Zeitgeist


Estou longe, mesmo muito longe, de apreciar o anterior PM.

Mas… não posso deixar de reparar que muitos dos que defendem que toda a sua vida financeira e fiscal deve ser do domínio público, mesmo com as investigações sobre ele em segredo de Justiça, são os mesmos que defendem que qualquer detalhe sobre a vida financeira e fiscal do actual PM e outras “personalidades” deve ser mantida sobre reserva em nome do “direito à privacidade”.

A favor da teoria de MST no Expresso de ontem está a sua coerência nos últimos anos, a qual passa por defender a maioria dos poderosos-mesmo-poderosos com problemas com a Justiça (Sócrates, Salgado, Passos Coelho), apenas se continuando a mostrar feroz como outrora com os varas miúdos.

No meu caso, acho que a casta política que se perpetua e reproduz no poder nas últimas décadas deve estar sujeita ao mesmo tipo de escrutínio público que existe em outras democracias que nos apontam como modelares. Lá fora, até republicanos empedernidos como o Jeb Bush se afastam de todos os cargos que ocupam no sector privado quando se decidem por uma eventual candidatura presidencial. E atenção que estamos a falar de alguém que representa mesmo uma das linhagens políticas mais conservadoras da sociedade americana.

Por cá, quem vai para a “vida pública”, gerir a “coisa pública”, faz tudo por manter-se em todos os seus poisos habituais, por manter “privada” a sua vida profissional e fiscal, não compreendendo que é isso que nos faz suspeitar quase de imediato que algo de estranho se passa, em especial quando a implementação de “filtros” coincide no tempo com a revelação de pormenores maiores sobre incumprimentos diversos das obrigações de certas figuras que se querem exemplares e que afirmam que os “pol+iticos não são todos iguais”.

Se não são, demonstrem-no.

… desigual e desinteressante para a comunicação social, pelo que, segundo MST, não careço de qualquer protecção especial perante os funcionários da Autoridade Tributária, podendo os meus dados ser objecto de devassa sem que nenhum alarme toque.

A prosa do escriba do Expresso está a levantar entusiasmos em pessoas mais e menos inteligentes, mas quase todas com tons políticos na gama alaranjada.

Citando uma parte suculenta:

EXp21Mar15bExpresso, 21 de Março de 2015

Os entusiastas desta teoria cometem um erro básico, sendo que de MST eu já o esperaria porque papagaio velho só aprende repetições, e que é o seguinte: deve um filtro que alguns dizem não existir proteger apenas alguns por serem mais “comerciais” para a comunicação social ou proteger todos de acessos indevidos?

Não me digam que isso é impossível.

Por duas razões simples:

  • Se os Zés dos Anzóis despertam pouca atenção, gerariam poucos alarmes adicionais, pelo que não colhe o argumento de que isso seria impraticável.
  • Quem diz a MST e aos seus apaniguados que o acesso aos dados dos Zés dos Anzóis não existem em situações muito mais problemáticas para os ditos, exactamente por não serem públicas?

O que MST e muitos democratas e entusiastas da privacidade constitucional parecem esquecer é que o “sistema” deve proteger TODOS os contribuintes da mesma forma e se os dados são para manter em privado, os mesmos só deverão ser objecto de acesso em situações justificadas para TODOS os contribuintes.

Quanto à casta política dominante, numa democracia consolidada a sério, são obrigados a apresentar publicamente os seus dados fiscais pois a coisa pública não deve ser gerida por quem tenha uma relação opaca com o aparelho fiscal que usa para exigir o que não sabemos se pratica.

Dito de outra forma, para qualquer pessoa medianamente dotada de inteligência perceber: alguém que defenda valores morais e éticos fundamentalistas para os outros deve ser escrutinado se os pratica. Assim como quem defende que os países e cidadãos devem pagar as suas dívidas em devido tempo deve demonstrar que o faz na sua vida pessoal.

Isto não é uma devassa da privacidade… é um mecanismo de controle sobre a credibilidade daqueles que se candidatam a governar-nos.

Quanto a “filtros”, repito… devem servir para proteger TODOS, incluindo os Zés dos Anzóis que podem ser chantageados sem que a comunicação social (e o MST) se preocupe com eles.

Mas, pelos vistos, para MST e os apressados a igualdade é outra coisa.

Um PM (apenas ele no Governo?) com uma carreira contributiva atribulada (mas nada de ilegal, claro…) e que a considera um “assunto privado”.

Funcionários do fisco que são objecto de processos disciplinares por terem alegadamente consultado processos de contribuintes específicos.

Uma lista de nomes que, alegadamente (claro, claro), ao serem consultados disparariam alarmes no sistema informático.

Obsessing over the perfect social media post is ruining your life, study says

Agradecendo a referência ao Livresco.

… perceber que os sistemas que se elogiam têm padrões de exigência muito mais elevados.

Por cá, faz-se uma escolha muito oportunista do que se entendem ser as regras básicas de transparência de uma democracia liberal. Claro que seguindo as prédicas do guru Espada não se vai muito longe,, pois apenas se ganham tiques.

Por lá, até um trabalho se sopro debaixo da mesa deixa de ser assunto pessoal para se tornar objecto de luta política durante anos.

Por cá, andar quase uma década com inconsciência fiscal parece assunto menor, incluindo entre opinadores tão atentos a outras minudências políticas que recuam logo nestas matérias,, vá-selá saber porquê.

Exp14Mar15

Expresso, 14 de Março de 2015

Ó VAROUFAKIS, GOSTAR DE VIVER É UM ESCÂNDALO

Antes era o cachecol, agora é a cara-metade com dois palmos de cara (e três de anca e perna) e um terraço com menos de 20 metros quadrados a avaliar pela foto…

Rai’s parta que o homem não pode ter nada…

Mobile Lovers

José Augusto Lopes Ribeiro Março de 2015.
Escola Sá de Miranda – Braga

A narrativa mítica conta-nos que Narciso se afogou nas águas quando observava a sua própria imagem refletida no lago. Nos nossos dias é o ecrã que serve como espelho para a hiper-subjetividade e o indivíduo encontra nas novas tecnologias o deslumbramento da extensão ilimitada de si próprio.

O prolongamento da sua imagem através do uso contínuo da parafernália tecnológica converte o ser humano numa espécie de servomecanismo. As modificações a nível afetivo, cognitivo, social e de relação com o mundo transportam o seu ser para um universo onírico e, como alerta McLuhan, a pessoa mergulha num estado de entorpecimento, de insensibilidade e de desrealização.

O mundo é oferecido em estado líquido e a satisfação é imediata. O  indivíduo deixa de se confrontar com obstáculos, a realidade virtual não tem atrito, não exige esforço. Trata-se de um universo plano, limpo e irresistível, onde a liberdade é total e o prazer intenso. Os jovens tornam-se imediatamente vítimas da omnipresença da tecnologia e encontram no computador e, principalmente, no telemóvel um universo artificial que lhes permite escapar ao mundo da vida e à autoridade do adulto (pais e professores), o fosso geracional aumenta através do fosso tecnológico.

Intoxicados pelo uso acrítico e compulsivo do telemóvel, os jovens sofrem a narcose de Narciso, o ego está deslumbrado consigo mesmo, com a extensão de si próprio através do potencial ilimitado que a tecnologia possibilita. O mundo já não é real e a verdade está noutro lugar: Narciso torna-se o detentor da verdade e do poder.

Agora é impossível educar. O jovem, entregue a si próprio, já não está disponível para ser incomodado, tudo lhe é permitido. Munido dos super poderes que o telemóvel lhe confere ele está pronto para aniquilar qualquer intrusão nos seus domínios. Fascinado perante as águas deste “mundo líquido” contempla uma imagem de si distorcida pela tecnologia. Narciso é um “deus menor” e o telemóvel um gadget de destruição massiva.

A primeira versão das informações sobre a prova específica para professores de Física e Química que o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgou este mês, com exemplos de questões, destinada aos docentes que vão fazer a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC), continha erros e imprecisões, pelo que teve de ser substituída. A denúncia foi feita no blogue Aventar e confirmada ao PÚBLICO pelo antigo coordenador da divisão de Educação da Sociedade Portuguesa de Física. O Conselho Directivo do IAVE limitou-se a responder ao PÚBLICO que “a informação-prova disponível é aquela que o Iave reconhece como válida”.

A mim interessa residualmente quem é que grafa menos bem. Porque só alguém muito distraído é que acreditaria que a igreja do santo iavé é frequentada apenas por grafadores imaculados. Algo que até se consegue com qualquer corrector ortográfico, não necessitando o escriba de estar ao nível de um aluno examinado do 4º ou 6º ano, bastando-lhe ser quase alfabeto

O póbrema a sério é se algum dia o Iavé tiver a coragem de revelar quem são os seus “especialistas” e ainda descobrimos certas coincidências e desconformidades em matéria de ética aplicada ao coiso público e privado.

Eu não sei de nada, em concreto, pois tudo o que escrevo é em abstracto e em tese hipotética do tipo suponhamos só para efeitos de especulação e contribuição construtiva para evitar que alguém, inadvertidamente, ande a explicar para o que ajudou a fazer.

Fiquemo-nos assim e evitamos processos e notas explicativas.

Porque nem sei se assinam contratos publicitários de exclusividade com a igreja.

Nova administração, nova vaga de exonerações, demissões, nomeações. Por acaso, não via o Nuno Artur Silva a meter-se numa coisa destas…

Administração demite directores de informação da RTP e RDP

Apenas 15 em 23 alunos que me deveriam entregar, nas últimas 2 semanas, o guião de O Rapaz de Bronze o fizeram.

Há um terço da turma a quem o futuro é capaz de sorrir.

Sol6Mar15

Sol, 6 de Março de 2015

O que é giro em PPC é a forma como as justificações vão evoluindo.

Não melhora grande coisa:

dis·trac·ção |àç|
(latim distractio, -onis, divisão, deparação, discórdia, desunião)

substantivo feminino

1. Falta de atenção.

2. Irreflexão.

3. Esquecimento.

4. Concentração de espírito.

5. Abstracção.

6. Divertimento, recreio.

7. Desvio de valores.

8. Acto de pessoa distraída. = DISTRAIMENTO

9. Divisão ou separação do que estava junto ou concentrado.

“distracção”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/distrac%C3%A7%C3%A3o [consultado em 06-03-2015].

Basta-nos gente que não se refugie em amnésias convenientes e inconsciências inconsistentes.

Churchill, antes de resistir ao desvario imperialista e racista de Hitler foi, ele próprio e em outra escala e contexto, um imperialista e dificilmente não o consideraríamos racista em relação a África.

Basta-nos é alguém que saiba superar as suas insuficiências do passado e se erga à altura de cada momento histórico, compreendendo que os tempos mudam e quais são as suas circunstâncias.

Infelixmente, o nosso actual PM apequena-se a cada dia que passa com a sua forma confrangedora de encarar o seu passado, típico de um certo arrivismo politico jotista. Não é muito pior, nem muito melhor, do que tantos outros que lhe apontam o dedo.

Bastaria muito pouco para ser diferente, bastaria saber assumir-se sem lamechices, sem queixumes, sem qualificar como pérfidas maldades coisas perfeitamente comuns na luta política enlameada de que fez e faz parte o seu discurso recente, ao fechar as jornadas para lamentar do seu partido.

E como nunca pretendi governar um país na base de uma honestidade e pureza de princípios, afirmando que nem todos somos iguais aos que não cumprem as suas obrigações fiscais e não pagam as suas dívidas em devido tempo, será que posso passar uns aninhos sem descontar para a CGA?

Posso ter essa liberdade de escolha, digo, opção?

Garanto que sou liberal desde piquinino e leio Hayek sempre antes de dormir e o Friedman ao amanhecer.

Ver e ouvir a argumentação do Menezes JR. na SICN e do Marco António (ex-vice do Menezes Sr. em Gaia) torna-nos mais estúpidos só pelo mero (f)acto de os ouvirmos.

Nem para desmontar as parolices e as mistificações mal disfarçadas vale a pena perder tempo.

… mesmo se de outra natureza do caso do nosso PM.

Hillary Clinton está a ser criticada nos EUA por ter usado o seu mail pessoal para tratar de assuntos de Estado. E é em especial porque esse tipo de correspondência deve ficar no domínio público para efeitos de arquivo, nem sequer é por questões de segurança…

Claro que por cá os arautos das democracias liberais se esquecem de uma série de deveres dos governantes, em termos de transparência da sua vida presente e passada. E até mesmo da futura, porque nunca se sabe o que se pode vir a ganhar com base no que se decidiu enquanto governante.

Por tudo isso, o actual PM alegar que a sua vida fiscal é um assunto de “ordem pessoal” é de quem tem destas coisas uma visão adequadamente opaca.

Até setembro de 2004, altura em que a Fomentinveste o contrata como diretor financeiro e que começa a fazer os respetivos descontos, Passos acumula uma série de trabalhos, quase todos como consultor:

  • 1997 a 2001 – Vereador sem pelouro na Câmara da Amadora
  • 2003-2004 – Diretor do Departamento de Formação e Coordenador do Programa de Seminários da URBE – Núcleos Urbanos de Pesquisa e Intervenção (Trabalho Independente)
  • 2001-2004 – Consultor da LDN (Trabalho Independente)
  • 2000-2004 – Consultor da Tecnoforma S.A. (Trabalho Independente)
  • 2004 – Administrador não executivo da ALL 2 IT
  • 2004-2009 – Docente do curso de Turismo no Instituto Superior de Ciências Educativos em Lisboa
  • 2004-2006 – Administrador Financeiro da HLC Tejo, SA
  • 2004-2009 – Administrador-delegado da Tejo Ambiente, SA

Eu tive de apresentar uma declaração em como não tinha dívidas à Segurança Social, mesmo sendo funcionário do Estado, quando fiz a biografia do Afonso Costa para a Assembleia da República e um tipo pode chegar a PM sem ter de prestar quaisquer contas?

… o que as últimas semanas “europeias” demonstraram não foi o “triunfo da política”, no seu sentido mais nobre de debate público sobre diferentes vias de encarar a governança europeia, mas sim o triunfo da real politik em que os governos europeus alinhados com o centralismo burocrático formaram uma espécie de cartel e fizeram com que as “alternativas” gregas ficassem isoladas e sem capacidade para se impor.

A visão mais negra diz-nos que isto foi um apertão de calos destinado a demonstrar aos eleitores de vários outros países que não serão toleradas “alternativas” ao que mandam os junckers e jeorens, mandatados pela ângela para meter todos no espartilho, pelo que devem votar onde lhes mandam os centrões confluentes. Incluindo o socialismo à hollande&assis.

A visão mais benigna dirá que este confronto foi o início de uma inversão de tendência e que apesar dos resultados muito escassos para o actual governo grego as sementes foram lançadas para um futuro diferente a nível europeu.

Seja como for, isto tem para mim tanto de democrático, pela forma de funcionamento, como o bom e velho centralismo democrático de inspiração soviética. Ambos os modelos baseiam-se no princípio hegeliano da síntese a partir da oposição tese/antítese, mas neste caso ela acaba sempre por esmagar e abafar as minorias.

Claro que podemos esperar (recostados) por um grande levantamento dos povos, mas por cá a revolução costuma avançar, mais tarde ou mais cedo, em direcção ao centro e quem desalinha é porque é radical-cripto-fascista-estalinista.

 

Há aqueles marrões, tipo Passos, que detestam quando aparece alguém na turma que não se limita a decorar o que os professores dizem e se queixa quando alguma criatividade corre o risco de ser recompensada.

E há aqueles malandrecos, tipo Tsipras, que querem fazer mil e uma tropelias e exibir-se para a plateia, mas que se começam a lamuriar mal levam a primeira falta disciplinar e recado para casa.

 

Passos Coelho parece não ter percebido isso.

Para além de que o que os serviços da Segurança Social dizem aos cidadãos que são surpreendidos com alegadas (e nem sequer reais) dívidas é que estão obrigados a conhecer as suas obrigações, não sendo necessário serem notificados para terem de pagar.

Mas, por outro lado, reconheço que o cidadão PPC deve ter ganho muito pouco naqueles anos pois eu, em período bem menor, acumulei uma dívida virtual (porque, afinal, sempre fizera os meus descontos, eles é que se enganaram) bem maior.

Eu até faria as contas, mas assim de cabeça aquela dívida de 4000 euros, se contém juros de mora, para 5 anos de contribuições por pagar, deve dar salário mínimo.

Página seguinte »