Profundezas


… frequentado por elites locais, das políticas e das empreendedoras. Daquelas que mudam de automóvel a cada vaga de subsídios para fazer e desfazer obra ou a cada mudança de PDM.

O nível de análise política é de uma profundidade tão grande que fica tipo verniz nas unhas de senhora. O que vale é que o galo de cabidela compensou.

Só sobraram os ossinhos… e algum molho.

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“A lei do OE para 2013 está neste momento a ser analisada com todo o cuidado, é uma lei muito complexa, tem cerca de 250 artigos, o Governo levou vários meses a preparar o orçamento, a Assembleia mais de um mês a discuti-lo”, afirmou Cavaco Silva aos jornalistas, à margem da apresentação de um projeto de judo de inclusão social, em Lisboa.

O chefe de Estado reiterou que não cederá “a nenhuma pressão” e disse que o Orçamento “é apenas uma das 20 leis e decretos” que está neste momento a analisar.

“Tomarei a decisão tendo em conta os pareceres jurídicos aprofundados que mandei fazer e tendo em conta a minha avaliação do superior interesse nacional”, afirmou.

O João Dias da Silva está em grande forma:

Pode-se faltar e ter sucesso e faltar e não ter sucesso.

Poizé!

La Palisse!

Ao fim de seis meses de insurreição, cinco dos quais apoiados por persistentes bombardeamentos da NATO, os contra-revolucionários tomaram a capital da Líbia. No assalto a Tripoli, a Aliança Atlântica e os mercenários e fundamentalistas islâmicos afectos ao Conselho Nacional de Transição (CNT) mataram tantas pessoas como as vítimas civis estimadas pelo governo líbio durante todo o conflito. […]  A queda de Tripoli é uma derrota para todos os progressistas e amantes da paz, mas não a sua rendição ou deserção da luta contra a barbárie.

Estranho quando leio ou ouço falar acerca de projectos, quando do que se trata é de pessoas. Não percebo esta transformação, por vezes para lá de linguística, que despersonaliza os indivíduos ou grupos de indivíduos, por forma a transformá-los em variáveis de um projecto.

Talvez seja assim mais fácil lidar com as situações, esquecendo que são pessoas que estão em causa e não casas, estudos, experiências, peças. São pessoas, individuais, com rosto, aspirações próprias, com quem é preciso dialogar, que é preciso conhecer.

Os projectos são ideias, teorizações, idealizações, que se tentam implementar sem atender a circunstancialismos, às especificidades. Talvez assim seja mais fácil para quem só atende aos seus objectivos e desejos. Dificilmente é algo equilibrado, pois há quem projecta e quem tem de se adaptar ao projecto.

O projecto não pode preceder as pessoas. As pessoas é que interessam e o projecto só se constrói com elas, em diálogo, construindo a partir delas. Não apresentando o fa(c)to pronto a vestir e, se encaixas tudo bem, se não encaixas, ou fazes por encaixar, ou desencaixas e vais à tua vida.

Estou cansado de ler e ouvir falar em projectos e objectivos. Falem em pessoas. Com as pessoas. Olhem para dentro delas. Só construam os projectos depois. Afinal a vida não é o mesmo que brincar aos legos.

Não há nada que agrade mais a quem se julga fadado para algo do que sentir-se insubstituível. Nada tilinta mais aos ouvidos de um pintodacosta ou joãojardim (para ir aos casos mais extremos de sucesso decrépito) do que uma vaga de fundo que sussurra ou brame que se é insubstituível e que sem nós o mundo descamba e desfalece.

A alguns mais discretos, bastam algumas vozes a assinalar essa mesma impossibilidade de substituição de quem é o homem (ou mulher… lembremo-nos de MLR!) providencial para um determinado lugar ou função.

A verdade é que a função ou o lugar é que podem ser insubstituíveis, quem a(o) ocupa não. Podem ocupá-lo melhor ou pior, mas a verdade é que as estrelas continuarão no céu e o orvalho nas ervas e flores nas manhãs mais bonitas.

Mas os que são grandes – e pequenos – líderes acham mesmo que são insubstituíveis. Não são. Ninguém é, para além de um certo contexto que eu quase limitaria aos afectos, e só gente ingénua, arrogante ou desligada da realidade pode pensar que é insubstituível, no sentido de tudo parar ou ficar irremediavelmente inclinado caso esse alguém não faça o que se espera dele(a) ou o que querem que faça ou ele(a) quer fazer e precisa de um pretexto para.

A consciência de que somos transitórios, pontuais, ocasionais e que raramente, muito raramente, a nossa individualidade vai para além do temporário é muito importante. É quase tão importante quanto a consciência de que um dia morreremos e – grande m****!!! – o sol nascerá no dia seguinte e nós não o poderemos apreciar. Sei do que falo, porque já há muito (cortesia da perda de muitos familiares próximos em idade precoce) percebi que quase todos somos substituíveis no nosso papel ou função, mesmo se com a morte ainda tenho uns problemas a resolver que a leitura dos velhos contos do Woody Allen não resolveram, excepto aquele em que se abre a hipótese de jogarmos às cartas o nosso destino com a ceifeira.

Agora quanto à vida social, política, cultural, económica, etc, o maior erro -e que muitos males causou no passado – foi a da crença de se ser insubstituível e de se ter uma espécie de destino marcado com a História Grande ou pequena.

É um erro.

Nos tempos que vivemos, de desnorte, este erro é comum, porque numa época de gente pequena, ao olhar-se à volta, qualquer pigmeu se julga gigante ou quase.

(e nada disto, repito, nada disto, tem a ver com o facto do meu novo cartão do cidadão me ter atribuído mais dois cm de altura do que o meu vetusto bi).

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