Colaborações


A Europa encurralada entre a Rússia e África

A Rússia de Putin está a recuperar o espaço no Mundo global, que perdeu quando a União Soviética se foi desfazendo a partir da década de 90, do século passado.

África nunca conseguiu e dificilmente conseguirá nos tempos próximos, aproveitar-se como um verdadeiro e expressivo Continente com tantas riquezas naturais, nos vários países que a compõe, tendo unicamente, uma meia dúzia de muito ricos – que tudo decide – e milhões de muitíssimo pobres – que mais empobrecem.

A Rússia, vai bloquear a Europa a Oriente, fazendo-se senhora e dona de um espaço, que já de si é muito grande, indo anexando países que foram ficando independentes no pós-União Soviética, e que a Europa não os soube dignamente acolher, como pouco ou nada fez de jeito, nesta última década.

A Turquia vai-se encontrar onde melhor couber, dado não ter tido espaço nesta Europa esfrangalhada, quando tentou democraticamente fazê-lo. E, talvez tivesse sido uma oportunidade perdida, para todos, mas essencialmente para nós, europeus.

Os EUA pensam que com uma Europa sem rumo, farão mais pelo seu futuro, esquecendo-a, esquecendo o Atlântico e rumando pelo Pacifico para a Chima, India e Japão. Por alguma razão a mulher de Obama e filhas estão em visita oficial à China. E por a Europa não decidir nada de nada, numa Ucrânia ao seu lado, anexada já parcialmente pelo Putin. E por a Nato, unicamente ainda existir, por os EUA dela não terem saído.

Os africanos, que aos milhões vivem com menos que um euro dia, em contraste com os tais meia dúzia demasiado enriquecidos, vão continuar a arriscar tudo, mormente a vida para chegar à Europa. A esta Europa esfrangalhada e sem rumo, mas apesar de tudo, ainda, um putativo local para terem comida e alguma dignidade, totalmente perdidas em África.

E, esta Europa deixa-se estupidificar. Não decide, ficou totalmente parada num tempo que já não volta, em glórias passadas, e vai-se aninhando ao poder sem limites do Putin, russo e às desgraças dramáticas dos pobres africanos que a vão invadindo por pensarem que cá, ainda podem ter esperança de vida.

E, esta Europa gloriosamente se deixa engolir tão tragicamente num tempo em que conseguiu perder a oportunidade que não voltará nas próximas década, de “ser” alguma coisa num mundo globalizado. Pena, mas é ao que chegamos, sem remissão possível.

Augusto Küttner de Magalhães

Não é VIP é qualquer UM a ser tratado sigilosamente

Estamos gloriosamente a criar casos mediáticos e mediatizados, aos montes por semana, que unicamente demonstram que nos preocupamos com o que nada vale, para esquecermos o importante.

O tema lista VIP – mais um – que não pode ser consultada por todos, que existe, que um sabia e o outro não, mas tinha que saber, devia, é mais um falso problema.

Quaisquer dados de qualquer cidadão que estejam no site das Finanças só devem ser acedidos pelo próprio ou por algum funcionário – responsavelmente- que profissionalmente dos mesmos necessite, para cumprir as suas tareada. E ponto.

Mais ninguém deve poder aceder a estes dados, seja da Pessoa mais importante desde País, seja de quem possa ser.

Todos e cada um destes elementos, estão numa “base de dados” para serem tratados com a necessária descrição e o máximo sigilo profissional, e nada mais, mas de todo e qualquer cidadão, e não só dos supostos VIP, convirá repetir.

Não se tem que questionar quem, como e quando acede à lista VIP, se é que existe, como se fosse a classe em avião!, tem, sim, que se responsabilizar – algo em total desuso neste nosso País – quem “lá possa ir” só por curiosidade, ou por qualquer outro motivo que não objectiva e concretamente profissional. Ponto.

E, como é evidente, este comportamento deve ser aplicável e aplicado a tudo o que diga respeito a qualquer Pessoa, a qualquer cidadão no nosso País. Os dados são sigilosos de todos, todos, e não uns mais e outros menos. Todos. Se não, colocam-se num site aberto a tudo e todos, e a qualquer um! Como se fosse o wikiqualquer coisa!

Não será admissível que um profissional de saúde, por exemplo,- e é só um suponhamos- possa, se for o caso e extrapolando do que agora é “mais um caso mediático e mediatizado ao dia” das Finanças, unicamente por ter acesso, ir curiosamente indagar doenças do seu vizinho, por ser seu vizinho, ou do primo, da tia e da cunhada. Não! Vai só ter que saber e bem, se for algum doente com quem vai profissionalmente tem que lidar e nada mais, seja VIP ou seja desconhecido.

E, da base ao topo de toda e qualquer hierarquia, de toda e qualquer Instituição o procedimento único, tem que ser este. Ponto.

Se não for, tem que ser responsabilizada a pessoa que acede sem ter que o fazer, e não há que haver listas VIP, há que haver Listas, iguais para todos e de todos com igual tratamento sigiloso. Só!

Augusto Küttner de Magalhães

Quando baixa o nível à nossa volta

Por certo a muitos já aconteceu quer num local público, quer por vezes em locais privados, haver uma altura em que o nível educacional, o respeito, baixam e muito. Por vezes é por total falta de educação básica, outras vezes é para supostamente haver integração, logo todos alinham no mesmo, sendo mal feito, o que interessa é “estar na onda”!

E mais curioso, é quando pessoas já não jovens que até têm educação – ou tinham até ao momento – alinham na falta da mesma, para parecer bem, para estarem integrados, para não parecerem “quotas” – um problema de tantos quando não assumem, a idade e o tempo – , para não ficarem de fora.

O que acontece é que se o nível baixar e todos forem baixando, dificilmente voltará a haver elevação, pelo menos naquele momento e talvez até, no futuro, com aquelas pessoas.

De tudo se vê, desde novos passarem à frente de velhos, homens passarem à frente de mulheres, falar-se ao telemóvel aos berros, ficando todos que estão por perto a ter que ouvir algo que nem respeito lhes diz. E comer de boca aberta, bocejar sem tapar a boca, tudo o que por uma questão de sermos “ainda” diferentes dos animais irracionais ou para não termos os nossos instintos animalescos à flor da pele, se deve não fazer.

Não se trata de ser bem comportadinho, respeitador de regras e normas, polido. Trata-se de saber viver em sociedade que é a nossa e se deve positivamente diferenciar das outras, e essencialmente deve-se tentar subir o nível, e não o inverso. Quanto mais selvagens nos tornarmos, mais difícil será viver num tempo em que tudo se foi abandalhando, em que se foram perdendo valores e referências, que não foram por outros substituídos.

Longe, mas mesmo muito longe de pensar que “antes/antigamente” era tudo bom, pura mentira. Não era. E “antes/antigamente” faziam-se tantas coisas às escondidas, que era tudo falso, era tudo preparado pela frente, fazendo-se por trás o inverso. O único problema hoje, é que ao fazer-se tudo pela frente, perdeu-se um pouco do decoro, do respeito, do espaço. E se a liberdade conseguida, conquistada e atingida nos mais variados campos é extraordinária, e é um valor a preservar, por certo em simultâneo alguma contenção, que não censura, algum respeito por nós próprios e pelos outros é essencial.

Falar alto para só se ouvirem torna-se indelicado, mas pior é se nós alinhamos e passamos todos a estar aos berros. Este exemplo serve para todas as outras possíveis situações em que não sendo de modo algum necessário proibir, é necessário criar regras ao tempo de hoje, ao momento de hoje, respeitá-las e segui-las. Em vez de fazer tábua rasa de tudo e ficar bem posicionando e alinhado no disparate, para ser fixe, para ser moderno.

Por certo lentamente irão sendo criadas mais regras, assumidas e consentidas, e veremos mais respeito, mais cuidado com os outros, menos atropelos nas situações mais insignificantes às maiores. Claro que a educação – e aqui não instrução  – aprende-se, apreende-se, pratica-se e ensina-se e por certo vamos todos levantar no nível e não baixar , aprendendo dia a dia!

Augusto Küttner de Magalhães

A Europa já nem à Rússia se iguala

A Rússia de Putin tem demasiadas saudades da URSS, e mesmo tendo uma economia frágil e apesar de ser o maior país do mundo -em tamanho – está em pleno declínio demográfico, tudo factores potencialmente negativos.

Porém, o gás natural da Rússia e meia dúzia de multimilionários de lá que andam a gastar dinheiro por cá, pela Europa, nunca deveriam ser a razão, como se entende ser, para esta Europa em decomposição, se vergar perante a futura URSS.

Como é evidente, passados 100 anos sobre o início da 1ª Guerra Mundial, de modo algum se pretende mais uma, longe disso, se bem que o ser humano goste muito de tantas coisas resolver à pancada. Para além de que, a Europa – hoje – não tem um mínimo de unidade em qualquer aspecto e muito menos no militar, para “batalhar” com quais outras forças armadas, nem com as russas, que não são nada de moderno, bem pelo contrário.

E, a Nato unicamente subsiste enquanto os EUA acharem que deve existir, se estes saíssem aquela ficaria inexistente, face à ineficácia da Europa, que se anula a cada dia que passa.

Tudo isto, reacende-se agora face à Crise na Ucrânia, que de certeza absoluta passará, no mínimo a Crimeia, rapidamente a fazer parte integrante da Rússia.

A desunião desta Europa, sonho malgrado de União, é tão mais evidente, já não só para nós europeus, como para todo o mundo neste tempo globalizado, que, quando a Europa que deveria ser um espaço de unidade, de crescimento, de desenvolvimento, de futuro, o não é e não se faz respeitar internamente, logo, impossivelmente o conseguira fazer para o exterior.

A nível militar um exemplo recente da nossa inoperacionalidade, foi evidente no fim dos poderes do ditador Kadhafi na Líbia, aqui tão perto, onde não conseguimos mais que enviar e por iniciativa desgarrada da França um ou dois F16, que tiveram quer ser apoiados pela aviação dos EUA, para não ser uma vergonha. E na Ucrânia nem isso, e se calhar os EUA vão fazer!

Sem sombra de dúvida que se cá dentro, nesta Europa, não nos sabemos minimamente entender, como queremos que Russos ou quem mais possa ser, acreditam que o possamos fazer.

E, a Rússia vai-nos ganhar, com ou sem recuperação formal da URSS, na Ucrânia e em mais países que estão sobre a sua antevisão e já foram satélites soviéticos.

Foi isto a que tristemente esta Europa, que podia ainda ter alguma influência num mundo global, conseguiu, chegar, anulando-se a cada dia que passa, até ao estertor final!

Augusto Küttner de Magalhães

Continuamos com os eternos compadrios e não só. Na mesma.

Por muito que nos digam, que nos prometam, que vão ser “sempre” diferentes dos anteriores, são “sempre” iguais.

Claro que havendo menos dinheiro, menos lugares, menos benesses a distribuir, aparecem algumas dificuldades, que nunca obstam, mesmo assim, a mais “do mesmo”.

Para além de a nível político, quer Governação, quer todas as Oposições, serem sempre os mesmos que rodam entre lugares ou pelos mesmos lugares, no que toca a cargos dependentes de quem tem o “poder” no momento, tiram-se os que estavam antes e colocam-se os que agora interessa que lá estejam. Seja por cor partidária, seja para cumprir promessas feitas, seja para antever/prevenir algum possível “pedido” futuro. Não por mérito.

Diz-se que foi “antes” mal feito e “agora” faz-se mais do mesmo. Tudo funciona de igual forma, todos fazem e reagem analogamente.

E se tudo o que vem sendo feito fosse melhor feito, com resultados positivos, seria interessante insistir na mesma tecla, mas é exactamente o contrário. Já deu para entender, mas unicamente pelos que estamos sempre de fora. Se estivéssemos “dentro” deviríamos pensar como lá pensam, e fazer o mesmo.

Não se pede espírito de missão a quem ocupa cargos públicos e políticos, antes e unicamente que defenda a função inerente ao cargo, em vez de defender o lugar como seu e dos seus.

E as aparições públicas permanentes da maioria destas personagens da política central e local, sejam poder ou oposição, apesar de ainda serem atractivo noticioso dos nossos media, deixaram totalmente de ter contudo, são unicamente fachada. Por certo, a poucos interessa, o que dizem e como dizem, a não ser aos próprios e aos seus próximos.

Evidentemente que há, ainda, apesar de muito longínqua, uma esperança de a que a mudança da oposição para a governação e no sentido inverso, bem como dentro da oposição sempre oposição, crie uma diferente e mais transparente forma de “ser e estar”, mas unicamente quando não continuarem a ser sempre os mesmos, ou iguais aos mesmos, a fazer mais do mesmo. Mudar, mudar, mudar, terá que ser a palavra de ordem.

Cenas de apupos a figuras publicas, mais não são do que uma demonstração pura de que se deixou de “neles acreditar”. E, hoje, numa situação tão difícil e complicada, não acreditarmos nos outros, especialmente se estes ainda têm algum poder, mesmo que muito filtrado e controlado pelos que “lá de fora” nos vão emprestando dinheiro, é muito negativo.

Por certo nenhum, nem um, dos políticos que nos vai aparecendo nestas últimas quatro décadas será quem possa fazer diferente, evidentemente, melhor. E nenhum sai pelo seu pé! Nenhum!

Claro que a política e os políticos são essenciais, mas como está, não resulta. Será indispensável, sempre em democracia, criarem-se novos partidos, ou renovar de alto a baixo os existentes. E não necessitamos de extremismos, de direita ou de esquerda! Novos movimentos, novas ideias, novos ideais, que mudem, tudo, mas enquanto é tempo de democrática e humanamente mudar.

Augusto Küttner de Magalhães

A desindustrialização total do Ocidente

 

Na década de oitenta do século passado, o Ocidente – grosso modo EUA e Europa – teve o sonho de bem-estar eterno. E decidiu que tudo o que se tratasse de Industria – aquilo que “faz coisas, mas é menos limpo”: maquinas, portas, janelas, aviões, automóveis, sapatos, calças, camisas e mais – vai para Oriente. Lá para a China, onde aqueles tipos só comem arroz e andam de bicicleta, vai para a Índia onde se vive menos bem, e em todos, os salários são tão baixos, que tudo chegaria cá, ao Ocidente quase a custo zero. Seria trabalho “a feitio”, nós mandávamos, eles faziam.

E cá, Ocidente, ficaríamos com tudo o que de mais “limpo” existe: serviços e turismo. Sendo duas áreas de excelência, não chegariam para sustentar o Ocidente, seria pouco. E de repetente fomo-nos apercebendo – mas fizemos de “conta que não”- que a deslocalização da indústria para Oriente nos colocou nas mãos deles. Eles produzem, fazem, constroem e nós importamos, mas temos que pagar. E como nem petróleo cá tempos, só ficaram com serviços e turismo. E a Europa tem forte apetência para turismo, e temos séculos de História, que sem dúvida é uma mais-valia, mas não chega. Nos Serviços somos bons, fazemos bem, mas também não chega, e alguns já se deslocalizaram atrás da Industria.

A base, o que faz crescer aquilo que ouvimos ao pequeno-almoço, almoço e jantar, o PIB, enviámos para Oriente, e achamos que lá – eles – iriam ficar subjugados aos encantos e às ordens do Ocidente. Mas não ficaram, não ficam e não ficarão.

E os chineses vão deixando a bicicleta e trocam por automóveis, e o arroz agora tem um bife ao lado e ovo a cavalo e Coca-Cola. Também têm direito, nós é que pensávamos que era só para nós. E como produzem o que nós necessitamos, nós temos que lhes comprar. Dependemos deles, para quase tudo, até precisamos do dinheiro deles, uma vez que enquanto empobrecíamos alegremente eles enriqueciam arduamente.

E já têm parte da divida dos EUA, e já vão comprando empresas e bancos aqui pela nossa Europa.

O risco nosso, é ficarmos como o Museu vivo do mundo, e que nem macacos em gaiolas, seremos visitados por tudo que não seja Ocidente, para ver a nossa História e nos darem umas gorjetas, à saída. E os EUA não estão melhor, e até nem História têm, aquilo é recente, mas ainda têm algum petróleo, e como deixam morrer Pessoas à porta dos hospitais se não tiverem dinheiro para pagar os cuidados de saúde, podem ir matando e poupando algum. Obama tentou mudar “isto” mas não o deixaram.

Haja bom senso em reconhecer este mau momentum, que foi por nós – todos – criado. Vivemos acima das nossas possibilidades, achámos ser os únicos e os melhores e maiores do Mundo, e hoje estamos aflitos.

Para além dos serviços, do turismo, também não temos agricultura, foi tudo para o Brasil, aquilo tem lá muito espaço. Assim teremos que conseguir recuperar alguma indústria de qualidade e fazer cá novas, teremos que não ter vergonha de termos novamente agricultura e pescas, temos mares que nos chega e sobra. E não precisamos de perder tudo, tudo.

Talvez nos seja necessário perder alguma arrogância e muito egocentrismo, e todos num mundo global sabermos como tal nos comportar. Para não estarmos daqui a meia dúzia de anos a só comer batatas, e pouco mais, e a andar de bicicleta por ser ecológico e o resto, o bom está todos a Oriente, os tais que já hoje quase nos têm em seu poder, por culpa nossa, por egoísmo nosso…

 Augusto Küttner de Magalhães

Sempre os mesmos 3 F´s.

Pareceria, que ao fim de 40 anos de suposta Democracia, os predilectos 3 F´s , tão do gosto do regime ditatorial anterior se tivessem mais diluído. Mas não, bem pelo contrário, apesar das muitas crises. A um tempo “isto” foi apelidado de ópio do povo, e talvez com razão.

Hoje, mesmo que lhe chamem outra qualquer “substancia”, o efeito é o mesmo ou até mais intenso.

Com todo o risco de não ter um mínimo de autoridade para estar a escrever sobre os 3 F´s, dado nenhum me atrair, bem pelo contrário, permito-me fazê-lo, analisando “de fora”.

E pela simples razão que me assustam as consequências, e como por exemplo consegue o Futebol – o mais intenso, o mais presente, que suplanta Fado e Fátima – ser o que mais é visionado em todas as televisões, todas, é comentado, recomentado, tricomentado, e atrai multidões.

Dado que por certo estará sempre muita gente a assistir nos campos – o trânsito usualmente em “dias de jogo” fica caótico, ainda mais que nos outros de não jogo – , nas televisões e nos comentários, anteriores e posteriores, ao acontecimento. Parecendo um ciclo vicioso, que se transmite, que se comenta, ao qual se não pode faltar, para o qual há sempre dinheiro, que por vezes parece faltar, até para a alimentação.

Ou seja, ainda não conseguimos dedicar mais tempo a outros temas que talvez em consonância com estes 3, nunca os abolindo, nos fizessem pensar e actuar diferentemente. E melhorar as nossas vidas, dado que nos andamos sempre a queixar!

Evidentemente que podem dizer, rebater, que é o que converge mais, que é o que agrada e entretém as maiorias, e que todos se compreendem nestas áreas.

E nem contam, para o que quer que seja, alguns poucos anormais a que estes 3F´s, que lhes passam tortamente ao lado e as suas – nossas indevidas – análises de fora. E porventura é mais que verdade, e pode ter que sempre assim continuar, continuemos nesta “espécie” de democracia ou tenhamos o azar de cair noutra ditadura.

Mas com tantas crises, com tantas faltas, até de comida, estes 3 F´s, e então o Futebol, pararem tudo, deve ser de análise ou nem por isso, e fique tudo como está, e em força. Mas escrever e pensar parece ainda ser permitido! Com respeito e educação!

Augusto Küttner de Magalhães

A anexação da Áustria pela Alemanha em Março de 1938

 

Num tempo em que a História e a Memória, insistentemente não passam dos acontecimentos mais mediáticos e mediatizados da semana anterior, talvez fosse chegado o época de querermos todos aprender com o passado, não muito longínquo, mas também não excessivamente recente, para não ter que estar sempre a repetir os mesos erros.

A unificação da Europa não tem sido fácil, e tendencialmente parece estar a ser cada vez mais difícil. Sempre havendo que haver diferenças inerentes a cada País que faça – faz?- parte da chamada União Europeia, para “isto” não se continuar a desfazer a cada dia que passa, haveria que não passarmos o tempo, a alegremente sempre dizer mal uns dos outros, e agora já não é Norte contra o Sul, é o próprio Sul conta parte do mesmo.

A Europa sempre teve dificuldade em se entender. E foi sempre um Continente de Guerras, de partilhas à força e na última Guerra tivemos o louco, o fanático austríaco que dominou, primeiro em eleições lives, e depois pelo Nazismo a Alemanha a caminho do anexar a Europa à força das armas.

Não conseguiu felizmente. Pena hoje não estarmos a conseguir voluntária e pacificamente, fazê-lo. Ficaremos a perder, todos, até a Alemanha, para já, mais ou menos democrática.

Bem, mas para recordar a História e a Memória e em mais um mês de Março, temos que ir forçosamente a Adolph Hitler que nasceu na Áustria, foi posto de lá para fora por menos correctas posições e combateu na I Guerra Mundial como cabo já na Alemanha. E entre as duas Guerras – a II por si originada – em 1933 tornou-se chanceler da Alemanha, em eleições livres, e depois quis uma raça pura, excluindo todos que não tivessem uma certa altura – não a tendo o próprio- religião, cor de olhos, e tudo oque se possa imaginar para uma superior raça pura.

E a 12 de Março de 1938 deu-se o Anschluss que foi a “anexação “ da Áustria pela Alemanha. Convirá também não esquecer, que na Áustria já havia muitos Nazis que colaboraram e regozijaram-se com este “acto “ do seu ex-compatriota.

Os que não concordaram, e claro judeus, ciganos e mais “diferençados” – não raça pura – se não foram conduzidos para campos de Concentração, para o Holocausto, conseguiram fugir. Não tendo que para aqui puxar casos familiares, e se calhar nem o devendo fazer, faço-o pela Memória e pela História de muitos – não minha que ainda não a esqueci -, dado minha mãe, minha avó terem para cá fugido e meu avô para Londres.

E se não quisermos lembrar estes acontecimentos e evidentemente, sem ter que fazer festas ou festinhas, mas lembrando unicamente, escrevendo, fazendo passar às gerações mais novas, “isto” esquece ou parece uma “coisa” que aconteceu na época dos dinossauros, e a Guerra acabou faz agora 70 anos e não foi assim tão distante, dado que foi aqui na “nossa” Europa. E se quisermos esquecer tudo, mesmo havendo quem ainda reste directa ou indiretamente desse tempo, vamos, talvez reviver ao vivo e a doer novamente, tudo.

E não será só a Ucrânia em Guerra, mas mais Europa na mesma situação dramática. E continuemos, jovialmente, em vez de pensar no Anschluss, a ter estes nossos políticos e estas as nossas políticas destes últimos tempos que de tão maus e más, só conseguirão que venha outra guerra, para a Europa se desfazer de vez.

Augusto Küttner de Magalhães

12 Março.2015

Se não fosse este Presidente? Mas é!

Se, é sempre muito arriscado estar-se a pensar “se isto não tivesse acontecido, como teria sido”!

E como o que foi, lá foi, e a realidade passada é inalterável, apesar que mesmo vivida por quem a conta, poder ser recontada de várias formas, por pessoas distintas, e até pela mesma.

Assim, se o candidato que hipoteticamente poderia – apesar do distanciadamente – ter sido outro Presidente da Republica se o actual não tivesse ganho democraticamente, na prática e a bem de todos nós, saberia (ou conseguiria) fazer melhor? Se! Talvez não!

Isto quererá dizer que para além de não se poder viver mais que uma vez o mesmo tempo, temos o que temos – o que merecemos? Talvez. E com “isso” vivemos.

Sendo que, num momento de tão grande desesperança, não deverá o actual Presidente da Republica ficar – como parece que fica – incomodado quando 99% dos portugueses acham que deveria “estar, aparecer! mais!” Quando o País sufocar, já nada a fazer!

E, mesmo que leia e assuma os poderes Presidenciais com demasiadas limitações, por certo se actuasse mais ajudaria a mais ajudar, o País. Ou não!

Claro que aqui aparece mais um “se”! Mas este “se” é para a frente, é um “se” futuro. Ainda possível!

Não se pede que se coloque a jeito de ser massacrado por quem mais do que isso não sabe fazer. Era só o que faltaria.

Mas pede-se que talvez fale diferente, e activamente esteja com o País, não só no 25 de Abril, no 10 de Junho, no 5 de Outubro, “por que tem que ser”, mas em conversas directas ao País e aos portugueses num tempo de tantas dificuldades e desesperanças!

Talvez devesse, não à entrada e saída de eventos, mas em local próprio falar-nos, sem pompa nem circunstância e sempre com a posição de Presidente, claro, de um futuro que seja de vida!

Até como economista, como antigo primeiro-ministro, algo que – como acontecimento – até nos lembra demasiado, sobre a panorâmica democrática deste País, que um excelente nosso economista do Porto, anda e com razão, a dizer estar à beira da bancarrota. Estamos com imensas dificuldades já todos as sentimos, mas é o fim, ou ainda não?

Estamos sem rumo, e sem gente que se queira mudar, para dar lugar a melhores. E não é mudar de Partidos de Poder, é de Pessoas nos Partidos – todos, todos – do Poder! É o fim?

Estaremos a ter que insistir sempre nos mesmos e com os mesmos erros até não ter via de saída?

O Presidente da Republica, não governa, não faz leis, não as executa, mas é o Presidente! E tem que sê-lo. Ou não!

Sendo-o, tem que fazer mais, já sabemos que muito mais não pode fazer, mas tem que fazer mais, para não sentirmos o País a cair a cada minuto que passa, e para deleite de alguma comunicação social fica-se pelo disse que disse e quanto pior melhor, e ninguém que ainda pode apontar vias positivas de saída tem espaço e visibilidade para o fazer. Já! Sem demagogia!

Quando for tarde já nada haverá a fazer….e o País sufocou….com ou sem Presidente! E parece não estar longe!

Augusto Küttner de Magalhães

A Presidência infelizmente esvaziou-se

Muitos dos portugueses, neste tempo tão difícil e desesperançoso que estamos a viver, não tendo votado no actual Presidente, como é o caso de quem escreve estas linhas, contávamos com ele “mais” como nosso Presidente.

Isto, uma vez que demasiados, essencialmente neste segundo mandado, já não devemos conseguir contar, até pelas evidências, e faltas de necessárias comparências, com este Presidente, que o será “assim” até ao fim.

Não que se quisesse um Presidente contestatário e desestabilizador, a criar mais confusões que aquelas que já estamos a viver nas mais diversas áreas, neste nosso País.

Porém, também não se “contaria” com alguém que unicamente acha que pode dissolver – o que nunca fará – o Parlamento, convocar eleições e depois juntar as peças de um resultado eleitoral, para formar novo Governo, o que só fará na data prevista a não ser que houvesse um cataclismo indescritível com este ainda em vigor, Governo.

É pouco. E nem sequer, era preciso dissolver o Executivo actual nem o Parlamento.

Precisávamos que o único membro eleito directamente e em Pessoa pelos portugueses, periodicamente com alguns poderes que tem, pelo menos falasse a todos, como algo que nós, a maioria do anónimos, nunca o consegue, nem conseguirá fazer, em local e hora determinada, dando-nos um panorama do que “efectivamente” pensa do País, como Presidente, não necessariamente como o Governo pensa, nem como nós “cá em baixo” pensamos. Para isso é Presidente!

Não deveria fazê-lo, como faz, depois de longos períodos de mudez, e em datas oficias – que se tornaram tão mais maçadoras, com muitas individualidades importantes a aparecer e pouco mais – ou em entradas e saídas de eventos. Soa sempre a “tem que ser, mesmo que não quisesse ser”!

E, muitas das vezes reage e não age, mesmo que só e até pela “palavra”.

Claro que nesta fase final do 2º e último mandato não vai mudar e já ninguém espera que o queira fazer.

Com distanciamento a História falará dele, e muitos de nós já não a leremos, por já cá não estar, o que for com tempo, escrito. E talvez não seja a imagem do Presidente que o País precisou neste tempo tão difícil.

E, o próximo Presidente, o que se lhe seguir, terá que recuperar “um” espaço na Presidência, que agora foi sendo esvaziado, e mesmo num regime semi-presidencialista, deve ter mais presença e força do a que está a acontecer. Mas, nada a mudar, simplesmente com educação, ainda podemos opinar!

Augusto Küttner de Magalhães

Estamos a evoluir para a decadência total

Estamos a cada dia que passa, a mais evoluir e muito rapidamente, para uma decadência generalizada.

Como é evidente, ter saúde é essencial, mas também nos ajuda a “ter vida” e ser feliz haver dinheiro suficiente que nos proporcione alguma qualidade de vida. Quando ter qualidade de significa unicamente “ter, sempre mais ter”, como “posse” exacerbada, entra-se num túnel que pode obviamente ficar obstruído. No nosso caso estamos com o túnel já quase tapado, mesmo que não tenhamos nunca, querido “tudo ter e mais ter”! Exceptuando umas pequeníssimas aberturas, que deixam passar cada vez menos “gente”, e os mais os acima, ou, os fora dos esquemas normais, todos estamos a caminho da decadência!

Assim, vamos de penúria em penúria, sem esperanças convincentes de sequer vermos luz a meio do túnel. Claro que “isto” influi na saúde, que se vai deteriorando em todos os aspectos, e cada vez mais no aspecto mental. Logo, a decadência mental já não é só característica do envelhecimento, começa a surgir em força, em qualquer idade.

Sendo que, democraticamente, implica que vale tudo, uma vez que estamos a “viver um dia de cada vez” como estamos constantemente a ouvir, e como os outros abraçam a selvageria, a falta de respeito, a falta de os mais básicos princípios elementares de boa conduta entre cidadãos minimamente civilizados, chegou a vez de todos o fazermos, em força.

E, a aproximação galopante do ser humano ao mais selvagem dos animais é por demais evidente. As faltas de respeito, o desleixo, o egoísmo, o egocentrismo, sobrepõem-se a qualquer hipótese de nos restruturarmos em parâmetros de convivência salutar, numa sociedade plural.

Assim, cada um, quando não tem dinheiro, como não terá saúde, uma vez o que a “não” sente, e essencialmente a mental vai-se consciente ou nem por isso, esvaindo, pode-se abertamente desrespeitar tudo e todos, já nada se tem a perder, ainda para mais “vivendo um da de cada vez”. E, vamos, até com algum prazer, cavalgando intensamente a grosseria.

O desrespeito geracional, essencialmente de jovens para com velhos é evidente, só não vê quem não quer. E a ajudar, as mulheres- em força as mais jovens – assumem a igualdade com os homens, como o direito a neles mandar, e, estes assustadamente, aceitam-no, e esta rede de desconstrução do que existe, sem ser substituído por algo de edificante, positivo e salutar, é cada vez mais, o nosso quotidiano.

E, com este viver o” tal dia de cada vez”, evoluímos rapidamente para a referida decadência, passando a um estado, tão desnecessário, de quanto pior, melhor, que por certo nos levará a recuar décadas e décadas, nunca só no aspecto económico e financeiro, mas na estrutura civizacional e de relacionamento interpessoal, que nos caracterizava como Pessoas!

Augusto Küttner de Magalhães

Não souberam nem: Prever!

Estamos a constatar que demasiados economistas fizeram previsões excessivamente teóricas que não resultaram. Outros dentro e junto à Governação, obstinaram-se com metas inatingíveis, e tudo saiu furado.

Entretanto outros, economistas, foram fazendo as previsões razoais e expectáveis, acertaram, e como previram – seguindo o rumo que estava a ser seguido! – estamos em plena desgraça.

Pelo meio historiadores, filósofos e pessoas “comuns” – sem títulos antes do nome! – foram alertando os políticos de serviço, nas Oposições e na Governação, que tudo o que “por todos” estava a ser feito, era mais do mesmo que nos iria arrastar a tal estado, que seria a total desgraça.

Em simultâneo como estamos – já! – falidos , se nos continuarem a emprestar uns trocos a prazos curtos e juros elevadíssimos, os importantes/ricos que nos emprestam – o dinheiro indispensável para a nossa sobrevivência e de seguida subsistência – mandam para cá uns técnicos de fato e gravata – que os nossos média gostam de tanto seguir – armados em entendidos, para nos controlar, ao cêntimo.

Trazem ideias feitas pelos seus respectivos chefes, e espremem cada vez mais o que já não tem por onde ser espremido. O Presidente da República refugia-se em Belém – achando ser o melhor que pelo País faz – e ainda por cima se incomoda quando, quase todo o País o questiona onde está, e para que existe.

O comum dos cidadãos que anda aflito a atingir que o País pode rebentar-se de um momento para o outro, nada entende do que se passa, a não ser que vai mesmo poder, tudo rebentar. Vai tudo como – alguns acham ser o ideal – ainda mais baixar a começar pelo salario mínimo? Vamos ficar a nem sequer alimentação ter? Vamos deixar de receber vencimentos, reformas, pensões?

E iremos recuar a níveis de vida de 1920? Depois é só subir!

A comunicação social influenciada e influenciando esta trapalhada toda, alinha – demasiado – no sensacionalismo barato, na noticia permanente, mas muito rápida, no alarmismo, no seguidismo aos senhores de gravata da troika – seria tão bom ninguém lhes dar troco!! desconhecê-los!- , ao ministro que nunca devia ter sido, ao quanto pior, melhor. Na generalidade!

Depois morre Chávez, o Papa resigna, e fica-se por uns dias distraídos a olhar lá para fora, e quando se olha novamente cá para dentro – com o Chipre a correr a tentar levantar dinheiro dos bancos para meter debaixo do colchão – notamos a nossa agonia e desesperança.

E católicos e não católicos, acreditam que o Papa Francisco, se não for calado, ou qualquer “outra coisa , pior” foi a única realidade boa que aconteceu nestes últimos tempos.

Se calhar não é necessário os que preveem, continuarem a fazê-lo, bastará ler (reler) os nossos ciclos históricos de desgraça e estamos em mais um.

Estes – tantos – atores sempre tão afoitos a prever e não resolver aparecerão na História – daqui a 50 anos – como mais uns que nada souberam prever a sério, e desgraçaram agora ”inteligentemente e em directo” este País. Uma vez mais!

Augusto Küttner

Vamos sendo engolidos na selvajaria

A progressiva falta de civilidade e respeito entre nós, como cidadãos, aumenta a cada dia que passa. Passou a ser normal falar, sempre, aos berros em locais públicos, abertos ou fechados, incomodando tudo e todos. Como será em casa?

Passou a ser usual em qualquer lugar pegar no “indispensável” telemóvel e falar, falar, alto também, cruzando-se no mesmo tempo e espaço conversas, desde que a nossa seja a mais alta. Todos incomodando. Mas, qual o problema?

Passou a ser vulgar, já nem sequer deixar passar à frente uma senhora junto a uma porta – a igualdade confundindo-se com a identidade – como até, independentemente do sexo, largar ostensivamente a porta em cima de quem vem atrás, tal, como nem a um cão se faz. Seria o que mais faltava, estar a fazer de porteiro, estar a ser simpático, a segurar a porta. Já não se usa. Para, e por quê?

O “faz favor, obrigado, não têm de quê” talvez tenham sido “levados” com o acordo ortográfico, que até nem vai ser “acordado”, mas perdem-se estas palavras, e essencialmente, o seu conteúdo. Por que não?

Estas pequenas regras comportamentais em sociedade, talvez, de certeza, por se chamarem “regras” e poderem implicar alguma correcção de actuações comportamentais em sociedade, não servem. Não são para usar, são para deitar fora.

E, vamos gloriosamente progredindo na selvajaria, no vale tudo, no quanto pior, melhor. Por que não?

Quando tudo estiver sem conserto – já esteve mais longe -, quando batermos o mais baixo possível, voltaremos a pulso – já não nós, mas as gerações mais novas, e as vindouras – a fazer progressivamente o percurso ascendente, para se notar a diferença entre Pessoas e animais selvagens. Que está a ficar totalmente esbatida!

Tudo, apesar de em tempos diferentes, se repetir enquanto houver humanos, e não seria necessário se, se aprendesse com a história e a memória, não tendo que estar sempre a repetir exaustiva e permanentemente os mesmos erros.

A. Küttner de Magalhães

Se os adultos se não querem fazer impor, vamos piorando a cada dia que passa!

Hoje num local público, bem acolhedor, uma visita de estudo, muito necessária de um grupo não excessivamente grande, de crianças entre os 8 e os 10 anos, com vários “responsáveis” a tomar “conta”.

Supõe-se, que estas visitas são educativas, são para as crianças verem o que tem que ser visto e interagiram com a cultura, com locais onde se aprende a não perder referências, a abrir horizontes, a ver mais que televisões e redes sociais, quando quase todos os “nossos” valores já estão de rastos.

Pois, a criançada parecia que estava num parque de diversões e ninguém queria, sabia ou lhe apetecia fazer ordem. E a democracia é o respeito por todos e cada um, não a selva, do salve-se quem poder. E, a aprender desde o berço!

Com todo o risco de ser visto como um animal em extinção, pré-histórico, como um monstro, atrevi-me a ir falar com os “encarregados” e pedir-lhes para fazerem alguma ordem naquela desordem, para se imporem.

Como seria de imaginar olharam-me como um bicho fora de moda, e disseram-me que como são tantos, não podem fazer nada.

Com a miudagem a olhar para mim, qual monstro acabado de aparecer das brumas, os “responsáveis” acharam por bem fazer impor-se, ao que parece, de momento ter resultado.

Se cada um de nós achar mais simples, mais confortável, mais na moda, mais na onda, não fazer valer as nossas posições, não fazer respeitar para ser respeitado, vamos, o que parece ser uma fatalidade ,de mal a pior a cada dia que passa.

Se desde miúdos não houver vontade de impor limites, e achar-se que a selvajaria é o exemplo a seguir, caminhamos para uma sociedade, ainda mais sem princípios.

Se cada um achar que nada pode fazer, que deixar andar é o melhor que tem a fazer, de facto podemos começar desde já, a assumir que o nosso retrocesso civilazicional será desastroso.

Se é isto que queremos, das nossas crianças, dos nossos jovens, dos futuros adultos, seja.

E com começamos, também e já, a poupar em talhares e pratos e passemos todos a comer com as mãos, e no chão. Comecemos, também, e já, a economizar nas casas de banho, e tal como vemos diariamente com muitos cães “domésticos”, passemos a fazer as nossas necessidades em plena rua, em pleno jardim. E assim sucessivamente!

E ,pronto de selvagens em selvagens, vamos descendo o nível – já tão baixo – até ficarmos à altura dos animais mais selvagens que pela Terra andam. Mas seja, é fixe!

A. Küttner de Magalhães

Um País de mortos/vivos. Será o nosso?

Será que estamos a viver num País de mortos/vivos? Será que perdemos, totalmente, a hipótese de pensar livremente? Que deixamos que os outros, nos façam o pensamento?

Por certo aos que vivemos, antes, em não democracia, não seria um tempo muito diferente do que estamos a viver. E esta nossa democracia, abeira-se, por muito que não parece a uma “espécie de ditaduras”.

Na, de facto ditadura, o voto não é democrático, é controlado pelo poder, e este poder manda como quer. Mas esta democracia em que todos e cada Partido, se fecha em si mesmo, em que todos circulam em torno do seu chefe- de momento, deixou de o ser. Não estamos de facto democráticos. Não!

Estamos num País, em que todos sabemos, antes de eles falarem – Partidos e não só! – o que vão dizer, como vão dizer e quando vão dizer, antes de dizerem – tudo formatado, tudo uniforme, tudo previsível – não é, de facto democracia.

Estamos num País de mortos/vivos, quando não nos deixam ter opinião. Melhor, quando nos fazem a opinião, nos modelam os pensamentos.

Quando, uma qualquer notícia, de mais ou menos ou nenhuma importância, fica a pairar uma semana, depois vem outra na semana seguinte, e o País, os políticos, todos ficam – ficamos, ficamos! – vidrados nessa noticia, e fazem – fazemos –  da notícia o caso da semana, em vez de tratar abertamente dos problemas que farão o País, deixar de ser, de mortos/vivos.

Quando os políticos se preocupam em estar, única e exclusivamente, a tratar em todo o lado, e com todo o respeito por casos que o devam ter, de Eusébio, dos Estaleiros de Viana do Castelo, da medalha do Cristiano Ronaldo, do Inverno no Inverno, dos Miró, dos temporais em cima de um campo de futebol, – tudo que vem parar à actualidade, por sensacionalismo e não por importância! – é muito pouco, é nada, é não andar, é ficar amarrados ao chão, a ver passar os acontecimentos e não lhes dar seguimento.

Enquanto tudo ficar pela espuma dos acontecimentos, e enquanto estes acontecimentos não contribuírem – minimamente – para “resolvermos” os problemas que de facto “o são, e são “ e de interesse e gravíssimos que nos afectam, somos um país de mortos/ vivos.

Enquanto não houver, entre todas as gerações entre-ajuda, progresso de pensamento, mais do que viver um dia de cada vez, estamos perdidos.

Um País de mortos/ vivos não funciona, fica sem futuro e é de, mortos /vivos. Se quisermos ter vontade, coragem e aptidão de “olhar o nosso País” com olhos de ver, somos um País de mortos/vivos, e “isto” é triste, é infeliz, é dramático. Mudemos ou pioremos! A cada dia que vivemos da cada vez, sem democracia, em quase, abertamente ditadura!

Augusto Küttner de Magalhães

Haverá um gap comportamental entre os 20 e os 30 anos?

Não havendo nada de saudosismo nestas palavras e muito menos vontade de viver tempos passados, os actuais, por certo dão-nos que pensar. Aparentemente algo aconteceu, que faz parecer que há um gap comportamental nos jovens, hoje, entre os 20 e os 30 anos.

Como é evidente, se alguém há a responsabilizar – termo, hoje, quase sem conteúdo – será quem, aos mais diversos níveis criou estes jovens.

Quando ao nós, velhadas, parecia que a abertura ao futuro estaria nesta faixa etária, dado que parece não estar nas, hoje, entre os 30 e os 40 anos, tal poderá não vir a acontecer. E os próprios assumem “isto”! E não será unicamente por “de fora” não haver prespectivas alicantes materiais, mas talvez “de dentro” não haja consistência de comportamentos, que ajudem à mudança num tempo tão difícil, como o que estamos a viver.

Parece terem sido, estes jovens, preparados e mentalizados para muito “ter” e pouco “ser”, e tudo no imediato.

Parece que o automóvel, o ipad, o telemóvel, o iphone, o portátil, são a representação do que vale tentar lutar pela vida, e conquistando sempre um melhor.

Parece que a aprendizagem do passado e suas vivências sedimentadas no quotidiano hoje, a ser vivido, com bases planeadas para o futuro, deixou de ter o mínimo de significado.

Parece que o imediato, o material, o viver um dia de cada vez – como se de outra forma possível fosse viver- se sobrepõe a algum imaterialismo, a alguma sustentável construção de “futuros”.

Assim, não havendo que encontrar culpados, por esta situação, que nunca aparecerão – este País e de não-culpados – talvez haja necessidade de fazer com que todos, e aqui já não só estes entre os 20 e os 30, deixem de viver este tempo imediato e materializados do, só “ter”, do uso e prazer imediato, sem princípios!

Talvez um tempo mais elaborado, mais dedicado, com mais respeito pelos próprios e claro por todos os outros, com espaço consentido para a coexistência “pacífica” entre todas as gerações, cada uma com a sua especificidade.

Deixar de normalizar tudo e todos ao mesmo pensamento, às mesmas reacções, quando cada situação gera exactamente o mesmo impulso seja nas igrejas, nos sindicatos, nos políticos, nas governações, na legislação, em tudo e todos, demasiado previsíveis e “inactivos” que não só muitos desempregados.

Ou, não nos vai ser conseguível pensar e viver com mais conteúdo imaterial e até filosófico, com mais leituras, evidentemente sem de forma alguma descartarmos os bens materiais que nos proporcionam um merecido bem-estar e qualidade de vida, mas nunca e só estatuto ou ostentação.

E será de todos tentarmos fazer, um pouco pela mudança positiva – claro mais os jovens, para isso e por isso, também, o são – sem estar sempre à espera que tudo nos apareça feito, como parecendo ser infinitamente possível.

Augusto Küttner de Magalhães

Com quem não vale nem café tomar

Estamos a viver um tempo em que tudo é tão rápido e não poucas vezes tão superfluamente assumido, que implica a mediatização exacerbada de tanto, para tantos e de tantos.

Parece que o mais importante na vida de não poucos, é terem um tempo de televisão – de antena! – que por tão enchido de tantos, passa a ser uma banalização, demasiado banal. Qual telenovela! Nem isso!

E, demasiados actores políticos e não só, se estão a deixar envolver neste folclore – nada mais sabem fazer! Se calhar! – parecendo, nem saber olhar nos outros, na história, nos tempos e ver de tão efémero, tudo é. Ficarão esquecidos ou tão mal lembrados! Tantos!

Sendo que neste imenso mar de pessoas que aparecem em todo o lado , mas com tanta intensidade nas televisões, nas politiquices e não só, claro que os que têm interesse, cultura, competência são cada vez menos, e estes, estranhamente ou nem por isso, são abafados pelos desinteressantes! O nível escorrega e baixa, até cair!

E aqui poderemos pensar, por quem gostaríamos de ser convidados para tomar um simples almoço ou até só um café, para sermos verdadeiros ouvintes, atentos e interessados em quem nos tem algo para contar e ensinar. Bem, cada um por certo terá as suas preferências, e vontades de estar com Pessoas com interesse.

Mas neste leque de políticos e não só, no activo, outros que regressam, outros que se perfilam e mais uns entendidos em tudo e em nada, a escolha será tão, tão reduzida e tão, tão fácil, que só se não tivermos como adquirir um simples almoço ou até um café, é que não teríamos dúvidas em “não” aceitar ser convidados por muitos! Por tantos!

E assim, poucos cafés e pouquíssimos almoços confortáveis como ouvintes teremos. É mau! E não fomos nós que estamos elevados e sabichões, o resto é que caiu…e…a pique!|Não?

Augusto Küttner de Magalhães

Os feriados facultativos acabam todos?

Quanto a feriados o decreto-lei 874/76, depois em parte transposto para o Código de Trabalho, entre outros temas referia-se a uns quantos  – feriados – como obrigatórios e dois como facultativos.

Quanto aos obrigatórios, anda-se a jogar aos cortes de quatro que ainda não nos souberam explicar ao certo quais são e a partir de quando serão cortados, e sobretudo o que irão aumentar na nossa efectiva baixa produtividade.

Ainda não deu para entender se se pensa que a produtividade aumenta única e exclusivamente por se estar mais tempo no local de trabalho, ou antes se houver mais método, pontualidade, assiduidade e organização, do topo à base. Bem, mas quanto aos feriados facultativos que são – até legislação em contrário –  a terça-feira de Carnaval e o dia da Autarquia, aquele ,  foi chamado pelo PM  de “tolerância de ponto” e em dias acabou. E agora já estão dadas ordens para em definitivo ter acabado.

Convenhamos que tratando-se de um Feriado Facultativo bastaria não ser “facultado” e nada mais. Mas deveria ser dito com tempo e não a poucos dias de acontecer. Ou seja no inicio do ano se não tivesse sido possível antes, numa comunicação formal, e talvez bastasse ter sido feita pelo Ministro da Pasta e seria dito que, como facultativo não seria dado – facultado – o Feriado a quem estivesse hierarquicamente dependente de decisor – aqui Estado – , e dentro das empresas privadas seria o empregador que decidiria e com tempo, se não facultaria o feriado facultativo.

E com cuidado e legalidade do Código de Trabalho seria para todo o sempre retirado o Feriado Facultativo para não ser necessário em cada ano alguém ter que vir “comunicar que não era facultado”.

Agora pela mesma ordem de ideias ter-se-á que colocar o mesmo problema ao segundo feriado facultativo que é o das Autarquias, o da Terra, o Santo António, o São João, o São Pedro ou outro Santo. E como vai ser? Corta-se? Não se faculta? Diz-se de véspera? Assobia-se para o lado, dado que algumas localidades já o gozaram, já foi feriado?

Talvez como no aumento tão necessário da nossa produtividade haja necessidade de em tudo ter que mudarmos. Mudarmos de normas, mudarmos comportamentos, mudarmos atitudes, sermos muito pontuais, sermos muito assíduos, sermos cumpridores, sermos programados e não fazermos tudo à última, em cima do joelho.

Por certo se em tudo tiver mais métodos, mais organização, mais principio, meio e fim, não haja necessidade de se perder tanto tempo a falar sobre feriados e a produtividade, e esta aumente efectivamente. Precisamos sem dúvida de mais trabalho, de mais eficiência, de mais produtividade, de mais assiduidade, de muita pontualidade, mas mais, de muita organização.

E o exemplo tem que ser dado por todos que devem – devemos – fazer mais e falar menos, aparecer quando é necessário e não por tudo e por nada. E que tem superiores responsabilidades deve seriamente querer assumi-las, sabendo decidir bem, ou o melhor possível, mas essencial sabendo e querendo tudo explicar-nos.

Augusto Küttner de Magalhães

O reencontrar geracional, é necessário!

As mães/pais com filhas/filhos hoje ,entre os 30 e os 40 anos, na melhor das intenções, com empenho e bastantes sacrifícios tentaram – terão conseguido? – educar/criar os seus descendentes “dando-lhes tudo”. Este “dar tudo” incluiu comida, roupa, educação, estudos – se conseguível de nível superior – férias, automóvel. Muito do que tantos nunca tiveram nas mesmas idades, e tantos, nem mais tarde.

Foi com vontade, com o esforço devido e que deve ser feito, quando se decide ter filhos. Não tenhamos quaisquer dúvidas. Logo, foi bem feito! Terá sido totalmente conseguido, apreendido agora, nesta ocasião de tantas Crises, que não só a financeira?

A todo e cada um, sejam filhos entre os 30 e os 40 anos, sejam seus pais, cabe, com algum possível distanciamento pensar – algo que nos deixam pouco, hoje, fazer – no assunto.

Sendo que, muito do que foi feito por essas mães e pais há 30/40 anos, não vai ser possível ser (re)feito, pelas mães e pais de hoje. Aqui, mais acentuadamente a vertente da crise financeira boicotou essas amplas possibilidades, logo, havendo vontade de filhos ter, tudo será mais longínquo de alcançar. Mas nem tudo é indispensável!

Porém, esta dificuldade em atingir algo que foi dado com amor de mãe/pai, mas talvez demasiado “materializado” vai ter que ser, hoje, e nos anos próximos, substituído pelos valores que se esvaziaram na aflição do “ter”. Do imediatismo com “ter”!

Talvez, seja agora chegado o tempo de refazer “esses” valores que se perderam e que estão na génese das várias crises em que estamos atolados, que não se resolvem – todas – com dinheiro. É necessário muito mais que dinheiro, e também algum, dinheiro! Há mais vida para além da dívida, do deficit e do todo ter que “ter” dá!

Nunca – mas nunca – por obrigação, mas com vontade, pensamento, bom senso e com uma diferente postura – ao momento e não há 50 anos, antes – e ao futuro que se nos vai sendo apontado, será de reconstruir valores – que não existem ou estão mancos – de família – sem qualquer necessária implicação religiosa – por forma a ser feita a ligação intergeracional com “ser e saber”, que está extraviada.

Nunca por obrigação, nem com tempos marcados, mas com possíveis – necessários – tempos presenciais, todas as gerações se devem querer primeiro, e ter de seguida, respeitando-se e apreendendo/aprendendo “isso” umas com as outras, com abertura a uma modernidade constante mas com outra forma de encarar os relacionamentos humanos, que faz a ponte ao passado, passa pelo presente e vai para o futuro. Com mais equilíbrios e muito mais humanismo.

A. Küttner de Magalhães

Os pais devem amar e mandar nos filhos

Demasiada miudagem que hoje está entre os 9 e os 28 anos, foi e é educada, por bondade dos pais, com poucos ou nenhuns “não”.

Por certo, que tal se deve a excessivos “não”, que a geração dos seus avós ouviu, e que por tal, para serem positivamente diferentes, facilitou a vida de seus filhos – pais dos actuais pais- havendo quase nenhumas regras, valendo quase tudo.

E, como regras é algo que alguns, ainda hoje ou até mais hoje, pensam ser a antecâmara de ditaduras, essencialmente de direita, há que aboli-las. Assim, andamos ciclicamente a saltitar entre extremos.

Se no meio é que está a virtude, será mais um frase estafada e em desuso, que não necessariamente tenha que ser seguida, mas, nos extremos de certeza que não está a forma mais aconselhável de se estar na vida.

Assim, o necessário e indispensável amor que os pais têm pelos filhos – ainda para mais num tempo que são quase heróis, os que ainda filhos, hoje, querem ter – não pode implicitamente significar “vale tudo para bem da criancinha”. Não vale! Nunca valeu! Nunca valerá!

Parece que se interiorizou que a criançada tem que estar sempre a ouvir “sim” e nunca “não”. Parece que o “não” pode causar traumas para a vida.

Parece que o ser humano não é por natureza um agregado de contrariedades, que ainda mais complica, e que isso deve ser orientado para seu próprio bem, para o seu futuro, para ter uma concepção desde pequeno de saber ter respeito, respeitar e evidentemente ser respeitado. Menos individualismo, mais sociedade, mais regras, assumidas, mas não excluídas. E claro sempre amor, e carinho, não comprado , antes, “dado”! Claro que brincar, fazer um disparate e um ou outro brinquedo, dá jeito, mas há-os didáticos, e fazem bem a todos, adultos e canalhada.

Está chegado – ou não! – o tempo de o amor de pais ter que ser/estar tão ou mais presente, que implique carinho, afecto, relações de proximidade – de preferência sem televisões, telemóveis, ipad, iphone, pelo meio – mas com respeito, regras, normas para não se expandir a ideia, já tão instalada de que quanto mais “´à balda”, melhor.

Por certo, para tal, haverá cada vez mais necessidade de os pais conseguirem criar com os filhos “tempos e espaços” de convívio, sem os tais aparelhos de permeio. Só pai, mãe, até uns livros, uma bonecada, conversa e proximidade. Pouco que seja por dia, é melhor que nada todo o ano.

Para haver troca de comunicação e informação, carinho, amor, mas respeito consentido e assumido, e mães e pais nunca se demitirem de “mandar”, amigos serão todos, quando já crescidos.

Augusto Küttner de Magalhães

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