dos de mais. E que se orgulha disso. Pois tal como no caso dos pretéritos cruzamentos entre os neanderthalensis e os sapiens que até ao aparecimento do Menino do Lapedo eram uma coisa envergonhada, logo desmentida e negada, também até ao aparecimento do Homo freeportus se negava que existisse cruzamento ente o Estado e os partidos. É claro que aqui e ali havia uns seres cujo estilo de vida tudo indicava que tivessem nascido de tal união, mas ou as criaturas conseguiam negar tal possibilidade ou acabavam um tempo votadas a um distanciamento higiénico pelos da sua tribo.

Com o Homo freeportus tudo isso é passado. O Homo freeportus é o que é e tem orgulho disso. A grande irmandade dos freeportus tem como princípio base que não interessa o que faz um freeportus. Interessa que é freeportus e o homem freeportus é melhor que os outros só por ser freeportus. O Homo freeportus vive em comunidades, tem forte sentido gregário e protege sempre e até ao limite o chefe da tribo. Tudo o que o chefe diz está bem.

Alguns estudiosos dizem que os freeportus ao sentirem-se verdadeiramente ameaçados optam por destruir tudo à sua volta, procurando, no meio do caos, garantir rotas de fuga ao chefe. Outros garantem que existem casos de tribos de freeportus que se sacrificaram para salvar o seu chefe.

Agradecendo ao autor o envio da referência:

Pobreza de bases

O mau ensino da Matemática nas escolas portuguesas constitui umas das principais causas da nossa pobreza crónica. A repugnância que a disciplina provoca em tantos milhares de alunos está na origem da nossa deficiente estrutura de recursos humanos. São muitos os estudantes que, em cada ano lectivo, mudam de área de estudo para evitar a Matemática. Esta fuga em massa tem como consequência um desinteresse generalizado pelo ensino e está na origem do abandono escolar, do analfabetismo funcional e da falta de formação. E mesmo no grupo dos que concluem os estudos, verifica-se um excesso descomunal de profissionais nas áreas humanísticas, gerador de desemprego e frustração, quando, por outro lado, há uma enorme carência nas ciências e nas tecnologias. Bastará notar que não há, por regra, engenheiros, físicos ou químicos sem trabalho, enquanto é calamitosa a saga do desemprego nas áreas humanísticas. Muitos destes são até jovens cujas primeiras vocações seriam as áreas científicas, que tiveram de abandonar para fugir à Matemática. E, pela mesma razão, até no mercado de trabalho há uma quantidade imensa de profissionais com vocação errada que, insatisfeitos, produzem pouco e mal.

A origem da maleita reside numa total incapacidade da maioria das escolas em proporcionar um bom ensino de Matemática, aliada a programas completamente desadequados. Apesar de integrar muitos e bons docentes, o sistema claudica às mãos duma minoria de professores sem qualidade, cuja incompetência provoca danos irreversíveis. Porque os conteúdos matemáticos se transmitem exclusivamente na escola; e também porque os conhecimentos nesta disciplina são adquiridos de forma sequencial, em cadeia – quem encontrar pela frente um fraco professor deixa de possuir os requisitos prévios mínimos para avançar, ou seja, as bases, e cessa então de forma abrupta o seu processo de aprendizagem. Sem qualquer culpa, e sem bases, os estudantes são afastados de forma definitiva da Matemática, passando a odiá-la.

Neste sistema absurdo, os alunos são afinal os menos culpados, os últimos dos responsáveis.

Com recolha do Livresco:

José Eduardo Moniz:

Isabel Alçada já deu provas de que, independentemente do prestígio que se lhe reconhece como escritora, constitui um erro de ‘casting’. A gestão que vem fazendo do Ministério da Educação demonstra a sua inabilidade para o lugar.

O que se passa com o fecho de escolas e com os agrupamentos escolares não é nada comparado com a infinidade de problemas que abalam o sector, de que se destaca , entre outros, a situação dos professores, em matérias como formação, avaliação e remunerações, sem falar naquele que é o essencial da razão de ser do Ministério: a qualidade do ensino.

Não duvido das boas intenções da ministra, mas a sua ideia de acabar com os chumbos nas escolas é grave para quem tem como missão restaurar a confiança no sistema público de ensino, depois das controvérsias e trapalhadas que o atravessam. Não é com facilitismo e desresponsabilização que se faz o País progredir.

Não duvido de que haverá muitos pais a aplaudirem a ministra, por verem as suas crias saltar de ano para ano, não cuidando de apurar se adquiriram conhecimentos ou formação suficientes.

O que lhes interessará é que andem em frente e que se munam de um diploma, mesmo que não saibam nada. Não sou dos que acreditam em tais práticas. Sempre tive o cuidado de escolher para os meus filhos escolas com níveis de qualidade altos e inflexíveis nos parâmetros de conhecimento reclamados aos alunos. Pactuar com o fim da exigência pedagógica é uma irresponsabilidade, que se traduzirá, inevitavelmente, no aparecimento de gerações de ignorantes. Espero que não passe de uma ideia saída de uma noite mal dormida, por causa do calor ou de uma das invenções típicas da ‘silly season’…

Manuel António Pina:

A ideia de acabar com os chumbos não é da ministra Isabel Alçada, é de algum eduquês desconhecido que anda pelo Ministério pelo menos desde o tempo de Roberto Carneiro.

E que há-de ser um grande vendedor de ideias pois a generalidade dos ministros aparece com a original ideia de acabar com os chumbos menos de um ano depois de ter tomado posse.

Só os argumentos vão variando. Desta vez é fazer como “na Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca” onde, “em vez de chumbar, os alunos com mais dificuldade têm apoio extra”.

É certo que, na Noruega (12 alunos por professor no Básico e 8,2 no Secundário, contra 28 a 30 em Portugal), 40% das escolas básicas “são tão pequenas que crianças de diferentes idades têm aulas juntas” e que, na Suécia, cerca de 60% das escolas do 1.º Ciclo funcionam com menos de 50 alunos.

Por cá, a ministra que quer apoio personalizado para os”alunos com dificuldades” é a mesma que fecha as pequenas escolas de proximidade e manda as crianças de camioneta para mega-escolas anónimas e indiferenciadas nos grandes centros. Mas por algum sítio temos de começar para sermos suecos, não é?

Paulo Ferreira:

Professor do Ensino Secundário há duas décadas, um amigo contou-me esta história: a paranóia com a estatística fez com que, em pleno Verão e depois de três reuniões inconclusivas sobre a necessidade de não reprovar um aluno, uma equipa de inspectores de uma direcção regional de Educação se deslocasse à escola para dirimir o diferendo. Conclusão: os inspectores incentivaram a passagem administrativa do aluno, apesar dos péssimos resultados alcançados no ano lectivo. Isto é: a direcção regional de Educação institucionalizou a vergonha.

Nem de propósito, dois dias depois desta conversa, a ministra da Educação fez saber que vê com bons olhos a possibilidade de acabar de vez com os chumbos nas escolas. A ideia não é propriamente nova: todos nos lembramos de que, por motivos mais ou menos prosaicos, antecessores de Isabel Alçada avançaram com idênticas propostas.

Mais do que isso: olhando para o que se tem feito ao longo dos úlitmos anos, percebe-se com facilidade que já foram dados muitos passos rumo a este objectivo. Exemplos? Há-os aos pontapés: os programas são cada vez mais curtos e fáceis; uma colecção de negativas não chega para ficar retido, como agora se diz; os exames não obrigam os meninos a grandes esforços; foram criadas coisas com nomes bonitos, como Área de Projecto ou Formação Cívica, que não contam e cumulativamente não servem para nada.

Aqui reside o problema político desta recorrente trapalhada educativa: os sinais de facilitismo são tão grandes e tão contínuos, tão díspares e inconsistentes, que, em boa verdade, é difícil vislumbrar uma estratégia cujo objectivo final seja, efectivamente, recuperar os alunos com mais dificuldades, de modo a mais tarde os integrar no mercado de trabalho com um mínimo de preparação.

A solução até é interessante, mas é à margem de qualquer lei conhecida:

Nomeação polémica em escola algarvia

A presidência da Comissão Administrativa Provisória (CAP) do Agrupamento de Escolas de Alcoutim foi decidida com base num procedimento concursal, com critérios definidos por uma comissão criada para o efeito.

Eu gosto mesmo é da justificação do DR que defende a escolha feita por concurso com base no facto do acto ser uma nomeação.

Quão república das bananas se pode mais ser?

… e continua-se sem saber quando os contratados poderão manifestar preferências. Estamos a 5 de Agosto, é razoável esperar que as pessoas – em especial os que foram corridos mal acabaram as aulas – estejam a tentar descansar um pouco.

Isto é aceitável? Ou é necessário esperar que alguém do ME ou da DGRHE volte das férias bronzeadas em qualquer estância caribenha ou nordestina para as outras pessoas poderem começar a pensar em organizar a sua vida?

Vergonhoso…

O que este homem não dá por uma reuniãozinha. Pelo menos oito tostões…

Confap satisfeita com resultado da reunião com Ministério da Educação

Albino Almeida sublinha que os alunos vão entrar no pré-escolar para um agrupamento e aí se mantêm até ao secundário.

É uma coisa linda, tipo colocar o bácoro e saírem de lá as salsichas feitas. Ou vice-versa.