Tio Patinhas


Na imprensa desta manhã (desta vez passaram os dados ao Económico, porque, como eu escrevi ontem ou anteontem, há que repartir jeitinhos) ecoa-se que as poupanças com o fim das reduções na componente lectiva dos professores podem ascender a mil milhões de euros. Há umas nuances, com o aumento da carga lectiva de todos, mas o essencial que se transmite é que as reduções são um privilégio caro.

É mentira.

Mentira de perna curta, facilmente desmontável mas que, por qualquer razão, alguns jornais nem se preocupam em tentar.

Vejamos o OE do MEC para 2013:

OEMeC2013

Despesas correntes com pessoal, algo como 4 mil milhões de euros. Peso na estrutura da despesa abaixo dos 70% e nada daquilo que dizem… de 80 e 90%.

  • Vamos assumir, então, que existem 117.000 docentes nos quadros como o MEC comunicou ao FMI. Vamos assumir que a despesa é toda com professores e que o MEC nem paga a funcionários.
  • Vamos assumir que, depois da vaga de aposentações, ainda existem nos quadros um terço de professores com direito a redução da componente lectiva. Estou a ser generoso.
  • Vamos ter a bondade de reconhecer que as reduções foram entre 2 e 8 horas lectivas, mas que agora são de 4 horas lectivas no máximo até aos 60 anos e só 8 depois disso.
  • Vamos assumir – para deixar os borginhos e ramirílios calmos e elevada salivação – que a média das reduções é de 6 horas (mesmo se é mentira e é muito menos neste momento).
  • Vamos ter a bondade de reconhecer que uma redução de 6 tempos em 24 efectivamente lectivos de 45 minutos equivale a 25% do horário lectivo.
  • Vamos ter a bondade de reconhecer que, nesta versão toda inclinada para o lado dos borginhos e ramirílios, a eventual poupança máxima – que só seria conseguida com grosseira inconstitucionalidade se aplicada a quem já tem as reduções – seria de 4.000.000 x 0,33 x 0,25. Mais simplesmente de 8,25% do total.
  • Isto dá algo como 330 milhões de euros, nunca mil milhões de euros.

Mesmo se as coisas são diferentes, pois a minha hipótese é perfeitamente maximalista, pois a proporção e média das reduções é bastante inferior.

Assim numa olhadela por alto, se chegar aos 150 milhões é uma sorte. Sendo que o que aqui seja poupado, será dispendido em gastos colaterais, na área da Saúde. E falo a sério.

Acho mesmo que, na ausência de jornalistas de economia oculta e finanças absurdas com interesse ou autorização para verificar o spin do Governo, há pessoas nos sindicatos que poderiam fazer estas contas, em vez de andarem a fazer cartazes.

profe

É ridícula a conjugação destas poupanças com turmas de 30 alunos para os professores mais antigos com a carga lectiva completa, enquanto muitos dos mais novos dos quadros andam com 6-8 horas e projectos.

Em termos de gestão de recursos humanos vai imperar a irracionalidade e a ilógica.

Crato poupa 77 milhões com professores contratados

 

Governo trava progressão que estava garantida a professores

Depois de garantir que corrigiria o erro dos serviços, Executivo deu ordem para suspender pagamentos. Sindicatos dizem que há 1200 docentes em causa.

Dois meses após ter sido detectado o “erro ou inércia” nos serviços que impediu a progressão na carreira de cerca de 1.200 professores, e depois de ter assegurado que iria regularizar a situação, o Governo ainda não corrigiu a situação destes professores.

Além de não ter enviado uma nota circular às escolas com indicações para corrigir as progressões – como havia assegurado ao Diário Económico em Fevereiro – vários docentes ouvidos pelo jornal dizem ter entrado em contacto com o Ministério da Educação e Ciência e que a resposta recebida por parte de responsáveis do gabinete de gestão financeira foi que “haviam recebido ordem para suspender todos os pagamentos, pelo que ficou tudo sem efeito”.

A FNAC acaba de me informar por sms que todos os livros que comprei para mim e como oferta para terceiros irão ter amanhã e depois 30% de desconto em vez dos 10% da compra original.

Em mim debate-se o regozijo por poder comprar mais umas coisas e a sensação de ter sido embarretado. Ossos do vício, eu sei.

Pelo que a minha sugestão é: quem tiver talões de troca de prendas, ir até ao balcão da FNAC e dizer que já tem aquele livro. Pedir o reembolso e aproveitar o diferencial. Naqueles matacões de História a 35 euros ainda se “ganham” 7 euros e qualquer ficção a 18-20 euros, perto de 2 ou mesmo 2 euros.

Desculpem lá, mas os tempos estão difíceis.

Obviamente que não é muito válido para quem viva a mais de uns 20-25 km de uma loja. A menos que a conta tenha sido bem maior.

… o que pareça não levantar muita celeuma porque é minoritário ou esteja longe dos olhos, logo, do coração que escasseia.

Governo vai acabar com vários cursos de ensino de Português nas comunidades

Fica-se só com uma dúvida: esta decisão foi concertada com aquele ajudante de ministro que mandou os jovens emigrar?

Ou, para não levantar ondas, o melhor é mesmo aprenderem a falar a língua do país de acolhimento para lá ficarem de vez?

Portugal reducirá su presupuesto en Educación por la crisis

El ministro de Educación, Nuno Crato, precisó que esta disminución del gasto es equivalente al 8 % del presupuesto total de ese departamento, estimado en cerca de 7.800 millones de euros. Puntualizó que ese ahorro no llevará una reducción de la plantilla ya existente, aunque sí obligará a frenar las nuevas contrataciones y a redistribuir profesores.

(…)

La misma política se seguirá a corto plazo con la enseñanza de idiomas extranjeros, y que continuará centrado en el inglés debido a su carácter “prioritario”, por lo que no se prevé de momento la docencia de una segunda lengua como el español o el francés.

Isto merece análise mais desenvolvida, porque a necessidade de cortes não implica que esses se façam de acordo com opções profundamente contestáveis.

Aprender a ler, escrever e contar – sendo já de si um programa redutor – deveria ser garantido num 1º ciclo de escolaridade que tem quatro anos que chegam perfeitamente para isso, não deveria ser o plano estratégico para uma escolaridade obrigatória de doze.

Aguarda-se agora – em nome de uma aprendizagem mínima – uma reforma curricular que pulverize as Humanidades e as Artes do currículo do Ensino Básico.

Já agora, seria interessante saber onde estão os 7,8 mil milhões de euros de que Nuno Crato fala.

No Orçamento do ME(C) NãO ESTÃO!

… ainda poderia ter a esperança que tocasse uma qualquer sineta nas cabecinhas pensadoras do MEC:

De: Guilherme Martins [*************]
Enviada: quarta-feira, 28 de Setembro de 2011 20:50
Para:dren@dren.min-edu.pt
Assunto: Prémio Monetário de Mérito
Importância: Alta

Caro Sr. Diretor Regional

Em relação ao assunto em epígrafe, permita-me que diga o seguinte:

1-      Lamentável a decisão tomada em cima da hora;

2-      Lamentável a justificação: um aluno que termina o secundário com média de 199 pontos e que trabalhou para merecer esse prémio, vê as suas expectativas goradas;

3-      Lamentável que a decisão não tenha em consideração a situação económica da família: nem só quem vive de rendimentos sociais de inserção e de pensões está a passar por dificuldades. Quem tem 4 filhos, uma com licenciatura concluída este ano a fazer um estágio não remunerado, 2 no ensino superior a pagar propinas máximas, alugueres de quartos sem recibo, transportes e alimentação, mais materiais escolares e 1 no 7º ano com o qual gastei 240€ só para livros…

4-      Lamentável a imagem com que os meus filhos ficam de quem nos governa…

Cumprimentos

Guilherme Martins

De: Guilherme Martins [************]
Enviada: quinta-feira, 29 de Setembro de 2011 16:28
Para: dren@dren.min-edu.pt
Assunto: FW: Prémio Monetário de Mérito
Importância: Alta

Sr. Diretor Regional

Amanhã é dia do diploma.

Entre ontem e hoje, recebi 3 cartas convite da escola do meu filho: uma para entrega do Diploma de Mérito, outra para entrega do diploma do Ensino Secundário e uma terceira para entrega do Diploma do Quadro de Excelência.

Gostava de ter uma resposta sua ao email infra porque, sinceramente, não sei que palavras possa indicar ao meu filho para serem usadas quando for receber o 3 diplomas.

Cumprimentos

Guilherme Martins

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