Umbiguismo


Na falta de vontade para escrever sobre coisas mais interessantes – ou não – vou gastar algumas linhas com um comentário, algo lateral, acerca da incomodidade que alguns políticos sentem ao serem criticados por cidadãos comuns. Ou por alguém que julgam querer passar de cidadãos comuns a algo mais.

Não interessam agora os detalhes pessoais da coisa, pois nem foi caso inédito ou singular. Ainda me lembro da violenta reacção daquele Amorim morcão quando eu ousei questionar-lhe qualquer coisa ou mesmo uma reacção (pública, através do fbook) para além de qualquer minha deselegância de uma ctual secretários daqueles que não vão além de adjuntos.

Só que recebi recentemente um mail de uma pessoa da nossa classe política que não conheço pessoalmente e com quem nunca me cruzei na vida, mas que tive a sorte ou o azar de ter como governante e parlamentar e sobre cuja acção – neste caso, será mais inacção – tive a ousadia de dar a minha opinião aqui no blogue com uma sinceridade que parece ter sido contundente.

Ora bem… é a vida!

Tal como eu me presto a levar na cabeça pelos disparates que digo ou faço, com uma notoriedade a uma escala micro, também quem se deixa ir para cargos de responsabilidade macro se deve preparar para que nem toda a gente fique em estado de adoração.

Nem sequer se tratou de um texto particularmente adjectivado, mas parece que deixou um dos alvos com menor admiração pela minha sabedoria (e aqui sou obrigado a sorrir) e decidiu dar-me isso a conhecer.

O que eu até acho bem, aproveitando na minha resposta para corrigir factualmente a adjectivação efectivamente usada no tal post.

E para esclarecer que entre uma “sabedoria” mansa e moribunda e uma “não-sabedoria” ainda com alguma vida cá dentro, não há hesitações nenhumas da minha parte.

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… o facto de um tipo ter um currículo público e alguma capacidade para não ficar caladinho entre as paredes da escola.

Claro que eu aproveito logo as oportunidades da melhor maneira que posso, até porque este comentário a expelir ódio não tem a origem que se possa pensar a uma primeira leitura. O problema da malta que escreve com raiva de tipo pessoal é que não consegue fugir às impressões digitais.

Mas, como acima disse, nada como aproveitar o pretexto para a vã glória que até já tinha resumidamente explicado aqui, não sendo coisa nova.

Então é assim…

Parece incomodar a algumas pessoas que eu, formado em História e sendo professor, tenha feito um doutoramento em História da Educação na Universidade (Clássica) de Lisboa, com tese publicamente defendida durante mais de três horas na respectiva Reitoria. Confesso que não é a melhor tese do mundo, mas admito que não me envergonha, apesar de muita gralha ter lá ficado, pois acabei-a já a dar aulas, depois de ter estado 3 anos como equiparado a bolseiro (o doutoramento dava direito a 5 anos, mas eu só concorri a 3).

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O diploma é legítimo e a data é correcta. Não é um doutoramento ou pós-doc feito em seis meses numa universidade de acolhimento com bolsa para passear e conhecer a estranja, é dos nacionais e daqueles feitos a sério, sem e-learnings e associações a universidade de vão de escada lá fora ou cá dentro.

Parece ainda incomodar alguma gente que uma dúzia de anos antes tinha feito o meu mestrado old style (4 aninhos) na minha alma mater original (FCSH-UNL), enquanto dava aulas como contratado, parecendo-me que a coisa nem correu mal, pois a publicação resultou de ter ganho um prémio de investigação na minha área de especialidade, com o devido patrocínio de uma ONG feminista, pelo que não deve ter sido dada sem algum fundamento.

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O que não parece incomodar a malta – em especial aquela que não está no activo ou que, quando esteve, planava sobre as águas turbulentas – é o trabalho diário de professor, feito com orgulho, do Ensino Básico, com 6 turmas atribuídas (2 de Português e 4 de História), trabalho esse muito mais difícil de cumprir do que outros com mais honrarias associadas para os pobres de espírito.

Há caramelos que, ou porque se encostaram apenas ao Secundário nos anos gordos ou porque conseguiram que o apelido ou cartão os metesse numa qualquer departamento, gostariam que eu me ofendesse com certas coisas… mas isso é desconhecer-me por completo.

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Uma coisa tem sido sempre certa… todos os que me conhecem sempre souberam onde me encontrar no dia 1 de Setembro (acho que este ano foi a 2), sem ser preciso recear que eu queira o lugar de qualquer outra pessoa minha conhecida, pois estou muito bem onde estou.

Se consigo fazer mais coisas nos meus tempos extra?

Sim, é verdade… este ano, para além de vários artigos de extensão variável sobre Educação, entreguei para publicação uma biografia parlamentar do Afonso Costa (em edição da Assembleia da República, entidade que avaliou da minha competência científica para a missão e recebeu mais 20% de trabalho do que o encomendado) e um ensaio sobre Liberdade e Educação (edição da FFMS para o início de 2014), cujo conteúdo foi plenamente confirmado pelos PISA 2012.

Fui pago por ambos os trabalhos, passei recibo e ando a fazer pagamentos por conta ao fisco, pois tudo o que recebo é devidamente declarado.

Se isso causa problemas a alguém?

Vão-se catar!

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(c) Maurício Brito

Ao que parece está em decadência neste blogue.

Dizem-no algumas pessoas extremamente dotadas para esse debate só lhe faltando as ideias.

Aliás, o maior partido da oposição abriu um Laboratório das ditas e até hoje não se conseguiu ver uma sobre Educação que não fosse mais do mesmo.

A culpa é minha se não há alternativas.

Mesmo se há quem tenha o tempo todo do dia para as procurar.

Passam à 2ª fase, com votação a partir de logo à noite, António Borges, Miguel Relvas, Nogueira leite e Eduardo Catroga.

Se a adesão à ideia for grande, ainda somos capazes de fazer uma coisa gira, só para se lembrarem dos que trabaljam para o estado e não encostados ao estado.

… e apesar do dia de enorme tensão para muitos, muitos milhares de professores e respectivas famílias…

(c) Maurício Brito

Em meu entender, o melhor boneco de sempre.

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