Pet For Schools


Parece que a “formação” é mais parecida com aquelas sessões de venda de time-sharings do que outra coisa.

O esforço feito para vender exames e certificados demonstra bem o quanto as escolas públicas são encaradas pelo MEC/Iavé como meras áreas de negócio e mercantilismo, destinadas a sacar dinheiro às “famílias” dos alunos no ensino obrigatório e gratuito.

… porque anda o IAVÉ, com o beneplácito do MEC, a convocar pessoas (incluindo DT) para fazerem formação para o PET em cima dos dias dessas mesmas reuniões e da sua preparação?

Há agora alguma isenção paralela à que conhecíamos?

Mais de metade dos professores de Inglês da zona de Lisboa faltaram hoje ao teste exigido para poderem avaliar a prova do Cambridge School destinado aos alunos do 9.º ano, revelou o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL).

Cerca de quatro dezenas de docentes, selecionados pelos diretores das escolas da área de Lisboa, foram convocados para realizar hoje a prova que os irá certificar para poderem corrigir o PET [Preliminary English Test], uma prova obrigatória para todos os estudantes que frequentam o 9.º ano.

No entanto, mais de metade dos docentes não fizeram o teste: “Na escola Francisco Arruda, dos 25 professores previstos, estiveram apenas 14. Na Escola D. Dinis, dos 15 que entraram, 12 recusaram-se a fazer o teste”, contou à Lusa o secretário-geral da SPGL, António Avelãs.

OS DOCENTES DE INGLÊS  E O TRABALHO ESCRAVO

Com a aproximação da data do PET (vulgo, exame de Inglês do 9.º ano), assistimos mais uma vez à forma vergonhosa como os professores de inglês estão a ser tratados pelo Ministério da Educação. Os professores de inglês (penso) concordam genericamente com a existência de um exame no final do 3.º ciclo. (e não temos medo de seR examinados; que isto fique bem claro). O que é perturbador é o contrato assinado entre o Ministério e a universidade de Cambridge. Tanto quanto sei, houve uma figura no Ministério que teve esta radiante ideia e o Crato engoliu-a sem a discutir e sem a dar a discussão. Isto cheira a mais uma parceria público-privada. O problema é que o sustento desta parceria é o trabalho escravo dos docentes de inglês que, a troco de nada, irão mais uma vez passar largas dezenas de horas entre formação não creditada e pouco digna, correção de testes e realização de provas orais com deslocação gratuita. No ano letivo passado, o Cambridge, que divulgou os resultados com pontualidade muito pouco britânica, responsabilizou os docentes pelo atraso na divulgação. Que vergonha.

Todos sabemos que apenas a nata da nata se candidata a estes certificados que, no privado, custam cerca de 65 euros. Ora, com esta parceria Cambridge consegue chegar a milhares de alunos portugueses do ensino público, que poderão assim obter o certificado a preço de saldo (25 euros para alunos que não têm escalão), e encher os bolsos. E o nosso Ministério? O que ganha Portugal com esta parceria? A qualidade da marca Cambridge? E porque não a marca Oxford? Oxford é para mim uma marca com mais valor porque não é mercantil como Cambridge e não tem o cunho conservador desta última. Qual será o próximo passo? Obrigar os professores a usar uma t-shirt de Cambridge durante o exame?

Mas não tornemos isto demasiado ideológico. O que importa mesmo é que os professores portugueses não deveriam trabalhar de graça para uma universidade britânica que não quer esses mesmos professores a trabalhar nas suas escolas de línguas espalhadas por aí como cogumelos. Se não somos bons para lecionar inglês nos institutos, como é que somos bons para corrigir os exames? Os professores querem formação atempada (não ‘em cima do joelho’,  convocados com menos de 48 de antecedência) e exigem ser pagos por um trabalho extra-horário. Trabalhar gratuitamente, não. Nem para o fantoche do Crato, nem para Cambridge.

Parece que a universidade de Cambridge descobriu o pote das moedas na ponta do arco-íris (neste caso, Portugal, que, não esqueçamos, fornece o P à designação PIGS, como são conhecidos os países do sul da Europa). Só espero que este contrato não leve ninguém para a cadeia de Évora, onde se encontra um recluso (com dinheiro suficiente para oferecer certificados a todos os alunos portugueses) que aguarda com impaciência feroz o aparecimento de alguém que lhe dê formação em língua inglesa, pois o seu inglês técnico já se encontra muito enferrujado.

(Corre-se o risco, mais uma vez, de se usar o PET para achincalhar o ensino de inglês público em Portugal. Na verdade, este exame também oferece as maiores dúvidas a nível pedagógico, pois no que diz respeito ao funcionamento da língua (gramática), por exemplo,  o programa da escola pública não prepara os alunos para este tipo de exame; o mesmo não acontecendo no ensino privado, nos institutos e escolas de línguas, onde os alunos são ‘catequisados’ para a tipologia de exercício do PET, através da realização de centenas de exercícios semelhantes)

Gritemos: WE ARE NOT CAMBRIDGE!

Noel Petinga Leopoldo

De: DGEstE – Sistema de Informação <dgeste.informa@dgeste.mec.pt>
Data: 12 de março de 2015 às 19:28
Assunto: PET for Schools – Informação
Para:

Exmos. Senhores Diretores de Escola/Agrupamento de Escolas

Exmos. Senhores Presidentes de CAP
 
Por solicitação do Senhor Presidente do Conselho Diretivo do IAVE, Dr. Helder de Sousa, anexo a informação infra.
 
Com os melhores cumprimentos,
José Alberto Moreira Duarte 
Diretor-Geral dos Estabelecimentos Escolares
 
 
Assunto:       PET for Schools – Informação
 
A aplicação e a classificação dos instrumentos de avaliação é um dos deveres funcionais dos professores que para tal têm direito a formação destinada ao aprofundamento e aquisição de novos saberes.
A formação dos professores de Inglês para o exercício da função de classificador do teste PET integra, para além da informação necessária, diversos procedimentos que visam garantir a qualidade do processo de classificação e de aplicação dos testes.
Tratando-se de um teste que permite uma certificação reconhecida internacionalmente, esses procedimentos são aplicados em todo o mundo, pois sem o cumprimento rigoroso dos mesmos, os resultados não são considerados válidos e os certificados não podem ser emitidos.
Para garantir essa validade é necessário uma uniformização de todos os procedimentos, não só os que respeitam à aplicação dos testes e à sua classificação, mas também os que definem o perfil dos professores envolvidos no processo.
É neste contexto que se enquadra a realização do Cambridge English Placement Test (CEPT) pelos docentes que não possuam um certificado equivalente ao nível C1 ou superior, reconhecido por Cambridge English Language Assessment, a única entidade responsável pela emissão dos certificados.
O envolvimento dos professores de Inglês é essencial para garantir a aplicação e a classificação do PET, o que permitirá que muitos alunos possam alcançar um certificado que apenas tem sido acessível a uma elite, por norma residente perto dos grandes centros urbanos.
 
Como complemento a esta informação, enviamos o Comunicado de Imprensa de 11 de março.
Agradecemos a atenção.
 
O Conselho Diretivo do IAVE
 
 
Comunicado de Imprensa
Certificação linguística dos professores classificadores
para aplicação e classificação do Preliminary  English Test (PET)
 
Assegurar a aplicação do PET é garantir uma oportunidade para uma diferenciação positiva na certificação dos alunos, pela relevância que terá no seu percurso pessoal, académico ou profissional, ou seja, uma mais-valia para o país a que, naturalmente, se pretende dar continuidade.
A elaboração e a aplicação dos testes de Cambridge English Language Assessment estão sujeitas a normas e procedimentos rigorosos, definidos e controlados pelos Awarding Boards do Reino Unido. Da comprovação do cumprimento destas normas e procedimentos depende a possibilidade daquela instituição produzir resultados e certificados válidos e internacionalmente reconhecidos.
A aplicação do Preliminary English Test (PET) está sujeita ao cumprimento daquelas normas, designadamente a frequência de um programa de formação e a certificação linguística formal dos professores classificadores que terão a responsabilidade de aplicar e classificar os testes dos alunos. Os professores classificadores que comprovem ter certificação linguística válida, equivalente ao nível C1 ou superior, estão dispensados da realização do Cambridge English Placement Test (CEPT).
Não está em causa a validade das licenciaturas, dos mestrados ou dos doutoramentos ministrados pelas universidades portuguesas, pois a realização do CEPT é uma prática comum a todos os países onde as formações académicas dos docentes não conferem uma certificação linguística internacionalmente reconhecida.
Convirá realçar que também a formação dos professores classificadores responsáveis pela classificação dos exames nacionais do ensino secundário, em vigor desde 2010, obedece a procedimentos de certificação que incluem a realização de um teste e a produção de um relatório. Esta formação apresenta fortes semelhanças com o programa de formação dos professores de inglês classificadores do PET.

Lisboa, 11 de março de 2015

Facultada pela colega H. R.

IDENTIFICAÇÃO PESSOAL…..

  1. No passado dia o professor foi informado que o Diretor do Agrupamento xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, fazendo uso das suas competências ao abrigo do anexo do  ponto 1 do Artº 13 do Despacho nº 2179-B/2015, a designou como docente a certificar por Cambridge English Language Assessment comoExaminer e faria parte da bolsa de classificadores do teste Preliminary English Test for Schools (doravante designado por PET). Desta designação, e de acordo com o Despacho acima referido, o professor passa assim a estar obrigado:

1.1.à frequência e conclusão de um programa de formação em data e local ainda desconhecidas (Artº 14 do Despacho nº 2179-B/2015);

1.2.classificação dos testes PET que lhe vierem a ser atribuídos  (Artº 12 e 16 do Despacho nº 2179-B/2015);

1.3.a realizar as sessões da parte oral do teste PET num número de  sessões ainda desconhecida, sendo que cada uma terá a duração máxima de três horas e trinta minutos e decorrerá em estabelecimentos de ensino, obrigatoriamente, diferentes do da professora classificadora(Artºs 8 e  16 do Despacho nº 2179-B/2015).

  1. O artigo 15 do Despacho nº 2179-B/2015 refere, na sua alínea c) do ponto 2, que os professores classificadores terão “direito a usufruir de equiparação a serviço letivo, sempre que designado pelo seu diretor para a realização das sessoões da parte oral do teste, caso não seja possível a sua realização durante o período da componente não letiva”. É convição do professor que as atividades preconizadas como Classificador não poderão ser consideradas como componente não letiva, de acordo com o artº 82 do ECD.

Por tudo o que foi exposto anteriormente no ponto anteriror entende o professor  que as funções inerentes ao cargo de Classificador do teste  PET não têm enquadramento legal no Estatuto da Carreira Docente, nem recorrendo ao âmbito das tarefas previstas para a componente letiva, nem  da componente não letiva (ECD, artºs 76, 77, 78 e 82) pelo que só poderiam ser desempenhadas em regime de voluntariado ou como trabalho extraordinário(ECD, artº 83, ponto 1 e 6) e ser remuneradas como tal.

Assim, e na sequência do parágrafo anterior, o professor declara-se como não voluntário para as funções para as quais foi designado no âmbito aplicação, classificação e certificação do Preliminary English Test for Schools. Como tal, solicita a anulação da designação dos docentes a certificar por Cambridge English Language Assessment como Examiner, que, a acontecer, o fará integrar a bolsa de professores classificadores do teste PET.

Caso a sua pretensão não seja atendida, solicita esclarecimentos oficiais sobre a o enquadramento legal para o desempenho das funções de classificador  no âmbito do Estatuto da Carreira Docente.

Consta que a convocatória chegou ao fim do dia e com menos de 48 horas (reais) de antecedência, pois é para 4ª e 5ª feira, dando dispensa a quem foi seleccionado, tenha ou não tarefas marcadas (reuniões, testes, etc). Parece que requer auriculares levados de casa.

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