Sexta-feira, 27 de Agosto, 2010


Se Um Sindicato Lhe Oferecer Flores Isso É Subliminar.

LCD Soudsystem, Someone Great

República/100 anos: cem escolas vão ser inauguradas a 5 de Outubro

A Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República anunciou hoje que, a 5 de outubro, dia do centenário da República, serão inauguradas em simultâneo cem escolas ou centros escolares, entre estabelecimentos novos e requalificados.

Ouçam o senhor bispo…

E já agora vejam lá onde podem colocar as câmaras… eu sei que a privacidade e tal, mas em meio dia toda a gente passa a saber o que poder fazer e onde:

Recolha do Calimero Sousa

… com o projecto de despacho que vem regulamentar o processo de avaliação de desempenho dos docentes, cujo novo ciclo deveria ter começado há quase um ano, mais exactamente a 1 de Setembro de 2009. Fica aqui o documento (DespAvalia2010) e desde já um reparo: se a comunicação da avaliação final pode ser feita até 31 de Dezembro do segundo ano do ciclo de avaliação, o prazo de reclamações, recursos e decisões finais entra pelas calendas?

Quanto ao resto, estou tranquilo desde este dia. Há razões para duvidar?

Aviso desde já que na primeira metade dos anos 90 frequentei, no mestrado de História Contemporânea, uma cadeira de Metodologia para a História Económica leccionada por professores de Economia da Nova.

A já então professora doutora Ana Bela Nunes considerou-me, na avaliação informal a meio do seminário, um dos dois únicos medíocres da turma de 10 ou 12, facto de que ainda hoje me orgulho. Verdade se diga que os outros foram considerados todos maus. Nenhum problema pois houve quem chegasse a coordenador do Departamento de História de uma agremiação universitária pública.

Mas lá tentei perceber as regressões, os diferenciais e os contrafactuais do género: e se o governo fosse de outra cor qual a variação na facturação comparativa da Mota-Engil e da Martinfer?

Isto só para vos confessar que uso os dados disponíveis de modo simples, quiçá simplista ou mesmo simplório. Mas sei fazer as operações básicas e ler as tendências que entram pelos olhos dentro, com as lentes para a miopia e tudo pelo meio.

Mas é o que se arranja. Eis, por exemplo, o que constato quando analiso os valores para as despesas correntes do Ministério da Educação e para o peso relativo das despesas com o pessoal, com base nos dados oficiais dos boletins da DGO, esperando não ter gralhado nada:

Percebe-se com clareza que a despesa corrente dispara em 2009 e 2010. Só que as despesas com o pessoal, mesmo crescendo, não acompanham esses ritmo e o seu peso relativo decresce de 85,2% em 2006 para 79,7% em 2010, mesmo com as malfadadas progressões tão malquistas pelo mst e por alguns cronistas avulsos de finanças públicas, mais os especialistas do costume.

Ou seja, se o défice cresceu e se a Educação contribuiu, não foi principalmente devido às despesas com os professorzecos.

Ok?

Ficamos assim entendidos, até demonstração em contrário?

Agora vou ali candidatar-me à bolsa de emprego para tarefeiro na imprensa da especialidade…

Esta notícia no JNegócios motivou alguma celeuma nos comentários online do jornal e alguns blogues. Eu anotei a peça como mais uma do puzzle da teia que a equipa das Finanças está a preparar para o Orçamento de 2011 e, pelo caminho, para recongelar, suspender ou qualquercoisas até lá, em especial na área da Função Pública.

Entretanto, alguns leitores enviaram-me troca acesa de correspondência com o jornalista em causa (Pedro Romano), o que me fez ir então ver as fontes das contas e fazer as que me interessa.

Isso implicou visitar o site da Direcção Geral do Orçamento e ler os seus boletins. A leitura deveria ser dos boletins mensais homólogos mas, como é habitual entre nós, nem sempre o boletim de Agosto de um ano reporta ao período de Janeiro a Julho, reportando por vezes de Janeiro ao próprio Agosto e outras vezes  a Junho, o que implica atenção redobrada.

Confesso que deveria ter juízo e ter feito outra coisa, até porque não me pagam para isto.

Mas vamos lá, com recurso à leitura por um leigo e à execução de umas tabelas simples do Excel.

Qual a primeira constatação? Analisando a evolução da despesa do sector da Educação entre 2005 e 2010  para os primeiros sete meses do ano, a mais óbvia conclusão é que 2009 foi ano de eleições e que, mesmo sem qualquer impacto da progressão dos docentes que na prática ainda estavam então congelados, a despesa aumentou mais de 10% em relação a 2008. Ora, com avaliação, progressões e todos esses desmandos, de 2009 para 2010, o aumento da despesa foi de apenas 7%

Não vamos estar a iludir a malta. O efeito eleitoral produziu mais aumento da despesa do que a progressão salarial dos docentes em função da sua avaliação e mudança de escalão de uns milhares.

Claro que já sabíamos isso empiricamente. é algo que se percebe. Ficam aqui os números para o confirmar. É tudo uma questão de saber olhar, de saber procurar, de não andar a fazer análises parcelares da informação sempre com o mesmo enviesamento.

Quanto à evolução do peso da massa salarial e despesas com pessoal é esperar um pouco e deixar este post respirar. Ainda não fiz as contas todas, pelo que não posso adiantar conclusões. Isso de concluir antes de analisar fica para quem faz certos títulos de jornais.

É aproveitar, porque para a semana acaba-se a interrupção lectiva e deixo de er tempo para mastigar números e pensar ao mesmo tempo.

Página seguinte »