Vocês Não Sabem De Quem Estou A Falar


 

[aqui]

 

Estimado amigo P.G.;

1- Continuo a submeter à sua apreciação o “amigo”, por abuso, relevando o “estimado”, por ser verdade, ficando assim, abrigado quanto a ações penais do Código Civil por abuso de confiança…

2- Continuo a pedir-lhe sinceras desculpas por pensamentos irrefletidos que lhe envio, tomando-lhe tempo e podendo, neste caso, colocar-me processos por “spam”.

3- Dia, hoje motivante (ver adiante), para que lhe envie algumas “boutades” recolhidas em breves, precedentes horas (já não mais durmo, apenas sonho o impossível…).

4- Como tive o cuidado e interesse pessoal em informar-lhe que de pouco dependo (falo de terceiros, políticos, instituições e relatos…), envio-lhe este… como chamarei…exótico, texto que recebi, provindo de um funcionário com responsabilidades numa empresa:

“ Venho por este meio informar que as guias em XXX estou todas a sair com recibo mesmo elas as que estou pagas” (SIC)

a) Para um chefe de secção escrever semelhante, com anos de casa, não o faz refletir no “eduquês”?
É esta a educação que se pretende? Cursos “profissionais” ? (deixe passar a terminologia…)

b) Eu, agora mais velho e MUITO MENOS sábio (amanhã cumpro mais um ano de festejo, inutilidade ou sacrifício, ainda não decidi…), tenho de aturar isto, ou fazer metamorfose em “maestro” de remotos tempos. Cuido que, e o tenho dito durante anos sem conta, que a degradação (sabemos de quê) estava a acentuar-se e caminhava para o caos. Enfim, era (e sou, assumo), mais um profeta da desgraça.

5- Estes dias periféricos “ao meu acontecimento” (a chamada “perífrase linda”…), trazem sempre coisas curiosas, ainda que aberrantes, cómicas ou festivas. Mas sempre inabituais. Recebi hoje este texto de um amigo muito especial, que por infelicidade, se encontra de menor saúde. De sua profissão, advogado. O texto refere que circula pela “net”. Não vi réplicas, pelo que, aqui lhe envio a transcrição (lá virão os enfermos da “partidarite”, quando o que se pretende está para além disso…):

“Pedro Dias
MEUS QUERIDOS AMIGOS …
Depois de ouvir o vosso líder parlamentar, numa extraordinária quão breve dissertação sobre os Renault Clio, venho pedir-vos que não gozem comigo, por ter comprado um, às prestações de 290 € por mês e usado.
Não ando de Mercedes, BMW ou Audi, porque, como professor Catedrático do 4º escalão da Universidade de Coimbra, ( e Membro das Academias Nacionais da História, das Belas Artes, da Marinha, da Real Academia de Bellas Artes de San Ferando de Espanha e de mais meia dúzia delas, decano da área de Património das Universidades Portuguesas, Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, Medalha de Mérito-Classe Ouro de Belas Artes, Medalha de Ouro da Cidade de Coimbra, e com cerca de 200 livros e artigos publicados, 12 com prémios, como o Prémio Gulbenkian ), não tenho dinheiro para mais. Percebi, ontem, que é vergonhoso andar de Clio, em Portugal, que isso nos apouca.
Só que isso nos diminui aos olhos de quem, na vida, nunca fez nada e nunca trabalhou no duro, e passou a juventude na intriga e a comer, beber e viajar à conta dos partidos políticos, a esperar pacientemente nas Jotas, para chegar a adulto e, de preferência, como o Zorrinho, para entrar para uma loja maçónica e na Assembleia ou num gabinete ministerial. Eu cá, loja, só a mercearia do meu Avô, na Rua do Corvo.
Afinal já percebo porque é que as minhas netas, às vezes, não querem vir ao meu colo: não é por birra, é que têm vergonha por eu ter um Renault Clio.”

Se tal texto é, de facto, do Prof. Doutor Pedro Dias, não o sei. Mas sei o extraordinário gabarito científico que possui, e que referenciei (devidamente) na minha (muito pobre) tese doutoral (uma redundância a fazer, num país que confunde monografias de licenciatura com dissertações de mestrado e com teses de doutoramento).

6 – Estou cansado, e resumirei:

Que se passa com este povo?
Que reflexões imagéticas transporta a debates televisivos?
Que queremos?
Que soluções, rumos, e posturas queremos assumir?
Que modéstia nos falta?
Que seriedade perdemos ou não tivemos?
Que serenidade (não apologética) deveremos ter?
Que caminho, que caminho a traçar, pergunta sempre feita, e de tão fácil resposta: só pode saber alguém o caminho a seguir, se souber, em verdade e consciência, o caminho que já percorreu.
Que credibilidade se pode dar à educação formal de uma nação onde a informação televisiva toma a abreviação de “hélis” para “hélios”? (ora vamos lá recordar o velho latim…). Ou a educação “formal” não deve ter lugar? (recordando e parafraseando, “eu sei que V. Exa. sabe que eu sei que V. Exa. sabe que eu sei”)

Estimado P.G., não me felicite por menos um ano de sacrifício (hum…terei tomado uma decisão opinativa final?).

Não me portei bem, e poderia ter feito bem mais. Sei que poderia ser irrelevante para mim, pois sou mais um espoliado do pensamento. Mas, por certo, se tivesse tido mais consciência, poderia ter sido um melhor contribuinte líquido para os filhos do futuro.

Mas pesa-me isto menos, por cumprir sina de ser profeta da desgraça, pois não havendo futuro, não haverá credores, pelo que minha dívida se anula. Anula-se esta, mas infelizmente, não se anulam os erros na minha consciência. Outros nenhuma terão, por certo…

Dificilmente os poderei pagar (os tais credores da minha dívida…).

Sempre seu devedor, em incumprimento,

Aos 19 dias de outubro de 2012 (perdoando a falha do calendário Gregoriano),

Leal Conselheiro,
(Ph.D. -há que estar na moda- pelo Estado, numa segunda-feira, sem equivalências, sem subsídios ou bolsas. Este texto concorda com o N.A.O., mas inclui revisões pessoais).

PS- Publique-se se aprouver a quem. Publique-se e prenda-se quem escreveu, se mordaças houver a providenciar às vozes inocentes de quem muito pouco sabe, mas se encontra inquieto.

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E em forma de apostilha:

Confissões inconfessáveis.

Falei a ti estranha neblina,
neblina de meus voos,
tão curtos e tão morosos
como beijos que esqueci.

Apertos de sentir um estranho vago,
lassidão desprendida de sentido,
caminho errante com falas pouco sonantes,
olhares sem sentido nem direcção.

Amargura de palavras vertidas,
catadupa de disparates deitados ao ar,
rouquidão vaga de solidão,
grão perdido na imensidão.

Falar só, ao vento que não passa,
cantar sem voz, sem rima e sem prazer,
andar sem movimento,
dormir sem sonhar.

Desenho com um dedo figuras no ar,
desenhos tolos, sem cariz,
sem forma, abstractos e abomináveis,
linhas sem rumo nem arte.

Tens palma que na mão sustenha,
de alguma forma, esta languidão?
Tens alma que possa ouvir gemidos sem som,
e lamentos sem arrependimento?

Se os tens, empresta-os por um pouco.
Breves momentos.
Para sentir.
O que não mais sentido é.

E já agora, para atirar ao vento que passa,
as falas, os apertos, a lassidão, os caminhos,
os olhares, os cantares, as caminhadas, o sono,
os desenhos e os lamentos.

Deixo-te como paga,
um peito aberto,
um desgosto
e uma alma em pedaços.

(Leal Conselheiro)

E depois há as escolas e agrupamentos em que os professores são sensibilizados para oferecer actividades aos meninos no período das férias deles como estratégia de sedução dos encarregados de educação, para cativar mais matrículas, ter mais turmas, mais horários e mais lugares disponíveis…

Inteligente, liberal, a fazer funcionar o mercado, claro!

Não é que esteja errado, apenas me parece… algo coiso.

Mas parece-me que o futuro nos vai trazer mais disto. Infelizmente.

Trabalhar de borla é bónus na contratação de professores

Empresa municipal de Guimarães considera horas de trabalho gratuito como fator de ponderação

… pelo que fica mal andarem em caças às bruxas só porque os vossos papéis apareceram aqui no blogue. Afinal, têm vergonha ou orgulho d(n)o que fizeram?

Feitas com o máximo de cuidado e reserva, pois detesto que conversas semi-privadas que mantive se tornem públicas. Portanto, omitem-se datas específicas, protagonistas e locais.

Ficam só os traços gerais, para que se percebam certos subterrâneos disto tudo. Nada de novidade para mim, que não nasci ontem (felizmente, pois nesse caso chegava ao mundo numa altura muito chata, sem cheque-bebé e tal…) e, como se verá, fiz a minha vida como dantes.

Em certo tempo, com algiuns meses de diferença, foram-me propostas duas conversas por alguém ligado a uma…. como poderei dizer… uma instituição existente em Portugal.

Nessas duas conversas foram-me colocadas questões sobre a situação da Educação, das lutas dos professores, do país e etc, etc, aquilo que é habitual numa sondagem deste tipo. Respondi o que pensava, prática que comigo é habitual, sendo muito curta a diferença entre o que digo em público e privado. Em privado tenho apenas tendência para me rir mais e fazer um ar de isto não tem remédio, logo…

Em seguida (1ª conversa) foi-me perguntado se estaria interessado em ser convidado por essa instituição para esta ou aquela actividade. Respondi que nada me movia contra tal instituição e que participaria de bom grado se fosse convidado para algo que me interessasse.

Mais tarde (2ª conversa) foi mesmo proposta uma actividade concreta de intercâmbio com a minha escola, caso eu estivesse interessado. Disse que sim, mas sempre sob a condição de autorização superior.

As duas conversas decorreram com imensa simpatia institucional e pessoal. A pessoa enviada foi muito simpática, deslocou-se onde eu pedi e a troca de ideias até se prolongou um pouco para lá da hora marcada. Por segundas e terceiras vias, soube que a situação do eventual convite para isto ou aquilo foi comentada algures, até com simpatia.

Mas eu percebi desde cedo o que estava em causa.

E, em vez de ser testado, preferi testar os limites do outro lado.

Continuei a fazer, dizer e escrever o mesmo que faria, diria ou escreveria caso essas conversas não tivessem existido.

Com toda a naturalidade, os convites para as actividades não surgiram e muito menos alguma vez se concretizou o tal intercâmbio com a minha escola. O que era perfeitamente expectável porque eu não fiz o que implicitamente pretendiam que eu fizesse (ou não fizesse!) para merecer as prendas. Mais simbólicas do que outra coisa, diga-se de passagem. Coisas de afagar o ego. O meu, que anda bem tratado e protegido por uma quantidade razoável de banha, tem escassa necessidade de afago e só gosta dele quando é desinteressado.

Mas não foi possível não reparar que, em outros quadrantes da cartografia docente, se deram certas inflexões, não necessariamente coincidentes no tempo, mas não muito distantes.

Não sou o único a vir na lista telefónica… e há quem tenha egos mais à superfície da pele…