Debates


Programa ANMP

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Dias 21 e 22 de Março, vai realizar-se em Idanha a Nova, o Fórum Inovar na Educação, com a presença do Prof José Pacheco, convidados e projectos que integram a Rede Educação Viva.
 
Se lhe fizer sentido agradecemos divulgação, para que este Fórum possa chegar ao maior número de pessoas interessadas em contribuir para a mudança na educação, alargando a partilha à comunidade.
 

Atentamente

pela REV
Sofia Gallis
Forum_Cartaz (2)

 

O som está baixo, mas percebe-se.

Como professor bem disciplinado, cumpri o tempo que me tinha sido atribuído (15-20 min), pois fui o último a falar, antes do encerramento, num painel que levou com os atrasos dos anteriores em cima. Quando se é político, em especial da Situação, tende-se a falar como se fossemos donos do tempo e os outros que se aguentem.

Não segui texto escrito, preferindo ir incorporando na apresentação alguns dos elementos ouvidos desde meio da manhã.

Também por isso, não tive direito ao contraditório, como os colegas de mesa, ao contrário do que aconteceu com todos os outros painéis. Em especial, quando algumas pessoas mereciam resposta, nem sempre pelas melhores razões.

Falou-se em desconfiança. Os especialistas falaram nisso e alguns autarcas queixaram-se que andamos a desconfiar das suas intenções e capacidades. O mais destemido, porque é vice-presidente do partido da Situação, disse mesmo que não aceitava que apoucassem as suas competências.

O que diriam “as escolas” e os professores (sabemos, para eles são meros funcionários sem direito a opinião, mesmo em “escolas de cidadania”) a quem são retiradas quase todas as competências que têm em nome de qualquer coisa que um jovem secretário da Administração Local apareceu a defender, sem ninguém da equipa política do MEC com coragem para dar os ares?

Sim, desconfio, até porque sabemos de muito decisor político local que era professor, nem sempre dos mais motivados para a função, até lhe acenarem com outra coisa.

Muitas coisas boas, incluindo o debate, embora seja um bocado chato um tipo fazer 300 quilómetros para fazer parte do painel final que é espremido porque houve quem falasse demais e depois os representantes das escolas é que tiveram de ficar calados perante os comentários finais, tipo discurso, de alguns presentes sem direito a contraditório

Por exemplo, eu gostaria muito de ter respondido ao excelso senhor presidente da Confap que quando me ouve é como se visse vermelho diante dos olhos ou então faz por não perceber o que eu digo com clareza: o recurso ao argumento das “famílias” é uma mistificação nestas cosas da Educação, pois não passa de uma instrumentalização útil para os políticos usarem contra professores e escolas. Mas há quem se preste ao papel…

Confesso que aceitei o convite neste seminário do CNE antes de saber que teria de fazer 300 km para participar e, a certa altura, coloquei a hipótese de não ir, pois estou cansado de andanças e acho, sinceramente, que é praticamente impossível fazer as pessoas pensar sobre questões acerca das quais formaram uma opinião praticamente inamovível.

Digamos que vai ser uma das últimas vezes em que penso ir dar o corpo e a cara ao manifesto por ideias que defendo com base em argumentos e dados concretos e não em formulações teóricas ou interesses particulares, pois onde lecciono duvido muito que isto chegue a curto prazo ou mesmo a médio, pelo que… se há quem aceite com medo de espernear, só levará em cima com o que merece.

Sei também que corro o risco de ser a flor da contestação assumida na lapela do unanimismo mal disfarçado.

Mas… que se lixe… nem que sejam apenas 15 minutos, que sejam de luz e cor. O resumo do que pretendo dizer, em 300 palavras, é o que se segue, não sendo difícil reconhecer a adaptação de um post recente porque tenho o péssimo hábito de não dizer uma coisa por aqui e outra ali como “às vezes” acontece. 

E como se perceberá pelo post mais abaixo, parece-me clara e evidente a minha “desconformidade” em relação aos consensos “de regime” que estão feitos há muito em matéria de educação, visando o estrangulamento da autonomia organizativa das escolas e da autonomia profissional dos professores.

***

É comum a queixa contra as sucessivas reformas, mini-reformas, acrescentos, acertos e enxertos que tornam a Educação um labirinto legislativo, uma manta de retalhos, de leis, decretos, regulamentos e normativos, muitos deles incoerentes entre si. Isso não impede que, identificado o problema, ele seja regularmente agravado com novas “reformas”.

Em termos gerais, qualquer reforma, na área da Educação ou outra, deveria obedecer a alguns princípios que julgo por demais evidentes:

Antes de mais, a reforma pretendida corresponde a algum problema real ou se é apenas um problema artificial? Neste caso, o processo deve acabar na ideia.  Se o problema é real, convém fundamentar o seu grau de urgência e necessidade para melhorar a vida dos principais destinatários.

Em seguida, devem analisar-se as possibilidades de solução e respectivas alternativas. Procurar situações similares e medidas tomadas, no passado ou em outras paragens, assim como os resultados obtidos para perceber se são medidas adaptáveis à nossa realidade e ao momento presente.

Em terceiro lugar, devem consultar-se os interessados, quer os destinatários das medidas, quer os seus implementadores no terreno. É importante a mobilização de uns e outros, embora sem ser para consensos ineficazes.

Estabelecido um quadro global das medidas a implementar, convém analisar se o seu enquadramento é coerente na realidade existente e se a sua concretização não vai contra outras medidas ainda em desenvolvimento no sector.

Decididas as medidas, deve estabelecer-se um cronograma público da reforma e definir um período experimental seguido de uma avaliação, antes da sua expansão ou generalização. Recolher informação e reavaliar o processo, se necessário.

Ponto final ou preliminar: não iniciar um processo de reforma sem a devida avaliação do anterior.

Esta apresentação visa analisar se o actual processo de municipalização da Educação em construção cumpre algum destes pontos ou se é apenas mais um enxerto casuístico e incoerente no labirinto já existente.

 

… essa história não é tua…

Nos anos 90, a Suécia adoptou um modelo que permitia a constituição de escolas de gestão privada no sistema público de educação. O modelo sueco é muitas vezes lembrado por quem defende que os pais devem escolher livremente, assegurando o Estado o financiamento dessa liberdade. Acontece que no último estudo da OCDE sobre as competências dos alunos de 15 anos (o PISA), os resultados dos suecos baixaram e o modelo tem sido muito posto em causa. Carmo Seabra acha que a deterioração do desempenho dos alunos naquele país não tem a ver com a liberdade de escolha — admite antes que esteja associada ao facto de nunca ter havido disponibilização de informação sobre “a proficiência académica das escolas”.

“Para que um sistema de liberdade de escolha aumente a eficiência com que os recursos são utilizados não promovendo a segregação, é fundamental que existam sistemas de informação credíveis e comparáveis que permitam aos pais detectar diferenças”, disse.

Realmente… se funcionasse é porque estava certo, se não funcionou é porque estava certo na mesma. A culpa é sempre de outra coisa.

Como exemplo de “Ciência Social”… é do mais melhor bom. Sejam quais forem os dados empíricos, as fés é que estão certas.

 

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