Estranho quando leio ou ouço falar acerca de projectos, quando do que se trata é de pessoas. Não percebo esta transformação, por vezes para lá de linguística, que despersonaliza os indivíduos ou grupos de indivíduos, por forma a transformá-los em variáveis de um projecto.

Talvez seja assim mais fácil lidar com as situações, esquecendo que são pessoas que estão em causa e não casas, estudos, experiências, peças. São pessoas, individuais, com rosto, aspirações próprias, com quem é preciso dialogar, que é preciso conhecer.

Os projectos são ideias, teorizações, idealizações, que se tentam implementar sem atender a circunstancialismos, às especificidades. Talvez assim seja mais fácil para quem só atende aos seus objectivos e desejos. Dificilmente é algo equilibrado, pois há quem projecta e quem tem de se adaptar ao projecto.

O projecto não pode preceder as pessoas. As pessoas é que interessam e o projecto só se constrói com elas, em diálogo, construindo a partir delas. Não apresentando o fa(c)to pronto a vestir e, se encaixas tudo bem, se não encaixas, ou fazes por encaixar, ou desencaixas e vais à tua vida.

Estou cansado de ler e ouvir falar em projectos e objectivos. Falem em pessoas. Com as pessoas. Olhem para dentro delas. Só construam os projectos depois. Afinal a vida não é o mesmo que brincar aos legos.