Língua De Trapos


… e ainda se percebe menos porque, ficando abismados com o vocabulário torrencial, nem dá tempo de ir ao dicionário novilinguês do pós-pós-modernês.

Em qualquer das circunstâncias o riso é resiliente e não raro fica em transição para a paródia disruptiva, numa perspectiva de dinâmica jocosa.

Até porque isto se consegue dizer em duas ou três frases relativamente simples, mas não seria o mesmo, não se daria o ar de intelectual da alfarroba murcha.

O secretário de Estado da Cultura falava num seminário internacional sobre “Porto, Cidade em Transição” organizado pela Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, com o objetivo de “levantar questões, provocar ideias, despertar diálogos e partilhar saberes para criar conhecimento sobre o que é o conceito de ‘Cidade em Transição'”, um novo modelo de organização social com mais de 100 comunidades espalhadas atualmente pelos cinco continentes.

Para Barreto Xavier, este movimento centra os seus conceitos em “território abstrato” — resiliência e transição -, o que, em seu entender, é “um dos vícios de alguns movimentos contemporâneos, que em vez de se imbuírem de valores substantivos imbuem-se de valores abstratos”.

“Não estou a dizer que a abstração não tenha uma relevância substantiva. O que eu quero com isto dizer é que há outros valores e lembro três pilares do movimento Permacultura que são o cuidado com a terra, cuidado com as pessoas e repartir os excedentes. São valores substantivos, valores que remetem para objetivos de vida social”, sustentou.

Barreto Xavier entende, por isso, que “valores como a transição ou a resiliência são dinâmicas necessárias, mas que não nos levam a uma orientação para resultados”.

Este Duarte Marques?

A sério? O comunicador virguloso?

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Os alunos do Ensino Básico fazem exames de Português com uma maioria de questões de resposta múltipla no âmbito dos chamados “itens de selecção” que também incluem “associação”, “ordenação” ou “completamento” mais as chamadas questões de resposta curta ou restrita e depois querem que a ortografia e sintaxe sejam determinantes seja no que for?

A sério, sério, sério?

Ainda não perceberam que a cultura do “sucesso” e os modernismos pedagógicos levaram a classificar como retrógrados os gajos que, como eu, recusam aceitar um teste em que @ alun@ nem o rai’s parta do nome sabe grafar sem erros?

É só confirmar na recente informação-exame do enorme Iavé para o 9º ano.

E mesmo a alegada “resposta extensa” que vale 30 pontos (a velhinha composição ou vetusta redacção) só em alguns dos critérios de classificação tem em consideração a sintaxe e a ortografia.

A sério, sério, sério!

Não é nada fora do normal conseguir-se um B/Bom/nível 4 sem distinguir uma vírgula de um camelo. Basta fazer cruzinhas, preencher espaços e dar uma ideia geral que se percebeu as instruções para a “produção escrita”.

E depois querem milagres?

Na loja dos 300?

É que os chumbos estão caros e os trabalhos de casa são uma chatice, as cópias um arcaísmo e os ditados uma verdadeira sobrevivência do Paleolítico Pedagógico que destrói a criatividade infantil e impõe regras e uma disciplina que atrofiam a dimensão lúdica da aprendizagem.

E há imensos psico-pedagogos a defender isso mesmo e eu acho bem, mas depois aguentem-se que na Faculdade dizem que a culpa não é deles e que não são obrigados a ensinar seja quem for a escrever.

No dia em que quiserem fazer qualquer coisa a sério, sem ser demagogia e coreografia baseada em remendos, acordem-me.

Sleepy

 

Ou é poupança nos caracteres ou é falta de um corrector ortográfico ou é apenas a habitual semi-literacia apressada nestas coisas.

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Económico TV, há bocado…

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Resolução do Conselho de Ministros n.º 5/2015 – Diário da República n.º 15/2015, Série I de 2015-01-22, da Presidência do Conselho de Ministros
Determina a criação de uma equipa técnica visando o estudo de um modelo de governação transversal ao subsistema da Direção-Geral de Proteção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública, ao subsistema de saúde dos militares das Forças Armadas, ao subsistema de assistência na doença da Guarda Nacional Republicana, e ao subsistema de assistência na doença da Polícia de Segurança Pública

… a propósito da municipalização da gestão. Porque não é bem o mesmo, porque esse caso é o de Óbidos.

Quanto à posição da ANMP, já sabemos que tem uma consistência inversamente proporcional ao envelope financeiro com que lhe acenarem.

Associação de Municípios com dúvidas quanto às escolas municipais

E para piorar o conteúdo, agora passou a falar sempre com aquele ar de seminarista engonhado e amnésico (será que ele se esquece quando fez de rufia que não aceitava sugestões de ninguém?) que não sei se mete dó, se mete outra coisa.

O primeiro-ministro, que se escusou a comentar o discurso do secretário-geral do PS, António Costa, no congresso socialista do fim-de-semana passado, quis “apenas reafirmar a importância que para o país tem que gente adulta, gente crescida, gente preparada, gente que tem responsabilidades políticas possa olhar para o futuro sem ser com a perspectiva de contar espingardas, que seja com a perspectiva de chegar a respostas que os portugueses entendem como sendo respostas para os seus problemas”.

“Quando as soluções políticas parecem ter outra solidez, as pessoas sentem-se mais à vontade para comprometer a sua palavra, para poder chegar a um entendimento sem que isso pareça uma derrota para ninguém. Essas condições estão reunidas e só não haverá um espírito de compromisso se ele não for desejado”, enfatizou.

Gente crescida, gente preparada?

Mas que raio de intervenções públicas são estas, vindas de quem a cada oportunidade diz coisas do mais bacoco e infantil que se pode arranjar?

Exemplos:

“Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida.”

11-05-2012

“O Governo não está a preparar um aumento de impostos. Não estamos a pôr porcaria na ventoinha e a assustar os portugueses.”

Debate do Estado da Nação, 11-07-2012

“Todas as dificuldades porque passámos não terão servido para nada. Servirão para alguma coisa (…) quando não nos comportarmos como baratas tontas e soubermos bem para onde vamos.”

25-07-2012

“Amigos. Fiz um dos discursos mais ingratos que um primeiro-ministro pode fazer – informar os portugueses, que têm enfrentado com tanta coragem e responsabilidade este período tão difícil da nossa história, que os sacrifícios ainda não terminaram.”

Facebook, 09-09-02012

“O ano que agora está a terminar foi talvez o ano mais difícil de que tenho memória desde 1974, mas foi também o ano em que mais semeámos para futuro.”

21-12-2012

“[O programa de rescisões na Função Pública] deverá ser encarado como uma oportunidade e não como uma ameaça para trabalhadores e serviços.”

18-03-2013

Fonte: Jornal de Negócios.

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