Terça-feira, 10 de Agosto, 2010


Beatles, I Saw Her Standing There

… posso, sem vergonha, dizer que praticamente nada disto se me aplica?

As revoluções dos homens de meia-idade

Atingiram o auge das capacidades. Estão mais concentrados na vida familiar e profissional. Saem menos à noite e fazem poucas noitadas. Têm cuidado com o que comem, preocupam-se com a saúde, não querem engordar. A sexualidade é para ir praticando, não para consumir e deitar fora. Pensam muito no futuro dos filhos e no estado do país. Instalaram-se na vida mesmo que sejam inconformados. Vivem bem com a emancipação das mulheres, mas isso, para eles, ainda é um tema. Já sabem que a vida é finita, foram rasteirados algumas vezes, ganharam serenidade e têm medo da velhice. O mundo está em crise, mas eles não cedem.

Nascidos no fim dos anos 50, inícios dos 60, os portugueses que têm hoje entre 47 e 53 anos são a geração da transição – para a democracia, para a revolução dos costumes, para a Europa, para a globalização. Numa época em que, segundo dizem, a juventude e a beleza são valores sociais e mediáticos absolutos, não se sentem a mais. Ou sequer ultrapassados. O siso é uma arma.

Arma é o riso… Auge das capacidades? Nem sei o que é!

E aquilo de engordar… enfim… medo da velhice? Não… apenas da morte… e não foi preciso chegar á meia-idade… foi logo ali ao dobrar da infância.

Sobre a parte da sexualidade só falo na presença (física) de uma boa advogada (pode ser uma daquelas que às vezes apareciam no Boston Legal com nomes exóticos…). Devaneios, pois…

Criar dois grupos de trabalho para estudarem essa mesma optimização.

Se fosse só na área da DREN. De moto próprio ou por conselho externo, ao que sei, aqui por uma cidade onde se assa muita sarrredinha e muito carrrrapau, também se mandou subir o número de alunos por turma, mesmo em agrupamentos TEIP.

DREN dá instruções que contrariam lei em vigor

As regras legais para a constituição de turmas poderão não estar a ser aplicadas em várias escolas do Norte do país. Esta situação tem na origem um ofício que a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) enviou às escolas, em Julho, onde se alteram as regras estipuladas na lei, nomeadamente para a constituição de turmas que integrem alunos com necessidades educativas especiais (NEE).

Sempre ao seu melhor nível:

– Com o novo Estatuto do Aluno haverá menos violência?

– Sim. As escolas irão poder reagir mais rapidamente e desta forma vão proteger o jovem de reincidir. Outra medida é a suspensão preventiva

Não interessa que a suspensão preventiva já existisse.

Para explicar em ensaio aprofundado fica a parte de agora ser possível proteger o aluno de reincidir. Não se percebe se é de fazer asneira, se é de ser reincidente como vítima. Porque há sempre aquela chatice da vitimização dos que se metem à frente dos chapadões e que insistem em ser roubados.

Ministério da Educação fecha Escola Móvel

Projecto de ensino à distância pensado para filhos de profissionais itinerantes é caro.

Esta não foi da televisão e é mais antiga. Foi-me contada por duas pessoas que me merecem a maior confiança.

Alguém, ligado a outro alguém mas não assumido, sonda um amigo de alguém para saber da sua (este último alguém a que chamaremos X) disponibilidade para aceitar, numa hipótese muito hipotética, a presidência de uma empresa, pertencente a um grupo, com diversos problemas laborais. X tem uma boa imagem junto dos trabalhadores da empresa e seria útil para a pacificar. Sondam-se que condições poderiam vir a ser colocadas por X para aceitar

Transmitida a (pré-)sondagem, X declara que não pode aceitar tal presidência porque, em primeiro lugar, detesta presidências e, em segundo, discorda da política da empresa e ainda mais da estratégia do grupo em que está inserida. Nunca aceitaria fosse o que fosse, se isso implicasse ir contra aquilo que acha que deveriam ser a política e estratégia adequadas, as quais por mais de um vez afirmou serem as suas posições.

É-lhe dito que isso não está fora de causa, apenas sendo pedida uma espécie de “moratória” para colocar ordem na casa e depois X poderia fazer o que achasse mais correcto.

Sendo um caso concreto, posso adiantar que X, que nunca foi convidado para nada, respondeu que era melhor sondarem outra pessoa, porque não tem perfil para Dame (ou Sir) e muito menos para crédula(o).

E assim se resolveu a questão. Passem a Y ou voltem a K.

Há um par de semanas, Helen Mirren explicava ao Jon Stewart no Daily Show como tinha sido sondada para receber o título honorífico de Dame, honraria inesperada em alguém com percurso muito liberal no cinema e televisão.

Explicou ela que uma certa manhã lhe telefonaram e, com voz muito delicada e selecta, lhe perguntaram: Se lhe quisessem atribuir o título de Dame aceitaria?

Ou seja, não a estavam a convidar, mas meramente a sondar para, em caso de dúvidas ou recusa, nunca poder ser confirmado o convite. Mas, claro, o(a) sondado(a), mesmo não aceitando logo, ficará sempre com aquela sensação de…

Para que conste – e caso alguém não saiba – ela aceitou.

Não será já tempo – e esta nem é uma crítica nova – para que quem está sempre contra tudo, seja quando chove, seja quando faz sol, dizer claramente ao que vem e o que propõe?

Com as minhas muitas limitações e sem grande preocupação até com a popularidade de algumas, fui fazendo ao longo do tempo propostas sobre a estrutura da carreira, modelo de avaliação, organização do currículo, etc. Podem ser lacunares, conterem equívocos e não servirem para nada, mas ainda as fiz.

Só que isso não acontece com muita gente que sabemos apenas estar, todos os dias ou todas as semanas, contra o que há, o que houve e o que haverá. Mas não sabemos uma linha sobre aquilo em que acreditam verdadeiramente, se é que acreditam em algo que possa ser escrutinado e debatido, sem ser em termos muito vagos. Ou então – se fizermos um pouco de arqueologia bibliográfica, quando isso não é quase impossível – percebemos que antes de estarem contra já estiveram a favor de boa parte daquilo que estão contra. Nestes últimos anos, num esforço interessante, alguns sindicatos (Fenprof, FNE, SINDEP, SPLIU, ANP) e alguns movimentos (em particular a APEDE e o MEP), assim como um ou outro analista da situação (o Nuno Crato, por exemplo) apresentarem propostas próprias, mais ou menos amplas, para alguns aspectos das políticas de que discordam. Podemos não concordar com as soluções, mas temos algo para analisar e discutir.

Mas há organizações e personalidades, uns mais próximos e outros mais distantes da insatifação global dos docentes, que se limitaram a cavalgar a onda e, apesar de imensa sabedoria e ainda mais informação, nada disseram sobre aquilo que defendem ou então fizeram proposições com tal amplitude qu tudo cabe dentro do cesto, menos aquilo que dizem estar mal. Ou então têm propostas do tempo de não-sei-quando, quando os horizontes eram outros.

E eu acho que, em altura de algum remanso estival, dedicarem-se um pouco a pensar, coisa ligeira que não canse muito, para depois, a partir de Setembro falarem ou escreverem (diaria ou semanalmente) sobre aquilo em que acreditam serem as soluções e não apenas dizerem mal porque isso é muito popular, ou então mudarem de opinião conforme a amizade pessoal que liga essas pessoas a outras pessoas.

Para que seja possível percebermos que modelos defende quem e não apenas contra o que estão.

No Diário Económico:

A diferença entre o processo disciplinar e uma cultura de disciplina
Quando uma aluna que ameaça a professora por esta lhe ter tirado o telemóvel durante uma aula se transforma numa estrela na internet ou quando, noutro vídeo amplificado pela rede, um aluno aponta uma arma de plástico à cabeça de outra professora, o que devemos esperar? Que a escola actue e puna os infractores. Segundo o DN, 17 mil alunos foram alvo de processos disciplinares no último ano lectivo, mais 15% do que no ano anterior. Há duas maneiras de olhar para estes números. Como o Ministério da Educação que desvaloriza as ocorrências e diz que as escolas estão mais atentas à indisciplina dos alunos; ou como os sindicatos de professores que os atribuem à perda de autoridade dos docentes e à sua incapacidade para restabelecer a autoridade na sala de aulas. Interpor processos disciplinares, com sanções quase sempre irrelevantes, é fácil. O que são, afinal, três ou quatro dias de suspensão, comparados com a fama que os vídeos na internet e a sua amplificação pelos media proporcionam? Mais exigente é criar uma cultura de disciplina que começa em casa e se replica na escola.