São Pérolas Senhor!


Os TPC aumentam as desigualdades ou as desigualdades prejudicam um melhor desempenho dos alunos ao nível dos TPC?

Trabalhos de casa podem aumentar desigualdades socioeconómicas

Vejamos o que é dito no corpo da notícia:

Nesse relatório, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) alerta para as diferentes condições em que alunos mais privilegiados e menos favorecidos fazem trabalhos de casa.

Se os mais favorecidos podem quase sempre contar com um espaço em casa com as devidas condições para estudarem, assim como com o apoio da família, que regra geral reforça a importância do cumprimento destas tarefas tendo em vista os resultados escolares, os menos favorecidos lidam muitas vezes com a situação oposta, sem condições em casa para estudar num ambiente calmo e tranquilo, com o tempo muitas vezes ocupado em tarefas domésticas, e sem o apoio dos pais para ajudar nestes trabalhos, por muitas vezes não terem tempo ou capacidade para isso.

«Os trabalhos de casa podem, desta forma, ter a consequência indesejada de aumentar as desigualdades nos resultados escolares dos alunos com origem em contextos socioeconómicos diferentes», lê-se no relatório da OCDE.

A OCDE refere que os professores devem encorajar os alunos com maiores dificuldades a fazerem os trabalhos de casa e sugere, para os casos dos estudantes menos privilegiados, que ajudem a encontrar ambientes onde estes possam fazer os trabalhos de casa de forma tranquila, se isso não for possível nas suas casas.

Quanto à matéria em apreço, ainda bem que há dinheiro para pagar a especialistas para produzirem estudos sobre a humidade da água e a aridez do outback australiano.

Condições de vida recuam 17% numa década

Não sei como comentar isto, pois certamente uns acharão que salivo pavlovianamente, outros acharão que estou pejado de preconceitos e ainda haverá os que dirão que estou a, injustamente, meter vários governos no mesmo saco, sendo que houve uns bons e outros maus, de acordo com a situação e posição de quem olha.

Assim sendo, que comentem os reflexivos críticos, imparciais e imunes a qualquer mácula.

Vive lá no mundo dele, acha que tudo o que é inglês é bom, mesmo se o sucesso desta ou daquela academia não se reflecte no desempenho do sistema educativo no seu todo, cada vez mais desigual,

E depois escreve coisas como esta, a propósito da BCE (que ele confunde com “concurso de professores”) fruto de demónios muito particulares:

Parece relativamente compreensível que um sistema descentralizado e concorrencial funcione menos mal do que um sistema centralizado ou dependente de decisões políticas. Foi por isso que o modelo soviético faliu: porque assentava num modelo de decisão centralizado, em que os decisores locais não eram livres de tomar as suas próprias decisões — nem eram responsáveis pelos resultados das decisões que (não) tomavam.

Ora bem, se o sistema soviético faliu apenas por isso, estamos conversados quanto à profundidade da análise de JCE acerca deste ou de qualquer outro assunto.

Quanto se vai buscar o centralismo soviético para anatemizar qualquer coisa, mesmo que sem justifiação (o problema da BCE foi uma lógica de atomização mal aplicada), é porque vivemos encerrados na nossa cabeça, como penitência por eventuais pecados cometidos,  há demasiado tempo.

Em declarações no Jornal da Noite da SIC, Miguel Sousa Tavares criticou esta noite o último episódio da crise no Banco Espírito Santo e que levou à queda da instituição. Para o comentador, “nem tudo foi feito” para salvar o BES e comparou a ação do Banco de Portugal nos últimos dias à de um “elefante numa loja de porcelanas”.

Já quanto a falar em paquidermes em lojas de artigos frágeis, penso ter MST toda a legitimidade…

Estou um bocadinho farto da utilização do termo assertivo e derivados como se, por si só, ele quisesse significar mais do que significa e isso é que o falante o é de modo claro e directo nas suas posições.

Não leva em si uma avaliação do que é dito.

Ser-se assertivo descreve a forma, não a substância.

Não significa que o que é dito ou escrito é bom ou mau. Apenas que é claro, o que pode ser uma qualidade, mas não necessariamente ao serviço de um pensamento certo ou errado.

(a mim, quando dizem que sou assertivo, já sei que me querem chamar outra coisa, mas estão a disfarçar… raramente é elogio…)

É como dizer-se que uma pessoa é coerente. Pode ser coerente na asneira.

Ser-se assertivo é bom para a clareza da comunicação, mas não significa mais do que isso, ok?

… dizer que a partir de agora já não haveria interferência externa na produção legislativa nacional.

O que me aflige é que o Portas jovem vivia menos do tempo curto do que o Portas de meia idade, que faz declarações apenas para a fotografia do dia, pois bastará passar um dia ou uma semana para se perceber que as leis continuam as mesmas e que as novas serão tão ou mais agravantes do que as que foram feitas, de acordo com ele, por interferência externa.

… que mandou pensar que estamos em campanha eleitoral.

Ainda há muita gordura a cortar?

Temos de continuar a aumentar a eficiência da máquina do Estado. Já cortámos em despesas intermédias, mas quanto mais tornarmos eficiente a administração, mais podemos reduzir o seu custo. Não podemos é criar a ficção de que é possível terminar o processo de consolidação orçamental sem tocar nas grandes áreas de despesa do Estado, que são salários e prestações sociais.

Não é que Francisco Assis alguma vez me tenha despertado uma centelha de interesse, mas é sempre bom confirmar como se converteu num dos auto-considerados valores puros da nossa enfarruscada democracia, com pinceladas de intelectualismo bacoco. Veja-se este naco da sua potente análise encomiástica ao livro-rio de Vitor Gaspar acerca de dois anos da sua imaculada condução das finanças nacionais, em que se percebe que ele – seria de espantar – admira muito a sua acção, mesmo que “errada”.

Entre o erro da inteligência e o erro da mediocridade

Resulta bem claro da leitura da entrevista de Vítor Gaspar a Maria João Avillez que há um antes e um depois da crise do Verão passado.

(…) acabei de ler a entrevista que Vítor Gaspar concedeu a Maria João Avillez e que foi publicada sob a forma de livro.

A iniciativa em si mesma merece ser saudada. Maria João Avillez, a quem devemos alguns dos mais interessantes textos produzidos pelo jornalismo português das últimas décadas, conduz com subtileza o antigo ministro das Finanças pelos labirintos da sua vida pública e da sua inteligência. O resultado revela-se deveras interessante. Permite, desde logo, aceder à parcial compreensão de fragmentos relevantes da nossa história nacional recente, revela a complexidade de uma personalidade onde se associam a busca de uma racionalidade pura e a explanação de contradições intelectuais humanizantes e não deixa de apontar para as insuficiências da presente solução governativa.

Há uma coisa que Assis parece ainda não ter entendido, ao contrapor a tão exaltada inteligência de Gaspar à mediocridade de outros políticos… não me parece (e estou a hiperbolizar, claro) que os responsáveis por algumas das maiores atrocidades da História fossem pouco inteligentes. Faltavam-lhes era qualidades de empatia, de compreensão para com as diferenças, de respeito para com os que consideravam adversários. Muitos dos teóricos das maiores barbaridades dos últimos séculos eram pessoas com um nível intelectual bem acima da média. O problema era que para eles as pessoas não passavam de detalhes numéricos nas suas equações.

Como em Gaspar.

Quanto a Assis…  é apenas penoso lê-lo, mesmo que uma só página.

Que não me parece errada por causa da inteligência.

No Ocidente, “podemos aprender muito com os pobres” na área da saúde

Nigel Crisp é um lorde inglês que quer virar o mundo de pernas para o ar nas políticas públicas de saúde. A Gulbenkian pediu-lhe que durante dois anos estudasse a fundo o nosso sistema. A conferência desta segunda-feira surge a seis meses do fim do trabalho.

(…)

A lição fundamental que aprendemos com os países pobres é que pessoas criativas que não têm meios usam as comunidades para dar resposta aos problemas da saúde. Em particular, fazem um uso muito maior das famílias e dos leigos, não separam a saúde das outras questões (como a educação) e põem em prática sistemas informais de prestação de cuidados. Uma coisa que nós, no Ocidente, vamos ter de aprender ou reaprender. Os sistemas e os profissionais de saúde não vão poder fazer tudo por nós. Temos de fazer mais por nós próprios.

A minha avó paterna, assim como a sua irmã, minha tia-avó, tinham um par de métodos muito curiosos para resolver a prisão de ventre. Um passava pela pessoa sentar-se no sítio adequado e bater com os punhos ritmadamente nos joelhos com um pouco de força. Penso que deveria ser a pensar na desobstrução pela trepidação.

Cheguei a usar sem sucesso.

Quanto ao segundo método, nunca me conseguiram convencer a usá-lo, mas acho que o recomendaria a este senhor lorde.

Sinto natural pudor em explicá-lo.

Ficarei apenas pela enumeração dos apetrechos: um talo de couve e algum azeite, que podia ser do mais corrente e barato.

Não chega o que te fizeram, ali queimadinho em fogo lento. para o Pires de Lima te ficar com o lugar e agora ainda te armas em estratega político?

Vai lá para a OCDE, dá-lhes o IBAN e deixa-te de conversas.

Santos Pereira defende «pacto político» entre PSD e PS

Ex-ministro também defende que Portugal vai precisar de um novo acordo de concertação social.

Há quem o endeuse, mas cada vez o verniz é menor e o traulitismo mais evidente. Estas declarações em defesa do obscurantismo científico não são para mim inesperadas pois este tipo de criaturas só pensa em si e, considerando-se um exemplo de sucesso (à custa de pacóvios que vão atrás das lantejoulas intelectuais bem arranjadas), mede tudo o resto a partir da sua própria “utilidade”. Orgânica, a vários níveis.

Só que depois eu é que sou quezilento quando digo – e não é de agora – que o rui vai nu.

Porque ele tem uma visão para o mundo, as coisas em geral e particular, a cultura e a investigação científica, a educação e a formação, tudo ao serviço da economia, do progresso, do desenvolvimento, quase como se fosse um crente marxista nos poderes supremos da infra-estrutura económica para condicionar tudo o mais, que ao serviço dela devem estar, numa base de pensamento realista e não mágico e confortável.

Pires de Lima contra bolsas científicas “longe da vida real”

Ministro da Economia diz que não se pode “alimentar um modelo que permita à investigação e à ciência viverem no conforto de estar longe das empresas e da vida real”.

Se ele fosse o Deus Todo Poderoso da Humanidade seríamos certamente imensamente desenvolvidos, com uma economia vibrante e nada daquelas coisas desnecessárias que resultam de investigação científica e produção artística ou cultural sem uma ligação directa ao “sucesso” das “empresas”.

Se ele tivesse apanhado pré-históricos em Lascaux ou Altamira a rabiscar coisas que não fossem panos de caça ia tudo logo lá para fora raspar pedras e aguçar ramos.

O Sócrates (o grego) teria vivido muito mais porque nunca poderia ter levado a vida com filosofias, muito menos críticas e incitadoras ao questionamento das verdades adquiridas. Tinha ido para os campos lavrar ou então que tivesse montado um projecto empreendedor de escola em articulação com a Ática Incorporated, a maior empresa da época de tapetes e vasos.

A Odisseia ficaria por passar a escrito, a menos que houvesse colocação garantida nas grandes superfícies do Peloponeso e de toda a Hélade, pois teria de garantir uma tiragem que justificasse o investimento e çá interessa agora andar a escrever histórias de lendas e mitos que não sejam os da produção e exportação da cervejola prós trópicos?

O Renascimento teria sido uma coisa muito mais simples de ensinar na escola, pois se a Terra anda à volta do Sol ou vice-versa era irrelevante para as letras de câmbio e desperdícios de mármore como o David ou de tintas como O Nascimento da Primavera não seriam aceitáveis e muito menos seriam elegíveis para financiamento por mecenas públicos. Que raio estavam a pensar os governantes de Florença para encomendarem uma treta daquelas com mais de 5 metros de boa pedra que poderia ser usada com muito mais vantagem para a actividade produtiva?

E que raio interessa o sfumato na Mona Lisa – ou a própria obra toda – para o avanço da Humanidade, quando o Leonardo poderia ter estado a dedicar-se à descoberta de um melhor método para fabricar pedras da calçada em formas mais ergonómicas que permitissem poupar tempo e reduzir a remuneração mensal dos calceteiros e ladrilhadores ?

E de que se queixavam, afinal, o Van Gogh e todos aqueles pintores cheios de minhoquices e pintelhismos por não venderem todos os quadros que faziam? Há coisas bem mais simples para cobrir as paredes de uma sala. E o gajo em vez de andar a cortar orelhas, mais valia que fosse ceifar as searas em vez de as andar a desenhar e mal, que aquilo não parece nada real.

E esses inventores e teóricos que perderam tempo – sendo que tempo é dinheiro – a tentar compreender o universo, a sua origem e expansão ou como se formam e desaparecem as estrelas, ou mesmo a origem da vida e a evolução, se nada disso ajuda a fazer parafusos ou chips electrónicos mais baratos? Se o universo está em expansão ou contracção interessa exactamente a quem? Certamente que não será ao Fagundes de Lima e Repolho, o maior produtor de cutelarias do Ribatejo Litoral.

Pires de Lima é um visionário.

Ou é isso ou é apenas um grunho, thick as a brick, mas não nos devemos levar pelas aparências e evidências de que ser assim é caminho certo para o sucesso político e ser-se considerado o melhor ministro pelo painel de jornalistas do Expresso.

Pires de Lima é mesmo um visionário.

O mundo com ele seria bem mais simples… trabalho de sol a sol e quem quisesse distracções que catasse piolhos e quem quisesse estimular o neurónio que fosse rachar lenha que isso passava num instante.

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… como também Paulo Portas tem fracos assessores a fazer contas.

O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, afirmou ontem num evento chamado “Portugal Exportador” que as exportações atingirão “o melhor ano de sempre” em 2013, subindo até 41% do produto interno bruto, quando há cinco anos este rácio estava em 28%, observou.

Não é bem assim. Houve anos muito melhores. E, pior, ainda há muitos riscos pela frente, sobretudo ao nível da concessão de crédito e da procura externa, que podem dificultar esse caminho, mesmo o das empresas mais preparadas, inovadoras ou que mais diversificam. E isto, claro, juntar-se-á a incógnita que é o impacto da reforma do Estado na economia real em 2014.

É verdade, tive Práticas Administrativas no 7º ano, numa escola pública, em cujas aulas aprendi dactilografia. Desde então até agora pratiquei muito e escrevo com atroz velocidade, coisa que qualquer pessoa que me conhece pessoalmente e ao vivo sabe.

Também é verdade que tenho mais um neurónio do que a maioria dos que se espantam com o facto de escrever tantos posts como equipas de 20 ou mais colaboradores nos blogues “de referência”.

Não é pretensão ou vaidade, é constatação de factos objectivos.

Alguém tem problemas com isso, ó órfãos do relvas e antecessores?

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… com republicação do decreto regulamentar 3/2008.

Fica aqui: DR7de2013 Prova de Acesso.

O preâmbulo é mais uma daquelas peças antológicas pela sua vacuidade auto-justificativa.

Esta prova pretende comprovar a existência de requisitos mínimos de conhecimentos e capacidades transversais à lecionação de qualquer disciplina, área disciplinar ou nível de ensino, como a leitura e a escrita, o raciocínio lógico e crítico ou a resolução de problemas em domínios não disciplinares, bem como o domínio dos conhecimentos e capacidades específicos essenciais para a docência em cada grupo de recrutamento e nível de ensino.
A informação que se pode obter com a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades considera-se complementar relativamente à que é possível comprovar através dos demais processos de avaliação vigentes, seja no âmbito da formação inicial, desenvolvida nas instituições de ensino superior para tal habilitadas, seja no âmbito da avaliação a realizar ou já realizada em pleno exercício de funções.
Considera-se pertinente que a prova seja generalizada a todos os que pretendam candidatar-se ao exercício de funções docentes pois, de outra forma, devido ao redimensionamento do sistema, não seria abrangida a parte mais significativa dos candidatos com perspetivas de integração na carreira. Pretende-se valorizar a escola pública e a qualidade do ensino aí ministrado, cientes de que os
conhecimentos e capacidades evidenciados pelos professores constituem uma variável decisiva na qualidade da aprendizagem dos alunos.

Há muitos aspectos por onde se pode pegar neste diploma, alguns mais sérios, outros mais caricatos, como aquele de serem os professores no activo a vigiar os colegas – que até podem ter tantos ou mais anos de serviço – durante a realização da prova.

Mas há um que eu acho supremamente delicioso que é o de não estar prevista uma componente específica para os docentes que leccionem Inglês, HGP ou Ciências no 2º ciclo. Ou quando se fala em “Artes Visuais” para docente que poderão leccionar Educação Tecnológica. Ou quando os docentes do 1º ciclo apenas precisam ser avaliados em Português e Matemática (mas a que nível?).

Se formos pela justificação do preâmbulo – que a prova serve para avaliar competências transversais à leccionação de qualquer disciplina – não se percebe que no 3º ciclo exista uma correspondência total entre grupos disciplinares e componente específica. Se formos pela justificação mais natural – que a prova, na sua parte específica, também deve avaliar da competência científica dos docentes nas disciplinas que podem leccionar – não se entende que a competência naquelas áreas não seja avaliada.

Ou seja, isto é um faz-de-conta. Uma profunda mistificação.

Quanto à atribuição da realização da prova ao autónomo IAVE (IP) e à criação de um JNP (Júri Nacional da Prova) com um presidente por nomeação do Governo que por sua vez nomeia os vogais é apenas mais do mesmo a que estamos já habituados…  a opacidade clientelar do costume.

Tudo como dantes… apenas se aperfeiçoando a metodologia desenhada em tempos de Sócrates-Maria de Lurdes Rodrigues.

Já agora… dúvida final… para que servirá exactamente a classificação quantitativa quando se atomizar o concurso nacional para provimento das vagas em centenas de concursos locais?

… é não ter uma opinião muito definida sobre qualquer assunto polémico, evitar qualquer tipo de clareza argumentativa e cavalgar toda e qualquer onda de insatisfação. Dizer preto e branco, à vez, com dias de diferença. Desde que diga preto no dia certo e branco no dia apropriado. E cinzento, já agora, quando o vento está de feição.

Ser do Belenenses, sem desprimor.

Não chegou a uma semana de distanciamento bloguístico para perceber que continuo com todos os defeitos habituais: opiniões radicais, excessivas, antipáticas q. b. para algumas pessoas ou grupos e a estupidez de escrever por mim e não por procuração.

Ao fim destes anos, ainda há quem aproveite um períodozinho meu de ausência para ferrar o dente nas tretas do costume?

Não percebem que eu não tenho emenda e não mando dizer por outros? Sou o que sou em nome próprio?

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Evitaria uma crónica-papagaio com opinião-eco a fazer lembrar os tempos de Sócrates quando, na falta de governantes credíveis, avançavam os opinadores com página reservada!

De Martim Avillez Figueiredo conheço diversas intervenções estimáveis pela sua prudência e cuidado em estar quase sempre do lado de um qualquer vento, mesmo que a coberto do epíteto muito na moda de liberal. Conheço – mas talvez seja injusto recordar isso – a sua experiência malograda como director do I.

Quanto a restaurantes, cruzei-me com ele no do Hotel Altis, numa manhã em que ele estava a falar baixinho com o Ferreira Fernandes e eu a desfrutar do breakfast de uma night out com a família.

Sobre Educação não lhe conheço qualquer pensamento especial, sendo que a partir desta edição do Expresso fiquei a saber da extensão da sua ignorância sobre o funcionamento das escolas e matrículas dos alunos.

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Expresso, 8 de Junho de 2013

A verdade é que ele desconhece profundamente um regime que está longe de ser rígido, sendo até bastante flexível para a generalidade das pessoas que assinam com dupla consoante (sou mesmo um proleta sem escusa, para não ter recuperado o Guinot ancestral ou mesmo ter desfeito o acrescento do “e” por mais um “t” e ter ficado Guinott).

A verdade é que, excepção feita a questões relacionadas com a inexistência de vagas, as matrículas dos alunos no ensino Básico podem ser feitas em qualquer escola que os pais ou encarregados de educação demonstrem ser ~mais adequadas à vida escolar e mesmo familiar do seu educando.

Vejamos as regras para o ano que está a findar (despacho 5106-A de 12 de Abril de 2012, ainda disponível no Portal das Escolas):

3.2 — No ensino básico, as vagas existentes em cada escola ou agrupamento de escolas para matrícula ou renovação de matrícula são preenchidas dando -se prioridade, sucessivamente, aos alunos:
a) Com necessidades educativas especiais de carácter permanente que exijam condições de acessibilidade específicas ou respostas diferenciadas no âmbito das modalidades específicas de educação, conforme o previsto nos n.os 4, 5, 6 e 7 do artigo 19.º do Decreto -Lei n.º 3/2008, de 7 de janeiro;
b) Com necessidades educativas especiais de carácter permanente não abrangidos nas condições referidas na alínea anterior;
c) Com irmãos já matriculados no estabelecimento de ensino ou no mesmo agrupamento;
d) Cujos pais ou encarregados de educação residam, comprovadamente, na área de influência do estabelecimento de ensino;
e) Cujos pais ou encarregados de educação desenvolvam a sua atividade profissional, comprovadamente, na área de influência do estabelecimento de ensino;
f) Que no ano letivo anterior tenham frequentado a educação pré–escolar ou o ensino básico no mesmo estabelecimento;
g) Que no ano letivo anterior tenham frequentado a educação pré–escolar ou o ensino básico noutro estabelecimento do mesmo agrupamento de escolas;
h) Mais velhos, no caso de matrícula, e mais novos, quando se trate de renovação de matrícula, à exceção de alunos em situação de retenção que já iniciaram o ciclo de estudos no estabelecimento de ensino;
i) Que completem os seis anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro, tendo prioridade os alunos mais velhos, sendo que as crianças nestas condições poderão obter vaga até 31 de dezembro do ano correspondente;
j) Outras prioridades e ou critérios de desempate definidos no regulamento interno da escola ou do agrupamento, prevendo, entre outras, formas de desempate relativamente à opção entre diferentes estabelecimentos integrados no mesmo agrupamento, bem como en-
tre aquelas cuja matrícula ou renovação de matrícula tenha ocorrido depois dos prazos normais estabelecidos.

A verdade é que Martim Avillez (com dois elles) Figueiredo só come no mesmo restaurante se quiser ou se for demasiado preguiçoso para se informar.

A rigidez da matrícula à área de residência é muito relativa, por muito que digam o contrário. Não podem é estar 2000 alunos numa escola onde só cabem 1000, enquanto outras estão só com 500 porque os papás querem os filhinhos junto dos outros que também têm duplas consoantes enroladas.

O resto é a mesma conversa da treta de sempre dos especialistas em nada.

E não me choca uma opinião contrária à minha, desde que devidamente (in)formada. O que me chateia de morte é a ignorância, polvilhada com conversas de ouvir dizer, transformada em opinião sem direito a qualquer contraditório decente.

Confesso que, mesmo em Portugal, é raro encontrar um idiota tão idiota ao lado de outro idiota tão idota (com a única vantagem de estar calado).

O que vende(u) ele ao Relvas?

… mas por isso é que (man)temos o equivalente.

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Do vôvô Catroga. Entre ele e o tio Borges não se arranja um parágrafo em linha recta.

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