Sábado, 7 de Agosto, 2010


Bruce Sprinsteen, Wainting on a Sunny Day

Repetida ou mais, mas…

Que me processe, que disparate, que ignore, tanto me faz.

Mas não gosto de ler baboseiras em página inteira, pagas a peso de ouro, sem reagir.

Grande parte da crónica desta semana de Miguel Sousa Tavares é um desfiar de inexactidões, traumas mal resolvidos, declarações acintosas e erros factuais directos.

O primeiro deles surge logo na primeira frase: a ministra da Educação não propôs o fim dos chumbos no ensino Secundário, mas sim em toda a Educação não-Superior.

Em seguida, MST vai deslizando de disparate em disparate, até voltar a acusar os professores de medíocres, porque ao afirmar que os sindicatos de professores são a maior força de defesa da mediocridade, só por artifício retórico não está a chamar directamente medíocres aos professores. Se o não assume, é apenas por cobardia. É a minha opinião. Que vale tanto como a dele. Apenas tenho menos poder económico e não tenho advogados para colocar em terreno para intimidar quem de mim discorda.

Para além disso, sem qualquer fundamentação pois os mais recentes estudos de opinião atestam o contrário, a opinião pública não defendia as posições de Maria de Lurdes Rodrigues contra os professores. Ainda há poucos meses, novo estudo demonstrava que os professores constituem uma das profissões mais apreciadas e valorizadas (a de marreta opinador-residente do regime não vinha na lista) na sociedade. Mas MST chega mesmo ao ponto de insinuar que a imprensa protegeu os professores no seu conflito com o ME e o Governo, no que é uma distorção notável do que se passou durante a maior parte do tempo.

Por fim, e para encurtar dislates, MST afirma que o acordo entre a actual ministra (e porque não entre José Sócrates?) e os sindicatos de professores «vai custar ao país, nos próximos anos, milhares de milhões de euros em promoções e regalias injustificáveis». E continua com a conversa dos privilégios e reaccionarismo. Milhares de milhões? Quantos? Até quando? 2050?

MST tem direito à sua opinião. E a ser pago por quem entende pagar-lhe. Mas seria, no mínimo, ético que se tentasse informar e não cometesse erros básicos nas suas diatribes.

Afinal não é só sobre o aparelho digestivo do coelho que ele tem evidentes lacunas.

Será da andropausa ou algo parecido, mas na minha opinião, com factos evidentes como esta crónica, MST tornou-se um efabulador algo medíocre. É a minha opinião. Também tenho direito a achar que MST escreve, a partir de uma posição de privilégio, ajoujada não sabemos em que grupo de pressão. Parece sentir-se acima do vulgo, da crítica, um excelente em terra de pategos. O único puro. O único corajoso. O último gajo com cojones para enfrentar tudo, mas que se acoita atrás de Sarah Palin, para usar o termo cojones.

Assim, alguém que tenha cojones – estou a citá-lo a ele, que cita Sarah Palin, na sua prosa colorida de alfa-male fumador e caçador – para lho dizer, sem pruridos, sem anonimatos.

Nota final: agradeço que quem queira desancar ou defender MST nos comentários, o faça assumindo nome próprio. Para que ele não se desculpe com a cobardia alheia, para continuar com o seu constante abuso nas suas crónicas semanais.

… e a crise da Justiça em Portugal, no geral e no particular, não se me ocorre nada de especial para dizer.

Depois de ter visto Daniel Proença de Carvalho no outro dia a falar destes assuntos e ainda, por exemplo, doi caso Casa Pia, no qual ele entrou como benemérito defensor das vítimas, para sair pouco depois, após ter consultado o que achou por bem, remeto-me a um silêncio higiénico.

Excelente e equilibrada peça de Isabel Leiria no Expresso de hoje, ouvindo diversos testemunhos de proximidade e contextualizando as diferentes realidades educativas em presença em países como a Finlândia, a Inglaterra e Portugal.

A diferença de meios ao dispor dos alunos com necessidades de apoio é brutal como refere António Granado, pai de três crianças que estiveram numa escola pública de Leeds e em que, no equivalente ao 10º ano, a turma estava separada em três grupos de trabalho distintos na disciplina de Matemática.

E o que dizer do papel da «ajudante de sala de aula» que é ouvida sobre a forma como funcionam as aulas na Finlândia, longe do isolamento do professor no meio de 28 alunos, quantos deles com necessidade de acompanhamento individualizado.

No fundo, como diz Simon Field, especialista da OCDE, quanto às estratégias para superar dificuldades na leitura, «essas interveções custam dinheiro», mas «custam muito menos do que um ano de chumbo».

É isso que por cá não se entende. Por cá, e superando pela negativa a minha intuição existe 1 psicólogo escolar para 1986 alunos. Ou seja, para quase 2000 alunos! É este o reverso dos rácios de poucos alunos por professor, pois se insiste em tornar o professor como uma espécie de especialista generalista multifunções que serve um pouco para tudo.

O acompanhamento feito nesses outros países não se baseia em quadros interactivos, mas sim na detecção precoce dos problemas, na mobilização dos recursos humanos (e secundariamente técnicos) especializados para os acompanhar e superar, mesmo quando o trabalho é feito na sala de aula, em parceria entre docentes e outros técnicos. Os planos de recuperação só servem, se existirem meios para serem colocados em prática e os meios não são apenas os professores regulares. Falta outro tipo e apoio. Entendam isso de uma vez por todas.

Perguntas e respectivas respostas dadas por mim à jornalista Isabel Leiria para a peça do Expresso de hoje sobre como combater o insucesso escolar e o que vale a proposta da ministra de acabar com os chumbos:

  • o nosso sistema de avaliação, com chumbos possíveis em todos os anos e em número ilimitado deveria ser mudado?

O nosso sistema de ensino não tem essas características desde 1992. Desde então que a repetência é considerada uma excepção e os professores devem justificar o seu nível de classificações negativas. O limiar para essa justificação chega a ser, em muitas escolas, de 5 a 10%. Para além disso, qualquer aluno que apresente várias classificações inferiores a nível 3 no ensino básico é obrigatoriamente objecto de um Plano de Recuperação

  • há condições para o fazer? O que é que precisava de ser diferente para uma medida dessas ser eficaz?

Neste momento não há condições, porque essa é uma medida de final de trajecto. Nos países onde existe, não foi esse tipo de medidas que conduziu ao sucesso escolar a bons resultados nos testes do projecto PISA. O que aconteceu foi um processo de desenvolvimento educacional da população – a par com desenvolvimento cultural e socioeconómico das famílias – que culminou numa alfabetização e literacia a rondar os 100%. nessa fase, e estando as famílias em condições para apoiar os alunos nos estudos e existindo uma cultura cívica diversa da nossa, foi possível introduzir medidas que eu designaria como de “velocidade de cruzeiro”.

Para uma medida dessas ser eficaz seria indispensável ter nas escolas mais de um(a) psicólogo(a) escolar e 2 docentes do Ensino especial para companhar1200, 1500, 1800 alunos num agrupamento. Seria necessário ter técnicos com capacidade para o despiste precoce de uma série de situações que – para além de questões de atitude individual – potenciam o risco de insucesso ou abandono escolar. Não se pode estar semanas e meses à espera de uma consulta com um pedo-psiquiatra do centro de Saúde ou Hospital mais próximo e esperar outro tanto por uma consulta de seguimento da situação. Não chega circularem relatórios padronizados, baseados em observações apressadas com testes de adequação limitada a muitos casos individuais.
Para sermos eficazes teria de ser essencial combater os factores que produzem situações de potencial insucesso e não mascará-los com estratagemas administrativos, como planos de recuperação que mesmo não sendo cumpridos pelos alunos e famílias, são a quase completa garantia de transição

  • da sua experiência pessoal, o que acha que acontece mais vezes no caso de um aluno que chumba: “aprende a lição” e esforça-se mais no ano seguinte ou agrava a sua desmotivação e dificuldades de aprendizagem?

Estou cansado de ouvir a afirmação de que o “insucesso gera insucesso”. É um daqueles clichés ao nível do “dinheiro chama dinheiro”. É uma vacuidade baseada em alguns estudos que demonstram que crianças e jovens com problemas que não passam de ano, quando não devidamente enquadrado(a)s e apoiado(a)s, correm o risco de voltar a não passar. isso é uma evidência. O que eu conheço, da minha experiência pessoal, é que se os alunos forem devidamente acompanhados em casa e na escola e se os professores que detectaram os seus problemas forem os responsáveis por os acompanhar e tentar minorar (ou como professores do conselho de turma ou como tutores), muitos alunos melhoram. Não podem é ser “largados” em turmas novas, sem um apoio específico só porque a legislação em vigor não permite enquadrá-los num contexto educativo mais favorável. Há cerca de uma década que trabalho com alunos problemáticos e com historiais de insucesso; em vários casos tive os mesmos alunos depois de ficarem retidos e o trabalho com eles no ano seguinte, se sentirem que os professores ali estão para os ajudar e não por obrigação, é extremamente gratificante.

A este respeito eu poderia dar casos concretos, com nome e rosto. e seria muito giro se um dia, em vez de nos ouvirem a nós (professores, políticos e experts na matéria), ouvissem a sério esses miúdos que fizeram a transição de casos problemáticos para casos de, no mínimo, sucesso moderado.

Senate Votes $26 Billion for States and Schools

WASHINGTON — The Senate on Thursday approved $26 billion in aid to states and school districts to prevent the layoffs of tens of thousands of teachers and government workers (…).

Democrats hailed the passage of the $26 billion package, which was approved by a vote of 61 to 39, saying it could prevent disruptions in the start of the school year. Two Republicans, Susan Collins and Olympia J. Snowe of Maine, joined 57 Democrats and 2 independents in backing the measure; 39 Republicans opposed it.

“As our children prepare to go back to school, I am thankful that we were able to keep teachers in the classroom, school bus drivers on their routes and school nurses and counselors in place to ensure our children’s safety,” said Senator Benjamin L. Cardin, Democrat of Maryland.

The legislation provides $10 billion to retain teachers who might otherwise lose jobs to cutbacks, and an additional $16 billion to help states struggling to close budget deficits because of rising health care costs. Backers of the measure said the state aid would prevent the loss of emergency and law enforcement workers who could be let go.

The bill does not add to the deficit since the money is generated by closing a business tax loophole and making spending cuts.

a propósito de

Sempre que o tema da minha ocupação cerebral se relaciona com o pé direito, dois conceitos condicionam de imediato as minhas opiniões:

(continua…)

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