Quem prevarica e é condenad@ pode continuar a leccionar?

Nos tempos em que se entregava obrigatoriamente registo criminal para dar aulas no ensino básico e secundário, nem por isso…

 

Pub16Set14

Público, 16 de Setembro de 2014

… e parte delas tinha justamente a ver com as manigâncias que se faziam como horários guardados para clientes cert@s.

(por estranho que pareça, a romaria pel@s CAE com tudo o que acarretava, parece-me menos indigna do que os procedimentos da “Oferta de Escola” e agora da BCE com as suas fórmulas ocultas…)

Agora chamam-lhe autonomia na contratação dos professores pelas escola.

 

Agora está tudo assoberbado com os concursos de colocação mas entretanto, insidiosamente, já estão a funcionar estruturas educativas que supostamente se iriam transformar profundamente.
.
A título de exemplo, refiro-me ao antigo CNO agora denominado CQEP. A pompa e circunstância anunciados é que as novas estruturas iriam ser bastante diferentes; quando se lê a regulamentação publicada conclui-se, grosso modo, que apenas mudaram o nome. Basicamente o CQEP funciona como o antigo(?) CNO, com as seguintes alterações cosméticas:
.
- redução do número de centros para metade do número de centros CNO que existiam
- muito menos horas de crédito semanal (50), insuficientes para assegurar a certificação de centenas de pessoas vindas de CNO extintos
- apenas são atribuídas 20 horas semanais(!) para a função de técnico de RVC
- o que antes se fazia com técnicos RVC em regime de exclusividade, agora tem de ser assegurado pelos professores designados para formadores
- os professores-formadores têm uma componente letiva significativamente reduzida com acréscimo do trabalho que era feito pelo técnico RVC
- a certificação passa por duas fases: avaliação do portefólio e realização de uma prova (escrita, oral, mista; tem de respeitar os parâmetros de uma matriz enviada pela ANQEP)
- foi extinta a figura do avaliador externo
 .
Conclusões:
- as escolas a quem foi atribuído um CQEP, ficam com mais horas letivas para outros horários
- os professores nomeados para formadores têm uma redução da componente letiva determinada pela direção
- as horas letivas atribuidas aos formadores são manifestamente insuficientes; por exemplo, um professor com 6 tempos letivos atribuídos, na prática realizará o triplo ou mais tempos para conseguir acompanhar dezenas de formandos (avaliar portefólios, acompanhar execução de portefólios, elaborar as (dezenas?!) provas de certificação). Ou seja, esse professor terá 18 tempos com turmas (que pode equivaler a 5 ou mais turmas) e mais as dezenas de formandos…!
- o MEC poupou dinheiro em tudo: no nº de centros e no nº de contratações, pois terá de se executar as mesmas tarefas dos antigo CNO, com muito menos trabalhadores a executar mais horas de trabalho não remuneradas.
- algo mudou para tudo ficar pior (para os professores)…
.
Mário Silva

Porque, em boa verdade, para el@s, tudo isto é normal… alguma vez sentem que devem prestar contas pelos arranjinhos que fazem?!

Ess’agora! Nem lhes passa(va) pela cabeça que não podem, só porque dá jeito ao partido, contratar este ou aquele para fazer qualquer coisa, mesmo que desnecessária.

Afinal, como é que os oleodutos financeiros, dos mais pequenos, sempre funcionaram?

Santos Silva deveria era preocupar-se em explicar a necessidade da “encomenda”, o procedimento usado, o currículo do “escolhido” para tal missão e o trabalho que ficou por fazer, em vez de se perder em considerações de tipo jurídico, que ignoram… a Lei.

O ex-ministro da Educação da altura de Guterres, Augusto Santos Silva, saiu em defesa de Maria de Lurdes Rodrigues e mostrou-se “indignado” na sua página oficial do Facebook.

Recolha do Livresco:

Protestos, fechos e cadeados. Um início de aulas à portuguesa

Encerramento de escola em Idanha-a-Nova considerado “ato de traição” do Governo

RTP acompanha o encerramento de uma escola em Portalegre

Protesto contra fecho de escola em Rio de Moinhos (Aljustrel), crianças faltam às aulas

Rivalidades antigas e atraso em obras não impedem fecho de escola de Abaças

Escola em Arouca abre à revelia do ministério da Educação

Secundárias de Loulé, Faro e Silves enfrentam mais um ano letivo de aulas em contentores

Falta de professores originou protestos em Casal de Cambra

Associação de directores diz que escolas “estão em polvorosa”

 

… aquela da colocação ao minuto.

Há quem esteja à espera (escolas e concorrentes) e nada…

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 941 outros seguidores