Tristeza


Faleceu esta noite o pai do meu velho amigo e camarada de lutas perdidas Luís Guerreiro, o dos painéis azulejistas e bd’s afins. Ficam aqui a homenagem e a tristeza. Por hoje, as bloguices ficam restritas ao essencial.

LG

… o que aqui é afirmado? Porque é muito incómodo e desagradável espalhar-se a notícia, caso seja infundada. Nunca o cheguei a conhecer pessoalmente, mas admirava a sua forma intensa de viver estas coisas, mesmo quando discordávamos e a nossa última e amigável troca de mails até foi de confronto entre perspectivas diferentes de alcançar algo. Infelizmente perdi a maioria dos meus contactos do tm antigo, o que inclui dezenas daqueles que se foram recolhendo por 2008…

Um tipo já fica feliz por não perder. E ainda por cima a jogar fora é quase como se fosse uma vitória.

… ao contrário de outros.

Inimigo Público pode acabar. Suplemento procura patrocinador

É triste mas… já quase serve de consolo.

Percebo, mas volto a lamentar, anos após anos, que os professores sintam medo de assumir as suas posições e críticas de proximidade, em nome próprio, relativamente a problemas de proximidade, sem receio de retaliações.

As escolas e agrupamentos não podem ser coutadas ou feudos, com direitos senhoriais e privilégios só para alguns.

Lembro-me do actual MEC criticar repetidamente os comissários políticos que seriam enviados ás escolas por antecessoras suas, destinados a manter na ordem os professores.

O que dizer agora quando o que se passa é que essa função de comissariado político se transferiu para alguns órgãos de gestão, de novo e quase sempre com o beneplácito das DRE não-implodidas?

Será quer a Nuno Crato não aflige a prática da opacidade e da intimidação nas escolas e o medo que muitos professores sentem em expressar-se?

Não será esse um problema mais daninho para a democracia do que a contagem dos tostões?

Adormeceram professores e acordaram sem turmas

Mas há quem ache que não é drama, que no privado é assim, esquecendo-se que as funções do Estado devem ser reforçadas e não descartadas em tempos de forte crise económica e social.

O drama de uns não implica que todos tenham de sofrer.

Se há coisa que me mete espéce são os liberais que são muito socialistas quando se trata de espalhar a miséria por todos, desde que sejam os outros.

Esta parte não se refere ao texto do JMF mencionado em epígrafe, mas a uma coligação mais vasta de opinadores…

Pequeno texto, muito sintomático, recolhido no mural do FB de uma participante na manifestação de ontem, antiga comentadora aqui no blogue, que agora só aparece de forma bissexta.

A manifestação dos professores, ontem, foi, para mim, das mais difíceis em que participei, e quem me conhece bem sabe que não foram poucas. Ver nos rostos dos colegas o medo e a coragem abraçados contra um futuro suspenso agora – a certeza do desemprego.
Debaixo do sol quente da tarde a parecer verão senti-me triste.

R.

Não gosto de vitórias morais a qualquer preço ou de encobrir falhas quando acontecem. Fiquei desanimado com os resultados dos meus alunos no exame de Língua Portuguesa de 6º ano. Os resultados obtidos, apesar de estarem na média nacional de sucesso (76%), foram abaixo das minhas expectativas nesse parâmetro, bem como no da qualidade de sucesso (bem abaixo da média nacional.

Houve demasiadas descidas de nível em relação à classificação interna que atribui, de nada me consolando relativizar as coisas com comparações internas ou externas.

Como em outro anos me congratulei com o trabalho feito por turmas PCA em provas de aferição, desta vez assumo a falha, talvez motivada pelo facto de não ter colocado tanta pressão quanta colocava quando eram provas que assumidamente não contavam para nada.

Caro Paulo Guinote

Desculpe incomodá-lo mas como não encontro forma de expressar a minha revolta  e parece-me que, neste momento, é o único com possibilidade de divulgar o que está a acontecer nas escolas com a aplicação de Despacho Normativo 13-A, aumento do número de alunos por turma, fim de EFAs, Profissionais, regras inconcebíveis e incompreensíveis para a constituição de turmas do ensino recorrente, etc.

Para cumprir com o que está estabelecido no 13 –A houve necessidade de reunir o CP da minha escola e aí fiquei a saber que quase um terço dos meus colegas vai ficar, pela aplicação das novas regras, com horário zero e, como tal, vai ser convidado a concorrer ao destacamento por ausência de componente lectiva.

Quando cheguei a casa, a minha mulher, que também é professora, conta o desespero que viu na sua escola pois muitos colegas foram convidados também foram informados que tinham de concorrer por ausência da dita componente lectiva.

Não consigo perceber nem calar a minha revolta quando, não vai há grande tempo, por causa de uma maldita ADD que todos fizeram sem grande esforço mas que levou ao Marquês do Pombal, por três vezes, cento e vinte mil professores.

Hoje, milhares de professores ficaram a saber que vão para o desemprego (contratados) e outros estão pensar como vão viver daqui para a frente, longe da família, mais pobres e com todos os seus sonhos completamente desfeitos.

Será que ninguém está a par desta situação? Onde está a força e a solidariedade dos cento e vinte que gritaram bem alto a sua revolta contra uma ADD errada mas que não tem comparação com este ataque ao ensino público, à destruição dos empregos da classe docente e ao destruturar milhares de lares?

Um abraço,

M.

Não são novidade. São uma tentação.

Mas mais compreensível em gente desempregada, desesperada em busca de uma colocação.

Outra coisa é com gente instalada, actores e manobradores do sistema. Gente que sabe que terá sempre um encosto na vida, que nunca cairá em desgraça. Que mesmo ganhando 10 oficialmente, andará a gastar 40 algures.

E pior.

Repito um velho argumento: quero lá saber se o Sócrates, o Relvas, o Seguro, o Passos Coelho têm licenciatura, mestrado ou doutoramento. Não é isso que os torna mais ou menos capazes, competentes ou honestos.

O que lhes tira valor é, bem adultos, com a vida bem posicionada, ainda se preocuparem em arranjar canudos por portas meios atravessadas, enriquecerem os currículos com tretas que qualquer pessoa informada sabe serem tretas, mentirem sobre o passado e presente. Baralharem-se todos nas explicações, quererem esconder as certificações declaradas, serem adeptos da opacidade e ameaçarem ou mandarem ameaçar quem pede transparência.

Um comentador deixou em post abaixo este link para um curso que tem um corpo docente assaz curioso. À cabeça surge António José Seguro que na segunda linha das habilitações indica “Presença do Mestrado em Ciência Política”. O que quer dizer isto? Foi admitido no dito mestrado? Frequentou-o? Passou por lá e disse olá aos amigos? Nem sequer a instituição é assinalada… O segundo docente identificado é ainda mestrando na próprio instituição em que é docente mas apresenta uma poderosa posição actual – “Chefe do Gabinete do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares do XIX Governo Constitucional, Dr. Miguel Relvas”.

Os restantes docentes surgem por ordem alfabética. Estes não. Parecem ser apresentados como montra. Pobre montra, esta.

Pobre país. Pobre Ensino Superior.

Porque acontece isto?

Porque vivemos numa feira de pobres vaidosos, que se deixam dominar pelo que imaginam de si mesmos e aceitam ser usados como chamariz para tolos.

Porque se mantém este estado de coisas? Porque quase todos são primos, ou amigos, ou compadres, ou ex-namorados, ou colegas de golf, ou parceiros de farras de juventude. Ninguém quer tocar verdadeiramente em ninguém, para que a sua manta não seja puxada e deixe os próprios pés descalços à mostra.

Fez parte do núcleo inicial dos comentadores do Umbigo, desde finais de 2006

Paulo,

Morreu a Amélia Pais, de Leiria. Aliás, a sua terra Natal é Fornos de Algodres. Não sei se conhecia.

Professora de P maiúsculo e estudiosa da Língua e Literatura Portuguesas . Autora de vários livros. Sobre Camões: “Para compreender os Lusíadas”; edição escolar anotada, de Os Lusíadas; “Eu cantarei de amor”; “Ensinar os Lusíadas” e “Os Lusíadas em prosa” (adaptação juvenil. Escreveu também sobre Gil Vicente, Fernando Pessoa e padre António Vieira.

Autora do blog http://barcosflores.blogspot.pt/ e outros sítios da net. Uma lutadora por muitas causas dos professores ao longo de muitos anos.

Bjs

Mª das Dores

Em tempos o Sporting  já teve uma equipa que sabia jogar. Não vale a pena queixarmo-nos do penalty não marcado. Até eu pensei que não era antes de ver a repetição.

Que saudades do Beto Acosta, um homem que sabia cair sem espalhafato.

… mas estranha-se um pouco – já é apenas um pouco, os padrões foram baixando – que seja a um professor que se pergunte o que é algo que após algum esforço de interpretação da palavra se entende ser um quisto (guismo foi a palavra inicialmente entreouvida, fazendo pensar que se referia a um gizmo, o que não batia certo a menos que tivesse visto recentemente o Gremlins) que está a crescer nas costas do aluno, na zona perto do ombro e que começa a doer e dar muita comichão.

Tenta-se perceber se alguém em casa o pode levar ao Centro de Saúde, mas a resposta parece ser envergonhadamente negativa. Contactada a DT, percebe-se ainda que o problema nem é novo, já foi falado no ano lectivo anterior, mas tudo permanece na mesma.

Encaminha-se para a equipa de Saúde Escolar pois a Escola é neste momento, por manifesto colapso de tanta coisa a jusante e em seu redor, um imenso albergue espanhol (talvez antes uma loja do amigo Wu) onde se busca a solução para todo o tipo de problemas que mais nada ou ninguém resolve, tem tempo para resolver ou se sente na obrigação de.

… mas eu ainda estranho que, em família, se esqueçam do aniversário de qualquer dos meus alunos.

AINDA A PROPÓSITO DE CONTRATOS A TERMO (IN)CERTO…

O meu nome é Maria ***********************, sou professora do grupo *** e fiquei colocada, aquando das Necessidades Transitórias, a 31 de agosto, no Agrupamento de Escolas ******************, em ****************, com um horário de 18h até 31.08.2012. Até aqui, acho que tive muita sorte, perante o panorama…
Entretanto, concorrera para alguns horários completos anuais em escolas TEIP (ofertas de escola) e, a 12 de setembro, fui contactada pelo Agrupamento de Escolas ************* , no Porto, para um horário de 22h, igualmente até 31-08-2012. Gostaria de referir que, felizmente, esta escola não apresenta critérios caricatos para colocar professores. Rege-se pela lista de graduação, o que me permitiu, com os meus quase 12 anos de serviço completos, conseguir obter o lugar.
Na altura confirmei estes dados e acabei por aceitar este horário e rescindir o das 18h, ainda dentro do período experimental e cumprindo com a lei em vigor. O horário das 18h foi denunciado a 12 de setembro e o do Agrupamento de Escolas ************** foi iniciado a 13 de setembro, conforme consta da aplicação da DGRHE.

Recentemente, recebo o meu contrato na aplicação para assinar e, qual não foi o meu espanto, quando me deparo com um contrato a termo incerto. Andei a procurar informação e descobri que a DGRHE enviou para todos os estabelecimentos de ensino, a 15 de setembro, uma nota informativa acerca dos contratos e que dava a conhecer o facto de, a partir desta data, todos os contratos serem a termo incerto. Mas o meu contrato tem a data de 13 de setembro, anterior, portanto, a esta nota da DGRHE.

Quando uma das minhas colegas (exatamente nas mesmas circunstâncias que eu) falou com o meu diretor acerca deste assunto, ele disse que nos podia mandar embora quando bem entendesse, em junho ou julho… Ora o meu horário (e a aplicação da DGRHE assim o confirma) é até 31.08.2012.

Contactei telefonicamente a DGRHE, por três vezes, que me assegurou que o meu diretor não me podia rescindir contrato antes desta data, porque, mesmo que o quisesse, a aplicação não o ia permitir. Acredito que seja verdade, não duvido, mas gostaria de ter um comprovativo dessa afirmação por escrito para poder mostrar ao meu diretor, o qual me foi negado.

O que me arrelia ainda mais é o facto de ter também conhecimento de pessoas colocadas, como eu, em escolas TEIP, e que têm contratos a termo certo, assim como pessoas que ficaram na primeira bolsa de recrutamento, em horários anuais, e cujos contratos foram alterados pela DGRHE de termo incerto para termo certo e o meu contrato é a termo incerto… Gostaria de saber porquê…
É que, afinal de contas, se eu assinar este contrato que a escola e a aplicação da DGRHE me fizeram, vou estar a aceitar condições que não correspondiam àquelas a que concorri e que me confirmaram no dia em que, por telefone,aceitei este horário… Aliás, nem o meu diretor está a assinar um contrato que está de acordo com o horário que ele lançou na DGRHE para concurso a vinte e três de agosto. E se a DGRHE abriu um precedente e realizou contratos com professores de escolas TEIP e professores da 1ª bolsa de recrutamento a termo certo, por que razão o meu vem a termo incerto? Estamos num estado democrático, mas uns são filhos e outros enteados?????
Fico-lhe eternamente agradecida se me puder dar uma resposta. Estou grávida do meu segundo filho e, ao contrário de estar descansada e em repouso,como o meu estado assim o exige, tenho andado extremamente nervosa e agitada com tudo isto, sem saber ao certo o que me vai acontecer. Além disso, após cerca de 13 anos de atividade docente, nestes últimos anos sempre com um trabalho avaliado em muito bom, ser agora posta nesta situação, é algo que nunca me passou pela cabeça…
Muito obrigada pela sua atenção e fico, ansiosamente, a aguardar uma resposta da sua parte, tão célere quanto possível.

Os meus sinceros cumprimentos,

M.

Nota: A minha resposta foi enviada por mail, não interessa agora aqui ser divulgada. Os dados completos sobre a situação estão na mensagem original mas, de acordo com a remetente, foi considerado mais adequado omiti-los.

Com os fígados que estou, graças a um final de manhã muito inducativo sobre os valores apregoados e atitudes concretas de diversos actores do quotidiano escolar, ainda dizia o que devia e era uma chatice.

Há que viver de costas sempre rentinho à parede mas, se possível, depois de uma tripla verificação da dita parede.

Se isto é um desabafo? Nem a milésima parte!

A notícia já tem dois dias, mas só hoje dei por ela.

Colega e amiga com AVC durante o fim de semana, alguns anos mais nova do que eu e colocada em situação de extrema precariedade laboral.

A causa talvez não seja só essa, mas o stress ajuda muito.

Apetecia-me apontar algumas coisas… mas… enfim. A culpa é do sistema, dizem muitas das pessoas que o fazem mover-se.

« Página anteriorPágina seguinte »