Versões


a enormidade

ficar e ver aquilo tudo

desde que nasce até que morre

 

 

 

um outro observador poderia fazer o mesmo

[eu]

Num relatório entregue ao Governo em dezembro passado, o FMI propõe entre 30 a 50 mil docentes em regime de mobilidade especial, aulas de 60 minutos, 40 horas semanais de trabalho para todos os funcionários do MEC e aumento das propinas no Ensino Superior.

Mas…

Em causa está um relatório do Fundo Monetário Internacional com propostas para o corte da despesa pública em 4 mil milhões de euros, que o Governo recebeu hoje e divulgou na sua página na Internet, depois de este ter sido noticiado pelo Jornal de Negócios – segundo o executivo, numa versão preliminar.

De acordo com Carlos Moedas, a versão final deste documento só foi recebida pelo Governo ao meio-dia, tendo sido de imediato divulgada.

Percebo as dificuldades em aparecer pela qualidade, alegadamente. Por via das dúvidas – na minha opinião.

Eu tenho dificuldades em escolher só um produto português de qualidade e por isso prefiro destacar três: o vinho, o peixe e a advocacia.

Não percebo é qual o vinho que acompanha melhor a advocacia. Palheto?

GNR, Cais

Se bem ouvi, a única nova versão que vale a pena ouvir de uma revisitação completamente falhada ao próprio passado de um dos meus grupos de culto.

Podemos tentar romanceá-la ou meramente olhá-la com objectividade, maior se for de fora. Daniel Oliveira tenta reescrevê-la a partir do seu ponto de vista, de protagonista disfarçado de observador, sendo que ambos estão comprometidos com uma das leituras dos factos.

O texto que escreve no jornal que mais fez pela ascensão e queda do Bloco é interessante pelas deformações do olhar que contém. Pode ser «escrito por alguém que esteve profundamente envolvido na sua fundação, que foi seu dirigente e que é seu militante», mas essas tanto são as suas vantagens quanto limitações.

A efabulação sobre os objectivos originais do Bloco esbarra com aquilo que um observador não comprometido, mas não desinteressado ou totalmente desconhecedor, conclui com alguma facilidade: existia um partido de esquerda radical com uma razoável estrutura de bases (UDP), mas sem grandes figuras apelativas para o eleitorado, ao mesmo tempo que existia outro partido da esquerda radical com bastantes individualidades mas escassa implantação no terreno, em especial fora de algumas avenidas de Lisboa e, quiçá, de uma ou outra cidade do continente (Setúbal, Porto). A juntar a isto existiam ainda uns farrapos de dissidências diversas e grupos com nomes giros criados para manter alguns nomes no radar mediático (Ruptura-FER, Política XXI).

Deste cozinhado algo desconchavado de sabores muitos diversos e por vezes conflituantes, quis fazer-se algo como uma harmonioso cassoulet ou (para quem preferir peixe) um bouillabaisse, isto para ser fiel à matriz francófona desta espécie de esquerda nova que não era bem uma New Left, até porque os ingleses fazem revistas boas de extrema esquerda, mas fracassam bastante em partidos. Num momento mais inspirado, poderia ser uma boa sopa da pedra de Almeirim, mas num mau um amontoado de ingredientes sem grande sentido.

Daniel Oliveira pode mitificar as origens, afirmando que «resumir o Bloco a uma aliança de grupos de extrema-esquerda não é apenas uma caricatura. Torna impossível a compreensão das suas dinâmicas internas e das suas grandes opções políticas.» Só que impossível é compreender as grandes opções políticas de quem defendia vias diametralmente opostas para objectivos não necessariamente concordantes.

Teve graça, teve amplificação mediática muito favorável, inchou eleitoralmente e, com o tempo, manteve designações diferentes, mas tornou-se mais igual aos outros partidos na forma de agir, com uma ortodoxia, uma disciplina política, uma forma interessante de purgar inconveniências ou as manter afastadas dos círculos de decisão e uma crescente pessoalização da liderança.

O que inchou, desinchou por erros próprios, desfavores alheios, remoques pessoais e porque as coisas são o que são. Cachorros e gatos podem dar-se bem, mas o mais certo é que isso não aconteça, em especial quando a comidinha falta.

O que falha na explicação das origens gloriosas (de que se afirma protagonista), é acertado no diagnóstico dos males seguintes (nos quais não participou). Daniel Oliveira apresenta um passado dourado que ajudou a construir e um presente sombrio, causado em parte pelo afastamento daqueles que, como ele, se arrogam da tocha original.

Mas a verdade, a dura verdade, é apenas uma e a ela também lá chegamos mais perto do final do texto. Há uma opção a fazer: ou o Bloco é um partido de protesto, uma espécie de consciência da esquerda e deverá saber lidar com um peso eleitoral menos significativo ou o Bloco se assume como um partido capaz de fazer pontes para chegar ao poder executivo.

Obviamente, Daniel Oliveira opta pela segunda hipótese.

O papel do Bloco é ocupar um espaço amplo na esquerda, que não se revê nem na ortodoxia do PCP, nem na moleza do PS, mas que quer um Bloco disponível para soluções de poder. Foi essa esperança que levou o Bloco aos dez por cento e que o poderia ter levado ainda mais longe.

Resumindo. Daniel Oliveira poderia ter sintetizado o seu longo e didáctico artigo em poucas frases, a última das quais seria: «o Bloco foi criado para ser um partido de Poder e não de protesto».

É isso que é evidente para quem, como eu, viu o Bloco nascer de fora, mas perto de um dos núcleos jovens do então imaginativo PSR: a FCSH da Nova na segunda metade dos anos 80 e inícios dos  anos 90. E que conhecia, pela proximidade, como funcionava a UDP num dos seus terrenos mais férteis. A margem sul.

O que esteve sempre em causa foi ganhar posições, lugares, Poder. Político, académico, cultural, mediático.

Ganhar Poder.

Inglês técnico ou desonestidade

Memorando da troika: afinal, há duas versões

FMI, Comissão Europeia e BCE querem que Portugal acelera alterações às regras por despedimento e fizeram alterações ao texto original.

Memorando: Bruxelas aprova versão diferente da que Governo assinou

Nova versão do acordo dá atenção especial a empresas regionais e municipais.

Raios… será preciso – também neste caso – pedir as actas negociais?

Vou chamar o Juvenal Paio. E vou!

Assumido autor das propostas do PSD em matéria de Educação – ou, pelo menos, de parte delas – Santana Castilho apresenta-se como uma espécie de Fernando Nobre para esta área da governação, procurando capitalizar a simpatia granjeada nos últimos anos com o seu vigoroso discurso anti-Sócrates e anti-Maria de Lurdes Rodrigues.

Em entrevista ao Educare deixa-nos a parte do afago ao ego dos professores e, novamente, a crítica ao passado. Quanto ao futuro, temos pouco, por enquanto. E o que temos entra, em diversas matérias, em contradição com o programa eleitoral do PSD nestas matérias e com outras vozes nesta área política:

E: Avaliar as atividades da tutela é uma das medidas que propõe no seu livro. Desconfiado com a atuação do Ministério?
SC:
Como em qualquer sistema, quem dirige é o primeiro interessado em ter elementos constantes que permitam corrigir rotas mal traçadas. Um Ministério da Educação não é um califado a que se deva obediência cega, ou um papado infalível. Não é uma questão de desconfiança. É uma questão de mudança de paradigma. Auscultar o que os portugueses pensam da aplicação das políticas delineadas pelo Ministério da Educação parece-me ser um belo começo para que professores, pais e alunos se sintam cada vez mais como entidade coesa.

(…)

E: O que se ganharia com a extinção das direções regionais de educação, como sugere?
SC:
O que se ganha quando se removem excrescências moles, que de nada servem a não ser complicar o normal funcionamento do sistema. Defendo, como sabe, a ampla autonomia das escolas e a responsabilização plena dos seus agentes pela respetiva missão. Neste quadro, ter uma corte de burocratas de serviço, que são meras correias de transmissão de um poder centralizado, que também combato, seria impensável. Tanto mais que consomem uma boa maquia dos impostos dos portugueses.

E: Estamos perante um sistema de ensino que não funciona? Diz que copiar modelos do estrangeiro nem sempre resulta…
SC:
Não resulta nunca. Temos a nossa cultura e os nossos problemas específicos.

E: Por que razão afirma que é um “disparate” ter os portugueses na escola até aos 18 anos?
SC:
Como pai, não aceito que o Estado decida por mim e pelos meus filhos a educação que eles prosseguem. Como cidadão, quero liberdade para trabalhar aos 16 anos, como, aliás, o próprio Código do Trabalho consigna. Deve o Estado garantir a todos que queiram e tenham capacidade para tal, sublinhe-se, a prossecução de estudos, sem entraves. Mas não deve o Estado impor a escola a quem já pode ser responsabilizado por crime, sabe o que faz e quer ir trabalhar. Porque, ao invés de ser compulsiva, a educação deve ser tida como um direito. Chega de Estado que diz proteger-nos de tudo menos dele próprio.

Sobre a questão da avaliação do desempenho, fica uma declaração de princípios interessante, mas que o programa do PSD não desenvolve e, em caso de dúvida, gato escaldado…

E: Critica duramente o modelo de avaliação, referindo que é “tecnicamente uma nulidade e politicamente um desastre”. Contra a avaliação ou a favor de um outro método avaliativo?
SC:
A avaliação é uma coisa distinta da classificação. Um primeiro-ministro e uma ministra da Educação ignorantes e que odiaram os professores confundiram os dois conceitos e impuseram, à bruta, um sistema de classificação inqualificável.

Não sou contra a avaliação, desde que seja exequível e contribua para melhorar a qualidade do sistema de ensino e a qualidade do desempenho dos professores. Qualquer inteligência média compreende isto. Infelizmente, muitos políticos e comentadores não compreenderam e continuam a não compreender.

Pois, a retroactividade das leis que atentam direitos adquiridos só é inconstitucional quando…

Proibição de acumular pensão com salário só se aplica para o futuro

De acordo com as explicações dadas ao início da tarde pelo Ministro das Finanças, a norma que proíbe a acumulação de salários com pensões suportados pelo Estado só se aplicará às situações futuras.

Ontem à noite, o Ministério das Finanças tinha garantido que a proibição iria abranger todos os que estivessem a acumular salários e pensões. Mas hoje, e depois de uma análise “legal e de carácter constitucional”, o Governo acabou por recuar na aplicação retroactiva da norma.

Pixie Lott, Use Somebody (e os Kings contorcem-se de desespero…)

Freemasons & Sophie Ellis-Bextor, Heartbreak Make Me a Dancer

Sophie Ellis-Bextor, Yes Sir, I Can Boogie (sem batota, quem é que cantava isto há 30 anos?)

Velvet Revolver, Psycho Killer
(Sim, esse clássico dos Talking Heads, como se tivesse sido atropelado pelo George Thorogood)

Número de ocorrências registadas nas escolas diminuiu significativamente em 2007/2008

O número de ocorrências registadas por escola diminuiu significativamente em 2007/2008, pelo segundo ano consecutivo, sendo de salientar que, na grande maioria dos estabelecimentos de ensino (90,9 por cento), não se registou qualquer incidente.

Os dados divulgados pelo Programa Escola Segura evidenciam uma redução significativa do número de ocorrências por escola registadas no ano lectivo de 2007/2008, relativamente aos dois anos lectivos anteriores.

Mais agressões nas escolas

O ano lectivo 2007/2008 registou um aumento do número de agressões a alunos (20,6 por cento) e professores (11,3 por cento), tendo-se verificado mais 225 actos de violência sobre os estudantes e mais 21 contra docentes que no ano anterior, totalizando, respectivamente, 1317 e 206 casos. Lisboa (513 casos), Porto (340) e Setúbal (168) são as cidades com maior número de ocorrências registadas pelas forças policiais.
(…)
CASOS QUE DERAM ORIGEM A QUEIXAS ÀS FORÇAS POLICIAIS

2006/2007

808 – PSP
653 – GNR
64 – CPCJ (Comissão Protecção de Crianças e Jovens)

2007/2008

1212 – PSP
778 – GNR
224 – CPCJ

AOS SENHORES PRESIDENTES DOS CONSELHOS EXECUTIVOS

COMO SE ELABORA UM PEDIDO DE DEMISSÃO EM BLOCO

PEDIDO DE DEMISSÃO

AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Vimos por este meio apresentar oficialmente o pedido de demissão da categoria dos adultos.

Resolvemos que queremos voltar a ter as responsabilidades e voltar aos bancos da escola como uma criança de oito anos no máximo.

Queremos acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas.

Queremos de volta uma vida simples e sem complicações.

Estamos cansados de dias cheios de papéis inúteis, computadores, notícias deprimentes, professores e titulares, quotas, cotas…

Não queremos mais dizer adeus a pessoas queridas e, com elas, a uma parte da nossa vida.

Queremos ir tomar o café da manhã na padaria da esquina, e achar bem melhor do que um restaurante cinco estrelas.

Queremos jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam.

Queremos achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade.

Queremos poder passar as tardes de verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com os nossos amigos.

Queremos voltar ao tempo em que tudo o que se sabia era o nome das cores, dos números de 1 a 10 e das cantigas de roda. Voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência de coisas que nos podem preocupar e aborrecer.

Queremos ainda acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia e queremos convencer-nos de que tudo isso vale muito mais do que o dinheiro!

Aqui fica a chave do carro, a lista do supermercado, a receita do médico, os cartões de crédito, as contas a pagar e resolvam as coisas ao vosso jeito.

Pedimos deferimento

Os PCE’s

texto adaptado

Fernando Oliveira

… há dias não diziam que não existia aumento significativo da criminalidade?

Criminalidade violenta aumentou 10%

A revelação pertence ao responsável do Gabinete Coordenador de Segurança, Leonel Carvalho, que comparou os dados deste ano com os de igual período de 2007.

Jools Holland e Kylie Minogue, I Should Be So Lucky

Onde se prova que, afinal, a qualidade de uma música está tantas vezes no mau gosto do arranjo. Com acompanhamento ao piano e um tempo mais lento tudo muda…

E Toy e o Emanuel lá terão a sua razão.


Versão humana


Versão digital

Radiohead, House of Cards

A enorme vantagem de ter estado quase 24 horas «apagado» é que tive tempo para não divulgar nada de errado sobre a Assembleia Geral do SPGL de ontem.

Por mail e na blogosfera cruzaram-se informações contraditórias e, para um leigo na matéria como eu, perfeitamente ausente do evento, a ânsia por dar notícias de última hora» poderia ter sido fatal.

A quem interesse fica aqui o relato oficial dos acontecimentos.

Enorme argumento do Ministério para amesquinhar a imagem dos professores perante a opinião pública, o tempo que os professores portugueses trabalham está longe de ser apresentado como deveria.

Se repararmos bem nestas tabelas constatamos que existe uma importante diferença entre tempo de trabalho total e tempo de trabalho na sala de aula. E este é um aspecto que se costuma ignorar e que passa por tudo aquilo que um professor português faz numa escola que não faz em muitos outros países (sendo que a amada Finlândia não aparece nesta tabela e é pena), desde trabalho administrativo básico (inserir os nomes dos alunos nas bases de dados e listas das tumas, preencher formulários às dúzias para os processos dos alunos) até ao desempenho de funções que deveriam ser asseguradas por técnicos especializados (apoios a alunos com NEE, acompanhamento dos alunos em actividades extra-curriculares, preenchimento de grelhas estatísticas para diversos tipos de dossiers ou estudos estatísticos do ME, planos individuais para alunos que se recusam a aprender, mais os relatórios a explicar se o que foi foi mesmo assim, tudo multiplicado por 20, 25 ou 30 por turma).

Se repararmos, nestes cálculos, para além do 1º CEB, mais de metade do trabalho dos docentes é feito em outra coisa para além de dar aulas. O que poderá ser considerado normal, mas nem sempre reconhecido. Se o Ministério pretende que os docentes leccionem mais aulas, que tal se lhes retirassem toda a carga de trabalho administrativo que agora lhes cai em cima e que, por exemplo, há 20 anos era desempenhado por pessoal administrativo que eu bem me lembro? Ou que contratasse técnicos para facultar o apoio devido aos alunos com necessidades específicas de acompanhamento? Porque um(a) psicólogo(a) e um(a) ou dois(duas) professoras de Ensino Especial por agrupamento de milhar de alunos pode ser um enorme avanço em relação ao Terceiro Mundo, mas não chega para chegarmos aos calcanhares do Primeiro.

Isto para não falar no facto do ME não considerar como aulas aquilo que muitas vezes efectivamente o são. E como os dados reportam a 2005 não sei se já não passarão por aqui as famosas aulas de substituição, em que aulas não eram consideradas aulas, até o tribunal aparecer a demonstrar o contrário.

Página seguinte »