Boa noite, Paulo e Bom Ano

Estou no auge da revolta mas profundamente cansada, todavia não consigo abster-me de denunciar atropelos a que os docentes são, continuamente sujeitos. Infelizmente, eles são tantos que é verdadeiramente impossível reclamar de todos (ou até, de uma pequena parte deles). Irão continuar e intensificar-se e os professores não podem cruzar os braços.

A má fé com que temos sido tratados ao longo dos últimos anos é inqualificável… a escola está próxima do caos…

O Conhecimento, os Valores e a Responsabilidade que a Escola deveria ensinar e o profissionalismo, a ética e a objectividade da exigência que deveria viver são reduzidas à insignificância perante uma cultura de palavras cheias de modernismos e “pseudo-inovadorismos”  profundamente  inúteis e ineficazes, frases pretensiosas e “pseudo-intelectualóides”… uma verdadeira “fogueira de vaidades”…

Finge-se muito, finge-se quase tudo… A mentira é onde este país consegue obter, efectivamente, economias de escala. Começa no topo e cá pelas bases um exército repleto de gente que quer mostrar serviço ou uma competência (que muitas vezes nunca teve) ou por medo ou querendo preservar o seu “cantinho pessoal”… propaga , acrítica e acefalamente, as ordens e o servilismo.

Tal como mencionei na mensagem aos senhores deputados a propósito de orientações da DRELVT e do próprio decreto regulamenter:

Creio que a Administração nas convicções (com fundamentos de facto) de que:

– qualquer decisão sobre eventual reclamação virá (se vier) tarde;

– no imediato não há entidade ou organismo que consiga travar uma actuação ainda que desconforme com o enquadramento legal, pelo que  – no entretanto – os procedimentos (ainda que abusivos ou ilegais) vão sendo implementados e, posteriormente, não se voltará atrás;

–  se houver recurso a via contenciosa… a resolução não leva menos que uns anitos e quando chegar (ainda que seja favorável) de nada servirá;

–  que a generalidade das pessoas e profissionais não terá disponibilidades financeiras para desencadear acções em tribunal;

–  o tempo passa sem que, sem mais, se superem os constrangimentos, corrijam os erros e potenciais consequências, vencendo-se as pessoas pelo cansaço e pela inutilidade das suas acções/denúncias;

– uns serviços ignorarão o “desleixo” de outros;

– de que, independentemente da legalidade e consequências da decisão,  é-se sempre inimputável … e entretanto obteve-se o pretendido (e os fins, afinal, sempre justificam os meios); …

a Administração, dizia eu,  prossegue os seus intentos e das duas uma, ou com má fé ou com incompetência… já não consigo encontrar nenhuma outra explicação.

 

A falta de pudor  já não tem limites…
Temos que agir!
Os professores, os contribuintes e todos os cidadãos têm que se revoltar.
Este país é pobre e miserável: não pelos seus cidadãos e profissionais mas por um feudalismo entranhado, por uma cultura de clientelismos e interesses e pelo paradigma da “excelência e meritocracia” da Mediocridade dos decisores (a diversos níveis de decisão e também a diversos níveis de competências profissionais).
Envio-lhe a reclamação que fiz chegar a diversas entidades… os professores, e toda a sociedade portuguesa, precisam, com urgência, organizar-se e encontrar caminhos … se achar que vale a pena, publique no blogue.
(…)
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Mª João Fernandes
(Prof da Sec. de Sacavém)