… e ainda se percebe menos porque, ficando abismados com o vocabulário torrencial, nem dá tempo de ir ao dicionário novilinguês do pós-pós-modernês.

Em qualquer das circunstâncias o riso é resiliente e não raro fica em transição para a paródia disruptiva, numa perspectiva de dinâmica jocosa.

Até porque isto se consegue dizer em duas ou três frases relativamente simples, mas não seria o mesmo, não se daria o ar de intelectual da alfarroba murcha.

O secretário de Estado da Cultura falava num seminário internacional sobre “Porto, Cidade em Transição” organizado pela Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, com o objetivo de “levantar questões, provocar ideias, despertar diálogos e partilhar saberes para criar conhecimento sobre o que é o conceito de ‘Cidade em Transição'”, um novo modelo de organização social com mais de 100 comunidades espalhadas atualmente pelos cinco continentes.

Para Barreto Xavier, este movimento centra os seus conceitos em “território abstrato” — resiliência e transição -, o que, em seu entender, é “um dos vícios de alguns movimentos contemporâneos, que em vez de se imbuírem de valores substantivos imbuem-se de valores abstratos”.

“Não estou a dizer que a abstração não tenha uma relevância substantiva. O que eu quero com isto dizer é que há outros valores e lembro três pilares do movimento Permacultura que são o cuidado com a terra, cuidado com as pessoas e repartir os excedentes. São valores substantivos, valores que remetem para objetivos de vida social”, sustentou.

Barreto Xavier entende, por isso, que “valores como a transição ou a resiliência são dinâmicas necessárias, mas que não nos levam a uma orientação para resultados”.