TLEBS


Todavia, tanto eu como os leitores e, de resto, toda a gente, temos plena competência para concluir que a experiência recente mostra a que ponto a sociedade civil teve um papel de meritório relevo na fase anterior da discussão. Se não o tivesse assumido vigorosamente pelos vários meios ao seu alcance, estaríamos hoje perante um facto consumado de incalculáveis e desastrosas consequências, a despeito de inúmeros e sonorosos argumentos de autoridade que as instâncias oficiais, ou as oficiosamente de serviço, responsáveis pela TLEBS, foram produzindo em defesa dela invocando uma competência científica que está longe de sair incólume do próprio texto da revisão…

É certo que a força da intervenção da sociedade civil é pudicamente silenciada na actual versão da TLEBS que está em discussão pública. Mas, como também não deixa de salientar Andrade Peres, convém lembrá-los…, sobretudo agora, que a discussão, embora em princípio aberta a todos, se torna bastante menos “pública” pela própria natureza especializada das matérias. (Diário de Notícias, 5 de Dezembro de 2007)

Eis que me chega o texto do professor João Peres Andrade publicado no caderno Actual do Expresso de sábado e que pelo formato não pude digitalizar.

Graças ao José Nunes, que foi o responsável pelo lançamento da petição contra a TLEBS, chega-me agora uma versão alongada em pdf para todos que queiram descarregar (tlebs2.pdf).

Por indicação do José Nunes, está aqui o espaço por onde entrar da DGDIC. O prazo para mandar subestões é 31 de Dezembro deste ano. Já a coisa em si encontra-se para descarga por estes lados.

Graças ao José Nunes, a referência da notícia de hoje onde se dá conta do que muitos sabemos. Se não houve adopção de novos manuais e se em alguns dos anos de escolaridade já tinham sido adoptados manuais com a TLEBS, ou parte, incorporada, ficamos numa situação muito esquisita.

No meu caso, o manual passou a ser usado ainda com maior moderação do que antes.

O máximo de pontos que pode ser atingido na prova de aferição de 6º ano de LP, caso eu tenha contado bem pelos dedos, é de 77.

Desse total e de forma directa apenas 12 (15,6%) se destinam a avaliar o conhecimento explícito da língua.

Embora uma certa parte da avaliação da componente da produção escrita contenha uma avaliação daquele aspecto, parece-me que, afinal, a discussão em torno da TLEBS, terá sido uma irrelevância, uma verdadeira guerra de alecrim e manjerona. É que nos 25 pontos (32,5%) destinados à parte da compreensão da leitura, nas respostas não devem ser tidas em consideração as falhas de morfologia ou sintaxe que não perturbem o sentido das respostas dadas.

Afinal, tanta celeuma para tão pouca importância relativa.

E tanto tempo perdido pelos docentes a discutir como leccionar a gramática e a recear raios e coriscos.

Não estou a inventar nada, nem a revelar segredos. Os critérios de classificação encontram-se já acessíveis no site do GAVE.

No caderno Actual do Expresso surge hoje novo artigo de João Andrade Peres, que aqui se poderá encontrar numa versão mais alongada.

Entretanto, a tão anunciada Conferência Internacional sobre o Ensino do Português, irá decorrer nos próximos dias 7 a 9 de Maio, calendário perfeitamente anedótico para a generalidade dos docentes do ensino não-superior interessados em participar. Se é prometida a cobertura legal para as faltas dadas para participar na iniciativa, no entanto parece desconhecer-se a altura sensível do ano lectivo em que nos encontramos, muito em particular no caso dos docentes de Língua Portuguesa, com provas de aferição e exames à porta. Se a ideia era promover o encontro de pouco mais de uma dúzia de especialistas em torno de estimáveis generalidades, moderados por meia dúzia de personalidades notáveis, percebe-se. Agora se o objectivo era suscitar um debate alargado em torno do ensino da Língua Portuguesa o tiro errou completamente o alvo.

Mas provavelmente nada disto acontece por acaso.

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