Todos Aos Seus Abrigos


Há gente animada com a iniciativa francesa de tornar a avaliação dos alunos muito holística.

Por um lado, podemos alegar que sempre se reduziria a papelada, a burocracia, as grelhas.

Por outro, tenho por experiência directa vivida que muitos defensores destas abordagens assim a modos que “globais” das “competências” dos alunos tendem a ser muito mais palavrosos e reflexivos do que aqueles que se ficam pela avaliação mais simplista.

Posso estar muito enganado, mas quer-me parecer que um sistema de avaliação dos alunos sem notas quantitativas ainda acabaria por ser um labirinto maior de conversa fiada do que o sistema que temos.

Mas, por mim, podem experimentar tudo, que eu aguento-me ao barulho. Mas depois não apareçam a sacudir a água do capote, que se não funcionou a culpa é de quem não percebeu a operacionalização ou a dizerem que nunca gostaram da ideia, tal como nunca votaram no Cavaco há 25 anos, nem no Sócrates há 10, que foram sempre os outros a ter más ideias.

querolasaber

taptap

func

 

“o vulcão na Ilha do Fogo destruíu uma escola primária”, por cá – há muito mais ácido sulfídrico…

Pancadaria entre apoiantes de Seguro e de Costa em Braga

 

Apregoar doutoramentos em Fontainbleau, melhor do que Tampax.

 

 

posto de comando, je vais me jeter au jour de oui.

 

Ministro admite mais saídas de professores

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, admitiu, esta sexta-feira, que nos próximos anos deverá haver necessidade de menos professores, face à redução da taxa de natalidade.
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O argumento da natalidade é uma treta que serve de chapéu de chuva para ocultar muita outra coisa. Há evidente desonestidade intelectual nesta fundamentação que não explica outras medidas. E não há ramirílios que consigam esconder o que é óbvio, a continuação de uma atitude de desafeição e ostensiva degradação das condições laborais dos docentes.
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Aquela entrevista ao Sol sempre quis dizer o que lá estava, bem como os anúncios mais recentes sobre os ensinos duais, vocacionais e profissionais se relacionam com medidas destinadas a limpar mais uns 10-15% daqueles que fazem parte da profissão mai’linda e de que se afirmava contar com todos.

E não há que enganar. Agora o objectivo é empurrar o máximo de gente para a aposentação ou infernizar-lhes a vida, obrigando-os a andar de escola em escola, ou de centro de emprego em politécnico para se conseguirem horários completos.

O pior está para chegar, com políticas ainda mais activas e ostensivas para desvincular professores dos quadros do MEC, em especial os mais caros.

Vincular só se for em regime de total mobilidade e encravados para sempre no escalão de ingresso na profissão. Mão de obra a preço de saldo, com a permanente ameaça de existir um exército de desempregados à espera de um lugarzinho.

E ainda há palermas entusiasmados com as tretas do novo ciclo de avaliação…

(mas há que compreender que em tempos até um candidato à liderança do maior sindicato de professores alinhou em ser avaliador, por se sentir sem alternativa, portanto…)

chegado ao mai’lindo que existe.

Diz que é uma igreja em Olivença; pelo menos é o que afirmam os que vendem rações mai’baratas p’á tropa fandanga de cá.

Pacto de Redenção. Sul da Europa recebe ajuda se empenhar ouro e tesouros nacionais

Sinceramente… nem sou dado a estas coisas e garanto que não estava especialmente mal-disposto até ler, quase que por acidente, mais um disparate de um economista, facção isctiana, adivinha-se que auto-intitulado liberal e mais qualquer coisa da moda.

Já não me interessa se, como o xiita, me processa ou não. Só que deveria existir limites para o disparate em declarações de ocasião para os jornais. Vejamos o que pensa Emanuel Leão sobre a forma de superar a crise financeira e orçamental, tudo com base neste saber acumulado:

Emanuel Leão, economista do ISCTE, destaca outra medida semelhante que pode ter impacto no curto prazo: um novo corte de salários. “Provavelmente vai ser necessário recorrer novamente à medida com mais impacto – novos cortes nos salários dos funcionários públicos”.
Para o professor de Economia, “novos cortes nos salários de todos os funcionários públicos são preferíveis a uma solução que passe por despedimentos na função pública, como a Grécia se prepara para fazer”.

Emanuel Leão lembra que, em termos de despesas correntes, os sectores mais pesados para o Estado são a Educação e a Saúde, sugerindo, no caso da Educação a introdução de taxas moderadoras em função dos rendimentos do agregado familiar, e no Ensino Superior aumentos de propinas para estudantes com maiores rendimentos, permitindo dessa forma reduzir as transferências do Estado para as universidades.

Vejamos: o Estado declara obrigatória a escolaridade de doze anos e depois aplica taxas moderadoras?

Ó homem, uma coisa é a Saúde, onde ainda se pode argumentar que a hipocondria ou o mero excesso de zelo podem conduzir a gastos excessivos ou desnecessários, ou mesmo a um afluxo despropositado a alguns serviços de urgênicas ou centros de saúde. Pelo que as taxas moderadoras podem ser encaradas como um mecanismo dissuasor, embora com limitações.

Agora no caso da Educação não-superior, tal ideia só faria sentido se a matrícula fosse em regime livre, voluntário, sem escolaridade obrigatória.

Dá para perceber, ou realmente não vale mesmo a pena?

Eduardo Catroga regressa à actividade política com colóquio em Leiria