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Paloma Faith, Do You Want the Truth or Something Beautiful?

… que pretenda ser de não-ficção sobre um qualquer tema acerca do qual se pretende esclarecer em vez de fazer propaganda é verificar se a bibliografia apresentada contém, entre as referências a outros estudos, pelo menos 10-20% de títulos que possam servir de contraditório para as teses expostas.

Quando na bibliografia apenas se encontram obras e autores com os quais se concordava à partida e cujas teses se defendem, ou mesmo de mentores pessoais, já se sabe que estamos perante uma fraude. Uma treta que enuncia as teses adversas como coisas do género “há quem diga que…” ou “é costume dizerem que…”, mas fugindo sempre a contraditar no concreto e truncando a informação fornecida ou adulterando mesmo os dados apresentados como “objectivos”.

Hoje, enquanto fazia uma criteriosa selecção de aquisições em agradável promoção numa Bertrand, tive o prazer de encontrar uma das mais recentes dessas tretas que não vou nomear, pois decidi fazer o mesmo que um trio da vida airada estende por mais de 200 páginas com um tipo de letra arejado, margens muito amplas e parágrafos curtos, parecidos com os de um guião para actores esclerosados de 3ª linha…

E ainda têm a distinta lata de falar em “isenção” quando não passam de moços de recados.

Um horário zero é uma indignidade. É um processo kafkiano que se instala na profissionalidade e que magoará a mais forte das pessoas. Mas mais: o horário zero é uma desnecessidade financeira (o desinvestimento tem tido reduções financeiras anuais equivalentes a um assessor ministerial com carreira aparelhística no centrão) e só existe por preguiça, e quiçá impreparação, dos decisores centrais. É um exemplo do ultraliberalismo que envia as pessoas para o exterior do meio ambiente e que é, como se comprovou, perpetrado por familiares dos DDT´s. É um péssimo acto de gestão em qualquer ponto de vista.

… mas nenhuma se aproxima da decência.

Mais de 3600 professores que pediram para rescindir estão à espera da resposta. Governo garante que está a trabalhar para que o “processo seja concluído tão depressa quanto possível”.

… que, desde que lhe deram um lugarzinho lá fora, daqueles que dão para pagar umas caixas de remédios para o mal, nunca mais se lembrou de questionar o estado do situacionismo político (de que se tornou polido defensor) e até virou o bico ao prego em relação à qualidade da democracia e às liberdades e direitos constitucionais.

Eu cá sempre achei que quem emagrece demasiado, acaba por ver o neurónio mirrar na mesma proporção.

Nunca esquecer que estas coisas se fazem de uma maneira especial, de modo a que todos fiquem comprometidos e impedidos de falar (sigilo profissional!), mas não de usar o que sabem quando mudam de trincheira.

É o melhor dos mundos para o tráfico de informação privilegiada em circuito imune aos olhares exteriores.

Nunca esquecer, ainda, que em devido tempo o actual ministro da Defesa, então líder parlamentar de uma oposição laranja, aceitou que o seu escritório de advogados fosse contratado pela Parque Escolar dos tempos de Sócrates.

O Estado é “gordo” ou “engorda”?

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Público, 21 de Agosto de 2014 (link para a notícia)

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