TLEBS


Todavia, tanto eu como os leitores e, de resto, toda a gente, temos plena competência para concluir que a experiência recente mostra a que ponto a sociedade civil teve um papel de meritório relevo na fase anterior da discussão. Se não o tivesse assumido vigorosamente pelos vários meios ao seu alcance, estaríamos hoje perante um facto consumado de incalculáveis e desastrosas consequências, a despeito de inúmeros e sonorosos argumentos de autoridade que as instâncias oficiais, ou as oficiosamente de serviço, responsáveis pela TLEBS, foram produzindo em defesa dela invocando uma competência científica que está longe de sair incólume do próprio texto da revisão…

É certo que a força da intervenção da sociedade civil é pudicamente silenciada na actual versão da TLEBS que está em discussão pública. Mas, como também não deixa de salientar Andrade Peres, convém lembrá-los…, sobretudo agora, que a discussão, embora em princípio aberta a todos, se torna bastante menos “pública” pela própria natureza especializada das matérias. (Diário de Notícias, 5 de Dezembro de 2007)

Eis que me chega o texto do professor João Peres Andrade publicado no caderno Actual do Expresso de sábado e que pelo formato não pude digitalizar.

Graças ao José Nunes, que foi o responsável pelo lançamento da petição contra a TLEBS, chega-me agora uma versão alongada em pdf para todos que queiram descarregar (tlebs2.pdf).

Por indicação do José Nunes, está aqui o espaço por onde entrar da DGDIC. O prazo para mandar subestões é 31 de Dezembro deste ano. Já a coisa em si encontra-se para descarga por estes lados.

Graças ao José Nunes, a referência da notícia de hoje onde se dá conta do que muitos sabemos. Se não houve adopção de novos manuais e se em alguns dos anos de escolaridade já tinham sido adoptados manuais com a TLEBS, ou parte, incorporada, ficamos numa situação muito esquisita.

No meu caso, o manual passou a ser usado ainda com maior moderação do que antes.

O máximo de pontos que pode ser atingido na prova de aferição de 6º ano de LP, caso eu tenha contado bem pelos dedos, é de 77.

Desse total e de forma directa apenas 12 (15,6%) se destinam a avaliar o conhecimento explícito da língua.

Embora uma certa parte da avaliação da componente da produção escrita contenha uma avaliação daquele aspecto, parece-me que, afinal, a discussão em torno da TLEBS, terá sido uma irrelevância, uma verdadeira guerra de alecrim e manjerona. É que nos 25 pontos (32,5%) destinados à parte da compreensão da leitura, nas respostas não devem ser tidas em consideração as falhas de morfologia ou sintaxe que não perturbem o sentido das respostas dadas.

Afinal, tanta celeuma para tão pouca importância relativa.

E tanto tempo perdido pelos docentes a discutir como leccionar a gramática e a recear raios e coriscos.

Não estou a inventar nada, nem a revelar segredos. Os critérios de classificação encontram-se já acessíveis no site do GAVE.

No caderno Actual do Expresso surge hoje novo artigo de João Andrade Peres, que aqui se poderá encontrar numa versão mais alongada.

Entretanto, a tão anunciada Conferência Internacional sobre o Ensino do Português, irá decorrer nos próximos dias 7 a 9 de Maio, calendário perfeitamente anedótico para a generalidade dos docentes do ensino não-superior interessados em participar. Se é prometida a cobertura legal para as faltas dadas para participar na iniciativa, no entanto parece desconhecer-se a altura sensível do ano lectivo em que nos encontramos, muito em particular no caso dos docentes de Língua Portuguesa, com provas de aferição e exames à porta. Se a ideia era promover o encontro de pouco mais de uma dúzia de especialistas em torno de estimáveis generalidades, moderados por meia dúzia de personalidades notáveis, percebe-se. Agora se o objectivo era suscitar um debate alargado em torno do ensino da Língua Portuguesa o tiro errou completamente o alvo.

Mas provavelmente nada disto acontece por acaso.

Praticamente o único argumento usado pelos defensores da continuação da implementação da TLEBS no Ensino Básico parece ser o de ser errado parar algo que já estava a ser implementado no terreno.

Desculpem-me, mas é preciso mais melhor do que isso para me convencerem. Pode apontar-se o dedo ao momento tardio em que a decisão foi anunciada, até às consequências nefastas para os alunos cujos professores, por crença ou ingenuidade, se apressaram demasiado por um caminho notoriamente equívoco.

Porque um erro, mais vale emendá-lo tarde do que deixá-lo em “implementação”, porque já está no terreno. E no caso da generalização da TLEBS, mesmo não falando nas polémicas científicas, existiam demasiados problemas como a falta de um claro escalonamento do que se devia aplicar a cada CEB, da falta de materiais de apoio com a quantidade e qualidade indispensáveis para uma matéria tão delicada ou mesmo de uma adaptação do programa da disciplina de Língua Portuguesa aos novos conteúdos termonológicos.

Nesse aspecto, como em muitos outros, a atitude epistemológica popperiana é a mais adequada: tentamos e constatamos que errámos? Então é melhor reiniciar todo o processo. Só assim é possível fazermos avançar os nossos conhecimentos no sentido correcto. Constatar o erro e insistir nele é a negação de qualquer espírito científico responsável.

No meu caso foi hoje pelas 14.30 quando entre uma reunião de grupo disciplinar e outra de departamento de Língua Portuguesa, acedi ao meu mail e tinha lá uma mensagem do JMC dando-me conta da notícia da publicação da portaria (port476-2007.pdfque determina a suspensão – finalmente – da TLEBS cuja implementação de forma generalizada, após revisão, fica para 2010/11.

Afinal a palavra de um secretário de Estado que se quer pessoa responsável ainda vale um chavo nesta terra. Quanto ao outro isso não é coisa que interesse muito a praticamente ninguém.

A felicidade foi dupla por motivos gerais – esta é uma decisão acertada, embora muito tardia e com algumas pontas soltas – mas também particulares, porque confirma os dotes de futurólogo com que me mimosearam, de forma desnecessariamente escarnecedora, algumas mente iluminadas pela “razão” suprema há um par de meses.

Confesso que tinha elaborado algumas ideias para postar hoje, de tipo tradicional, aproveita-se o dia e anuncia-se que Maria de Lurdes Rodrigues convida dois professores sindicalistas não candidatáveis a titular para almoçar, ou mesmo que Valter Lemos admitia finalmente conhecer a utilização das regras de civismo básicas na forma como se lida com outras criaturas humanas que não as que concordam com ele. Cheguei mesmo a pensar anunciar que a palavra do secretário de Estado Jorge Pedreira sobre a TLEBS era para levar a sério.

Mas depois, olhando em redor, facilmente conclui que vivemos em permanente 1 de Abril neste país, onde a mentira pública e de detentores de cargos políticos é sempre política e nunca é mentira. Como se uma mentira política fosse outra coisa, um conceito distante, de outro cosmos. E num país onde o pessoal político foi ficando cada vez de dimensão mais escassa, verdadeiros anões e anãs em matéria sde sentido de Estado. Porque o balanço destes últimos tempos é, em matéria de Educação enquanto sistema e da mera educação de alguns governantes, verdadeiramente lastimável. Vejamos casos que não são isolados e que, só por manifesta intenção desculpabilizante, podem ser considerados menores:

  • Dando o mote, o Primeiro-Ministro foge da transparência acerca do seu currículo a sete pés. Aqui não há qualquer tipo de reserva de privacidade que se possa alegar. Nem é assunto para brincadeiras do tipo, tcharammm, agora está aqui tudo explicadinho, eu só estava a fazê-los sofrer. O silêncio de Sócrates nesta matéria, e até a ausência de um contra-ataque inflamado e indignado como foi seu timbre na campanha eleitoral sobre outros temas, faz-nos pensar que há um gordo gato escondido, tão gordo que não está só o rabo de fora. E a situação da Univesidade em que ele terá completado o seu percurso académico, não ajuda nada a tranquilizar ninguém sobre as razões do silêncio. Alguém que debita uma retórica – cheia de lugares-comuns e vacuidades é certo – sobre a necessidade da qualificação dos portugueses, afinal hesita em mostrar provas daquelas que oficialmente afirma ter. Estranho. A menos que interpretemos qualificação como mera certificação, e então tudo está bem. Ele afirma que tem de certeza certo tipo de qualificações e todos nós aceitamos isso, tenha ou não feito o respectivo plano de estudos e cumprido as suas obrigações. Afinal, nada de muito diferente do que aconteceu com muitas acções de formação profissional das últimas décadas: tu levas o diploma, eu fico com o dinheirinho da formação e vamos todos à nossa vidinha. Não cehga argumentar que tudo se deve a “procedimentos” da Universidade Independente ou alegar que se estão a aproveitar os problemas actuais daquela instituição para qualquer tipo de ataque como surge hoje no Público (p.12). As dúvida são muito anteriores. Lamentável, absolutamente lamentável. E o incómodo parece ir alastrando.
  • Em seguida temos uma Ministra da Educação que para além de ter um currículo que desdiz qualquer especial competência (mesmo uma qualquer competência “não-chave”) para o cargo, demonstra uma anormal incapacidade para elaborar um discurso sobre as matérias de que aparentemente é responsável ao nível da decisão política, sem ser em ambiente controlado. Sempre que sujeita a um contraditório moderado – nunca a vi ser verdadeiramente “entalada” – vai-se completamente abaixo, começa a titubear, enerva-se, refugia-se em chavões contraditórios (ora se queixa de caricaturas e generalizações abusivas, ora de exemplos demasiado concretos), acabando por desaparecer dos confrontos negociais mais delicados na sua área de governação. Depois de tanto criticar os docentes, alegando que são eles os responsáveis pelos males da Educação em Portugal, afirmando uma enxurrada de platitudes sobre a necessidade de mérito dos docentes, conhecemos agora, em registo indesmentível, a forma como reage perante os próprios alunos que a contestam. E consta que não foi caso único, em especial em ocasiões onde as câmaras televisivas estavam ausentes. Valha-nos, pois, a idade da tecnologia digital. Num país normal, esta atitude, tal como a que teve em relação às decisões dos tribunais açorianos, valer-lhe-ia um bilhete de ida para lado nenhum. Cá, continua a passar por ser uma pessoa de bom senso. ?????? A atitude visível no vídeo agora divulgado é de alguém com bom-senso? E isto também o será? Quantos milionésimos do Orçamento vale este tipo de decisões?
  • E para abrilhantar esta selecção de excelência que dizer do inefável secretário de Estado compressor, o peso-pesado Valter Lemos, homem de aparente confiança de Sócrates para meter na ordem deputados, outros secretários de Estado e infantilizar até à medula o nosso sistema educativo? Parafraseando alguém, na impossibilidade compreender e elvar os padrões de exigência do nossos istsmea de ensino, VLemos prefere baixá-los até os compreender e conseguir lidar com eles. A sucessão de “acidentes” jurídicos de decisões com a sua chancela, aconselharia a alguma discrição e modéstia, mas afinal o resultado é alguém que grita com os deputados do próprio partido do Governo quando é questionado, e que defende a valorização de “quem está na escola”, mas depois bonifica com extrema generosidade quem anda pelos corredores do Ministério. Também ele, num país apenas em vias de ser normal, nunca chegaria a Secretário de Estado com o seu anterior registo curricular, como autarca e dirigente do Ensino Politécnico. Por cá fará o seu mandato em paz e tranquilidade e será recompensado no final, veremos se com uma comenda como Ana Benavente.
  • Por fim o discreto e, até chegar a este Governo, sério Jorge Pedreira, pessoa aparentemente rigorosa e de ideias claras. Não sei se por necessidade ou por solidariedade, JPedreira foi uma enorme desilusão ao tornar-se mero homem de mão para negociar com antigos confrades sindicalistas, talvez por lhes conhecer os truques e partilhar-lhes a rigidez argumentativa. As negociações em torno do Estatuto da Carreira Docente e do primeiro concurso para professor-titular foram meras ficções com o enredo definido á partida. Um enredo eficaz, mesmo se não muito imaginativo. Pelo caminho a defesa de posições absolutamente insustentáveis como a penalização de diversos tipos de faltas dos docentes – que naturalmente teriam de cair tamanha era a sua inconstitucionalidade que nem valia discuti-la – e a defesa de um sistema de quotas para a progressão dos docentes dos Ensinos Báscico e Superior que ele explicitamente condenou para os do Ensino Superior enquanto dirigente sindical. Sei que concordava então com carreiras verticais, mas nunca com o sistema de quotas. Em relação à TLEBS, até prova em contrário, faltou à verdade na promessa que fez quando lhe entregaram a petição. E, entretanto, continuamos sem saber no que ficamos, pois parece que alguém o terá desautorizado a sangue frio. O que deve ter doído. Mas quem come e cala é porque consente.

A cereja em cima deste bolo magnífico é ainda a questão da TLEBS, a demonstração de que quem manda em várias áreas do ME não são os políticos ou os sindicalistas (como alguns gostam de fazer crer) mas grupos de pressão internos, gente que há décadas se mantém em comissões, grupos de trabalho, estruturas de missão, grupos de acompanhamento, comissões de avaliação e tudo o mais, gente que nunca surge verdadeiramente à luz do dia, mas cujos nomes se podem encontrar nas fichas técnicas de muitos documentos. Gente que prefer mexer os cordelinhos na sombra e defender os seus feudos à custa do interesse comum. Um exemplo claro dos prejuízos brutais deste tipo de atitude: faltam sete semanas para as provas de aferição de Língua portuguesa do 6º ano e ningúém sabe os critérios por que se vão reger as ditas provas. E logo num ano em que haverá exposição pública de pautas. Argumentarão que docentes e alunos devem estar preparados para tudo e que se o terreno está cheio de buracos está para todos. Certo! Certíssimo!!! Mas também é verdade que houve mais do que tempo para que as coisas corressem com normalidade, até porque os professores-supervisores da correcção das provas já estão em formação. E, ou a formação se baseia em algo e isso deveria ser disponibilizado aos outros docentes, ou não se baseia em nada de concreto, e então não se percebe.

E então uma boa continuação de um longo primeiro de Abril, porque ele é sempre que o  ME quiser.

O valor da palavra de um secretário de Estado. Estamos a 12 de Março de 2007. Se precisarem de ajuda, eu prontifico-me a rever o articulado da portaria prometida. Pior do que o costume não deve ficar. Mas se o problema é o ego ou a eventual birra de alguém, tudo bem, o interesse público pode seguir dentro de momentos.

O desfecho da questão da TLEBS o dirá.

Em especial permitirá perceber se o ciclo de Jorge Pedreira já terminou com a negociação do ECD e o de Valter Lemos está no auge com a investida visando a completa infantilização da Educação não-superior, se isto é apenas um carrossel de promessas casuísticas para apagar os fogos mais aparentes, onde o que hoje é verdade amanhã é mentira, como bem dizia esse vulto da ética chamado Pimenta Machado.

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A TLEBS continua no limbo de um Ministério da Educação incapaz de actuar com nexo, receoso de parecer fraco, mas cada vez mais abalroado pela contestação conjunta de famílias, docentes e opinadores.

Perante a investida irada, e como ninguém na estrutura política deve perceber vagamente do assunto, andam a tentar perceber o que fazer, usando tácticas dilatórias para evitar uma decisão. Nos dias pares um Secretário de Estado diz umas coisas, enquanto nos ímpares o outro dis outras. Não se percebe se é falta de comunicação ou meramente escassez de mérito político.

Pelo que o arquitecto José Nunes comunica por mail com base em informação recolhida pela jornalista Andreia Coelho do jornal Sol, todos os membros da Comissão Parlamentar de Educação concordam na suspensão da TLEBS, se possível para já em de vez. Mas o Governo tropeça nas suas próprias contradições e, para proteger egos de desautorizações, pretende-se implementar a solução ridícula de suspender apenas para o próximo ano lectivo aquilo que se quer exigir em exames do presente ano. O que é estranho. Incongruente. Disparatado, pronto!

Entretanto já existe a ameça de contestação judicial do referido exame. E como sabemos, neste particular confronto na esfera jurídica, o ME está a ser valentemente goleado em todas as frentes.

Sinceramente a mim não me interessa se a famigerada legislação aplicável é do tempo do Estado Novo. A que proibia que se cuspisse no chão também era e não é por isso que era mal pensada. Aliás esta legislação já existe há 40 anos e só agora alguém se lembrou de chamar a atenção para o facto.

O que me interessa é que a aplicação da TLEBS na situação actual é um erro enorme, principalmente do ponto de vista pedagógico, por ser um factor de imensa perturbação numa área crucial do ensino que é a Língua Portuguesa. Assim não é possível ninguém trabalhar de forma tranquila e segura nesta área. Sei o que isso é, pois ainda há um par de semanas participei em tensa discussão sobre o assunto no meu Departamento de Língua Portuguesa.

Neste momento, o ME deveria assumir com coragem uma posição. Se possível a posição, não digo única possível, mas a mais correcta.

A partir do A Educação Cor-de-Rosa descubro que a Associação dos Professores de Português dirigiu uma carta à Ministra da Educação (já agora, fica bem escrever por extenso o “Professora Doutora”, pelo que me ensinou um emérito professor coimbrão da velha e boa cepa) onde se enumeram as preocupações da dita Associação relativamente à implementação da TLEBS e aos efeitos da sua suspensão (ou não, já ninguém percebe).

Por aí nada de espantar. Já mais de pasmar – ou será que eu é que continuo algo ingénuo? – é a revelação dos imbrincados cruzamentos entre vários elementos dos órgãos sociais da Associação, os seus formadores “por encomenda” e, no caso da TLEBS, com membros do espaço GramáTICª da DGIDC. Quer-me a mim parecer que, apesar de me irem certamente fazer notar que tudo isto é natural atendendo à escassez de especialistas no assunto, este tipo de relações endogâmicas pode acabar em desnecessárias degenerescências. Porque é no mínimo paradoxal que uma Associação se entretenha a questionar o Ministério sobre o destino de uma iniciativa onde elementos dos seus órgãos directivos têm um interesse directo.

Pois é legítimo questionar o que está verdadeiramente em causa neste tipo de pedido de esclarecimento. Como há muito a Paula Lago tem vindo a afirmar em diversos comentários deixados em post do Umbigo, parece mesmo que tudo tem mais de negócio do que de outra coisa.

Lateralmente, não deixa de ser especialmente curioso que, depois de se anunciar que os exames do 9º ano de Língua Portuguesa só vão contemplar o que é comum à TLEBS que por aí anda e à velha Nomenclatura de 1967, agora surja anunciado que nos exames de português B do 12º ano afinal a TLEBS e algumas das suas especificidades sejam matéria destinada a avaliação (notícia do Público de ontem, por enquanto com link activo). 

O que parece é que neste momento a disputa em torno da TLEBS abandonou já o campo do debate em torno das questões linguísticas e/ou académicas, para se tornar um mero campo de luta pelo poder ou pela manutenção de posições dadas como adquiridas até há muito pouco tempo.

Perante isso, parece que a ideia é, em algumas áreas mais permeáveis à pressão, tentar instalar uma situação de facto consumado para tornar qualquer recuo o mais difícil possível.

Talvez seja uma estratégia eficaz, só me parece é que não será a mais transparente.

Sobre a TLEBS. O caos instalou-se por completo e agora anunciam-se decisões para apaziguar uns às 2ªs, 4ªas e 6ªs e outros às 3ªs, 5ªs e sábados. Espermos que pelo menos aos domingos os senhores da asneira (Lemos & Pedreira, Associados) tenham um pouco de tino e descansem. Já chega de gozarem com todos nós. Ao menos organizem-se, sei lá, falem um com o outro, decidam quem manda no quê e quem pode desautorizar quem.

E fundamentalmente lembrem-se que estão em tais lugares de responsabilidade para servir a coisa pública e não para alimentar os vossos egos

secest.jpgPercebo que a questão da TLEBS continue a animar muitas paixões. Aparentemente, a facção pró-TLEBS sentia o conforto do poder da tutela do seu lado. O problema é que esta equipa ministerial dificilmente sentiria fidelidade por uma criatura polémica que não é de sua invenção e que se estava a tornar um incómodo foco de contestação num momento que já se esperava ser de refluxo e acalmia.

Portanto, a batida em retirada estratégica era mais do que previsível. Por isso, acho que as baterias que agora estão em acção sobre quem se manifestou contra a “ferramenta”, estarão mal direccionadas. As posições anti-TLEBS ficaram estabelecidas com alguma clareza nos últimos meses e é demasiado redutor e fácil virem agora reclamar novamente por exemplos de erros e falhas ou queixarem-se de ataques personalizados, que aconteceram dos dois lados da barricada.

Acho difícil que certos olhares não vislumbrem um conflito de interesses onde ele claramente existe. Isso não é questionar a honestidade ou decência seja de quem for. Apenas é salientar um facto incontroverso.

Mais do que queixarem-se da equipa adversária por ter conseguido empatar o jogo já com a segunda parte adiantada e ter conseguido um prolongamento, talvez fosse interessante que os jogadores pró-TLEBS inquirissem os juízes de linha sobre a sua dualidade de critérios. A árbitra,é claro, não é deste campeonato. É tudo muito específico.

Meus caros,
A petição contra a experiência TLEBS foi hoje entregue ao dr. Jaime Gama, Presidente da AR, à Dra Suzana Toscano, assessora para a Educação da Casa Civil do Presidente da República , à recepcionista da Residência Oficial do Senhor Primeiro-ministro (não estava ninguém disponível para receber a petição…) e ao Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Dr. Jorge Pedreira.Foi-nos transmitido pelo sr. Secretário de Estado que a decisão de suspender a experiência pedagógica e retirar a TLEBS das escolas estará já tomada e que a sua publicação em Portaria estará por dias. A ser assim, pode ser uma vitória em toda a linha, no respeitante ao que pedimos na alinea a) da Petição: A suspensão imediata da implementação da experiência pedagógica TLEBS e da legislação que lhe deu origem e a regula: Portarias n.º 1488/2004, de 24 de Dezembro e n.º 1147/2005, de 8 de Novembro e demais legislação aplicável.

As 8.132 assinaturas da petição terão surtido efeito!

Há no entanto que aguardar pela publicação da dita Portaria em Diário da República, nos próximos dias, ao que nos foi dito.

Ficam ainda pendentes as alineas b) e c) da Petição.

Penso que podemos ter motivos para festejar, a breve prazo.
Obrigado a todos, mais uma vez.

Abraços

José Nunes

É esperar para ver. Que eu não tenho nada contra a abordagem de São Tomé em relação a estas coisas. O espectáculo só acaba depois da senhora gorda cantar.

.
Adenda: E ao que parece é mesmo melhor, porque a coisa, por enquanto, vai ficar em estado de assim-assim. Suspensa mas não abandonada. Não generalizável no curto prazo, mas porventura depois.

Porque acho ter interesse para muitos de nós, fica aqui o mail recebido hoje, apenas com a inclusão dos links no texto e a supressão de um link para acapa da obra que dava erro quando o tentei verificar.

Caríssimos,
A petição vai ser entregue pessoalmente ao senhor Presidente da Assembleia da República.
Assim sendo, houve um ligeiro ajuste no horário previsto: a entrega na A.R. será feita às 10H da manhã.

A “volta” completa será:

26/01/2006 – Entrega da Petição Contra a Implementação da Experiência Pedagógica TLEBS
10H00 –  Senhor Presidente da Assembleia da República, Dr. Jaime Gama, pessoalmente –  Palácio de S. Bento
11H00 –  Senhor Presidente da República – Palácio de Belém
12H50 – Senhor Primeiro-ministro –  Residência Oficial do Primeiro-ministro
14H00 – Senhora Ministra da Educação –  Ministério da Educação

Estamos agora com 8055 assinaturas.
Esta noite há debate sobre a TLEBS, na RTP-N, às 23H. Convidados: Professora Maria Alzira Seixo e Dr. João Costa*

Abraços
JN

* Acaba de ser revelado que o Dr. João Costa, um dos dois nomeados pelo Ministério para a Comissão de Revisão da TLEBS é o consultor cientifíco de uma Gramática que já inclui a TLEBS, editada pela Lisboa Editora, onde surge com o nome “artístico” de João M. Marques da Costa. Tem portanto interesse económico no que vai avaliar. Brilhante, no mínimo… Sem esquecer que é também marido de uma das co-autoras da TLEBS, conforme explicou brilhantemente o Professor João Andrade Peres, no artigo do Expresso, de sábado passado (online no Ciberdúvidas)

Link para a página da editora 

José Nunes

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(c) Antero Valério

A questão da TLEBS segue ziguezagueante para a opinião pública, mas aparentemente com certezas para a equipa envolvida; é isso pelo menos o que se depreende das respostas das responsáveis neste fórum, com destaque para Regina Duarte. 

Ainda ontem foi disponibilizado este texto no site da DGIDC, não assinado e sem uma clara identificação quanto à sua natureza (esclarecimento, recomendação, circular, directiva), em que, admitindo-se um processo de revisão profunda da TLEBS disponível, se afirma que a mesma continua em vigor, pelo que se supõe que por enquanto andemos todos a ensinar algo que agora é, mas daqui a seis ou doze meses poderá ser uma outra coisa.Hoje, Vasco Graça Moura destaca exactamente as contradições entre o discurso aparente e a substância efectiva dos actos em torno deste tema.

Ficamos, pois, quase todos no limbo e desta vez mesmo obrigados a aplicar um construtivismo quase radical no ensino do funcionamento da nossa Língua Materna, pois seremos nós a fazer um bestial work in progress, ou talvez mais apropriadamente um patchwork, a detectar os erros, contradições, lacunas e incongruências da criatura, qual Frankenstein feito de remendos sobre remendos.

Continuo com as minhas dúvidas, simplórias como é habitual, pois aqui descubro que afinal os vegetais não podem ser considerados nomes “animados” porque não se movem, o que aqui me é confirmado, pois se declara que até a classificação dos “animais inferiores” como as aranhas depende das sociedades e culturas.

Mas, afinal, será que as aranhas não se movem?

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