TIC


Não, não é de um aluno meu ou sequer deste ano lectivo.

É o início de um trabalho de 11º ano que me enviaram (em papel, no original)…

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CENFIPE | Ciclo de conferências 2014

 

A ESCOLA DA GERAÇÃO DIGITAL

Desorientação, Criatividade e Inovação

A ESCOLA DA GERAÇÃO DIGITAL não pode ser ignorada. As crianças e jovens gastam cada vez mais tempo com tecnologia digital. O computador pessoal, os tablets e o telemóvel modificaram, rápida e radicalmente, os rituais de iniciação nos grupos de pares, a comunicação intra e intergrupal, os graus de socialização e de integração, já que criaram novos gestos, linguagens, códigos, símbolos, valores e um mundo infindável de engenhos periféricos.O que significa para o seu desenvolvimento?, Qual o papel dos Professores e da Escola ? Que perigos escondem ? Que escolas vamos ter no futuro?… .

O CENFIPE – Centro de Formação de Educação e Inovação dos Profissionais de Educação – Escolas do Alto Lima e Paredes de Coura – em colaboração com a Coordenação Interconcelhia da Rede de Bibliotecas Escolares, com o apoio das Autarquias de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Paredes de Coura e Ponte de Lima, promove novo Ciclo de Conferências em 2014.

A temática incide, este ano, sobre A ESCOLA DA GERAÇÃO DIGITAL: Desorientação, Criatividade e Inovação. Estarão presentes conferencistas de vários quadrantes, de reconhecido mérito nacional e internacional.

O CICLO DE CONFERÊNCIAS decorre ao longo do ano (5  de abril, 24 de maio, 25 de outubro e 29 de novembro), nos quatro concelhos afetos ao Cenfipe (Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Paredes de Coura e Ponte de Lima).

O CICLO DE CONFERÊNCIAS  foi acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua na modalidade de Curso (25 horas = 1 crédito) para todos professores e educadores.

INSCRIÇÕES : http://www.cenfipe.edu.pt/?m=coloquios_seminarios_workshops

PROGRAMA : http://ciclodeconferencias.blogspot.pt/?zx=694e7de984adf1b1

final digital

Sobre aquela treta das competências TIC, mais uma das inutilidades em que se andou e anda a perder tempo, paciência e burocracia certificadora.

Por aqui.

Porque não criar uma muito mais útil certificação em Português para Actas e Outros Documentos Assim?

… a implementação dos novos programas de Matemática e Português.

Há novas metas curriculares para Português, Matemática, TIC, EV e ET

 

Reunião da ANPRI com a Sr.ª Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário

(…)

Sobre TIC no 9.º ano para o próximo ano letivo.

  • Durante o próximo ano TIC funcionará obrigatoriamente no 9.º ano.
  • O facto de não aparecer qualquer referência nas novas matrizes deve-se a um lapso, que será retificado.

Neste caso em matéria de certificação TIC… Há mais aspectos anómalos nisto tudo (e não é só a questão da progressão estar congelada e tal…), mas por agora limito-me a assinalar a oferta (paga).

Não vale a pena especular sobre portarias por aparecer. Ou conhecimentos prévios.

Nem que tem sido curiosa a forma como alguns signatários têm sido pioneiros na divulgação de certas novidades.

Claro que é tudo legal e legítimo, mas acho pasmoso que cobrem até aos próprios associados… deve ser para o papel dos certificados…

Clicando na imagem, acede-se a mais dados.

Com jeitinho, talvez se evite parte da asneira… e por asneira entendo o martelanço das TIC no meio da ET com 90 minutos semanais…

TIC continua a prazo para o 9º ano

Reproduzida com autorização do próprio:

Exmo. Sr. Presidente da República Portuguesa,

O meu nome é Pedro Vala, sou professor do grupo de recrutamento 550-Informática e desempenho funções no Agrupamento de Escolas de Pernes. Leciono a disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) aos alunos do 9º Ano, sou também formador de professores acreditado na área da informática. Sou ainda o Coordenador do PTE (Plano Tecnológico da Educação) do Agrupamento e Delegado de Instalações.

Venho deste modo ao seu contacto no seguimento das recentes declarações do Sr. Ministro da Educação, Nuno Crato, que considerou ser questionável a existência de uma disciplina de informática (TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação) no 9º ano de escolaridade (3º Ciclo) porque, justifica, os alunos já dominam os computadores e sendo assim não será necessária a continuidade da disciplina no currículo, que será extinta já no próximo ano letivo.

Existem outras disciplinas envolvidas nesta problemática (2ª língua estrangeira, Educação Visual e Tecnológica), no entanto partilho aqui com VEXA algumas reflexões apenas sobre a área TIC. Com esta reflexão espero contribuir para a defesa dos interesses dos alunos, dos pais e encarregados de educação e em última análise de todos nós.

É também meu intento tentar ilustrar a VEXA que a extinção da disciplina TIC será um processo que em vez de poupar custos ao país com a Educação, antes os onera além de introduzir na sociedade portuguesa, a prazo, novas formas de exclusão e iliteracia que considerávamos debeladas, com consequências sociais e económicas imprevisíveis.

Esta proposta ministerial de reorganização do currículo mereceu da minha parte as seguintes reflexões:

1 – Em primeiro lugar, o Sr. Ministro utilizou critérios que considero pouco acertados para justificar esta reorganização curricular consubstanciada na proposta de extinção da disciplina TIC. Os critérios que deu à evidência são errados porque conduzem a prazo à infoexclusão e são anacrónicos porque fazem regressar a iliteracia digital a uma sociedade e a um estado digital incompatíveis com tal desígnio. O retrocesso é evidente e como se sabe a “sociedade do conhecimento” e o mercado de trabalho não lidam bem com os excluídos/iletrados e vice-versa.

2 – O edifício tecnológico erguido na última década nas escolas portuguesas, que as colocam ao nível do melhor que há no mundo, foi conseguido e é mantido, em grande medida, com a colaboração ativa dos professores de informática deste país, quer ao nível pedagógico, quer ao nível técnico. É bem provável que estejamos no início da ruína do edifício, perante a intenção de retirar algumas das suas pedras mais importantes: a disciplina TIC e os seus professores. O que trará o futuro aos futuros alunos?

3 – O grupo de recrutamento 550-professores de informática, é o mais recente: tem pouco mais de 15 anos e tem servido o país, como lhe compete, promovendo a literacia digital dos alunos, futuros cidadãos. Este facto permitiu ao estado (e a privados) implementar com sucesso vastos programas de modernização tecnológica operada a vários níveis da administração pública o que possibilitou um salto tecnológico na sua relação com os cidadãos (ex: Ministério das Finanças, da Segurança Social). O Sr. Ministro saberá com certeza que foi nas escolas que a literacia digital dos cidadãos foi iniciada o que permitiu e fará perdurar, indiretamente, o salto tecnológico e a sua continuidade. Quanto foi possível o estado poupar com esta mais-valia? A eficácia do Ministério das Finanças com formas eletrónicas de cobrança de impostos é bem conhecida e é um bom indicador.

4 – O trabalho destes professores foi bem feito, atendendo às palavras do Sr. Ministro: “os alunos já dominam perfeitamente os computadores”. Achará que o trabalho está terminado. Mas se estamos a falar de Educação esse trabalho ainda não acabou, nem nunca acaba, pela simples razão que os alunos que estão na escola hoje e já “dominam” amanhã são substituídos por outros alunos que ainda não “dominam” e que terão de ser ensinados. Com este critério, deixar de se ensinar TIC nas escolas básicas é considerar um absurdo: que as competências TIC dos alunos são de origem genética. Sem ironias, é senso comum afirmar-se que ninguém nasce ensinado e bastarão poucos anos até que as palavras infoexclusão e iliteracia digital voltem a entrar no léxico comum, ao permitir-se que os estudantes portugueses atravessem grande parte do seu percurso escolar, ou mesmo a sua totalidade (2º, 3º ciclos e ensino secundário), sem nunca terem tido contacto de qualidade com uma disciplina da área TIC.
5 – Os professores de informática têm permitido ao Ministério da Educação, portanto ao estado, a poupança de enormes custos em serviços de manutenção dos mais diversos equipamentos informáticos que existem às dezenas ou mesmo centenas, nalgumas escolas. Acabar com TIC é retirar de quase 1800 escolas a figura do professor-técnico TIC. Está contabilizado o custo dessa opção? Provavelmente não, mas pode bem ser um custo para o estado muito superior ao que vai poupar com a extinção da disciplina (e dos professores). Talvez não seja exagerado dizer-se que estes profissionais merecem cada euro que ganham, muitas vezes com trabalho “pro bono” para além do seu horário atribuído, para que no dia seguinte os serviços estejam operacionais. Lanço daqui o desafio de se perguntar às escolas como é o dia-a-dia desta realidade.
6 – Se existe a intenção de substituir os professores de informática por professores de outras áreas de formação, reciclados em TIC ou que “têm jeito”, e que têm insuficiência ou ausência de componente letiva terá resultados nunca para melhor e será o equivalente a, permita-me a metáfora, pôr o beato a dar a Confissão, com prejuízo para o pecador. Será desperdiçar uma força de trabalho altamente qualificada, disponível, ainda jovem, que garante a qualidade técnico-pedagógica e a produtividade que a Educação de qualidade e inclusiva exige, com evidente prejuízo para os alunos. Se esses profissionais de TIC existem e estão integrados no mercado de trabalho porquê descartá-los para depois ter de os substituir por outros? Neste cenário, os custos associados à substituição e à diminuição da qualidade e da produtividade do serviço prestado estão calculados?
7 – O Sr. Ministro, com a intenção reformadora em análise, não quererá com certeza promover a desigualdade de oportunidades, mas está a caminho disso mesmo uma vez que muitos alunos têm o primeiro contacto estruturado com TIC nas escolas básicas. Ao contrário do que o Sr. Ministro idealiza, nem todos os alunos têm computador em casa e para muitos é na escola básica que têm a oportunidade de se tornar competitivo nesta área. Por outro lado, ao acabar com a disciplina, levará os alunos que têm computador em casa a aprender sem orientação pedagógica e neste ambiente tendem a proliferar os maus hábitos (ergonomia), o vício (jogos), o uso lúdico excessivo (redes e contactos sociais), o uso indevido (pirataria), o uso descuidado (exposição, segurança), as avarias (manutenção), em resumo a ausência de boas práticas.

Excelência,
Haveria outros ângulos de reflexão a expor mas temo alongar-me, ficam aqui as linhas principais que podem ajudar na conciliação dos intentos reformadores do Ministério da Educação e Ciência. Se reconhecer validade nestas reflexões que ora exponho espero que delas dê boa nota. Termino, Sr. Presidente, referindo que a Educação é um bem escasso e nestes nossos tempos conturbados que vivemos, escassos são os recursos que permitem criá-la, devem pois ser geridos com sabedoria e sem precipitações. Ao empobrecer o currículo escolar desta forma não creio que seja este o caminho do desenvolvimento dos alunos portugueses, é possível fazer melhor.

Subscrevo-me com elevada consideração,

Pedro Gil da Silva Vala

04-11-2011

Escolas e Tic no jogo da cabra cega

Como podem as escolas e os professores enfrentar com êxito o desafio de incorporar na escola e na sala de aula as Tic, enquanto meios auxiliares do ensino e da aprendizagem? Como devem reagir a resultados tão opostos, quando estudados os efeitos da utilização das Tic na promoção do sucesso escolar e educativo dos nossos alunos? Como evitar este jogo da cabra cega com que, volta e não volta, nos encontramos cercados?
Iniciada a segunda década do século XXI, temos já a bater-nos à porta uma terceira vaga dessa revolução digital. E ela aí está, mais enérgica que qualquer das outras, a deixar-nos cada vez mais interdependentes, a mudar tudo à nossa volta, a mergulhar-nos num mundo de ficção, de perplexidade e de imaginário.
A primeira vaga foi sustentada pela popularização e democratização dos computadores pessoais e dos telemóveis; a segunda, pela massificação do acesso à Internet e da oferta low cost da banda larga; a terceira está a ser protagonizada pela redução de todas as fontes da cultura, do saber e do lazer ao formato digital, acompanhada pela vulgarização do comércio electrónico de bens e serviços, também eles em formato digital. A tendência é apetecível, as novas gerações de consumidores já lhe deram o seu consentimento, logo, o caminho anuncia-se irreversível. Sem ilusões: nada mais vai ser como dantes…
Metaforicamente, poderíamos afirmar que, no futuro próximo, as grandes “fontes de poder” vão estar ancoradas nas “fontes de água” e nas “fontes de saber”. As primeiras vão rarear, as segundas, pelo contrário, irão proliferar. O que resultar desta antinomia, deste confronto dialéctico entre o “saber” da natureza e o “saber” do Homem, converter-se-á no futuro, futuro esse onde iremos passar o resto das nossas vidas.

Mais depressa, e de forma mais eficaz e definitiva, do que os CDs substituíram os discos de vinil, a música em formato digital fará desaparecer, num curtíssimo espaço de tempo, o suporte musical em formato de CD. Hoje, quem entrar num quarto de um adolescente já não vê caixas de CDs, nem livros espalhados por todo o lado. A música e os textos circulam em suportes digitais, configurados em leitores Mp3, em Pen Flash Drives, discos rígidos externos, ou em leitores tipo Kindle. E os filmes também. Não se vai à loja, à discoteca ou à livraria formais. Vai-se à Net e faz-se um download, legal ou ilegal, tanto faz, desde que cumprido o objectivo. Permutam-se discos, filmes e textos à velocidade de um clic, toma lá, dá cá. Uma parte das revistas e livros em suporte de papel têm os dias contados. As bases de dados digitais constituirão uma fonte inesgotável de conhecimento ao alcance dos dedos de uma das mãos. Devido a isso, o crescimento do conhecimento vai evoluir de uma forma exponencial. A humanidade poderá combater melhor as desigualdades, as doenças, a fome, a miséria, o nepotismo e todas as formas de degradação do Homem. A humanidade poderá, ainda, ser una e mais solidária, face ao desenvolvimento social e ao progresso científico proporcionado por esta revolução digital.
A Amazon divulgou que quarenta e sete por cento dos livros vendidos o foram já em formato digital (e-books). Ao preço de um telemóvel topo de gama pode-se comprar um gadget (Kindle, Cool-Er…) armazenador e leitor de revistas e livros com capacidade para guardar uma biblioteca de cerca de quatro mil volumes. Estes livros e revistas podem ser adquiridos on-line, por wireless, ou através de uma ligação 3G a preços populares, devido à óbvia diminuição de custos, em livrarias virtuais. Pouco faltará para que se possa trazer no bolso a biblioteca de Oxford, com possibilidade de aceder aos textos através de um motor de busca à base de palavras-chave. Mais de cinquenta mil filmes são alugados ou comprados no iTunes todos os dias. A publicidade na Net já alcançou mais de metade do valor investido nos meios tradicionais de comunicação social…
Aviso: não se trata do fim dos livros, jornais e revistas em suporte de papel. Como não o foi o anunciado fim dos discos de vinil. Mas é um novo renascer dos modelos de divulgação da cultura, da informação e da ciência, só comparável ao renascimento proporcionado, nos finais da época de quatrocentos, pela prensa de Gutenberg. Um novo renascimento que possibilitará crescimentos culturais e científicos em ordem geométrica, dada a possibilidade de divulgação da informação de forma generalizada e em poucos segundos.

E a escola? E os professores e educadores? Já o afirmámos variadíssimas vezes: vivemos um tempo que pretende reconfigurar a sociedade e a escola, atribuindo-lhe um novo formato, centrado em renovadas formas de receber e transmitir a informação. Isto implica uma busca permanente do conhecimento disponível e das suas fontes de informação. Para alcançar tal objectivo, imputa-se à escola mais uma responsabilidade: a de contribuir significativamente para que se atinja o que se convencionou designar por analfabetismo digital zero.
Para tal, a educação para a utilização das novas tecnologias digitais precisa ser planeada, com base no conhecimento pedagógico, desde o jardim-de-infância. Sem preconceitos ou desnecessárias coacções, sem substituir atabalhoadamente o analógico pelo digital, mas sim reforçando a capacidade cognitiva dos alunos e guiando a descoberta de novos horizontes. Formando os professores e equipando as escolas. Este movimento deve ser capaz de preparar os jovens para serem leitores críticos e escritores aptos a desenvolver essas competências em qualquer dos meios suportados pelas diferentes tecnologias.
É que nem tudo parece ser um mar de rosas… Por exemplo, as escolas que viram a sua média descer ou subir menos do que a média global nos exames do 9.º ano de escolaridade, em 2010, são tipicamente as que mais usaram a Internet”, como referiu Rodrigo Belo, co-autor do estudo “The Effects of Broadband in Schools: Evidence from Portugal”, realizado em parceria com Pedro Ferreira e Rahul Telang. Estes investigadores do Instituto Superior Técnico, Universidade Católica e Carnegie Mellon University, sublinham que o estudo não mede os eventuais impactos positivos do acesso generalizado aos computadores e à Internet na vida futura dos alunos e apenas alerta para o facto de o acesso às novas tecnologias não garantir, por si só, uma melhoria dos desempenhos.
Os professores da designada geração digital também já estão a chegar às escolas. E, com eles, as mudanças pedagógicas vão ser mais rápidas, porque baseadas no domínio de novas competências, na experiência e na forte motivação para o uso das novas tecnologias. A escola tradicional vai mudar. Desde logo necessitará de menos espaços físicos. Através da comunicação on-line, o contacto com o mundo exterior e com as outras escolas da aldeia global será permanente. Desta “conexão” de escolas globais – as connecting classrooms – resultarão aprendizagens, também elas globais, e em simultâneo, proporcionadas pelos vários docentes globalizantes, porque globalizadores do conhecimento e da tutoria dos aprendentes.

O que vamos fazer do “pátio dos recreios” quando, nos intervalos, os jovens já só se confinarem à manipulação dos telemóveis ou das iPads? A resposta depende de acreditarmos, ou não, de que a escola nunca deixará de ser a Escola e de que nós nunca deixaremos de ser Professores.

João Ruivo
jruivo@almada.ipiaget.org

Green technology: how schools can cut ICT spending

Simple efficiency measures in schools’ use of technology are often all that’s needed to save energy, resources and the environment

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Só dois comentários: se é por causa da capacidade de ser um case-study, há catástrofes que também o são. Não é argumento, muito menos sem qualquer estudo que se conheça sobre o impacto favorável da iniciativa (e olhem que, para abrir, os resultados das provas de aferição, pelo menos do 6º ano, devem dar umas pistas…). Quanto ao chavão da mudança de paradigma, pensava que estávamos livres de ler/ouvir isso desde que o pai da nação se aquietou.

Don Tapscott afirma que o programa e-escolas é um ‘case-study’ internacional.

Alunos que gostam de estudar, que comunicam entre si, que participam e que mostram entusiasmo nas aulas é o que Don Tapscott, professor da Universidade de Toronto, no Canadá, consultor e autor de 13 livros sobre o impacto das novas tecnologias na sociedade e nos negócios, garante que o projecto e-escolas traz à educação.

“Uma mudança de paradigma que se consubstancia numa relação diferente entre aluno e professor e numa aprendizagem colaborativa”, destacou o guru, ontem presente na conferência sobre “A Escola do Futuro na Era da Comunicacao Digital”. Don Tapscott tem defendido o projecto e-escolas como um ‘case-study’ a seguir nomeadamente pelos Estados Unidos.

Era 1.30 da madrugada de hoje e estava eu a pensar o que iria fazer umas 9 horas depois à FCT, como palestrante convidado do TICE.pt.

Claro que há aquela tentação de aderirmos logo às coisas tecnológicas e fazer uma comunicação toda modernaça, cheia de efeitos multimédia para encher o olho e parecer que se está mesmo na onda.

Mas eu não tinha preparado ainda nada de muito definitivo, para além de umas leituras preparatórias, umas referências, umas citações.

E apetecia-me dormir.

E foi então, enquanto espreitava uma gravação do Frasier, que tive a ideia óbvia: que sentido faz ir ao Pólo Norte mostrar como se faz gelo?

Pelo contrário, deve-se levar o que não há por lá em quantidades industriais. é algo desnecessário ir soletrar a Bíblia ao vigário.

E então decidi por uma comunicação não-tecnológica, analógica ou mesmo anterior, reduzida à pessoa que fala e que transmite pela palavra as suas ideias e o que pensa.

Uma espécie de retorno à essência primordial da função do professor e da comunicação. Se uma imagem vale por mil palavras, uma palavra dita com a sua carga expressiva valerá algumas imagens.

E assim dividi a intervenção em três partes para uma meia hora cumprida com razoável rigor.

Equívocos, Complementaridades e Desafios da relação entre a Tecnologia e a Educação.

Que equívocos?

  • Antes de mais o equívoco que tende a pensar que a tecnologia é mais do que um meio, uma ferramenta, que em poucos momentos prescinde da presença humana para dirigir a sua utilização.
  • Em segundo lugar, o equívoco de que basta despejar equipamentos nas escolas, para estas ficarem modernas, esquecendo-se que sem enquadramento na formação de professores e produção de conteúdos adequados. Um computador é uma máquina que pode ser útil ou não. Como a própria net pode ser uma importante ferramenta ou um incentivo á preguiça.
  • Em seguida, o equívoco resultante de existir um evidente desajustamento entre os meios que se disponibilizam e aquilo que se pretende dos alunos ao longo da escolaridade. Se em provas do 6º ano é habitual que se peça ainda que sejam ordenadas palavras por ordem alfabética ou que se contem cd’s empilhados, não me parece que a banda larga e muitos computadores sejam essenciais para saber o alfabeto e a tabuada aos 12 anos. Ou seja, é necessário percebermos antes de mais o que queremos da educação e que tipo de alunos pretendemos formar, em que nível de escolaridade, antes de lhes entregarmos um computador.
  • Por fim, entender que os recentes avanços nas tecnologias da informação, com o seu efeito multiplicador, em vez de potenciarem a individualidade e a criatividade, acabam – se utilizadas de forma superficial – por promoverem em muitas situações a indiferenciação e a replicação, por exemplo, das mesmas informações colhidas numa enciclopédia enorme, mas sem índice ou hierarquização do valor dos conteúdos. Porque, e acho que concordarão, era mais fácil há 10 ou 15 anos termos trabalhos com características mais individuais dos autores do que agora em que todos vão à net, pesquisam no google e desaguam na wikipedia, de onde fazem copy/paste para o Word ou Power Point.

E é aqui que entra a questão das complementaridades. Na necessidade das empresas ligadas às TIC, ao desenvolvimento de equipamentos, redes e conteúdos, entrarem em contacto com as escolas e não se perderem apenas nos contactos com a estrutura burocrática e/ou política do ME para fazer negócios. Porque é necessário ouvir as necessidades concretas das escolas ao nível não apenas dos equipamentos, mas igualmente do software, seja educacional, seja de gestão. E isso só se consegue com parcerias no terreno e não nos gabinetes.

Essa complementaridade deve ser conseguida contra múltiplas resistências, seja da inércia das escolas e professores (ou da sua falta de autonomia para gerar e gerir verbas), seja das empresas que tendem a olhar para as escolas como unidades desinteressantes para o negócio, preferindo grandes contratos com o estado central ou mesmo as autarquias, seja do próprio aparato burocrático do Estado que analisa os negócios muitas vezes apenas do ponto de vista da racionalidade económica e quase nunca do ponto e vista do interesse e necessidades dos utilizadores.

Relativamente aos desafios que se colocam, pelo menos numa perspectiva breve e a partir da base escrevo amanhã, que agora já estou mais para ó lado do Morfeu do que para o meu.

Requerer Certificação de Competências TIC

Home Computer Use and the Development of Human Capital

E a taxa de penetração do uso de computador e banda larga não decorreu do Plano Tecnológico e que a distribuição de computadores obedeceu à lógica do negócio e não a uma selecção de beneficiários com critérios de aprofundamento da penetração das novas tecnologias.

Mais de 90 por cento dos beneficiários do e.iniciativas já tinham computador

Entre 91 e 96 por cento das pessoas que aderiram aos vários programas das e.iniciativas já tinham computadores em casa, na sua grande maioria computadores de secretária, revela um estudo pedido pela Autoridade Nacional de Comunicações.

Dans les Landes, l’ordinateur n’a pas révolutionné l’école

C’est un fait, l’ordinateur portable et les nouvelles technologies en général ne sont pas encore sur le point de bouleverser l’école. L’enquête commandée sur le sujet, par le conseil général des Landes, le confirme. Dans ce département, des ordinateurs portables sont distribués à tous les élèves de troisième et à leurs enseignants à chaque rentrée, depuis sept ans. Les collégiens peuvent emporter l’outil chez eux et s’en servir comme ils le désirent. Baptisée «un collégien, un ordinateur portable», cette opération a été depuis 2005, élargie aux élèves de quatrième. Convaincu de l’intérêt de cette mesure, le conseil général a tout de même souhaité en mesurer l’impact par une étude approfondie réalisée par l’institut TNS-Sofres. Les résultats de cette étude qui viennent d’être publiés sont assez mitigés.

L’enquête révèle d’abord qu’un peu plus de la moitié des enseignants (57%) déclarent utiliser leur ordinateur à au moins un cours sur deux. Paradoxalement, les élèves ont le sentiment que son utilisation est beaucoup moins fréquente puisqu’ils ne sont que 25 % à affirmer s’en être servi durant la semaine précédente. Pour Henri Emmanuelli, le président du conseil général des Landes qui est à l’origine de cette opération, les enseignants ne sont pas assez formés à l’utilisation des nouvelles technologies. «Ils utilisent leur machine de façon magistrale pour faire des cours ou des exposés et pas d’une manière interactive» explique-t-il. L’élu socialiste en rejette la responsabilité sur le ministère de l’éducation nationale qui ne s’est pas engagé dans cette voie assez tôt selon lui.

Sans grande surprise, on découvre que ce sont les jeunes profs de moins de 45 ans qui utilisent le plus leur ordinateur. Ils sont plus de la moitié à s’en servir à chaque cours. Des chiffres qui font relativiser les résultats globaux plutôt médiocres selon Henri Emmanuelli, car les enseignants des Landes sont plus âgés que la moyenne compte tenu des systèmes de mutation dans l’éducation nationale. Ceux qui rechignent à utiliser l’outil estiment à 53 % qu’ils «perdent trop de temps dans l’installation du matériel» et à 35 % que cela «perturbe la dynamique de la classe». Ce sont les enseignants des matières scientifiques, SVT (sciences de la vie et de la terre) en tête, qui se servent le plus de leur ordinateur en classe. Les enseignants de lettres et de mathématiques ne l’utilisent pour leur part qu’occasionnellement. Les élèves pianotent sur leur portable essentiellement pour «récupérer des documents sur le réseau du collège» (86%) ou pour faire des exercices. Ils ne sont que 27 % à l’utiliser pour faire des recherches sur internet.

Malgré ces résultats plutôt décevants, pour un coût assez important (45 millions d’euros depuis 2001), le président du conseil général des Landes affirme vouloir poursuivre l’opération « un collégien, un ordinateur portable » car au-delà du «simple but pédagogique, elle a aussi permis de réduire la fracture numérique dans un département semi-rural.» Aujourd’hui dans les Landes, l’utilisation de l’ordinateur est comparable à celle des zones urbaines. (Stéphanie Lacaze)

Há notícias de que começa a chegar às escolas por estes dias a segunda vaga de computadores, o que confirma a meta de 1 computador para cada 2 alunos para 2010 (http://www.escola.gov.pt/objectivos.asp).

Sabendo que não são portáteis mas sim computadores de secretária, tomando como referência que cada mesa é ocupada por 2 alunos, isso vai dar, a partir de 2010, 1 computador em cada mesa. Em todas as salas de aula!

E pergunto eu: como se vai gerir esta “coisa” monstruosa? Para além das questões técnicas (quadros eléctricos, tomadas eléctricas, cabos de rede pela sala, etc.), as questões de disciplina (utilização pelos alunos não autorizada, vandalismo, etc.), e também as questões pedagógicas. O que se vai fazer nas aulas com os computadores a estorvar o trabalho regular?

Definitivamente, as coisas só são feitas para a estatística, com a meta para 2010 de um rácio superior à média europeia.

Se ao menos tivessem aprendido alguma coisa com a experiência dos portáteis fornecidos às escolas ainda há poucos anos! Os portáteis têm a grande vantagem de não estorvarem quando não estão a ser utilizados e de poderem circular pelas salas, respondendo à procura. Um rácio de 1 portátil por cada 4 alunos era muito mais eficaz, mas nunca conseguiria o mesmo efeito “mediático” das estatísticas.

JF

Certificar 90 por cento dos professores em Competências TIC até 2010

Concebido para integrar os sistemas de formação contínua dos professores e do pessoal não docente, o programa visa a valorização dos recursos humanos das escolas, a difusão de práticas inovadoras no ensino e a melhoria dos resultados escolares dos alunos.

O que preciso eu para saber se já estou certificado?
É que como dou aulas de TIC com autorização do ME, com base no meu currículo e tal, acho que estou dispensado, certo?

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