No post anterior fiz uma ligeira comparação entre o desempenho de três escolas 2/3 do concelho onde lecciono. Deixei de fora uma que é TEIP e outra cuja posição sobre a ADD é menos clara. Usei apenas 3 casos, com situações bem definidas. Desde logo, seria curioso analisar a situação do tal grupo dos 13.

Nos comentários ao post fui objecto de, pelo menos, duas acusações de desonestidade intelectual, coisa que muito me divertiu pelos termos em que foram colocadas.

  • O zecarlos acha que eu escolhi casos convenientes e que ele seria capaz de fazer o mesmo, mas na inversa. Pena que não tenha feito e demonstrado o seu ponto. Longe de mim dizer que a ADD foi prejudicial em todos os casos. Apenas posso falar dos que conheço. Não me alonguei por quintais alheios. Mas o que encontrei parece demonstrar que, mesmo eu não acreditando nelas, as brujas andam por aí.
  • Maria Campos, o(a) já mítico(a) comentador(a) do Umbigo, faz algo melhor e mais fascinante: alega que, afinal, há muito mais factores a ter em conta na análise do sucesso dos alunos do que a ADD (descoberta da pólvora molhada!) e que não é em dois anos que a implementação da ADD produz resultados palpáveis (descoberta da pólvora cremosa!). O curioso é que o PAM deu resultados logo num ano e até atingiu níveis de ensino em que ainda não tinha sido implementado quando os resultados dos exames de Matemática no Secundário subiram em 2008, o mesmo se passando com o PNL, quando o sucesso em Língua Portuguesa quase chegou aos 102%.

Se há coisa perfeitamente comovente e tocante é como alguns aspirantes a spin-doctors (falo em MC, obviamente) usam os argumentos e as lógicas do tubérculo a gosto.

Vamos lá então ser honestos do ponto de vista intelectual e atender a um par de questões:

  • Se o modelo de ADD se destinava a melhorar o desempenho dos professores e foi apresentado como um instrumento essencial para promover o sucesso educativo e premiar as melhores práticas docentes, como é que se entende que quem o defendeu apareça agora a dizer que, afinal, afinal, não é bem assim, que demora tempo e tal?
  • Assim sendo, como se compreende então que o modelo de ADD – que precisaria notoriamente de entrar em velocidade de cruzeiro para dar (bons) resultados, a acreditar nas marias campesinas – tenha sido objecto de um prolongamento do regime simplificado pelo terceiro ano?