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tc

… tenho muito pouco a dizer de positivo, excepto que o professor Marcelo me diverte, já o fazendo antes de ter sido líder partidário.

Os outros distribuem-se – a par de ex-ministros – por diversos círculos concêntricos de oportunismo, coscuvilhice e frete, com muito raras excepções.

O caso de Marques Mendes é um daqueles em que o factor coscuvilhice e conversa de corredor tem maior peso, fazendo um trabalho próprio de jornalista político com boas fontes, mas tão só isso.

Claro que diz coisas  certas e outras erradas.

E percebemos que são tanto mais erradas quando percebamos um mínimo do tema.

Ontem, pelo pouquinho que vi, Marques Mendes foi intelectualmente muito desonesto na forma como tratou estatísticas da Educação, com comparações descabidas e escalas gráficas marteladas, configurando aquilo que eu considero calamidade ou mesmo bosta analítica ali a partir de 1’45, quando coloca os quadros dos alunos do 1º ciclo em comparação com a evolução do número de professores de todos os ciclos, remetendo para 2010, quando existem dados muito mais recentes sobre o número de professores, muito abaixo dos que ele apresenta, na ordem dos 100.000 professores dos quadros, mas uns 10-15.000 contratados.

Marques Mendes poderia ter feito isto por manifesta ignorância na matéria.

Mas não acho que tenha sido isso.

Fez o que fez porque se tornou um recadeiro.

Para recordar o que foi dito:

Não são os funcionários públicos, as despesas com prestações sociais?
Há, de facto, uma reforma profunda da Administração Pública a fazer. Vivemos ainda com um sistema que vem do Dr. Salazar. O número de funcionários públicos vai diminuir porque as pessoas se vão reformando. O problema não é esse, é como trazemos para a Administração pública a gente melhor do país, e como pomos os serviços a funcionar com outra competência.

Mas com diminuição de salários?
Mas a diminuição de salários não é uma política, é uma urgência, uma emergência, não pode ser de maneira nenhuma uma perspectiva de futuro. Mas aquilo que se fez em Portugal nos últimos anos, foi um crescimento completamente disparatado dos salários, que não podíamos pagar e agora temos a necessária correcção.

A moderação salarial é o caminho para ganharmos competitividade?
Neste momento, não lhe podemos escapar e é uma ajuda fundamental para o país. Por exemplo, em Espanha, mesmo com 25% de desemprego, os salários continuam a subir, e portanto o desemprego vai continuar a aumentar.

António Borges, como muitos outros, é profundamente ignorante na disciplina (para eles menor) de História pois consegue ligar nas mesmas declarações que o sistema da administração pública é basicamente o dos tempos de Salazar e que os salários cresceram de forma disparatada. António Borges poderá saber de muita coisa, mas em História e Política é de uma ignorância que confrange.

Mas ele até terá a sua razão… num mundo em que o crescimento disparatado dos saláriose não se lhe aplica ou àqueles que sente como seus:

António Borges é especialista em frases infelizes Em 2004, numa entrevista ao Expresso foram várias de rajada. Uma delas relacionada com a sua mais recente “boutade”  de que “diminuir salários não é uma política é uma urgência”, que mereceu críticas do PCP ao CDS. Vale a pena recordar.   

Perguntava-lhe a jornalista da revista Ùnica do Expresso sobre os salários dos políticos. Borges respondia:  “a política tem de permitir aos políticos ter uma vida razoável. Não consigo perceber como é que alguém com o estatuto de um secretário de Estado consegue viver com os ordenados que eles vivem“.

Vou tentar ser claro: foram e são pessoas como António Borges que não fazem falta ao país e poderiam continuar o seu trajecto profissional, apresentado como de sucesso, lá fora.

Mas como certos diplomas e currículos, desde que tenham um toque amaricano, parecem cegar os a saloiada nacional que chega ao poder…

Basta ver o actual sucesso de alguma petizada liberal, criada em aviários universitários estrangeiros com o dinheiro dos papás e mamãs.

“Esta dívida das autarquias, a existir, é do País inteiro”

O presidente da Associação Nacional de Municípios, Fernando Ruas, diz em entrevista que a dívida das autarquias é “justa”.

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