Tese


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Tese de 2010, de António Manuel Amaral da Fonseca. Pesquisa do Livresco:

Escolas, Avaliação Externa, Auto-avaliação e Resultados dos Alunos

Páginas 123-124:

Esta constatação induziu-nos a concluir que há uma valorização da avaliação de escolas numa “lógica instrumental”, de prestação de contas sobre a verificação do cumprimento dos “procedimentos burocráticos”, revelando subjacente uma exigência do cumprimento formal dos requisitos legais, ou seja, a importância da verificação da existência de um relatório de autoavaliação com referência aos pontos fortes e fracos e recomendações, mais do que a valorização da sua componente de efectiva mobilização dos resultados na promoção de melhoria organizacional e de aumento da qualidade dos serviços.  Não obstante, verificou-se também que escolas “melhor” posicionadas no ranking apresentando um processo de auto-avaliação com fragilidades obtiveram a classificação Bom e, em contra-senso, escolas “pior” posicionadas, apresentando um processo de auto-avaliação mais robusto, este foi também classificado com Bom.

(…)

Este epílogo, ainda que sujeito a limitações ao nível da complementaridade desta investigação com um estudo in loco sobre os processos e o uso e os fins dados aos resultados desses mesmos processos, permitiu constatar nestas escolas uma possível “contaminação positiva” do posicionamento das escolas nos rankings sobre as classificações atribuídas no domínio Capacidade de auto-regulação e melhoria. Como verificado, estas escolas, apresentando debilidades mais significativas, ao nível do uso e fins dado aos resultados do processo de autoavaliação, do que os processos de auto-avaliação das escolas “pior” posicionadas, obtiveram, no entanto, a mesma classificação.

(…)

Uma investigação desta natureza comporta sempre limitações, a nossa não foge à regra. Uma das limitações prende-se, logo à partida, com o facto de somente nos baseamos na perspectiva da IGE. Como já referimos, essa realidade construída pela IGE não deixa de ser um breve vislumbre da realidade, não podendo corresponder à complexa realidade vivida nas escolas relativamente à auto-avaliação. Esta falta de complementaridade entre a imagem transmitida nos relatórios acerca da auto-avaliação e a realidade vivida nas escolas pode ainda estar sujeita a outros factores, em que as escolas, quando visitadas por pessoas exteriores à comunidade educativa, procuram realçar os aspectos mais positivos, deixando os aspectos menos positivos despercebidos. Portanto, ter em conta a perspectiva das escolas daria com certeza outra segurança às conclusões apresentadas.

Já aqui escrevi um par de vezes acerca da ambivalência que sinto quanto aos escritos de Rui Ramos. Acho-lhes qualidade, domínio assinalável da história política contemporânea, mas também detecto o gosto pelo artifício, as desafeições que toldam o olhar e o prazer de, por via das desafeições, fazer leituras dos factos que deixam um pouco a desejar em matéria de rigor ou poder explicativo.

Na revista Sábado de hoje (pp. 62-68) vem um texto seu (ou ensaio, sei lá…) sobre a implantação da I República, um regime com que ele parece embirrar particularmente.

Tudo bem, eu embirro com aquela zona do liberalismo que fica entalada no segundo quartel do século XIX, mas não é por isso que procuro explicações tautológicas para apoucar o período.

Sobre a República de 1910, Rui Ramos adianta duas teses, ou opiniões, para fundamentar a sua teoria mais geral de que o 5 de Outubro não foi uma revolução:

  • O regime já era republicano antes de o ser, apenas estando por lá o Rei em termos formais.
  • Não é possível tratar-se de uma verdadeira revolução porque «foi possível derrubar uma velha monarquia com a simples revolta de centenas de militares na capital», mesmo se «os revoltosos contavam com simpatia entre uma parte da população da cidade».

Isto é um bocado, digamos assim, falaccioso.

Porquê?

  • Porque uma república com um rei, à época, chamava-se monarquia constitucional e, apesar de tudo, reservava ao rei poderes que um presidente não tinha e não apenas a hereditariedade do exercício do cargo.
  • Da forma como Rui Ramos define como não-revolução o 5 de Outubro, poderíamos definir como não-revoluções todas ou quase as revoluções que na nossa História passam por tal. De 1820 a 1974, passando por 1926, as revoluções foram feitas por umas centenas de militares, com o apoio das populações locais.

Isto não deixa de ser curioso porque, da forma como Rui Ramos coloca as coisas, parece que ele só sconsiderará como revoluções as que correspondem a movimentações de massas.

O que o tornaria, pelo menos neste particular, um marxista bastante ortodoxo.

Vivem-se ainda tempos em que a escola não é percepcionada com a devida centralidade na vida das crianças e dos jovens. Este panorama vai-se alterando, mas ainda estamos longe de níveis que queiramos considerar de qualidade. Há ainda muitas crianças que vão à escola porque têm que ir. De outra forma nunca lá entrariam. E como entram assim saem. Sem que ela lhes tenha dito ou transmitido qualquer saber. Esta mudança a haver será geracional. Há a tendência para se procurarem exemplos a seguir em países do Norte e do Leste da Europa e esquece-se que por trás do que aí acontece há tradições de escolaridade (a que o fenómeno religioso e cultural do protestantismo não é alheio) com séculos de história por oposição a um Portugal que historicamente tem vivido na “(semi)periferia europeia”, voltado para o mundo, é certo, e, paradoxalmente, de costas voltadas para ele. As tentativas de, nesse mundo, se padronizar a Educação (não obstante as diferenças culturais e até civilizacionais), através de uma imagem administrativo-burocrática, tendo vindo a ser criados mecanismos de colagem a essas manifestações de uniformização, por imitação, de experiências de sucesso noutros países, têm transformado Portugal num imenso tubo de ensaio de conteúdo explosivo. (p. 198)

… afinal sois professores, correcto?

Desde 2001 que tinham apresentado a tese com que sempre sonhei:

Tornar-se Estudante Universitário: contributo do Conforto Académico na definição de uma estratégia curricular de sucesso

Porque conforto e sucesso no mesmo título, pá, é coisa que seduz qualquer um! Até se sente ali um cházinho (quem diz chá diz outro tipo de infusão, difusão ou fermentação) ao cair da penumbra, num sofá aconchegante, com uma boa companhia (não fracturante, se possível, e não necessariamente para efeitos de conúbio e/ou procriação que a malta na Universidade ainda é jovem e gosta de curtir…)

Não adianta perder tempo a tentar elaborar a Tese de Titularamento, ou encomendá-la a algum boy do PS, pois:


1- Só o PS é que teima na divisão da carreira; todos os outros partidos com assento parlamentar já assumiram que querem acabar com essa divisão;

2- Se, como se espera, houver mudança de Governo, acabará a divisão da carreira;

3- Se o PS ganhar com maioria relativa, cai com eleições antecipadas ao fim de alguns meses;

4- Se o PS ganhar com maioria absoluta, não adianta os professores fazerem a tal prova, porque têm de fugir do país;

5- Em qualquer caso, uma Tese de Titularamento demoraria meses a elaborar e teria de ser defendida perante um júri, portanto essa tarefa nunca estaria pronta antes das eleições de 27 de Setembro;

6- Professor competente é aquele que aproveita o início do ano lectivo para preparar as actividades escolares e não para arranjar Teses de Titularamento;

7- Se uns não precisaram de apresentar Tese de Titularamento para chegarem a professores titulares, então os outros também não.

Adriano Pinto

No Sol de hoje (desculpem-me, mas estou sem tempo para digitalizações) é dado destaque a André Sampaio enquanto economista com tese de mestrado sobre Educação e não enquanto descendente de linhagem ditosa.

A dita tese versa, ao que parece e na falta do título, a questão da construção dos rankings escolares e contém várias boas ideias e outras nem tanto.

Defende-se a existência de mais exames, a organização do básico em semestres e de prémios para os professores com melhores resultados. Também se anuncia uam fórmula matemática para calcular quais serão, efectivamente e sem truques, os melhores professores e as melhores escolas.

As suas ideiais enquadram-se no âmbito da value-added theory e são interessantes mas há um pequeno senão que o próprio confessa: para as aplicar são necessários dados que o ME não disponibiliza ou não chega sequer a considerar.

A direcção de turma no centro da colaboração entre a escola e a família

As bibliotecas escolares e a formação de leitores

A administração da educação primária entre 1926 e 1995: que participação dos professores na organização da escola e do processo educativo?

Tese de Doutoramento de Henrique da Costa Ferreira, centrada apenas no Ensino Primário.

Insucesso escolar na matemática : um (outro) olhar : percepção dos alunos do 6.º ano do Ensino Básico sobre o insucesso

Tese de Mestrado de Rosalina Nogueira Leandro que merece leitura, em especial na parte conclusiva, bastante dotada do bom-senso e conhecimento da realidade da sala de aula que tantas vezes falta a algumas destas abordagens. Eis dois excertos, retirados das páginas 138 e 140:

É uma Tese de Mestrado sobre um tema que me interessa, embora retrospectivar o fenómeno desde a Antiguidade me pareça excessivo.

Depois a perspectiva e a prospectiva não são as que mais me agradam, mas o tema é dado a abordagens conflituantes.

Em especial quando se aterra de cabeça naquele discurso embrulhadinho, a páginas 178 da Conclusão, ali paredes-meias com o chamado eduquês, aqui polvilhado com um não sei quê, não sei que mais (assumo que também, por vezes, me deixei no passado enrodilhar e enrendilhar neste tipo de tentação hermética), que nos deixa quase sem perceber a quantas andamos, pouco adiantando para além de percebermos que se não for assim é de outra maneira, ou então é ao contrário.

Era mais simples dizer que nos tempos que correm, aconselha o politicamente correcto que se negoceie o exercício da autoridade do professor na sala de aula, se possível com aqueles contratos assinados com os alunos e que depois até há quem cole nas paredes para os lembrar dos compromissos assumidos.

Não digo que não funcione. Apenas nunca necessitei, felizmente, e tenho as minhas antigas turmas para confirmar que raramente exerci o direito à ditadura.

Mas é verdade que tenho tido imensa sorte: a esmagadora maioria dos meus alunos sempre percebeu que uma sala de aula é uma sala de aula, mesmo se nos formos todos sentar fora dela a conversar em dia de calor anti-pedagógico, como uma antiga aluna minha – agora adulta devidamente formada – me relembrou há poucos dias por mail.

Tese de Doutoramento que procura escalpelizar a forma como são mediadas, pela hierarquia burocrática do sistema educativo, as orientações definidas pelos organismos centrais, neste caso, os Ministérios da Educação de Portugal e Angola.

Onde se percebe a tensão entre a tentação centralizadora e as margens de autonomia no plano local, tudo intermediado pelos serviços da burocracia administrativa.

Não resisto a incluir o esquema usado na conclusão para descrever o processo.

Texto completo (>7Mb): centalsisteduc.

Interessante tese de mestrado feita ainda no contexto do anterior decreto-lei 115/98, numa perspectiva de case-study da participação parental numa escola do 1º CEB. São interessantes as conclusões muito críticas que revelam até que ponto um regime jurídico formal de autonomia pode conduzir a fenómenos de recentralização administrativa.

Nada que não adivinhe ser a conclusão de teses de mestrado a realizar aí por 2015.

Texto completo: partorgpais.

Tese de Doutoramento em Psicologia sobre um tema muito mal tratado entre nós (sobredotados).

Implementação de um sistema unificado de gestão escolar e e-learning

Tese de Mestrado em Educação Multimédia de Michael Kaufmann, interessante como relato de uma experiência de criação de um sistema integrado de todos os serviços digitais de um estabelecimento de ensino, neste caso a ESE Paula Frassinetti.