Voluntário Só À Força


isto de eu ser eu dar um pedaço de trabalho, ainda vá que não vá; só que não me disponho a aturar a continuidade dos idiotas.

Poderia querer, mas não quero.

Exmos. Senhores Diretores de Escola/Agrupamento de Escolas

Exmos. Senhores Presidentes de CAP

Por solicitação do Senhor Presidente do Conselho Diretivo do IAVE, cumpre-me transmitir a informação infra:

“Caro(a) Diretor(a)

Estando a decorrer o processo de classificação da componente escrita do teste Key for Schools, processo que deverá estar terminado impreterivelmente até ao dia 15 de junho, constata-se que a participação dos professores certificados para o efeito e que integram o grupo de professores classificadores é profundamente desigual. Dos cerca de 1100 professores envolvidos no processo apenas cerca de 400 têm cumprido com regularidade e elevado sentido de responsabilidade as funções de classificação. Aliás, acresce, também com elevadíssima qualidade técnica, situação que cumpre enaltecer.

Num quadro de participação equitativa, estima-se que a classificação fique concluída na data indicada se diariamente cada professor dedicar apenas cerca de 20 minutos às tarefas de classificação. Porém, no contexto atual, a sobrecarga de trabalho que recai sobre os que têm assegurado a classificação será da ordem de 1 hora diária, situação que traduz uma evidente falta de equidade e que deixa transparecer falta de responsabilidade por parte dos classificadores que se têm mantido ausentes do processo, ou cuja participação tem sido pontual e sem expressão quantitativa, tendo em conta o número total e itens a classificar.

Por essa razão foi ontem enviado a todos os classificadores uma mensagem, diferenciada conforme o nível de participação, apelando, nuns casos à manutenção da sua colaboração e, noutros casos, a uma participação ativa no processo, também pelo respeito e essencial princípio de dever de solidariedade profissional dos ausentes face aos colegas que integram o grupo dos cerca de 400 classificadores acima referido.

Damos por este meio conhecimento da situação a todos os diretores, apelando para o seu envolvimento ativo na mobilização dos docentes das suas escolas certificados para a classificação (General Marking – GM) nesta ponta final do processo de classificação.

Relembramos que os professores classificadores tem acesso a formação gratuita e de elevada valia técnica pelo facto de terem aceite participar neste projeto, o que para as escolas onde lecionam, pela sua valorização profissional específica e pelos benefícios que daí poderão advir para as alunos, num futuro próximo, constitui também uma mais-valia que deve ser acarinhada.

No entanto, como não podemos pactuar com a situação de desigual envolvimento atrás referida, não sendo justificável premiá-la igual modo, este Instituto irá avaliar no final do processo o nível de participação dos classificadores, pelo que o acesso ao programa de formação atrás referido será concedido desde que cumpridos critérios mínimos de participação no processo de classificação, os quais terão como referência períodos de classificação concordantes com as dispensas previstas na alínea a) do n.º 2 do art.º 2.º do Despacho n.º 4168-B/2014, de 19 de março.

O Conselho Diretivo do IAVE”

Com os melhores cumprimentos,

José Alberto Moreira Duarte

Diretor-Geral dos Estabelecimentos Escolares

Exemplo de mensagem diferenciada de ontem:

Verificámos que ainda não deu início ao trabalho de classificação de itens (General Marking), na plataforma BIM.

Considerando que o processo de classificação deverá decorrer com a maior brevidade, dado que terá de ficar concluído até dia 15 de junho, contamos com a sua participação. Recordamos que, de acordo com o Artigo n.º 3 do Despacho n.º 4168-B/2014, de 19 de março, a classificação de itens é um dos deveres dos professores classificadores e que as tarefas a desenvolver correspondem às vinte horas a que respeita a dispensa da componente não letiva prevista na alínea a) do ponto 2 do Artigo 2.º desse Despacho.

Relembramos que ao garantir a tarefa de classificação, assegura o direito de usufruir do previsto no Art.º 4.º do Despacho referido, nomeadamente «acesso gratuito ao programa de formação a distância promovido pela Cambridge English Language Assessment, da Universidade de Cambridge, que inclui a frequência dos módulos 1, 2 e 3 que conferem a possibilidade de realização do Teaching Knowledge Test», que se traduzirá numa mais-valia para os docentes, para os alunos e, claro, para todo o sistema educativo.

Certos da sua colaboração, agradecemos, desde já, a sua disponibilidade para a tarefa de GM.

Com os melhores cumprimentos,

Não é só obrigar as pessoas a serem voluntárias. É também o facto de, sendo consideradas voluntárias, só o IAVE ter o direito a cessar essa ligação.

Agradecendo ao A. Leite o alerta.

Key for1Key for2

Parece que entrou na fase do telefonema directo do IAVE para as escolas a exigir a nomeação de 2 “voluntários”, sejam quem forem, não interessa se leccionam ou leccionaram 9º ano, se são dos quadros…  o que interessa é que o exame/teste é obrigatório pelo que precisa ser classificado.

Mas parece que não querem passar a coisa a escrito, que é por causa do rasto documental…

Professores de Inglês “voluntários à força” para a correcção da prova

… que o prazo para a iniciativa de 2012 ainda vai dar a 2014…

Despacho n.º 11129/2013. D.R. n.º 165, Série II de 2013-08-28, do Ministérios da Educação e Ciência e da Solidariedade, Emprego e Segurança Social – Gabinetes dos Ministros da Educação e Ciência e da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.
Prorrogação do prazo para candidaturas ao procedimento de atribuição do selo de Escola Voluntária/2012.

Tive que dizer que me ia suicidar. Concordam?

E depois há as escolas e agrupamentos em que os professores são sensibilizados para oferecer actividades aos meninos no período das férias deles como estratégia de sedução dos encarregados de educação, para cativar mais matrículas, ter mais turmas, mais horários e mais lugares disponíveis…

Inteligente, liberal, a fazer funcionar o mercado, claro!

Não é que esteja errado, apenas me parece… algo coiso.

Mas parece-me que o futuro nos vai trazer mais disto. Infelizmente.

Trabalhar de borla é bónus na contratação de professores

Empresa municipal de Guimarães considera horas de trabalho gratuito como fator de ponderação

Alunos que façam voluntariado poderão incluir essas acções no seu curriculum vitae

O ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, reiterou esta terça-feira a intenção de incluir nos diplomas dos alunos do ensino secundário as acções de voluntariado em que participaram.

Quantos pobrezinhos são precisos para uma UC?

Tem uns dias, mas continua a fazer-me sor(rir). É como a censura social sobre quem faltar às aulas…

Governo vai à escola lançar programa de voluntariado

O Ministério da Educação lança na quarta-feira o programa “Escola Voluntária”, a que se associa o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, vários ministros e secretários de Estado, para incentivar o trabalho em prol da comunidade.

A iniciativa, que tem a colaboração do Ministério da Solidariedade e Segurança Social, destina-se a incentivar a integração da escola na comunidade, promover a iniciação ao voluntariado, valorizar esta atividade junto dos jovens e dinamizar o trabalho voluntário de todos os que nele queiram participar, segundo o Ministério da Educação.

Pretende-se, assim, incentivar o voluntariado dentro e fora da escola.

Os alunos que participem nestas ações poderão ter no processo pessoal e no certificado escolar o registo da atividade voluntária.

O Ministério da Educação anunciou, esta terça-feira, que será criado o “Selo Escola Voluntária” para distinguir os estabelecimentos de ensino que realizem trabalho voluntário e incentivem os jovens a participar nestas ações.

Se calhar há, “néon” sei.

Alguém conhece casos? O Ricardo deu com esta situação, cujos detalhes específicos seria interessante aprofundar.

Até que ponto as restrições aos créditos horários das escolas e agrupamentos e a subavaliação das necessidades de apoio aos alunos podem empurrar alguns órgãos de gestão para soluções criativas deste tipo, legais, mas…

Só se for a contagiar o ministro Mota Soares com qualquer coisinha má.

Governo quer incentivar funcionários públicos a participar em acções voluntárias

O Governo quer que a Administração Pública seja “contagiada” pelo voluntariado, já seguido em muitas empresas, e incentive os funcionários públicos a acções voluntárias para “dar um pouco de si à comunidade”, mas também vai apelar aos jovens.

Aviso n.º 23496/2010
Concurso de Professores em Regime de Voluntariado
Em cumprimento do disposto no Decreto -Lei n.º 124/2009, de 21 de Maio, torna -se público que se encontra aberto concurso para recrutamento de docentes, por um período de 10 (dez) dias úteis a contar da data de publicação deste aviso, em Regime de Voluntariado, para qualquer grupo de recrutamento, com o objectivo de acompanhar os percursos escolares dos alunos (Projecto Cidadania), na Escola Secundária de Arouca.
9 de Novembro de 2010. —

A Directora,

Adília Maria Rosa Fonseca Ferreira da Cruz.
Diário da República, 2.ª série — N.º 222 — 16 de Novembro de 2010

Um dos maiores e mais poderosos feudos naquela cartografia improvável entre a Educação e o Trabalho estende os seus tentáculos reclamando vassalos.

A ideia até pode(ria) ser boa. A prática totalitária, mas coerente com os seus mentores, é que…

Desempregados podem perder subsídio se recusarem programa Novas Oportunidades

Uns comentadores apontam-me uma certa mudança de linguagem, outros que tenho descaído para o radicalismo, sem que me definam o que entendem por tal.

Talvez eu entenda tudo isso, mas até avisei. Avisei que ali por meio das férias, a acumulação do muito que tenho ouvido, lido e visto, de  mais perto ou mais longe, mais uns pózinhos de actualidades, me bateram de uma forma consequente.

Recordo uma conversa que avivou os meus instintos mais ácidos.

Uma pessoa amiga tentava, pela segunda vez, de forma um pouco mais definida, explicar-me porque se tinha aproximado recentemente de uma organização (não interessa de que tipo, nem vale a pena começarem a pensar que dou a entender ser sindical, ok?) que durante muito tempo a tinha ouvido criticar.

A justificação era que tinha percebido que podia não concordar com tudo o que essa organização defendia ou fazia, mas existia nela uma zona (que agora se chama de conforto) que lhe despertava um sentido de pertença e que tinha coisas boas que valia a pena aproveitar, esquecendo a parte menos boa.

Perante isso, usei uma metáfora algo virulenta, mas acho que expressiva: será legítimo estarmos confortáveis numa sala, com uns anfitriões cordiais e simpáticos, bem servidos, enquanto sabemos que duas divisões ao lado, num qualquer quarto, se estão a praticar atrocidades em que nunca aceitaríamos participar ou sequer testemunhar?

O desconforto na pessoa minha amiga foi evidente, pois relembrou-se de tanta coisa dita no passado.

E é esse tipo de atitude que me atira para o radicalismo, ou o que passa por ser isso. Para tratar da vidinha, torná-la mais suportável, abrir portas, singrar, não consigo entrar para o casarão, instalar-me na sala e fingir que não sei que lá ao fundo…

Pelo que opto por me afastar, arcando com a ausência de conforto, das organizações, que alguns acariciam, mesmo se sob o manto da aproximação independente.

E também me é difícil ficar calado.

Estou a ser críptico?

Radical?

Governo aprova regime para docentes reformados que queiram ser voluntários

Na Visão de hoje vem a notícia de um relatório que demonstra o descalabro das reformas na área da Saúde – aquelas, já notaram?, que alguns opinadores tipo MST continuam a enaltecer.

Eu gostaria que um estudo independente a sério analisasse as reformas na área da Educação. E se pudesse ser, gostaria que analisassem daqui por uns tempos os efeitos desta iniciativa peregrina do «voluntariado» dos docentes aposentados.

Só para saber quantos daqueles que fugiram a sete pés perdendo dinheiro, estão dispostos a voltar de borla. E só para confirmar até que ponto há gente mesmo doida.

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