TIC


Professores começam a ser formados no âmbito do Plano Tecnológico em 2009

Isto mais não é do que salvar algumas instituições do ensino superior e politécnico à custa dos professores, em especial se tornarem esta formação obrigatória.

Querem que tenhamos acções de formação na nossa área académica e disciplinar, mas depois a formação é toda ao lado, para alimentar determinados nichos do mercado formador.

O resto é conversa.

Já há dias se falava no blogue da presença do ME nos órgãos de comunicação social, nomeadamente na Impresa. Pois aí está a Exame Informática do mês de Novembro, com o Magalhães: na capa, no editorial, e ainda nas páginas 6, 8, 16, 18, 26, 32, 76 a 77, 88.

A presença até seria normal, por se tratar de uma revista de informática a falar de um projecto de novas tecnologias. O que não me parece normal é o Editorial chamar Velhos do Restelo às pessoas que questionam a clareza do processo de entrega de um negócio de milhões a uma empresa privada sem concurso e sem contrapartidas conhecidas, ainda para mais com o argumento de que ainda não transitou em julgado a acusação de fraude fiscal à empresa fornecedora. Vão lá atirar poeira para os olhos de outro!

João Filipe Oliveira

O título em grande destaque, os números, as parcerias anunciadas fazem-nos acreditar que entrámos finalmente num admirável mundo novo.

Só que, depois, na peça de Carla Tomás há o testemunho de quem trabalha com os alunos e sabe que se deve dosear o deslumbramento com o resto. Afirma Celestino Biscaínho da escola dos Caliços (Albufeira) destacada na peça: «O uso do programa da escola Virtual e o QI [quadro interactivo] devem ser usados só como complemento (…) Não quero que os meus alunos sejam alunos de power-point». Ou Idalina Santos, professora de Matemática e autora de uma tese de mestrado sobre a introdução das TIC na sala de aula: «O quadro interactivo e a Escola Virtual não fazem milagres (em relação a um aumento das boas notas)», aliás «tem de ser visto como uma ferramenta complementar, que não tira o lugar ao caderno nem ao lápis».

A favor do modelo afirma que os alunos «adquirem competências transversais, como o uso do e-mail, a participação em fóruns ou o trabalho de grupo». Pois, tudo coisas que é preciso aprenderem na sala de aula… como se lá não chegassem muitos a sabê-lo…

Quanto aos alunos, o balanço é taxativo: o quadro interactivo «é mais giro» e «tem jogos».

Magalhães alarga-se a alunos do 5º e 6º ano

O programa governamental de acesso a computadores e Internet vai ser alargado aos alunos do 5º e 6º anos de escolaridade, anunciou esta terça-feira, em Matosinhos, o primeiro-ministro José Sócrates.
Segundo o chefe do Executivo, os alunos podem optar pelo Magalhães, disponível desde hoje para os alunos do 1º ao 4º ano de escolaridade, ou pelo programa e-escolas destinado aos alunos do 7º ao 12º anos de escolaridade.
José Sócrates deslocou-se hoje à escola EB1 Padre Manuel de Castro, em S. Mamede Infesta, Matosinhos, onde assinalou o início da distribuição dos cerca de três mil computadores portáteis Magalhães aos alunos do primeiro ciclo.

Por acaso, até acho que deveriam ter começado antes pelo 5º ano do que pelo 1º. Mas assima propaganda é mais eficaz.

Já agora, também posso ter um?

De: ***************** Em nome de DSGM (DREN)
Enviada em: segunda-feira, 15 de Setembro de 2008 10:36
Assunto: Formação Magalhães
Prioridade: Alta

Caros Colegas:

Magalhães é o novo computador que o ME colocará ao dispor de alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico. Importa que ele seja um recurso excelente de comunicação e de qualificação das aprendizagens. Ajudar os colegas do 1º ciclo a tirar o melhor do Magalhães é urgente, sendo fundamental desenvolver a formação.

Nesse sentido, convocamos os coordenadores TIC para uma sessão de trabalho de dois dias que decorrerá no Porto, nos próximos dias 16 e 17 de Setembro, na Fundação Cupertino Miranda.

No documento anexo a este email encontra-se a localização exacta, bem como um mapa com a indicação do acessos.

O Programa para a sessão de trabalho “Magalhães” é o seguinte:

    • 1.º dia:
      • 09:30 – 10:00 – Welcome (sugestão)
      • 10:00 – 10:30 – Boas-vindas pelo ME, Intel, Microsoft e Caixa Mágica
      • 10:30 – 11:15 – Ministério da Educação
      • 11:15 – 13:00 – Sessão de trabalho Intel
      • 13:00 – 14:00 – Pausa para Almoço
      • 14:00 – 16:00 – Sessão de trabalho Intel
      • 16:00 – 16:15 – Intervalo
      • 16:15 – 18:00 – Sessão de trabalho Intel
    • 2.ª dia:
      • 9:30 – 13:00 – Sessão de trabalho Intel
      • 13:00 – 14:00 – Pausa para Almoço
      • 14:00 – 16:00 – Sessão de trabalho Microsoft e Caixa Mágica
      • 16:00 – 16:15 – Intervalo
      • 16:15 – 18:00 – Sessão de trabalho Microsoft e Caixa Mágica

Nota: As despesas serão reembolsadas através do preenchimento de boletins itinerários a entregar na escola.

Qualquer esclarecimento adicional pode ser obtido através do telefone directo 22519 19 19.

Com os melhores cumprimentos,

A Direcção

Um projecto para a disciplina de História, por uma aluna canadiana, pressupõe-se que do equivalente ao nosso 3º CEB ou Secundário.

Blogs : um recurso e uma estratégia pedagógica

O blogue e o podcast para apresentação da aprendizagem com webquests

Podcast em educação : um contributo para o estado da arte

É impressionante o que se está a passar com o ensino da Informática no nosso ensino básico e secundário.
É impressionante ver que um estudo elaborado já há alguns meses atrás por “alguém iluminado” não tenha a devida resposta por parte de uma associação de professores de informática.
É impressionante sentir que o investimento nas novas tecnologias continua a ser feito no material (onde interesses económicos perduram) enquanto a FORMAÇÂO perde terreno.
É impressionante pensar-se que o ser-se “autodidacta” basta para as competências tecnológicas do dia a dia.

Visão “Pedagógica”:

Pensar que os alunos adquirem capacidades científicas com 90 minutos de Área de Projecto nos 7º e 8º anos, por semana, é estar completamente fora da realidade. Os alunos vão deixar de ter qualquer tipo de competência a um nível tecnológico estruturado. O software livre vai ainda ter um maior “tombo”.
As competências em TIC’s resumir-se-ão a pouco mais do que “processamento de texto básico (MS Word)”, “apresentações (MS Powerpoint)”, “navegar na Web”, “MSN” e jogos de computador (como dizia o outro).

Visão “Corporativa”:

  • Como é possível deixar entrar centenas de professores no grupo 550 para agora ficarem super-excedentários?
  • Como é possível existirem centenas de alunos nas universidades nos cursos de “Ensino da Informática” ?
  • Como é possível desprezar uma mais valia existente em todas as escolas?
  • Como é possível que escolas com 7 professores de Informática apenas ficam com horários só para 1 ou 2 no máximo.

A informática fica assim resumida aos cursos profissionais, essa aberração.
Escapam as escolas com Tecnológico de Informática (como a minha).

Espero que com esta reflexão active “qualquer coisa” que está inactiva.

PQND – há 15 anos

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